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2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.2. Performance e Efetividade Organizacional

2.2.4. Triple Bottom Line (TBL)

A noção por trás do TBL é de que o sucesso ou saúde de uma organização pode e deve ser mensurado não somente pelo tradicional bottom line financeiro (é dessa expressão que surge o TBL), mas também pelo seu desempenho social e ambiental (Norman e MacDonald, 2003). O framework carrega o conceito de sustentabilidade em seu núcleo, construindo uma forma de se medir a efetividade da organização à luz dos impactos que provoca. Segundo Moneva e Ortas (2009), o conceito de sustentabilidade mais difundido foi introduzido em 1987, pela Brundtland Commission, e se baseia na ideia de que ser sustentável é atender as necessidades de hoje, sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender as suas.

A ideia, esquematizada na figura 2.5, ganhou avanços nos últimos anos, se tornando o mais difundido entre diferentes conceitos de sustentabilidade (Wexler, 2009). Segundo Wexler (2009), para se ter uma noção da difusão do termo TBL, em 2003 o Google retornava 52.400 para a expressão “triple bottom line” e em junho de 2008 já retornava 598.000. Em janeiro de 2014, a busca já totalizava 18.900.000 retornos. Apesar de não ser um método formal para se identificar a difusão de um tema, é no mínimo interessante o crescimento expressivo no tempo da quantidade de ocorrências, o que não parece ser somente um efeito de melhorias nas pesquisas do Google.

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Social

Ambiental

Econômico

Figura 2.5 – Visões do TBL

Conforme Sridhar (2012), a visão econômica busca refletir o sucesso da organização no mercado e em relação ao retorno a seus acionistas, o que já era praticado pelas empresas em geral. Já a visão social traduz a gestão de stakeholders, principalmente a força de trabalho e a comunidade. Por fim, a visão ambiental mostra o cumprimento referente a demandas governamentais, bem como atendimento a grupos de clientes conscientes em relação ao ambiente. As três dimensões consideradas no TBL também são conhecidas como profits, people e planet, representando, respectivamente, as dimensões econômica, social e ambiental. Com essa nomenclatura, forma-se mais um conjunto de P’s, os 3P’s, que traduz quais seriam os três objetivos da organização (Slaper e Hall, 2011) e juntam-se aos 4P’s (product, price, promotion e place – ou distribution) do marketing e aos 5P’s da estratégia (plan, ploy, pattern, position e perspective).

O desenvolvimento do TBL se constrói, segundo Jamali (2006), pelo aumento das demandas em cima das corporações por “cidadania corporativa”.

Construindo em cima da ideia de que as organizações privadas são um motor dominante de crescimento, elas possuiriam uma responsabilidade moral e ética de contribuir com o crescimento econômico e geração de oportunidades, igualitárias e

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sustentáveis (Jamali, 2006), o que adiciona os dois pilares ao modelo antes predominante. Além disso, Neely e Bourne (2000) afirmam que as medidas de desempenho deixaram de ser somente para controle, mas também para comunicação, demandada pelos diversos grupos de stakeholders (Micheli e Mari, 2013). A comunicação, ainda, deve ser feita não só com grupos internos, mas com stakeholders externos, no caso, grupos com interesse no meio ambiente (sociedade, governo, ativistas) e questões de desenvolvimento social (comunidades, empregados, governo) (Neely e Bourne, 2000; Jamali, 2006).

Segundo Slaper e Hall (2011), um dos grandes desafios do TBL é medir as duas novas dimensões e, ainda, conciliá-las de alguma forma com o resultado financeiro. Não há um padrão definido, havendo uma miríade de indicadores que dependem dos objetivos das organizações, seja privada, pública ou não-governamental. As tabelas 2.16 e 2.17 abaixo trazem exemplos de indicadores sociais e ambientais identificados por esses autores.

Social

Média de horas de treinamento por empregado Contribuições com caridade

Índices de retenção

Índice de acidentes com funcionários

Tabela 2.16 - Exemplos de indicadores sociais (Fonte: Slaper e Hall, 2011)

Ambiental

Índice de incidentes Vendas por kwh consumido Emissão de gases do efeito estufa Consumo de água

Utilização de material reciclado Quantidade de resíduos gerados

Tabela 2.17 - Exemplos de indicadores ambientais (Fonte: Slaper e Hall, 2011)

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Norman e MacDonald (2003) acreditam que até a definição de uma medida para cada uma dessas dimensões é impossível, principalmente no aspecto social, pelas dificuldades de se adotar uma mesma unidade (como na dimensão financeira) e pelas questões morais que normalmente se envolvem com questões sociais, inviabilizando alguma regra de equivalência entre medidas ou eventos.

A impossibilidade de se chegar a uma medida única para as dimensões é criticada não só por Norman e MacDonald (2003), mas também por Slaper e Hall (2011), que afirmam que a utilização de diversos indicadores pode provocar uma

“fadiga métrica” no usuário, dificultando, ao invés de ajudar, a tomada de decisão.

O próprio termo, portanto, oferece uma promessa que não consegue entregar (Norman e MacDonald, 2003).

No sentido de se padronizar as métricas e a divulgação, hoje existem diversas organizações que se propõe a determinar quais indicadores devem ser considerados para cada dimensão e como eles devem ser relacionados para se ter uma visão integrada. Dentre essas diferentes organizações, se destaca a Global Reporting Initiative (GRI). Segundo o próprio site dessa instituição (www.globalreporting.org), a missão atual do GRI é tornar padrão a prática de relatórios de sustentabilidade e, para isso, suas prioridades são:

o Padronizar os relatórios de sustentabilidade e fornecer guias atualizados;

o Capacitar as organizações, através de treinamento;

o Promover a política do ‘Report or Explain’, que consiste em fazer com que as empresas publiquem seus relatórios de sustentabilidade (inteiros ou parciais) ou expliquem o porquê de não publicarem determinadas informações;

o Suportar o desenvolvimento de publicações integradas.

Com esses objetivos, eles fornecem manuais, listas de indicadores e práticas, e treinamentos para ajudar empresas. Diversas empresas, como Vale e

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Rio Tinto, exibem ao final do relatório uma tabela com um checklist das recomendações do GRI. Tal movimento ainda está em fase de desenvolvimento, mas já é uma iniciativa concreta de padronização que começa a surgir sobre o conceito de TBL e de como operacionaliza-lo.

Saindo da esfera de indicadores e métricas, outro ponto de crítica, considerado por Sridhar (2012), é de que o discurso tem sido manipulado pelos gerentes e utilizado mais por questões de compliance e atendimento de demandas por transparência dos stakeholders do que para ações efetivas de integração das dimensões. Conforme um de seus entrevistados: “Nossa decisão de se envolver com reporte de TBL foi muito mais devido a demanda de nossos stakeholders por transparência sobre o que fazemos e como estamos desempenhando sob uma perspectiva mais ampla”. Esse discurso se alinha com as ideias de Norman e McDonalds (2003) de que ao mesmo tempo em que ativistas conseguem empurrar suas agendas sobre as organizações, elas se utilizam do TBL para mostrar a

“roupa limpa”, mais como marketing do que por benefício da sociedade ou do meio ambiente. Segundo eles, o TBL, com um discurso vago e sem metodologia definida, acaba permitindo que, ao mesmo tempo, sejam atendidas demandas da sociedade, o que dá legitimidade ao mesmo tempo em que não constroem nada de concreto.

Entretanto, Wexler (2009) considera que o discurso vago é justamente o que permite que se crie uma coalizão com membros com objetivos distintos. Os grupos que fazem parte de cada tripé possuem motivos e argumentos para se considerarem mais importantes que os demais grupos, o que faz com que de alguma forma se atinja uma negociação entre eles em busca de um “caminho do meio”.

64 3. MÉTODO

Como visto no capítulo anterior, tanto o construto de folga como o construto de desempenho são bastante amplos e permitiriam uma miríade de estudos e análises. Assim, foi necessária uma delimitação do que seria analisado em relação à folga e desempenho neste trabalho. Com isso, buscou-se, então, abordar uma questão central quanto aos temas discutidos, resultando na seguinte pergunta de pesquisa:

Ainda que alguns dos estudos sobre a relação entre os construtos tenham apresentado que a folga pode se relacionar negativamente com o desempenho (como em Tan e Peng, 2003 e Dallabona et al., 2013), espera-se que a relação seja positiva, isto é, que as empresas com melhor desempenho sejam aquelas com maior folga, como visto em Wefald et al. (2010), Singh (1986), Greenley e Oktemgil (1998) e outros estudos relacionados na seção 2.1.7.

Por folga e desempenho serem conceitos multifacetados, como visto no capítulo 2, a pergunta de pesquisa pode ser analisada mais profundamente com algumas subperguntas, que analisam aspectos mais específicos e permitem explorar melhor o tema.

Observando os dois conceitos, verificou-se que ambos apresentam diversas métricas que traduzem diferentes perspectivas. O conceito de folga traz a noção de estado, que influencia a facilidade de utilização dos recursos adicionais (ver seção 2.1.4.) e, segundo Daniel et al. (2004), limitaria a utilização dos recursos em diferentes horizontes de tempo. No mais, o conceito de desempenho pode também ser observado de diferentes formas, como visto com o desenvolvimento do triple bottom line (ver seção 2.2.4.). Mesmo os indicadores de desempenho financeiro, segundo Richard et al. (2009), podem apresentar diversas

P: “Há relação entre folga e desempenho?”

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perspectivas. Tal multidimensionalidade dos conceitos levou duas subperguntas adicionais:

A subpergunta Pa busca indícios de que os estados apresentam relação com o desempenho da empresa, especificamente que as folgas não absorvida potencial e absorvida apresentariam correlações significativas em defasagens temporais maiores. Já a subpergunta Pb tem como objetivo verificar se existe uma delimitação da correlação entre os construtos ou se para alguma perspectiva de desempenho (financeiro, social ou ambiental) o conceito de folga se mostra mais relevante. Espera-se que o desempenho financeiro seja menos relacionado com a folga, traduzindo uma visão de que as empresas investiriam em iniciativas sem retorno financeiro direto somente com recursos adicionais. Tal abordagem multifacetada do desempenho difere daquelas adotadas nos estudos levantados na seção 2.1.7., que focaram exclusivamente na perspectiva financeira.

A última subpergunta investigada se refere à como pode ser observada a relação entre folga organizacional e desempenho. Enquanto diversos autores (por exemplo, Greenley e Oktemgil, 1998 e Tan e Peng, 2003) sugerem e testam uma relação entre folga e o nível de desempenho das empresas, há a possibilidade de que a relação seja incremental, representando que a folga se correlaciona com o quanto as empresas melhoram seu desempenho em relação a um determinado patamar anterior. Assim, tem-se a última subpergunta analisada:

Pb: “Há relação entre folga e desempenho no que diz respeito à perspectiva...”

Pb1: “...financeira?”

Pb2: “...ambiental?”

Pb3: “...social?”

Pa: “Há relação entre os estados da folga e o desempenho?”

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Cabe registrar que para todas as relações testadas foi analisada também a defasagem temporal, considerando as correlações significativas encontradas em relação a folga e o desempenho dos anos posteriores. Segundo Daniel et al (2004), a defasagem temporal não foi relevante para uma melhor compreensão da relação entre folga e desempenho nos estudos levantados e, assim, não espera-se encontrar resultados mais relevantes no espera-sentido contrário.

A figura 3.1 ilustra as relações testadas com as correspondentes perguntas e subperguntas colocadas.

Folga

Estados

Desempenho Absoluto x Incremental Financeiro, Social

e Ambiental Defasagem

temporal P

Pa Pb

Pc

Figura 3.1 - Esquema representativo das relações avaliadas e as perguntas/subperguntas correspondentes

Para buscar responder às perguntas acima, foi necessária a seleção de um objeto de estudo, definido por um conjunto de empresas, das quais seriam levantadas as informações necessárias para se verificar as perguntas. Com as

Pc: “Há relação entre folga e desempenho quanto ao...”

Pc1: “...desempenho absoluto?”

Pc2: “...incremento do desempenho?”

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empresas selecionadas, foram necessários definir indicadores de folga e de desempenho que permitissem a análise quantitativa e retratassem a multidimensionalidade dos construtos.

A verificação das perguntas se deu através do cálculo da correlação entre os indicadores de desempenho e os indicadores de folga, considerando ainda períodos específicos dentro de um horizonte de tempo definido onde a folga teria um papel mais relevante. Tais períodos seriam aqueles onde há mudanças significativas no ambiente, remetendo à definição de Bourgeois (1963) de folga organizacional como um colchão de recursos para absorção de pressões internas ou movimentos do ambiente. As próximas seções detalham como cada um desses passos do método foram realizados.

3.1. Seleção do objeto de estudo

Como o objetivo central do trabalho envolve investigar a correlação entre os construtos, quantifica-los se faz necessário. Isto posto, foi preciso selecionar um objeto de estudo que tivesse acesso facilitado a dados quantitativos, tanto financeiros quanto sociais e ambientais, para cálculo dos indicadores e posteriores análises, direcionando o objeto de estudos para setores onde as principais empresas fossem de capital aberto.

Não obstante a necessidade de acesso a dados quantitativos, o impacto que o setor onde a empresa se insere tem no nível de folga apresentado, chamados ‘antecedentes da folga’ no capítulo anterior (especificamente seção 2.1.4.1), poderiam interferir na análise por agrupar empresas com características de indústria que naturalmente apresentassem folgas maiores ou menores. Assim, optou-se por limitar a análise a um setor, na expectativa de que as variações nos níveis de folga fossem oriundas somente de antecedentes no nível organizacional ou no nível coalizão.

Dentro das possibilidades de setor, algumas outras características guiaram a escolha. A diferenciação dos produtos poderia ser um elemento que afetaria o

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nível de folga das empresas dentro de um mesmo setor, de forma que a opção por um setor commoditizado e de competição global poderia eliminar o efeito de outros elementos que não o nível de folga das empresas e medidas gerenciais tomadas por cada uma. Ainda, tais empresas tenderiam a ser afetadas de forma semelhantes por eventos econômicos globais, facilitando a identificação do efeito da folga. Por fim, a relevância do setor para o Brasil foi uma característica procurada, pois tornaria o estudo mais atraente para executivos e acadêmicos brasileiros, facilitando a sua difusão.

De acordo os elementos acima, foi selecionado o setor de mineração. O setor apresenta grandes empresas globais, seus produtos são predominantemente commodities e há um representante brasileiro relevante: Vale.

A disponibilidade de informações também é ampla, dada a abertura de capital de quase todos os grandes players. Escolhido o setor, o próximo passo foi selecionar as empresas a serem analisadas.

Pela necessidade de uma base de dados mais extensa para robustez nas análises quantitativas, foi necessário o levantamento de dados de uma quantidade significativa de empresas. Foram levantadas as informações de 40 empresas, aquelas com maior valor de mercado no início de 2013, conforme estudo da PWC (2013). A tabela 3.1 lista as empresas consideradas.

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1 Anglo American 21 Jiangxi Copper 2 AngloGold Ashanti 22 KGHM Polska

3 Antofagasta 23 Kinross Gold

4 Barrick Gold 24 Minera Frisco

5 BHP Billiton 25 Newcrest

6 China Coal Energy 26 Newmont 7 China Shenhua Energy 27 NMDC

8 Coal India 28 Norilsk

9 Eldorado Gold 29 Polyus Gold 10 First Quantum 30 Potash Corporation

11 Fortescue 31 Rio Tinto

12 Freeport 32 Silver Wheaton

13 Glencore 33 Teck Resources

14 Gold Fields 34 The Mosaic

15 Goldcorp 35 Uralkali

16 Grupo México 36 Vale

17 Impala Platinum 37 Xstrata 18 Industrias Penoles 38 Yamana Gold 19 Inner Mongolia Baotou 39 Yanzhou Coal 20 Inner Mongolia Yitai 40 Zijin Mining

Tabela 3.1 - Lista de empresas consideradas (Fonte: PWC, 2013)

Os dados financeiros foram levantados da base de dados da Bloomberg, enquanto os sociais e ambientais a partir dos relatórios de sustentabilidade de cada empresa. O perfil do grupo, com informações adicionais das empresas selecionadas, pode ser encontrado no Apêndice I.

Deve-se atentar ainda para possíveis vieses de seleção. As empresas não foram selecionadas aleatoriamente, e sim fazem parte de um conjunto específico dentro do que seria a população das empresas mineradoras e, assim, a amostra pode não ser representativa.

70 3.2. Indicadores considerados

Definidas as empresas, fez-se necessário definir os indicadores considerados tanto para desempenho como para folga. Ao todo, foram quatro conjuntos: indicadores de folga, indicadores de desempenho financeiro, indicadores de desempenho social e indicadores de desempenho ambiental.

Para folga, considerou-se a classificação em Absorvida, Não Absorvida Imediata e Não Absorvida Potencial, sugerida por Singh (1986) e utilizada em diversos trabalhos posteriormente. Para cada classificação, foram considerados dois indicadores a fim de se traduzir mais de uma visão sobre cada estado. Os dois indicadores de cada estado não foram consolidados por representarem visões diferentes. Assim, qualquer forma de agregação dos indicadores de um mesmo estado, ou mesmo de todos os indicadores de folga, poderia interferir na interpretação dos resultados, o que exigiria a abertura nos indicadores individuais.

A tabela 3.2 mostra os indicadores considerados e as referências sobre folga organizacional de onde foram retirados, bem como a leitura que trazem.

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Tipo Estado Medida Referências Leitura em relação à folga

Financeira Absorvida [Capital Circulante] / [Vendas]

Inspirado em Mousa et al.

(2013)

Quanto menor o indicador, maior seria a folga apresentada pela empresa.

Financeira Não Absorvida

Imediata [Dividendos] / [Lucro]

Inspirado em Bourgeois (1981),

[Ativos Totais] Mousa et al. (2013)

Quanto maior o indicador,

Potencial [EBIT] / [Juros] Greenley e Oktemgil (1998)

Quanto maior o indicador, maior seria a folga apresentada pela empresa.

Tabela 3.2 - Indicadores de folga considerados

Deve-se ressaltar que três dos indicadores considerados foram inspirados por indicadores utilizados na literatura em outros estudos. O único indicador de folga de recursos humanos é de natureza semelhante ao sugerido por Mousa et al. (2013), que ao invés de o total de funcionários, contemplava a quantidade de gestores ou a quantidade de gestores com experiência no setor, informação de difícil acesso e validação. O segundo indicador que não foi utilizado conforme visto na literatura, mas foi inspirado nos trabalhos encontrados, foi o indicador de Dividendos / Lucro. Diversos autores (Bourgeois, 1981; Bourgeois e Singh, 1983;

Marino e Lange, 1983; Greenley e Oktemgil, 1998) consideraram este indicador de folga como Dividendos / Patrimônio Líquido, o que poderia ser interpretado como

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uma medição de desempenho contábil (Borinelli e Pimentel, 2010). Por fim, o terceiro indicador que foi inspirado em outros estudos foi o de Capital de Terceiros / Total do Ativo. Enquanto na literatura (Bourgeois, 1981; Bourgeois e Singh, 1983;

Marino e Lange, 1983; Greenley e Oktemgil, 1998; Dallabona et al., 2013) os autores trabalharam com Capital de Terceiros / Patrimônio Líquido, optou-se por utilizar o denominador como o Total do Ativo, que transmite a mesma ideia em relação a folga e também é um indicador contábil bastante utilizado, chamado de Endividamento Geral (Borinelli e Pimentel, 2010).

Mais uma vez, deve-se atentar para vieses de seleção, uma vez que as folgas não são valores aleatórios, mas sim resultados de decisões tomadas pelas empresas, inclusive podendo ter seus níveis definidos mais por políticas internas arbitrárias do que por fatores externos.

Em termos de indicadores de desempenho financeiro, foi considerado um conjunto que traduziu os três tipos separados por Richard et al. (2009): contábeis, de mercado financeiro, e mistos. Dentre aqueles citados, foram considerados dois de cada classificação, buscando mais uma vez uma multidimensionalidade na medição do construto que permitiria responder às perguntas propostas neste trabalho. A tabela 3.3 apresenta os indicadores considerados para desempenho financeiro para cada empresa analisada.

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Indicador Categoria O que mede Leitura

Margem de lucro antes dos juros, imposto, depreciação e forma de financiamento e a reposição dos ativos depreciados.

Quanto maior o indicador, melhor o desempenho financeiro.

Retorno sobre Ativos (ROA) Contábeis

O retorno contábil obtido dos ativos empregados nas operações, medido a partir do lucro obtido em determinado ano. lucro por ação, que aponta como o mercado financeiro valoriza a empresa e a garantia de resultados futuros.

Quanto maior o indicador, melhor o desempenho financeiro.

Retorno Total ao Acionista (RTA) Mercado Financeiro

O retorno % total ao acionista, considerando a valorização das ações e distribuição de dividendos.

Quanto maior o indicador, melhor o desempenho financeiro.

Fluxo de Caixa Livre (FCLE) /

Receita Mistas

O quanto é gerado de fluxo de caixa livre para a empresa após suas operações e investimentos em crescimento e manutenção.

Quanto maior o indicador, melhor o desempenho financeiro.

Razão entre Valor de Mercado e

Valor Contábil Mistas

O valor de mercado da empresa em comparação com o valor total dos ativos, indicando o valor adicional gerado pelas operações na visão do mercado.

Quanto maior o indicador, melhor o desempenho financeiro.

Tabela 3.3 - Indicadores financeiros considerados (Fonte: Richard et al., 2009)

Os indicadores supracitados, ou os dados necessários para calculá-los, foram extraídos da base de dados da Bloomberg, uma das mais utilizadas no mundo para análises financeiras. Bem como os indicadores de folga, os indicadores de desempenho financeiro não foram agregados. Definir uma regra para agrega-los seria arbitrário e, além disso, poderia dificultar as análises de relações particulares que, quando agregadas, poderiam desaparecer.

Por fim, para os indicadores sociais e ambientais, foram considerados aqueles que se mostraram mais relevantes para as próprias empresas no levantamento de dados realizado. Entende-se que aqueles indicadores presentes de forma mais padronizada nos relatórios de um número maior de empresas foram os que de fato as empresas consideraram como críticos em relação ao impacto que provocam no meio ambiente e em termos sociais. Além disso, esses indicadores foram aqueles que apresentaram maior disponibilidade, viabilizando

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as análises, e também não foram agregados pelos mesmos motivos dos indicadores financeiros. A tabela 3.4 mostra os indicadores ambientais e sociais que foram considerados.

as análises, e também não foram agregados pelos mesmos motivos dos indicadores financeiros. A tabela 3.4 mostra os indicadores ambientais e sociais que foram considerados.