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5.2 SEGUNDA PARTE: NOVEMBRO DE 2019

5.2.1 Turma 2A - Técnico em Meio Ambiente Integrado

Turma composta de 9 alunos o que possibilitou tempo e dedicação para os seminários ter como foco o texto filosófico. A princípio, a turma teve dificuldades com a leitura do texto original, mas com a prorrogação no prazo para a apresentação, os estudantes que apresentaram foram bem na exposição do tema. Os alunos destacaram que os textos de O Ser e o Nada apresentam um duplo aspecto: se por um lado, encontramos passagens obscuras, complexas, por outro, apresenta também, vários exemplos do cotidiano que o torna compreensível e acessível pelos jovens leitores.

A respeito da metodologia e dos encaminhamentos do professor, os alunos consideraram como relevante as discussões e debates, embora, o professor, segundo eles, assemelhe-se ao autor, no que diz respeito a exposição de muitos conceitos e ideias diferentes entre si. Obviamente, que o autor é superior ao professor, diz a aluna E. N., mas ambos têm em comum

a discussão de vários assuntos ao mesmo tempo, a linguagem complexa, o que dificulta a compreensão.

Por se tratar de uma turma em sua maioria dedicada e comprometida com os trabalhos, as considerações dos alunos a respeito da metodologia do professor foram entendidas como contribuições muito importantes ao longo da realização desse projeto. Considerando que no terceiro trimestre muitos alunos já tinham nota suficiente para aprovação, outro aspecto importante aqui foi perceber que o objetivo do aluno não se resumiu em alcançar uma nota para passar para ano seguinte. Assim, temos aqui um exemplo típico de aluno que não busca apenas preocupar-se com a média, mas, com o “porquê” do valor de uma avaliação, ou seja, com o

desempenho, com a aprendizagem, com o crescimento e o desenvolvimento pessoal dentro da disciplina de Filosofia.

Grupo 1 - Meu lugar/Meu Próximo: O tema sugerido para o debate foi a questão dos refugiados.

Esse trabalho foi realizado em dupla, com destaque para uma exposição centrada na leitura e na compreensão do texto original. Os alunos destacaram alguns aspectos importantes do texto e expuseram alguns exemplos do próprio autor. O Meu lugar definido como ambiente em que vivemos, o clima, o solo, riquezas naturais e o Meu lugar entendido como a disposição de objetos na casa, na rua, no bairro onde moramos, etc. Os estudantes destacaram o exemplo, descrito por Sartre, da montanha considerada insuperável e esmagadora para alguns, pode trazer um significado existencial de orgulho e superioridade para os que desejam superá-la. Um lugar situado a vinte quilômetros pode estar mais próximo que outro situado a quatro quilômetros. É o sonho de conhecer Nova York que torna doloroso e sombrio viver em qualquer outra cidade. As significações do lugar dependem do meu livre projeto, dos fins, dos objetivos, daquilo que queremos, de tudo que sonhamos.

A questão dos refugiados colocada aqui remete-se também ao tópico sobre Meu próximo e as significações dadas não só pelo lugar, mas pela etnia, pela cultura de um povo. Embora existam diversos tipos de situações, em diferentes países e continentes, os alunos não trataram de um tema específico, apenas um breve resumo sobre o tema.

Nesse trabalho, colocou-se a seguinte questão: a escassez de recursos naturais do lugar que se pertence, a fome, os conflitos armados entre as guerrilhas, a intolerância religiosa, a discriminação racial, a perseguição política excluem totalmente a possibilidade de liberdade

humana? Segundo Sartre, “é no ato pelo qual a liberdade descobriu a facticidade e captou-a como lugar que este lugar assim definido se manifesta como entrave aos meus desejos, como obstáculo, etc”. Ficou claro para os estudantes que ao nascermos, não escolhemos o lugar, mas o ser humano é responsável pelo lugar que ocupa ou deixa de ocupar, seja buscando refúgio em outro país seja na resistência, os homens estão comprometidos no mundo não importa o lugar que nascem ou que escolhem viver. Esperava-se um debate com mais exemplos do cotidiano do estudante a partir de suas experiências diárias, na rua, na disposição dos objetos que se apresentam em casa, como a mesa, a sala estar ou relato sobre o clima, o ambiente natural em que se vive. No entanto, que tivemos foi um estudo a partir do próprio texto. A princípio, os alunos tiveram muitas dificuldades com a leitura e a compreensão do texto, mas por fim, ainda que limitado aos exemplos do colocados pelo filósofo, tivemos um ótimo debate e uma boa exposição sobre o tema.

Grupo 2 - Meu Passado: em trios, os alunos citaram os exemplos do texto sobre o passado: a obrigatoriedade do serviço militar, um compromisso conjugal, um emprego, um determinado negócio, uma dívida obtida pela compra de uma casa.

Embora tivéssemos aqui algumas ressalvas feitas pelos alunos sobre a liberdade humana, entendida não como liberdade plena ou absoluta, os alunos compreendem que a decisão sobre a importância do passado é sempre do indivíduo que escolhe seu sentido sempre em função dos objetivos que persegue, ou seja, o passado depende do modo como o sujeito se projeta para o futuro. Em outros termos, o passado depende do valor, da confirmação, e, no fim das contas, nós é que validamos ou não validamos aquilo que passou e somos responsáveis por elas. Mais uma vez, a dupla optou por debater os elementos do próprio texto e não tanto exemplos do seu cotidiano. A princípio, tivemos algumas dificuldades com a interpretação e com o resumo dos textos, mas podemos avaliar o trabalho como satisfatório, o suficiente para o bom andamento e rendimento do debate e da reflexão.

Grupo 3 – Meus arredores: Grupo composto de três alunos que se abstiveram da apresentação do trabalho para a turma. A leitura do texto só foi possível junto com o professor. Muitas dificuldades com a leitura e a compreensão do texto, fez-se necessário, o suporte pedagógico do professor, lendo e explicando as principais passagens. Assim, a leitura e a compreensão tornou-se mais eficaz, ainda que tenha faltado “autonomia” com exemplos do cotidiano por parte dos alunos

Grupo 4 – Minha Morte: os estudantes não escolheram um tema específico conforme sugerido (morte natural, acidente, doença grave, aborto, eutanásia, suicídio, guerras, etc.) O destaque do grupo ficou em torno da reflexão sobre o caráter absurdo e sem sentido da morte, que, segundo Sartre, não poderia ser esperada, na medida em que, ela pode sobrevir antes do

tempo. Houve um destaque para a passagem do texto: “De fato, temos todas as chances de

morrer antes de ter cumprido nossa tarefa, ou, ao contrário, de sobreviver a esta”. O debate seguiu no sentido de uma reflexão em torno do comportamento de muitas pessoas que pensam apenas na velhice, preocupam-se excessivamente com o futuro, a obtenção de bens materiais, a estabilidade financeira e o sucesso profissional, sem se preocupar em viver presente com o que ela oferece no cotidiano. A leitura do texto filosófico foi importante para a condução do debate e da investigação, porém, ainda deixou a desejar em termos de autonomia, pensamento crítico, enquanto pensar por si mesmos sem a intervenção do professor.