2 CIDADE E LITERATURA
2.5 UMA CONVERSA COM A AUTORA E SUA OBRA
Ao compreender que uma releitura de produção textual acontece de maneira
individual, dado que cada pessoa desenvolve sua própria interpretação em torno de
um tema, torna-se muito enriquecedor quando podemos aproximarmo-nos do autor,
para entender mais a respeito de seu planejamento e a interpretação no percurso da
produção de seu trabalho. No desenvolvimento da pesquisa pude contar com essa
regalia, uma vez que a obra que me inspirou um novo olhar para a cidade tem como
João do Rio. Jornalista, escritor e dramaturgo, o autêntico flâneur carioca do início do século XX: interesse por aspectos sociais e humanos da cidade
autora a minha orientadora no curso de mestrado. Essa condição de privilégio
impulsiona a que possamos aproximarmo-nos da autora e entender algumas escolhas
que foram feitas naquele momento. Como também, com o passar do tempo dessa
produção, pensar em outras possibilidades que não foram cogitadas naquele
momento, mas que hoje a autora viesse a escolher.
Inicio primeiramente apresentando a autora da obra Marcovaldo e os doze passeios
em Vitória, Eliana Mara Pellerano Kuster, que nasceu na cidade de Vitória e foi
galgando seu desenvolvimento neste mesmo lugar. Devido à oportunidade que obtive
de entrevistá-la a respeito de sua obra, poderemos compreender mais, em suas
palavras, o modo como a sua formação familiar e escolar adquirida até o momento do
seu mestrado, período no qual desenvolveu esse trabalho, influenciou a sua visão do
mundo pela qual ela apresenta a sua cidade.
Acho que para todos nós essa história pregressa é um fator de influência. Certamente o fato de ter crescido em uma cidade de médio porte e com um forte caráter histórico despertou esse interesse. Havia muito o que olhar, fosse nas ruas, fosse nos prédios pelos quais circulei desde muito nova. O fato de ter sido uma criança e uma adolescente muito solitária desenvolveu em mim o interesse em observar o que passava ao meu redor, as histórias, os encontros, a poesia que está nas ruas, nos prédios e nas praças. Isso aconteceu naturalmente, não foi nada planejado, nem sequer era algo que eu considerava digno de se tornar um tema de estudo. Cursei arquitetura ainda com uma visão predominantemente morfológica da cidade. Apenas quando entrei no mestrado (com uma proposta de tema de pesquisa diferente da que acabei abraçando) é que me dei conta de que havia toda uma área de estudo que tinha o nome chique de “percepção urbana”. Quando entrei em contato com isso foi como se uma porta abrisse e eu encontrasse o cantinho que me cabia. Mudei o tema da pesquisa e entendi que tinha ali uma perspectiva muito interessante sob a qual olhar para a dinâmica urbana (KUSTER, 2020).
Como mencionado na sua fala, ela cursou graduação em Arquitetura e Urbanismo na
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e suas raízes ainda hoje permanecem
fixas nesta cidade, sendo moradora e, profissionalmente, atuando há vários anos
como professora do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES). Além do que, o vínculo
com seus pais, ainda residentes em Vitória, fortalece essa relação com a cidade e
aviva constantemente suas memórias.
Esses fatos que a constituem como ser humano foram importantes para a construção
dessa obra, que foi produzida como parte do processo da conclusão do curso de
Mestrado em Estruturas Ambientais Urbanas, realizado na Universidade de São
Paulo, o qual concluiu em 2000. Para tanto, ela usufrui de um olhar mais poético e
familiar conforme sua própria percepção de moradora, com o intuito de destacar a
importância de conhecermos o lugar onde vivemos, no caso a cidade de Vitória.
Essa ideia foi motivada devido ao processo de revitalização a que o Centro estava
sofrendo, sendo bombardeado de várias formas como um espaço morto. Dentro desse
contexto, na produção de seu livro, a autora traz um realce ao conceito de cidade,
posicionando-se na contramão da necessidade de uma revitalização, ressaltando a
importância de uma valorização desse espaço por parte de seus usuários e de todos
os capixabas, na tentativa de (re)descobrir a cidade.
No momento da construção de sua obra, é certo que ela tinha o conhecimento da
existência de inúmeras outras produções que tratam da arquitetura das obras de
Vitória ao longo de sua história, desenvolvidas dentro de uma forma mais tradicional.
No entanto, em relação a sua produção, ela traz um diferencial ao apresentar a cidade
pelo olhar de um morador sendo complementado pelo olhar do visitante. Diante do
fato de termos tantos trabalhos já produzidos por profissionais de sua área sempre
num perfil mais técnico, pude questioná-la então sobre o que a influenciou para uma
fuga desse enquadramento:
Sempre considerei a cidade algo comovente. Nos dois sentidos: no sentido de algo que me enternece e no sentido de mover-se junto, fazer um esforço coletivo para criar algo que só acontece através dessa coletividade. Constatar o trabalho de tantas e tão diferentes pessoas para criar e manter esse organismo gigantesco é realmente algo que me interessa. Talvez por isso eu nunca tenha considerado estudar a cidade do seu ponto de vista mais técnico. Embora reconheça a importância dos estudos que abordam fatores como a história das edificações, a mobilidade urbana ou a morfologia da cidade, sempre me interessei por olhar para aquela multidão de gente vivendo junta e perguntar: o que move esse conjunto? Por quais desejos esse monte de gente se motiva para “criar” cidade? E como essas histórias influenciam a formação urbana? Acho que estou sempre tentando encontrar respostas para essas questões (KUSTER, 2020).
Como pertencemos a essa multidão, estamos contidos nas memórias da cidade.
Sendo assim é de nosso interesse desvelar seu passado, na tentativa de escavar pelo
tempo decorrido o que esse antepassado ainda hoje nos significa, ou um dia significou
aos nossos familiares, a quem temos nossas raízes fixadas. Sabemos que o presente
e o passado não estão desligados um do outro. Entre situações diversas podemos
destacar que, ainda hoje, possuímos algumas construções que foram realizadas na
época da escravidão e que abrigam pessoas em residências ou comércios que, dentro
dessas características, alguns até trazem em destaque na decoração a sobreposição
das camadas arquitetônicas, valorizando dessa forma a história do recinto. Para além
do exemplo em destaque, também podemos deparar com outras marcas de épocas
passadas. São marcas que resistem ao tempo e que fazem parte de nossas vidas. O
fato de darmos importância a essas marcas do passado e ao buscarmos uma
compreensão de como essas relações baseavam-se, facilita o entendimento sobre as
relações que acontecem em nosso cotidiano. Sendo assim, é notável darmos atenção
às transformações ocorridas no decorrer do tempo nas diversas camadas que se
formam na sociedade, tanto materiais quanto imateriais, pois é dessa forma que
passamos a conhecer o lugar onde vivemos, e isso é uma tarefa essencial a qualquer
morador.
Podemos entender um pouco dessa relação construída no tempo passado pelo
trabalho de Kuster logo no início da obra, ao contar que, a princípio no período da
colonização, a cidade precisava defender-se das invasões e para isso fora construída
totalmente voltada para o interior de sua vila, ou seja, de costas para o mar.
Posteriormente, passado os perigos dos ataques, a então vila iniciou uma abertura
aos seus arredores, caracterizada pelo início das construções com a frente, já então,
voltada para o mar. Nessa situação encaixam-se a igreja de São Gonçalo e a igreja
Nossa Senhora do Rosário. Algo que podemos destacar hoje é o fato de ser difícil de
perceber essas nuances acima citadas, devido à formação de novas camadas da
cidade, que aos poucos foram construídas e com o passar do tempo foram obstruindo
a visão de muitos dos patrimônios pela cidade. Ao lançarmos rapidamente o olhar
sobre a igreja São Gonçalo, a princípio, não percebemos que sua localização está
voltada para o mar, pois ela está mergulhada entre variadas construções, o que
dificulta esse entendimento.
Outra atitude importante tomada no passado pelos governantes e que hoje a nós é
importante entender, é que a partir dessa abertura foi instituído um ideal de que o
centro da cidade permanecesse como o principal espaço habitado e esforços não
foram poupados para que isso acontecesse, de forma que realizaram grandes aterros
de áreas tomadas do mar. Esses aterros foram construídos para uma ampliação da
cidade.
Entretanto esse ideal não conseguiu permanecer inalterado. Conforme o crescimento
da cidade ia acontecendo, o espaço para a sua continuação esgotava. Na busca
desse novo espaço chegou o momento em que essa região foi ligando-se às outras
áreas próximas caracterizando assim uma região Metropolitana, de tal forma que o
foco deixou de ser o Centro de Vitória.
Aos poucos essas e outras histórias são contadas ao visitante Marcovaldo pela
moradora, que em muito nos simboliza e nos leva a pensar nos motivos da autora ter
escolhido um personagem literário para representar esse papel. Então questionei-a a
respeito dessa escolha e o motivo de não ter sido uma figura literária nacional e sim
uma advinda do exterior, de outro país. E em sua resposta, ela esclareceu que,
O “encontro” com Marcovaldo aconteceu em um momento no qual eu estava em dúvida sobre qual caminho seguir na dissertação de mestrado. Queria apresentar a cidade com um olhar mais pessoalizado, mas não podia esquecer que estava desenvolvendo um trabalho acadêmico, que precisava seguir certas regras de escrita e de construção do objeto. Estava nesse impasse sobre como construir o olhar que me interessava sem lançar mão apenas de relatos da minha história pessoal. Li o livro do Calvino em uma tarde em uma biblioteca. O personagem era maravilhoso: um homem que saía do campo para a cidade e que estranhava tudo o que lhe cercava no espaço urbano. Fui pra casa pensando nele e, no meio da noite, acordei com essa sensação de que tinha encontrado o caminho: somaria à minhas perspectivas de moradora, a visão de um estrangeiro, alguém que vinha de fora e não sabia nada da cidade. Nem considerei outras possibilidades porque foi o personagem do Calvino que me despertou para a estratégia de contrapor os dois olhares. Peguei o Marcovaldo pela mão e o trouxe para Vitória. Ele se tornou o meu interlocutor, sempre que eu estava em dúvidas, recorria a figura dele para me balizar e me perguntava: o que seria mais interessante do ponto de vista do Marcovaldo? (KUSTER, 2020).
A autora, ao pegar Marcovaldo pela mão e ir apresentando-lhe a sua cidade como
moradora, consegue sensibilizar o seu leitor, ao resgatar um olhar voltado para o meio
urbano em que nos compreendemos também como moradores, com a contribuição
de enxergarmos a vida deste lugar que é contínua através da história. É preciso
conhecer e, às vezes, reconhecer esse lugar no qual vivemos, antes de levantarmos
a voz e afirmarmos a necessidade de uma revitalização, rotulando-o a um espaço sem
vida.
São nos momentos de crise que ideias brilhantes podem surgir. A atitude da autora,
ao chamar nossa atenção para a valorização frente a revitalização, de forma a
despertar em seu leitor o valor que atribuímos ao lugar onde vivemos, já que ele
representa tamanha importância em nossas vidas, nas relações e construções diárias,
foi crucial para o desenvolvimento dessa pesquisa.
um trabalho acadêmico ao trazer um visitante, Marcovaldo, e apresentar-lhe a cidade
envolvida de uma sensibilidade, incluindo um resgate da autora de suas próprias
recordações em alguns trechos da conversa. Nessa apresentação nós, como leitores,
somos agraciados pela justaposição de dois olhares. Um sendo o olhar observador
do morador mergulhado em suas memórias, e o outro o olhar do visitante proveniente
do campo e que ainda se surpreende com os traçados da vida urbana, tornando assim
seu olhar descontaminado. Na expectativa dessa apresentação a autora compartilha
seu olhar de moradora, ao destacar que
Qualquer morador de uma cidade tem a experiência de caminhar pelas suas ruas, usufruí-la nas mais diversas horas do dia, acompanhar a rotina anual de datas significativas, bem como de mudanças climáticas, comover-se com suas belezas e compadecer-se de suas feiuras (KUSTER, 2003, p. 17).
Para essa produção ela reuniu contribuições artísticas, literárias e pessoais de forma
a criar um elo entre elas. E, por essa somatória de fatos, esse livro segue despertando
no leitor uma leitura da paisagem da cidade. Outra atitude da autora, frente ao seu
leitor, é de uma intervenção, ao incluir no início de cada capítulo algumas artes que
se comunicam ao conteúdo a serem apresentados, encorajando-nos a entender que,
Com efeito, há séculos que surgem homens cuja função é justamente a de ver e de nos fazer ver o que não percebemos naturalmente. São os artistas. A arte visa nos mostrar, na natureza e no espírito, fora de nós e em nós, coisas que não impressionavam explicitamente nossos sentidos e nossa consciência (GALLIAN, 2017, p. 74).
Logo, uma curiosidade que parece ser interessante questionar a autora, está na
relação que podemos fazer dessas imagens artísticas que precedem a abertura dos
capítulos. A respeito desse fato ela nos explica:
Sempre gostei das metáforas trazidas pelas imagens. Sou também professora de história da arte, e defendo fortemente a imagem como algo que possui um estatuto próprio, ou seja, ela fala por si, não deve ser tratada como uma mera ilustração. Nesse sentido, as imagens que abrem cada capítulo tentam estabelecer uma certa metonímia do que será tratado naquele passeio, por quais caminhos andaremos. A ideia é instigar o leitor para que ele – a partir da imagem – tente imaginar que surpresas o aguardam naquele capítulo (KUSTER, 2020).
Além da relação com a arte na percepção da paisagem da cidade, inúmeros fatos são
destacados, entre eles: as festividades, as datas históricas assinalando o formato de
suas comemorações, movimentos de protestos (greve), o som emitido dos parques,
como também as características que ocorrem dentro das diferentes estações do ano,
a composição de fotos antigas e atuais demonstrando as alterações no tempo
decorrido da ilha, além de mapas personalizados.
Porém, de acordo com a composição dos capítulos, o percurso do passeio da
moradora e seu visitante vai sendo marcado, de forma que as histórias presentes vão
intercalando-se com as histórias passadas, sendo contadas pela autora, a qual pôde
utilizar do seu olhar de moradora, possuidora de memórias construídas ao longo de
seu desenvolvimento humano. Esse passeio decorreu no período de um ano, sendo
um encontro a cada mês, com o intuito de destacar a rotina da cidade, que se repete
anualmente, evidenciando assim nossa identidade com o espaço.
Sendo assim doze passeios foram delimitados, o que nos leva a pensar se no decorrer
do planejamento dessa produção chegaram a existir outros passeios que ficaram fora
da obra, e a autora nos revela que
Já havia definido que seriam doze, um por mês. Isso tinha um motivo, eu queria expor toda a rotina da cidade, aqueles eventos que se repetem ano após ano, por isso o período fechado que me permitisse tratar todos os meses, cada um com a sua peculiaridade. O desafio foi organizar os pontos aos quais eu queria levar o Marcovaldo ao longo desses doze encontros (KUSTER, 2020).
Por todas essas características destacadas, é notável a maneira como essa obra
influenciou o produto educativo que partiu da produção dessa pesquisa, na busca de
retirar a venda dos olhos dos leitores ao proporcionar uma compreensão do que estão
enxergando, para além do que a vista abarca. É uma investigação pelo que não está
dado, mas que recheia nossa capacidade de pertencer ao ambiente em que
escolhemos para fincar nosso mastro e fazer moradia. O produto educativo dessa
pesquisa tratará de influenciar o olhar para a cidade baseado nessa impressão do
visitante, ao favorecer que o leitor entre nele com uma percepção e saia dele, de certa
forma, ressignificado pelos potenciais que existem nesse espaço.
No perfazer da história de um lugar, podemos entender que o seu potencial educativo
está agregado da somatória dos diversos conhecimentos das disciplinas escolares
como a matemática, o português e a geografia, por exemplo. A partir dessa ideia
questionei a autora a respeito de como é a sua percepção desse espaço como
educativo. De pronto, respondeu:
Certamente a cidade carrega um enorme potencial educativo. Nas áreas do conhecimento que você cita também, mas, mais que nelas, acho que o grande aprendizado que a cidade nos possibilita é a colaboração. Na cidade,
ninguém faz nada sozinho, ela é fruto de uma grande rede de pessoas – muito diferentes entre si, mas que precisam negociar essas diferenças o tempo inteiro. Acho que esse é o grande aprendizado que a cidade nos permite: a negociação com o outro, a criação de uma perspectiva de qual pode ser o nosso papel no mundo, sua importância e dimensão (KUSTER, 2020).
Fazer uma leitura do mundo, assim como ensina Paulo Freire, é essencial para que
consigamos reagir às desigualdades sociais impostas por uma sociedade injusta. E,
precisamos entender a história e resgatar as memórias vividas por nossos
antepassados, para saber por onde caminhamos e para onde vamos. Para tanto, a
essência do visitante escolhido pela autora foi fundamental para essa construção, um
personagem proveniente do interior cuja imaginação torna-se sensível aos acenos da
cidade, uma figura criada pelo escritor Ítalo Calvino, Marcovaldo. Entremeio aos
diálogos promovidos dentro do texto, nosso personagem expressa-se por meio de
palavras do poeta Manoel de Barros. Um pouco mais à frente iremos conhecer outros
dados a respeito desse personagem e sua forma de perceber o que está ao seu redor.
Mesmo passado alguns anos de seu lançamento, essa obra continua sendo uma rica
fonte de pesquisa. Fato esse notado pela reportagem realizada por Villaschi (2017) e
publicada no jornal A Gazeta, de forma que já sinalizava a importância de
conhecermos e/para valorizarmos nossa cidade. Em destaque na figura 4 um recorte
que retrata o artigo.
Figura 4– recorte de notícia do jornal GazetaOnline
Fonte: Gazetaonline
A leitura dessa obra desperta em nós, leitores, formas não habituais de olhar para a
cidade que temos diante de nossos olhos, cotidianamente. Mas curiosamente vamos
pensar na possibilidade em que a autora, hoje, fizesse uma reescritura dessa obra.
Será que teria algum outro personagem que ela convidaria ou talvez faria outros
percursos? Isso foi perguntado a ela e conforme seu ponto de vista explicou que,
Acho que cada trabalho é um retrato de quem somos / fomos em determinado momento da vida. Quais as influências, quais as questões que nos mobilizam em períodos diferentes e quais as referências que tomamos para nos embasarem, isso tudo se movimenta continuamente. A Eliana que escolheu o Marcovaldo e escreveu a dissertação que depois se tornou o livro certamente era diferente da que eu sou hoje. Caso eu fizesse a pesquisa hoje, muita coisa mudaria. Mas acho que o essencial seria semelhante: o trabalho a partir da ideia de que uma cidade é mais que suas pedras, é maior que sua morfologia. Cidades são feitas de pessoas e de suas histórias. Essa é a minha perspectiva pessoal de olhar para o urbano, e ela permanece a mesma (KUSTER, 2020).
Essa conversa com a autora encerra-se com as suas palavras ao ser questionada se
algo ficou esquecido de ser destacado, e ela comenta que,
Sim, gostaria de falar sobre as reservas que eu tinha em orientar um trabalho que trata a respeito de uma obra minha. Você sabe que no início eu havia me recusado, conversamos muito e eu achava que não teria objetividade para tratar desse tema junto com você. Afinal, você queria tratar de um livro que eu havia escrito! Relutei bastante, mas hoje, quase ao final do processo, vejo que foi uma boa experiência retornar ao livro publicado há quase vinte anos. A oportunidade de rever esse trabalho com os olhos de hoje está sendo rica