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Uma rede que pesca peixe, sapato velho, pneu 78 

No documento 2015MateusMeccaRodighero (páginas 79-81)

5. BLOG: CONVERSAÇÃO VIRTUAL, REAL COMUNICAÇÃO? 63 

5.1.3 Uma rede que pesca peixe, sapato velho, pneu 78 

É com moderação que o jornalista autor do blog analisado avalia a importância da opinião dos leitores para seu trabalho diário. Conforme a entrevista é preciso filtrar o que lê nos comentários, antes de levar “ao pé da letra” a manifestação dos internautas. Ao afirmar que os leitores podem considera-lo “gênio ou imbecil” quando concordam os discordam de suas opiniões, o autor minimiza essa importância. De acordo com ele as novas tecnologias trouxeram vantagens significativas como essa proximidade e a capacidade de uma interação em tempo real, mas, ao mesmo tempo, abriram espaço para opiniões, por vezes, exageradas e que não contribuem tanto com o conteúdo.

O jornalista usa a metáfora de uma rede de pesca para explicar a rede mundial de computadores. Segundo ele, “a web é uma rede, uma rede mesmo, você joga a rede, vem um peixe, vem um pneu, um sapato velho. O leitor, o usuário, vão fazer a triagem”. Porém, ao jornalista cabe também fazer esta triagem. Para o blogueiro, esta foi uma das primeiras diferenças encontradas na rotina de trabalho na rede, em comparação a coluna impressa: o jornalista está em contato constante com os leitores, diferente do jornal impresso, em que é preciso escrever um e-mail, uma carta ou dar um telefonema para falar com o jornalista. Essa prática, para o blogueiro, obrigou os jornalistas a terem, mas atenção a tudo o que acontece, já que o leitor é muito atento.

Embora não tenha sido possível perceber na análise dos posts, o autor garante que os internautas têm uma parcela significativa de importância na concepção dos assuntos a serem tratados e na forma de abordá-los no blog. A influência dos leitores no texto estaria na origem, quando o jornalista decide o que e como escrever. O jornalista destaca que é preciso oferecer conteúdo de qualidade e de interesse do leitor, caso contrário ele buscará outro local para se informar. “As pessoas vão escolher acessar ele ou não, então essa triagem vai ser feita pelo leitor sempre, seja na internet ou no impresso, o que a gente precisa, para sobreviver nesse mundo é garantir nossa credibilidade e isso se faz com bons textos e com uma relação com o teu público”.

comentários. O que chama atenção, no entanto, é o conteúdo dos comentários e a autoria deles. Diferente do que o jornalista afirmou em entrevista, os nomes dos comentaristas variaram muito, não ocorrendo praticamente nenhuma repetição. Ao mesmo tempo, o autor afirma que os internautas que comentam seriam sempre os mesmos. Além disso, os temas divergem muito da postagem original. Há vários casos de comentários completamente desconexos ao texto de origem da postagem, confirmando a fala do jornalista, quando afirma que os internautas são fiéis em segui-lo e, por vezes, passam do limite da civilidade: “Tem aquele cara que se tornou comentarista de blog profissional, tem muitos, muitos, muitos. No meu blog, assim, são dezenas. Aquilo se transforma numa pequena comunidade. Eles se conhecem, discutem entre si. E aí aquilo se transforma numa pequena comunidade, é uma coisa curiosa, eles se conhecem, discutem entre si, tu escreve um texto, quando vê eles estão trocando acusações, se elogiando”.

Por fim, importante ressaltar que as postagens que repercutiram estão diretamente relacionadas a texto. Há postagens com vídeos que não tem a mesma repercussão na forma de comentários. Na entrevista, o autor já havia relatado que utiliza poucos recursos de hipermídia, focando mais no conteúdo textual, aproximando-se da sua origem de jornalista de veículo impresso.

De uma forma geral é possível afirmar que a interação entre jornalista e leitor está concentrada nos comentários, embora muitos sejam desconexos da realidade ou mesmo aparentemente impulsionados por posições pouco reflexivas, contribuindo pouco à discussão e ao conteúdo original da postagem. Porém, é perceptível que a oportunidade de interação é maior quando comparado ao veículo impresso, conforme aponta o próprio autor do blog.

5.2 “Sozinho num lugar distante”

O segundo blog analisado neste capítulo está classificado na editoria “Internacional” ou “Mundo” como alguns autores definem. A página traz fatos e pontos de vista sobre temas relacionados a política internacional, a religião, conflitos entre os povos e conteúdos que tenham relação direta com outras culturas.

O jornalista5 responsável pelo blog trabalha há 18 anos no jornal Zero Hora.

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Atua como repórter há 14 anos e escreve o blog há cerca de dez. Também é colunista do jornal, já atuou na rádio Gaúcha e na RBS TV. Como repórter e colunista, cobriu inúmeros eventos internacionais, onde destacam-se a morte do papa João Paulo II, a eleição de Bento XVI, a catástrofe do furacão Katrina nos Estados Unidos, a eleição de Barack Obama, o resgate dos mineiros no Chile e os conflitos no Líbano e na Síria.

A observação deste blog foi feita avaliando os últimos cinco posts disponíveis no dia 30 de novembro 30 de novembro de 2014. No entanto, percebe-se que a página sofreu uma reformulação com atualização significativa. Alguns posts foram excluídos entre o período da observação empírica inicial e a análise sistematizada para esta pesquisa. De qualquer forma, embora não muito atuais, manteve-se a escolha pelas últimas cinco postagens até a data estipulada.

A identidade do jornalista é preservada, a fim de manter um caráter exploratório e não no sentido de expor o entrevistado. A análise parte inicialmente da conversa estabelecida com o blogueiro a partir de um roteiro de entrevista.

No documento 2015MateusMeccaRodighero (páginas 79-81)