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Fonte: foto tirada pelo autor.

4.1.6 V ARIÁVEIS DE INTERESSE PARA O QUESTIONÁRIO QUANTITATIVO

Com base na análise temática foram resumidas 35 variáveis, mostradas na Figura 50, que representam as experiências positivas, de bem-estar e florescimento humano dos motoristas de veículos econômicos produzidos no Brasil e que foram usadas para formulação de 35 questões no questionário quantitativo mostrado no Apêndice G.

Figura 50: Variáveis utilizadas no questionário quantitativo

Fonte: elaborado pelo autor.

Experiências virtuosas Experiências de significado Experiências prazerosas

Prazeres psicológicos 1. Facilidade de uso controles 2. Facilidade de uso displays 3. Espaços internos Prazeres fisiológicos 4. Estética visual 5. Estética táctil 6. Estética auditiva 7. Conforto 8. Segurança Prazeres sociais 9. Valorização social Prazeres ideológicos 10. Valores e gostos pessoais

Emoções 11. Desejo 12. Orgulho 13. Alegria 14. Satisfação 15. Dominância 16. Saúde corporal 17. Integridade corporal 18. Sentidos, imaginação e pensamentos

19. Liberdade para se divertir 20. Outras espécies

21. Controle do ambiente

22. Justiça 23. Moderação 24. Transcendência

Bem-estar e florescimento humano

Bem-estar psicológico 25. Autonomia

26. Propósito na vida

27. Relações positivas com os outros

28. Domínio do ambiente

Florescimento humano ocidental 29. Engajamento

30. Realização pessoal

Florescimento humano oriental 31. Equilíbrio atencional

32. Raiva

33. Apego ao ego 34. Calma e paciência 35. Práticas meditativas

A descrição das 35 variáveis do questionário quantitativo é feita a seguir:

o As variáveis de 1 a 3 avaliam os prazeres psicológicos (JORDAN, 1998, 2000a, 2000b), representando a facilidade dos motoristas utilizarem os interiores automotivos. A variável 1 indicam as facilidades de uso dos controles (câmbio mecânico, botões do ar condicionado, retrovisor com comando manual, limpador de para brisas e volante). A variável 2 diz respeito às facilidades de uso dos displays (displays digitais de velocidade, de rotação do motor, símbolos no painel, etc.). A variável 3 é relativa às facilidades dos motoristas em se movimentar dentro do carro.

o As variáveis 4 a 8 medem os prazeres fisiológicos (JORDAN, 1998, 2000a, 2000b), que estão relacionados à estética, conforto e segurança que os interiores automotivos econômicos proporcionam aos motoristas. A variável 4 avalia se o visual do painel, desenho do volante, estampas dos bancos e cores dos plásticos aplicados nos interiores automotivos são agradáveis visualmente. A variável 5 mensura se os tecidos dos bancos, os plásticos usados no volante, na alavanca de marcha e nas portas são agradáveis ao toque. A variável 6 mede se o isolamento acústico do interior automotivo e os ruídos produzidos dentro do automóvel provocam desconforto para os motoristas. A variável 7 avalia se o interior automotivo é considerado confortável, aconchegante e ergonômico, enquanto a variável 8 questiona se os motoristas acham que a alavanca de marcha, o volante e os demais produtos do interior automotivo conferem segurança durante a direção do automóvel.

o A variável 9 analisa os prazeres sociais (JORDAN, 1998, 2000a, 2000b) dos motoristas, considerando se o automóvel econômico é um carro que traz destaque social, status ou chama a atenção dos outros.

o A variável 10 avalia os prazeres ideológicos (JORDAN, 1998, 2000a, 2000b) dos motoristas, considerando se o interior automotivo econômico é condizente com seus gostos e valores pessoais e culturais, no que tange a simplicidade presente no design desse ambiente.

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o As variáveis 11 a 14 examinam as respostas emocionais dos motoristas em suas interações com os interiores automotivos econômicos (DESMET; HEKKERT; JACOBS, 2000; CAICEDO; DESMET, 2009). A variável 11 mede o desejo dos motoristas em interagir com o volante arredondado, tecido estampado do banco, câmbio mecânico e os displays do painel. A variável 12 mensura o orgulho dos motoristas em interagir com um carro mais simples, com cores mais neutras e sem exageros. A variável 13 questiona a alegria dos motoristas em interagir com o volante arredondado do carro, com o tecido estampado do banco, câmbio mecânico e com os displays do painel. Por fim, a variável 14 verifica se a longo prazo os motoristas estariam satisfeitos em interagir com o interior de um carro econômico.

o A variável 15 mede a dominância (BRADELYE; LANNG, 1994). Considera o quanto os motoristas sentem-se confiantes e dominantes frente às situações de uso dos produtos dos interiores automotivos, quando dirigem o carro e vivenciam situações normais de trânsito.

o As variáveis 16 a 21 avaliam as experiências de significados pessoais dos motoristas em suas interações com os interiores automotivos (NUSSBAUM, 2000). A variável 16 é referente à saúde corporal, medindo o quanto o uso quotidiano do banco e do sistema de ar condicionado poderiam prejudicar ou favorecer a saúde dos motoristas. A variável 17 é referente à integridade corporal, que verifica a medida em que as interações com o interior automotivo de um veículo econômico poderiam conferir maior liberdade aos motoristas, tornar sua locomoção mais rápida e reduzir sua perda de tempo no trânsito. A variável 18 de sentidos, imaginação e pensamentos verifica se as interações dos motoristas com o painel monocromático, que está no seu primeiro campo de visão, poderiam ampliar suas experiências sensoriais e imaginação. A variável 19 verifica a liberdade para diversão dos motoristas em suas interações com os interiores automotivos. A variável 20 questiona se a aplicação de detalhes em verde no painel e o uso de materiais sustentáveis nos interiores automotivos econômicos fariam motoristas estar em contato com o meio ambiente. Por fim, a variável 21, de controle do ambiente, mede se a facilidade uso dos produtos dos interiores automotivos e facilidade de

movimentação nesses ambientes fariam os motoristas sentirem igualdade de condições com os outros motoristas.

o As variáveis 22 a 24 avaliam as experiências virtuosas dos motoristas em suas interações com os interiores automotivos (PETERSON; SELIGMAN, 2004). A variável 22 avalia a virtude de justiça, mais precisamente a força de caráter de equidade (imparcialidade, julgamento justo e respeito à igualdade de direitos), quando questiona os motoristas se o prazer de estar nesse carro lhe faria pensar que não é “todo mundo” que tem a possibilidade de experimentar essa condição. A variável 23 considera a virtude de moderação, especificamente as forças de caráter de humildade e prudência, quando verifica se um carro mais simples e ajudaria os motoristas a serem pessoas mais humildes e prudentes no trânsito. Por último a variável 24, investiga a virtude de transcendência, levando em consideração se o conforto e o prazer de dirigir poderia ajudar os motoristas a serem bem-humorados e mais gratos.

o As variáveis 25 a 28 ponderam sobre o bem-estar psicológico dos motoristas em suas interações com os interiores automotivos econômicos (RYFF, 1989). A variável 25 verifica se a presença dos dispositivos automáticos nos veículos econômicos poderia favorecer a autonomia dos motoristas. A variável 26 de propósito na vida, analisa se a simplicidade e segurança que os motoristas experimentam no interior desses automóveis fariam se sentir mais confiantes na busca por seus objetivos pessoais. A variável 27, de relações positivas com os outros, verifica se o interior automotivo econômico confere boa “energia” e se isso poderia ajudar os motoristas a terem mais empatia com os pedestres e outros motoristas. Enfim, a variável 28 de domínio do ambiente, verifica se a simplicidade dos controles e displays ou a boa dirigibilidade dessa categoria de automóveis poderia ajudar os motoristas a sentirem-se com mais controle em relação ao ato de dirigir.

o As variáveis 29 e 30 ponderam sobre o florescimento humano dos motoristas sob a ótica da psicologia ocidental (SELIGMAN, 2010, 2011). A variável 29 (engajamento) mede o quanto os motoristas ficariam entusiasmados e interessados em dirigir e interagir com os veículos econômicos e a variável 30 (realização pessoal) verifica se dirigir e interagir com veículos econômicos ajudariam os motoristas a aprimorar sua realização pessoal com a vida.

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o As variáveis 31 a 35 ponderam sobre o florescimento humano dos motoristas, sob a ótica da psicologia oriental budista (EKMAN et al., 2005; RICARD, 2012). A variável 31, de equilíbrio atencional, avalia se as interações com os interiores automotivos econômicos poderiam ajudar os motoristas a aprimorar sua atenção no trânsito. A variável 32 (raiva) questiona se as cores, linhas de design suaves, espaços para guardar as coisas e o conforto dos interiores automotivos econômicos ajudariam os motoristas a ficar menos irritados diante das situações “chatas” do trânsito. A variável 33, de apego ao ego, pondera se as interações com um interior automotivo econômico fariam os motoristas serem menos egoístas no trânsito. A variável 34 (calma e paciência) mede se o prazer e o conforto de dirigir e interagir com um veículo econômico reduziriam o stress dos motoristas em situações quotidianas de trânsito. Por último, a variável 35, de práticas meditativas, verifica se o interior automotivo econômico possui boa vedação sonora, ambiente tranquilo e silencioso para os motoristas poderem acalmar a mente e conseguirem meditar.

A seguir são apresentados os resultados obtidos com a aplicação do questionário piloto do Apêndice G, que teve como objetivo verificar o grau de entendimento das questões propostas nesse instrumento de coleta de dados.

O questionário apresenta 35 questões e figuras dos interiores automotivos que avaliam as experiências positivas, de bem-estar e florescimento humano dos motoristas de veículos econômicos produzidos no Brasil.