Na tentativa de levantar as representações dos professores sobre a sua profissão, foram elaborados dois questionários, com o mesmo enfoque, mas o segundo tentou abordar questões que não foram tratadas no primeiro instrumento, num total de vinte e nove questionários, sendo dezesseis na primeira etapa e treze na segunda. Interessante que, em sua maioria, afirmaram que pensar sobre tais questões foi de suma importância, pois geralmente não se discute sobre o que pensam sobre a profissão, suas alegrias e suas angústias.
De maneira geral, as questões foram bem aceitas, entendidas como um momento de reflexão e mesmo de desabafo frente à realidade da profissão e de seus profissionais.
O trabalho a seguir está apresentado na forma de agrupamentos por afinidade das respostas para cada uma das questões, tendo seu tema sublinhado antes das transcrições. Para cada agrupamento, optou-se por apresentar em média duas respostas, para que o trabalho não ficasse tão extenso. Isso não significa dizer que as respostas escolhidas manifestam a totalidade dos pensamentos, mas faz-se necessário um “enxugamento” das idéias, até para que este trabalho não fique excessivamente longo.
O número ao lado dos temas refere-se ao total de respostas daquele agrupamento.
Cabe ressaltar que em algumas questões o número total de respostas não é o mesmo do número de professores pesquisados, porque em alguns casos estas foram desmembradas, isto é, em uma questão, o professor ampliou a sua discussão para tantas outras e, em outros casos, o professor não respondeu à questão proposta.
Finalmente, optou-se pela criação de nomes fictícios para destacar as reflexões dos professores colaboradores.
5.1 - Por que você decidiu ser professor(a)? (29)
5.1.1 - Desejo de criança / Histórico da família (21)
Desde muito cedo, já tinha esse desejo. Admirava minhas professoras quando criança. Lembro-me com carinho do rosto de cada uma, da doçura, do capricho e organização com que desempenhavam a profissão. (Amélia) Não me vejo em outra profissão a não ser como educadora. Meu despertar para essa profissão veio dos meus laços de família: meu avô – professor de latim; minha avó – professora de piano; minhas três tias – normalistas; e eu nesse ninho, sonhando em mudar o mundo através de minhas aulas! (Sandra)
A minha vida como professora surgiu a partir da interferência de minha mãe, que também era professora. Acredito que ao pensar no meu futuro, ela enxergou na profissão educacional uma forma de garantir o meu espaço no mercado de trabalho. Morava em uma cidade do interior do Estado da Bahia, onde os homens cursavam o científico, atual Ensino Médio, e as mulheres cursavam o magistério. (Joelma)
5.1.2-Garantia de uma profissão em curto prazo: sobrevivência/opção financeira (05)
Confesso que ser professora não foi uma decisão intencional ou mesmo uma opção pensada com carinho (apesar de ser normalista). Foi apenas uma conseqüência do acaso, de uma profissão futura e certa. Passei imediatamente no concurso e comecei a trabalhar. (Clarice)
A minha escolha em ser professora na década de 70, foi determinada por fatores econômicos, culturais e sociais. De família humilde, morando no interior do Piauí, ser professora era uma forte referência. (Clotilde)
Pelas condições sócio-econômicas, fiz um curso noturno que não era o que eu queria. Depois, fiz concurso para professora, passei e fui nomeada. (Renata)
5.1.3 - Opção pela profissão de professor(03)
As coisas foram acontecendo, era atleta e ensinava os mais novos, na universidade fui convidado a trabalhar na academia de um professor. Acredito que não escolhi, fui escolhido. (Bernardo)
Na infância, passei muitas dificuldades, tanto financeiras como de aprendizado. Decidi ser professora por acreditar que minha história de vida poderia ajudar a compreender a dificuldade de alunos que não tiveram a oportunidade de estudar no período normal; estou falando da educação de jovens e adultos. (Vitória)
5.2 - Que aspectos você considera favoráveis na sua profissão? (Total: 30)
5.2.1 - Relações sociais (09)
Sem a menor dúvida, a proximidade com pessoas em formação e a possibilidade de participar desse processo sempre me fascinaram. Gosto da possibilidade de “estar perto” das pessoas e compartilhar. A sala dos professores é outro lugar que acho fantástico e privilegiado. São ritos cotidianos de crescimento e compartilhamento. Depois de readaptada tive a oportunidade de, trabalhando em bibliotecas, ter uma visão muito mais ampla do processo educacional e do conhecimento como um todo, pois pude atuar junto a professores de todas as áreas, o que me deu uma visão interdisciplinar fantástica e sedutora. (Tereza)
Uma tia minha dizia assim: professor não envelhece! Não alcançava o que queria dizer. Hoje, posso compreender perfeitamente. A vida fervilha dentro da escola e nos sentimos parte dela, somos obrigados a nos atualizar todos os dias, senão intelectualmente, somos arrastados pelas mudanças que a juventude traz. Não há um dia como o outro, nem uma aula como a outra, é possível inúmeras respostas para a mesma pergunta e é essa falta de rotina e previsibilidade que mais me fascina, lidar com muitas pessoas diferentes todos os dias, cada um com uma história e experiência diferentes. (Giselda)
5.2.2 - Impactos sociais da ação educativa (09)
[...] a possibilidade de contribuir para a diminuição da exclusão do filho do trabalhador, através da tentativa da formação crítica, buscando a autonomia do aluno. (Laura)
Entre outros, trabalhar em contato direto com o ser humano é, sem dúvida, uma ótima oportunidade de crescimento. Se trabalharmos numa perspectiva humanizante e emancipadora, essa relação constitui-se inevitavelmente em interação e aprendizado. Ter a possibilidade de, em um contexto social mais amplo, estar imerso na realidade da escola pública, apesar de seus complicadores e suas contradições é termos real condição de influenciar positivamente nesta realidade, ao mesmo tempo em que reafirmamos nossa convicção pelo viés progressista e libertador da instituição educativa. (Miguel)
[...] Acredito que os aspectos favoráveis que sobraram se relacionam apenas a aspectos pessoais, como se sentir útil, presente na vida de muitas crianças, fazendo a diferença. É muito gratificante ver o fruto do seu trabalho, ver crianças produzindo, crescendo conscientes de seu papel e de sua cidadania, empenhados em tornarem-se “pessoas do bem”, em “alguém”. Este prazer só tem aqueles que amam o que fazem e que se esforçam para produzir com os seus alunos o máximo possível. (Honória) Saber que posso contribuir para a formação de uma pessoa e, principalmente, que uma pessoa incorporou os ensinamentos na sua vida. (Bernardo)
5.2.3 - Formação continuada (07)
Minha profissão me favorece estar sempre observando, pesquisando o processo ensino-aprendizagem, que é a mola propulsora para se modificar essa estrutura que consolida nossa sociedade. (Sandra)
Ser professora não foi uma decisão minha, entretanto, me encantei com o fato de me relacionar com pessoas, poder compreender como se dá o processo de aprendizagem e ainda conviver com crianças. Descobri que na profissão poderia me deparar com o inesperado, produzir e compartilhar conhecimento. (Joelma)
O que eu considero favorável é o aprender, o aprender ensinando e o ensinando aprendendo, ou seja, não ter fórmula para o meu crescimento e para o crescimento do educando. (Natália)
O aprender constante [...], a troca de experiências, o convívio e a prática pedagógica (Constância)
5.2.4 - Acesso e permanência dos alunos na escola, com qualidade (01)
O fato de assegurar a igualdade de condição para o acesso e permanência na escola, sem qualquer discriminação; incluo alunos que apresentam necessidades educativas especiais, vinculadas ou não a deficiências[...]Tenho percebido que barreiras atitudinais estão sendo removidas, bem como as arquitetônicas e educacionais, para a aprendizagem. Isso assegura uma melhor formação inicial e continuada aos professores, fazendo uma ligação indispensável entre a teoria e a prática. (Amélia)
5.2.5 - A constituição da autonomia (01)
A questão da autonomia em sala de aula é fundamental. Isso favorece o trabalho no sentido de que podemos traçar os caminhos que usamos para alcançar os objetivos. (Dandara)
5.2.6 - Reconhecimento social (01)
As condições favoráveis na profissão de professor estão no conceito diante da sociedade como opção naturalmente honrosa e de utilidade pública, podendo atingir extensão de reconhecimento até a mais de uma geração humana.[...] Muito me satisfaz o reconhecimento diuturno da sociedade, onde ser chamado de “professor” é muito gratificante[...] (Tomáz)
5.2.7 - Outros aspectos (02)
Contribuir para a educação da comunidade local; estabilidade profissional; trabalhar próximo de casa; dispor de horário destinado à coordenação pedagógica e/ou cursos de formação. (Paula)
[...] Por outro lado, também a existência de regularidade de calendário anual, onde se pode planejar períodos de descanso maiores e menores ao longo (do ano), diferente de outras profissões que, por mais regulares que possam ser, esta condição é menos favorecida. (Tomáz)
5.3 - Que aspectos você considera desfavoráveis na sua profissão? (Total: 29)
5.3.1 - Gestão da educação não satisfatória (18)
A cultura da improvisação dos representantes políticos, que estão sempre “preocupados” em resolver os problemas da educação com pirotecnias e ações inusitadas, abdicando, porém, de sua principal responsabilidade: a de destinar de fato os recursos previstos para a educação, pois para a implantação de qualquer projeto são necessários recursos humanos e materiais, e isso depende diretamente do financiamento da educação; a falta de valorização dos profissionais de educação através de condições dignas de trabalho, formação continuada, melhores salários, etc.(Miguel) Outro fator desfavorável da profissão, causador da insatisfação da maioria dos professores é a não participação na elaboração e planejamento de projetos educacionais que adentram o estabelecimento de ensino, concluídos por profissionais muitas vezes distantes da realidade educacional do país, e ao professor cabe executar e ser responsabilizado pelo fracasso (Paula)
O principal problema que identifico é a crescente desresponsabilização das famílias em relação às crianças e adolescentes, com isso a escola assume o papel de substituta, que não lhe cabe. É uma crise de papéis. Institucionalmente, a escola pública tem sido alvo constante de desqualificação, não só de seus profissionais como também de seu espaço físico e material de suporte numa estratégia quase explícita de desmonte, levando consigo nossa auto-estima. (Tereza)
5.3.2 - Desmotivação dos profissionais da educação(04)
O que desfavorece é a falta de motivação que se instalou no nosso meio. A nossa profissão está virando um fardo pesado para muitos de nós. Atualmente, não conseguimos pensar e refletir sobre o que fazemos ou no que está sendo feito do nosso trabalho diário. Simplesmente, estamos fazendo! O trabalho é solitário, com falta de projeto pedagógico consistente. (Clarice)
A crescente alienação da classe professoral, o que leva à desmobilização e ao isolamento dos sujeitos enquanto efetivos membros de uma categoria. (Miguel)
Outro fator desfavorável na atividade é a situação de acomodação em que os colegas se encontram, onde a maioria não busca apoiar as ações de transformação no ambiente escolar. Estão sempre preocupados em “manter a continuidade das vantagens que a prática individualizada lhes proporciona”. (Graça)
5.3.3 - Imagem negativa da sociedade acerca da educação (04)
O aspecto negativo de minha profissão é, sem dúvida, a falta de valorização do professor. A imagem que eu guardava na memória dos meus avós e tias, sendo reverenciados, destacados em eventos e respeitados por serem professores se desfez junto com as políticas públicas que não valorizam o profissional da educação. Somos uma classe sem voz ativa! E isso me incomoda muito. (Sandra)
Aspectos desfavoráveis: a classe de professores está, no momento, desacreditada. Parece que generalizam por baixo os profissionais, desde o governo até alguns pais, incluindo direções de escolas descompromissadas, que acabam por trazer mais desestímulo para a nossa classe. Digo isto porque parece-me que não temos ou não sabemos a força que temos coletivamente e isto nos faz desestimulados e apáticos.(Honória)
A sociedade não valoriza a nossa profissão, gerando baixos salários e condições de trabalho ruins. O que me faz sofrer é saber que meu trabalho poderia ser bem melhor se tivéssemos apoio. (Bernardo)
5.3.4 - Precariedade da infra-estrutura das escolas (03)
Degradação do espaço físico das escolas. Mobília, iluminação e recursos didático-pedagógicos escassos. (Amélia)
Falta de condições adequadas para tornar o ensino mais significativo e prazeroso, pois muitas vezes o professor utiliza recursos próprios para enriquecer a aula. (Paula)
A falta de apoio pedagógico; as condições de trabalho são difíceis, os alunos são carentes e muitas vezes temos que buscar alternativas para melhorar o atendimento (Graça)
5.4 - Esses aspectos impactam na sua vida pessoal de que forma? (Total: 27)
5.4.1 - Aproximação entre o eu pessoal e o eu profissional (08)
Educar me transformou numa pessoa melhor, sensível, preocupada com o lugar aonde vivo e com as pessoas. Eu sei que vou educar bem os meus filhos porque passei por esse laboratório fantástico da escola pública. Apesar dos problemas que a educação enfrenta, nesse espaço encontramos pessoas que educam com encantamento e beleza. (Clarice) [...] Como eu não sou uma pessoa desprovida de emoções, por vezes não consigo separar estas emoções, por vezes me mostro irritada, intranqüila, insegura, impaciente até com os “de casa”. Os momentos felizes também são compartilhados e almejados por todos, só que hoje os momentos alegres acabam sendo mais raros. (Honória)
5.4.2 - Desencanto com a profissão (07)
[...] a profissão está fragilizada sim, não há como negar! Pessoalmente, isso me entristece, me cansa e me faz tomar a decisão de buscar outras alternativas. Olhar para trás e ver que pouca coisa avançou e que outras até retrocederam é motivo palpável para eu não ter dúvidas em repensar toda a minha vida. (Clarice)
O impacto negativo em minha vida pessoal é refletido muitas vezes na desmotivação e no constrangimento de ser professora, sobretudo no ensino fundamental, em razão da repetência, que é atribuída ou repassada à sociedade como responsabilidade do professor, sem levar em consideração outros fatores. (Clotilde)
5.4.3 - Questões salariais: os baixos salários (04)
Para complementar a renda, faz-se necessário dobrar a jornada de trabalho. Reforço o salário ministrando, também, aulas particulares e orientando surdos adultos universitários. O tempo dedicado ao lazer, família e descanso é escasso e/ou inexistente. (Amélia)
[...]Principalmente no que diz respeito aos aspectos financeiros. É complicado manter uma família dignamente, provendo minimamente o lazer, educação, saúde, segurança, moradia e ainda se manter bem informado e qualificado com a valorização dispensada a nós, educadores. (Gisele)
[...] constantemente tenho crises de baixa auto-estima, ouvindo cobranças e conferindo o saldo bancário. (Flávio)
5.4.4 - Afastamento do eu pessoal e do eu profissional (04)
Encaro a profissão de professor sendo igual a qualquer outra. Com seus aspectos positivos e negativos. Como em qualquer outra profissão, há que se ter consciência crítica a respeito de tudo aquilo que a cerca, não deixando que os aspectos negativos, mesmo que se sobressaiam aos positivos, tomem parte da nossa vida pessoal (Ivonete)
Não afetam, pois consigo separar a minha vida profissional da pessoal. (Bernardo)
5.4.5 - Relações sociais no ambiente escolar (02)
Tenho encontrado excelentes professores, comprometidos com o ato de ensinar. Mas, como em todas as profissões, tenho “encarado” professores que só estão na escola para contar tempo de serviço. Isso me frustra!(Sandra)
Atualmente, me incomoda muito a apatia, a falta de esperança, o desencanto de muitos profissionais. Percebo nos olhos e ações de algumas colegas certo “comodismo” que beira a imobilidade. Até parece que estou diante de pessoas “cristalizadas”, “endurecidas”. Na escola em que atuo, as pessoas trabalham com o conceito de “manutenção”, usando uma linguagem mais informal, quer dizer, “deixa assim para ver como é que fica”. De certa forma, perderam um pouco a objetividade. (Joelma)
5.5 - Na escola em que atua, você se identifica com o grupo de professores quando... (Total: 25)
5.5.1 - Valorização do trabalho coletivo / lutas coletivas (17)
Identifico-me com o grupo quando este se propõe a discutir questões relevantes, que favorecem o desenvolvimento dos alunos, colocando realmente em prática o que denominamos trabalho coletivo, fazendo acontecer os projetos propostos no projeto político pedagógico construído pelo grupo no início do ano letivo, procurando sempre com o par objetivo/avaliação no decorrer do trabalho pedagógico, para se necessário retomar ou complementar algum ponto necessário ao longo do processo educacional. (Gisele)
Eu me identifico com o grupo de professores da minha escola quando estamos produzindo, lutando juntos, compartilhando, refletindo, mostrando que podemos mais, seja em festas, no planejamento coletivo (quando tem), em troca de experiências, estudos, produção de materiais. (Honória)
Identifico-me com os demais professores quando vejo que neles há o mesmo tipo de consciência crítica a respeito do planejamento e execução do trabalho pedagógico. Quando vejo que não somos seres alienados e que sabemos o que está por trás dos pacotes educacionais que nos são impostos pelas políticas governamentais, sejam elas vindas de que partido político forem. Quando discutimos e argumentamos sobre as decisões internas da escola, que afetam nosso trabalho diário em sala de aula. Enfim, quando não aceitamos passivamente decisões que interferem em nosso trabalho diário. (Ivonete)
Identifico-me com o grupo de professores na medida em que este mesmo grupo demonstra firmes propósitos de vencer as barreiras que aparecem para obstruir nosso trabalho pedagógico; quando tratamos de unir forças para, solucionar tais problemas. Sinto-me bem ao constatar a união do grupo de professoras em torno de ideais positivos e construtivos, a serviço dos bons níveis de ensino. (Constância)
5.5.2 - Identificação nas lutas da categoria / função da educação (06)
Quando consigo perceber discussões produtivas acerca do futuro de nossa categoria e vejo um compromisso que vai além da simples discussão salarial.(Tereza)
[...] quando encontro colegas preocupados com a manutenção das conquistas históricas da categoria, como a jornada ampliada e o espaço de coordenação pedagógica, em constante banalização e desvirtuamento. Identifico-me, enfim, com todos que sonham sonhos possíveis e agem efetivamente para a concretização desses sonhos, sempre numa perspectiva libertadora. (Miguel)
5.5.3 - Comprometimento com a profissão (02)
Identifico-me com professores que, apesar de todas as limitações que a profissão impõe, procuram motivar-se e desenvolver um trabalho que contemple o verdadeiro sentido da nossa profissão, que é preparar, ou seja, criar mecanismos de transformação em suas vidas. (Clotilde)
5.6 - Na escola em que atua, você se diferencia/não se identifica com o grupo de professores quando... (Total: 22)
5.6.1 - Professores descomprometidos (08)
Não me identifico do grupo de professores quando acontece o desperdício do espaço conquistado para reflexões e pesquisas sobre o trabalho pedagógico com assuntos rotineiros ou ainda propondo atividades e caminhos mais “fáceis” ou prontos, por acomodação ou mesmo pela falta de compromisso com a educação de qualidade. Este tipo de profissional acaba reproduzindo as faces de uma sociedade dura e capitalista, trabalhando com repetições, cópias e memorizações, desconsiderando a realidade social do aluno, as habilidades e experiências de cada um e trabalha um currículo desvinculado do contexto sociocultural, centrado apenas no conteúdo.(Gisele)
Quando os interesses são apenas de manutenção das vantagens, como: folgas em vez de coordenação, acordos para substituição, compactação de horário, que não levem em conta o atendimento aos alunos com qualidade. (Natália)
Nas rodas de conversa só se discute os baixos salários e todos assumem uma postura de vítimas, recusando-se a uma análise mais aprofundada e autocrítica da situação. Também me diferencio quando deparo com outros professores readaptados que usam sua condição para barganhar horários mais vantajosos de trabalho e se desvincularem totalmente do processo pedagógico da escola, como se não fossem mais co-responsáveis por ele. (Tereza)
5.6.2 - Ausência de espaços para construção de idéias (05)
Não me identifico quando não sou respeitado como ser pensante e em constante processo de construção com idéias democráticas que ferem alguns grupos conservadores. (Flávio)
Angustia-me a visualização diária da hierarquia escolar. Cada segmento exerce de forma isolada sua função. Os setores não se miscigenam e tornam-se indissolúveis. Cada um segue só um caminho; não há uma unidade e consequentemente não há sucesso. (Paula)
5.6.3 - Professores desmotivados (04)
Hoje, me entristeço ao perceber que vivemos momentos de relembrar do passado – parece que muitos não conseguem ter força para lutar, correr atrás, deixam “correr frouxo”, não se importam com nada. Aquela história de “para mim tanto faz”. Parece que muitos perderam sua identidade (ou nunca tiveram), não têm opiniões sobre nada, não querem saber, não se incomodam. Neste sentido, eu me diferencio muito de alguns profissionais da minha escola e pretendo distanciar-me ainda mais para não ser contagiada. Mas, por outro lado, para alguns, pessoas que lutam por seus ideais são os “chatos”, os “antipáticos”, os que “querem ser”. (Honória) Não me identifico com alguns membros do grupo de professores quando vejo o estado de subconsciência, de alienação em que se encontram e reagem diante das dificuldades do dia a dia com as quais nos defrontamos.