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Validação do Produto Educacional

7 PRODUTO EDUCACIONAL

7.1.3 Validação do Produto Educacional

A Capes estabelece cinco critérios de qualificação do produto educacional: 1) validação obrigatória; 2) uso em processos de formação (pessoas em cursos/oficinas); 3) distribuição (cópias físicas editoradas); 4) incorporação ao sistema educacional; 5) acesso livre (online e via portal do professor, do MEC).

Como a criação do nosso produto foi interiramente dialogada com nosso grupo de professores, entendemos que ele passou pelo processo de formação de pessoas, uma vez que, não fossem elas, não teríamos criado nenhuma das histórias e das atividades presentes no Paradidático e no Caderno de Interações dialógicas.

Em relação à distribuição, ela será realizada após as observações realizadas pela banca. Pretendemos atender às sugestões que os avaliadores indicarem e posteriormente publicar, tanto o Paradidático quando o Caderno de Interações em formato E-book, disponibilizando-o no site do Programa de Mestrado de Profissional em Ensino de Humanidades.

Assim que isso for feito, levaremos ambos à Secretaria Estadual de Educação do Estado do Espírito Santo (SEDU), na tentativa de incorporá-lo às bibliotecas públicas estaduais.

Abaixo, indicamos os resultados e apontamentos dessa pesquisa. Indicando possíveis caminhos para outros pesquisadores que pretenderem se lançar nesta área do ensino.

8 APONTAMENTOS PARA DISCUSSÃO

A partir das observações realizadas durante todo o percurso desta pesquisa, percebemos como a prática da Leitura e o ensino da Literatura, seja ela local, nacional ou estrangeira, tem passado por dificuldades na escola onde atuamos. E não seria exagero apontar nossa escola como um exemplo que pode se multiplicar por várias escolas no Espírito Santo e no Brasil. Essa dificuldade que percebemos, pareceu-nos resultar da deficiente formação leitora dos próprios professores. Essa formação tem falhado desde o Ensino Fundamental, pois na maioria dos relatos colhidos, não havia referências ao trabalho com a leitura e a literatura realizado em sala de aula, e há ainda outro agravante: a literatura local sequer foi mencionada nesses relatos, mesmo com os professores que cursaram o Ensino Fundamental no seu estado de origem.

Nas graduações o resultado é praticamente o mesmo, pouco ou nada de Leitura e de Literatura local ou nacional foi estudado, há também sérios problemas em relação ao conhecimento da língua materna, Ilari em 1986 já apontava para essa dificuldade:

[...] as condições do ensino secundário e superior estão aprofundando cada vez mais o desconhecimento recíproco entre quem pesquisa a língua e quem a ensina. Esse desconhecimento precisa ser superado; [...] deve-se ter em mente que não estamos diante de uma discussão teórica, mas sim de uma questão prática, à qual é preciso responder também com soluções práticas. Pode-se tratar a queda de uma telha como um problema acadêmico de dinâmica, formalando hipóteses teóricas alternativas e debatendo a adequação descritiva destas últimas. É uma abordagem legítima, mas não é a melhor para quem está embaixo. No caso do ensino, todos estamos (1986, p. 52).

Essa situação apontada por Ilari, nos idos anos de 1980, parece ter se agravado nos dias atuais. Pudemos constatar isso nas entrevistas que realizamos com os nossos pares, que, em sua totalidade, frenquentaram a escola após a década de 1990.

Essa constatação permitiu-nos responder, mesmo que parcialmente, a pergunta que fizemos no início dessa pesquisa, “Como a leitura literária tem sido trabalhada em sala de aula no ensino médio?”, ela tem falhado na formação de leitores, pois os próprios professores possuem uma formação leitora frágil.

Mas se isso, como diz Ilari, é uma questão prática, como criar soluções práticas para tal problema? O caminho que percorremos até aqui aponta em uma possível direção: o encontro, o tempo de fala e de escuta.

Quando professores se reúnem para estudar, para planejar cria-se um ambiente de aprendizado, de formação, pois cada um aborda, a partir de seu discurso, uma série de

conhecimentos que os outros, por vezes, não possuem. Nesses períodos, que muitas vezes são desvalorizados, há um enorme potencial de ensino e aprendizagem. Basta que essas ocasiões tenham um direcionamento para essa finalidade.

Acontece que, no contexto dos professores da educação pública brasileira e capixaba, em especial, esses momentos são cada vez mais raros. Tornando-se, em grande parte, burocráticos.

É preciso que mais pesquisas sejam realizadas no campo do planejamento docente para que essa prática seja cada vez mais valorizada pela comunidade escolar. Um dos relatos colhidos na escola, de um professor de História, apontou a nossa pesquisa como “fruto desses encontros”.

Se entendemos que a pesquisa em tela contribui não só para nossa formação, mas também para a formação de nossos pares, podemos afirmar que é preciso que o corpo docente tenha mais tempo de planejamento, mais tempo para o encontro, encontro de vozes, encontro de alteridades.

Assim, outros pesquisadores poderiam enveredar por pesquisas que dessem conta das possibilidades que o planejamento em conjunto pode oferecer à formação docente, ou como o tempo gasto nas salas de professores, pode contribuir para a melhoria da educação pública. Outro ponto que pode ser abordado é como os professores podem, a partir de grupos de leitura e/ou estudo, ampliarem a perspectiva da formação continuada, uma vez que, disponibilizando de tempo, poderiam contribuir para a formação uns dos outros.

Outra pergunta da pesquisa era “como capacitar professores a trabalhar a leitura literária e a literatura feitas pelos capixabas no ensino médio de maneira interdisciplinar?”. Nossa resposta, creio ter sido bem clara, tempo de fala e de escuta. Não vislumbramos outra possibilidade, pois estamos em meio ao processo de ensino e aprendizagem dos nossos alunos, não podendo assim, deixarmos à sala de aula para ampliar a nossa formação, portanto temos de, como diriam os mais velhos “asssobiar e chupar cana ao mesmo tempo”. E como fazer isso? Só a partir do encontro. É no tempo juntos que poderíamos contribuir para a formação compartilhada, estudando bibliografias recomendadas, inclusive pelo próprio Ministério da Educação (MEC) através do PNBE do Professor13, que levou para as bibliotecas 13O PNBE do Professor tem por objetivo adquirir obras de referência para ajudar os professores da educação

básica regular e da educação de jovens e adultos na preparação dos planos de ensino e na aplicação de atividades em sala de aula com os alunos. Mais informações no site do MEC, disponível em > http://portal.mec.gov.br/programa-nacional-biblioteca-da-escola/acervo-do-professor<. Acesso em 10 de março de 2018.

públicas várias obras de auxílio ao professor, mas que por vezes foram negligenciadas. Esse poderia ser outro ponto a ser pesquisado, como essas obras chegaram às escolas e quais os resultados que legaram? Se é que legaram algum resultado.

Enfim, diante das perspectivas que foram levantadas por essa pesquisa, acreditamos ter cumprido o nosso percurso formativo, legando não só à nossa formação, mas também á de nossos pares, informações, conhecimentos e, principalmente, tempo de fala, de escuta e de alteridade.

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