2 REFERENCIAL TEÓRICO: REDES DE CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO E TEORIA DO VALOR DA EMPRESA
2.3 VALOR DA EMPRESA: MARKET VALUE ADDED (MVA®)
Segundo Assaf Neto (2003) a gestão de empresas tem mudado o seu foco de uma postura em que se buscava a rentabilidade para um novo enfoque voltado à riqueza dos acionistas. Este novo enfoque exige dos administradores uma nova postura em que a gestão de valor da empresa é o que predomina.
Diante deste fato, têm surgido várias medidas de desempenho de empresas baseadas no valor. Uma destas medidas que proporcionam um enfoque diferente da análise pelo FCD é o valor de mercado agregado (MVA® - market value added).
Para Stewart (1990)6 o MVA® corresponde à diferença entre o valor de mercado da empresa e o capital investido, ou a medida de valor que a empresa criou, aos olhos do investidor, excedendo os recursos já comprometidos no negócio. Sua principal característica é se basear no mercado, isto é, no valor que o mercado atribui à empresa
(2.14)
O valor de mercado (VM) corresponde ao valor pelo qual a empresa poderia ser comercializada em qualquer momento, ou seja
(2.15)
onde QAÇÂO é a quantidade de ações da empresa e PAÇÂOé o preço da ação.
AÇÃO AÇÃO P Q VM = × Investido Capital - Mercado de Valor MVA =
Diante da definição do MVA®, Frezatti (2003) cita os principais pontos positivos e negativos deste indicador de desempenho. Os pontos positivos são:
• Relaciona uma variável externa (preço da ação), com uma variável interna da empresa (Capital Investido) proporcionando condições de se avaliar o nível de eficiência da empresa, fazendo com que o acionista exija melhor desempenho em termos dos recursos à disposição da empresa (melhor gestão do capital investido). • Exige um maior nível de transparência dos gestores que precisam se preocupar em
serem percebidos como eficientes, e não apenas em ser eficientes. Comunicar adequadamente ao mercado as decisões tomadas na direção da empresa permite a correta valorização da entidade.
• Contribui favoravelmente para a prática da teoria da estrutura de capital, pois quando não for possível proporcionar o valor da empresa mais favorável, a redução do investimento para liberar recursos para o acionista, constitui uma abordagem adequada.
Por outra parte, as principais limitações, ou pontos negativos, são:
• Dificuldade de entendimento e aplicação do conceito devido à falta de uma definição clara e objetiva.
• Dificuldade de monitoração devido a necessidade de informações internas e externas da organização.
• Relação pouco clara entre o resultado da análise MVA®
(que pode ser positivo ou negativo) e o resultado econômico no curto prazo. Isto ocorre quando empresas com prejuízo apresentam MVA® positivo ou quando empresas com lucro apresentam MVA® negativo.
Frezatti (2003) propõe uma segunda abordagem para a utilização do MVA®, denominado MVA® intrínseco. O MVA® intrínseco leva em consideração a disponibilidade na obtenção de informações internas da empresa, pois ele seria utilizado por um agente interno à empresa. Dessa forma tem-se:
• MVA®
validado: pode ser apurado por qualquer agente, interno ou externo à empresa e depende da publicação de demonstrações contábeis da mesma e seria calculado segundo a expressão (2.14).
• MVA®
intrínseco: é calculado por quem pode projetar os resultados econômicos futuros da empresa, que seriam, neste caso, os agentes internos por terem acesso aos planos de negócios da empresa.
O MVA® intrínseco é calculado segundo a expressão abaixo
(2.16)
O MVA® intrínseco pode ser comparado ao valor de mercado da empresa caso esta possua ações negociadas em bolsas de valores. O resultado desta comparação pode levar a duas situações.
Quando o valor intrínseco é superior ao valor de mercado, o mercado está tendo uma percepção negativa da empresa. Isto é, não está de acordo com as decisões dos administradores da empresa. Neste caso a comunicação entre administradores e investidores deverá ser melhorada.
Na situação em que o valor de mercado é superior ao valor intrínseco, pode haver problemas no longo prazo. Isto acontecerá se as expectativas dos investidores quanto aos benefícios futuros forem muito elevadas. Quando as expectativas de longo prazo estiverem mal fundamentadas, há necessidade de reconsiderar os planos da empresa.
áveis Contabiliz Não Riscos e des Oportunida Esperados Futuros Benefícios dos Presente Valor Investido Capital intrinseco MVA + + = ®
Frezatti (2003) faz uma análise comparando o valor do MVA® à variação do valor de mercado da empresa. Nesta análise são identificadas quatro situações possíveis:
• Quando o valor de mercado é crescente e o MVA®
é positivo. Representa uma boa percepção e aprovação das ações dos gestores das empresas pelos investidores. • Quando o valor de mercado é crescente e o MVA®
é negativo. Pode ocorrer quando há um aumento do capital investido. Neste caso, é importante saber a natureza do aumento do capital investido. Se este aumento for com o intuído de gerar um fluxo de caixa dos benefícios futuros maior, então, esta situação terá um significado positivo. Se o aumento do capital investido for devido ao aumento das contas a receber, então esta situação terá um significado negativo.
• Quando o valor de mercado é decrescente e o MVA®
é negativo. Tem-se a situação menos desejada, pois para o investidor significa que ele está perdendo recursos (ele possui menos do que investiu).
• Quando o valor de mercado é decrescente e o MVA®
é positivo. Ocorre quando a redução no capital investido for superior à diminuição do valor de mercado.
Frezatti (2003) afirma que o MVA® constitui uma ferramenta de análise que não pode ser tratada isoladamente dos demais métodos. Ela constitui uma ferramenta complementar analisando uma série de aspectos do negócio e integrando gestão interna com a percepção dos acionistas e investidores.
2.4 - VALOR DA EMPRESA: MÉTODOS DOS BALANÇOS PATRIMONIAIS E