• Nenhum resultado encontrado

Para ter uma ideia mais clara de como desenvolver uma dissertação, vamos analisar o seguinte editorial da Folha de São Paulo:

Ensino Inferior, em uma sociedade como a brasileira, em que somente 10% dos jovens entre 18 e 25 anos obtêm acesso ao ensino superior, conta com poucas razões para se orgulhar. A cifra oferece antes motivo para preocupação, diante da enormidade da tarefa que se oferece a um país que pretende competir no mercado mundial com tão deficiente capital humano. E essa é uma tarefa que nunca será satisfatoriamente cumprida se deixada a critério só de governos.

Na vizinha Argentina, em que pese à distribuição da renda mais favorável, 30% dos jovens naquela faixa etária estão matriculados em faculdades. Nos Estados Unidos, a parcela alcança respeitáveis 68%. Um salto no nível de escolaridade médio do brasileiro, mais que urgente, é do interesse de todos.

Garantir acesso e permanência de cada criança e jovem na escola é imperativo de justiça social ao mesmo tempo, necessidade econômica. Mão-de-obra qualificada, de preferência com nível superior, configura condição necessária da competitividade.

Não existem soluções simples ou baratas para a questão da escolaridade. Trata-se de façanha para ocupar toda uma geração, mas não será iniciada sem se eleger a educação como prioridade nacional. Isso significa ir além das iniciativas governamentais, como complementações de renda vinculadas à frequência escolar.

Eis aí um campo em que a capacidade restrita de investimento oficial está a pedir uma contribuição decidida do setor privado, que pode e deve ampliar sua participação nesse investimento crucial, o que vem ocorrendo de forma discreta. Não basta, entretanto, aumentar a oferta de vagas, pois ensino exige, sobretudo, qualidade e continuidade.

Distribuir educação significa também repartir renda, sejam na forma de merenda, livros ou bolsas. Já se tornou lugar-comum dizer que este país é mais injusto do que subdesenvolvido, mas continua faltando reconhecer com ações que para se desenvolver ele tem antes de educar-se.

(Folha de São Paulo). Introdução

O primeiro parágrafo é introdutório, pois apresentam- se nele a ideia núcleo sobre a qual o texto está fundado.

“Uma sociedade como a brasileira, em que somente 10% dos jovens entre 18 e 25 anos obtêm acesso ao ensino superior, conta com poucas razões para se orgulhar” é a

sugestão do plano que será seguido em todo o texto:

“(...) a cifra oferece antes o motivo para preocupação, diante da enormidade da tarefa que se oferece a um país que pretende competir no mercado mundial com tão deficiente capital humano”.

Portanto, o texto parte do princípio que a sociedade

brasileira tem poucos motivos para se orgulhar de sua estrutura educacional e afirma que, se o Brasil pretende competir no mercado mundial, deve-se preocupar-se com a reformulação dessa estrutura.

O autor sugere, ainda, que “essa é uma tarefa que nunca será satisfatoriamente cumprida se

deixada a critério só dos governos”: deve haver outros participantes, como se observará no

desenvolvimento.

Assim, o autor se propõe a:

a) Provar o quão relevante é a reforma educacional no Brasil e

b) Mostrar a importância da participação de órgãos não governamentais nessa reforma.

Desenvolvimento

A estrutura do desenvolvimento baseia-se em argumentos que sustentam as afirmações feitas na introdução. Dessa maneira, o autor começa seu desenvolvimento provando que os dados apresentados na introdução são, realmente, um indicador do insucesso educacional no Brasil, comparando-os com as estatísticas de outros países.

Perceba que essa comparação confere à ideia núcleo da introdução mais crédito: “se, na Argentina, pais da América do Sul, os

dados são mais otimistas do que no Brasil, é mais que necessária uma reforma educacional. “

O terceiro parágrafo retoma a proposta inicial, pois para que o Brasil seja competitivo, deve haver evolução educacional: “Mão-de-

obra qualificada, de preferência com nível superior, configura condição necessária da competitividade. ”

O quarto parágrafo é consequência do terceiro: como pode haver salto no nível de escolaridade médio do ensino brasileiro, se não se eleger a educação como prioridade nacional? A segunda proposta da introdução também fica evidente, esclarecendo que não bastam as iniciativas governamentais para revolucionar a educação no Brasil.

Tal afirmação se explica no quinto parágrafo: já que o governo é incapaz de arcar com todas as tarefas e subsídios educacionais, é mais que necessária a participação dos setores privados na reforma proposta pelo autor.

Ou seja, o autor do texto estudado se valeu de uma comparação; depois, provou a importância da reforma educacional com duas razões: a injustiça social e a necessidade econômica; e mostrou a relevância do setor privado na reforma educacional com um fato conhecido dos leitores: a deficiência do governo.

Conclusão

Na conclusão, o autor apenas afirma que é preciso que o Brasil, com ações, “se eduque” para que depois se desenvolva, e não retoma a ideia núcleo, deixando-a evidente, depois da apresentação dos argumentos.

Considerações técnicas

Depois de definidas as estruturas que compõem o texto dissertativo, observadas no editorial da Folha de São Paulo, é necessário avaliar os méritos de seu autor:

a) Ao longo do texto o autor cumpriu as duas metas a que havia se proposto: evidenciou a

urgência da reforma educacional no Brasil e a importância da participação do setor privado nessa reforma.

Se houvesse apresentado, ao longo da dissertação, outros aspectos além dos propostos; ou se, ao contrário, examinasse problemas que não constassem da introdução, teria fugido ao tema.

b) A argumentação, além de seguir a proposta introdutória, apresentou argumentos relevantes

para o exame do assunto, alcançando o primeiro objetivo de uma dissertação: a apresentação coerente do ponto de vista do autor.

c) É indispensável saber que o leitor não precisa, necessariamente, concordar com as ideias

expostas no texto dissertativo; deve, no entanto, considerá-las organizadas de maneira coerente e convincente.

d) O vocabulário utilizado pelo autor não pode ser considerado “difícil” e as estruturas sintáticas

No documento COMO TER SUCESSO EM PROCESSO SELETIVO (páginas 66-69)

Documentos relacionados