4.9 Influência dos contingenciadores nas associações
4.9.1 Variável contingenciadora: tipo de produto
De acordo com o tipo de produto utilizado ou fabricado pela empresa, as atividades logísticas se diferenciam, principalmente no tocante à distribuição (BALLOU, 2001). Desta forma, o tipo de produto recebido ou distribuído pela empresa pode alterar as associações entre as variáveis principais da pesquisa. Assim, nas próximas seções, será analisada a influência do tipo de produto (industrial ou de consumo) naquelas associações.
4.9.1.1 Associações entre EOL e NSL contingenciada pelo tipo de produto
Diante do exposto na tabela 21 (4) , observa-se que foi mantida a correlação significativa entre a média normalizada do NSLR, NSLO e o primeiro fator representativo da EOL (Fator 1 – Processos internos) para um nível de significância de 0,01 (p<0,01), considerando produto do tipo industrial. Por outro lado, para produtos de consumo, a associação anteriormente significativa existente entre NSLR e os Processos internos da empresa, deixou de existir.A ausência de correlações significativas, para um nível de significância de 0,05, do fator 2 da EOL com as médias normalizadas dos NSLR e NSLO também se manteve.
Houve, ainda, alterações em relação aos fatores 3 (Intensidade na integração externa) e 4 (Capacidade de negociação). Quanto ao fator 3, antes da introdução da variável contingenciadora o mesmo apresentava correlações significativas com as médias normalizadas dos NSL recebido e oferecido. Após a introdução da variável contingenciadora (Tipo de Produto – Industrial), o fator manteve sua correlação positiva com a média do NSL dos fornecedores e dos clientes, ressaltando que o valor 0,051 foi considerado significativo no nível de 5%.
Tabela 21 (4) – Correlação entre EOL e NSL contingenciada pelo Tipo de Produto
INDUSTRIAL CONSUMO
NSLR NSLO NSLR NSLO
FATOR1 Cor. Pearson 0,373** 0,497** 0,230 0,341*
Sig. (2-tailed) 0,002 ,000 0,134 0,025
Quant. 68 69 44 43
FATOR2 Cor. Pearson 0,049 0,162 0,125 0,119
Sig. (2-tailed) 0,696 0,182 0,437 0,463 Quant. 67 69 41 40
FATOR3 Cor. Pearson 0,239** 0,323** 0,196 0,290
Sig. (2-tailed) 0,051 0,008 0,203 0,059 Quant. 67 67 44 43
FATOR4 Cor. Pearson 0,303* 0,218 0,001 0,198
Sig. (2-tailed) 0,013 0,077 0,993 0,203 Quant. 67 67 44 43 **A correlação é significativa ao nível de 1% (2-tailed)
*A correlação é significativa ao nível de 5% (2-tailed)
Fonte: elaborado pelo autor
Em continuação, o fator 4 deixa de estar correlacionado com a média normalizada do NSL oferecido aos clientes, com um nível de significância de 0,01 (antes da introdução da variável contingenciadora Tipo de Produto – Industrial) e agora apresenta correlação significativa (0,05) com a média normalizada do NSL recebido dos fornecedores. Isto leva a concluir que, quando se trata do fornecimento para empresas que lidam com produtos industriais, a relação entre o NSL e características relativas a número de contatos e poder de negociação da empresa com seus principais fornecedores se altera, tornando-se significativa.
O mesmo não se verifica em relação ao NSL oferecido aos clientes. Ao contrário, a relação deixa de ser significativa.
Ao lidar-se com produtos de consumo, observa-se que, com exceção da correlação entre o fator 1 (Processos internos) e a média normalizada do NSL oferecido aos clientes, não há correlações significativas entre EOL e NSL (com nível de significância 0,05), ou seja, em empresas que fabricam produtos de consumo, não há associações significativas entre a EOL, NSL recebido dos fornecedores e o NSL oferecido aos clientes.
Percebe-se outras alterações quando esta variável moderadora é considerada. Primeiro, as associações antes existentes entre NSLR e o fator 1 (processos internos) e entre o NSLR e o fator 3 (Intensidade na integração externa) deixaram de existir, ou seja, modificam- se todas as associações significativas existentes entre o NSLR e a EOL quando o produto do tipo de consumo é considerado. Segundo, as correlações significativas anteriormente verificadas entre os fator relativo a intensidade na integração externa (fator 3) e o NSLO e o fator relativo a capacidade de negociação da empresa (Fator 4) e o NSLO também deixaram de existir, permanecendo apenas a associação entre o primeiro indicador da EOL e o NSLO (Processos internos).
O quadro geral que emerge evidencia que o tipo de produto aparenta influenciar nas associações entre o nível de serviço logístico (recebido e oferecido) e a estrutura organizacional da logística, em especial no que diz respeito aos produtos de consumo.
4.9.1.2 Associações entre EOL e DE contingenciada pelo tipo de produto
Diante do exposto na tabela 22 (4), observa-se que a ausência de correlações significativas entre a EOL e o DE se manteve quando contingenciada pelo tipo de produto – industrial ou de consumo (com nível de significância 0,05).
Assim, pode-se concluir que a não existência de associação entre a estrutura organizacional da logística e o desempenho empresarial parece se manter, independente do tipo de produto considerado.
Tabela 22 (4) – Correlação entre EOL e DE contingenciada pelo Tipo de Produto
INDUSTRIAL CONSUMO
VARR
L
RENTPL VAREBITD VARRL RENTPL VAREBITD
FATOR1 Cor. Pearson -0,166 -0,143 -0,157 0,042 0,113 -0,039
Sig. (2-tailed) 0,157 0,225 0,181 0,771 0,431 0,787
Quant. 74 74 74 51 51 51
FATOR2 Cor. Pearson -0,172 -0,063 -0,081 0,099 -0,078 -0,135
Sig. (2-tailed) 0,142 0,595 0,493 0,503 0,598 0,359
Quant. 74 74 74 48 48 48
FATOR3 Cor. Pearson -0,001 -0,153 0,113 0,237 -0,105 -0,089
Sig. (2-tailed) 0,994 0,195 0,340 0,094 0,464 0,534
Quant. 73 73 73 51 51 51
FATOR4 Cor. Pearson -0,124 0,006 -0,154 0,131 0,014 -0,132
Sig. (2-tailed) 0,296 0,958 0,192 0,360 0,922 0,357
Quant. 73 73 73 51 51 51
**A correlação é significativa ao nível de 1% (2-tailed) *A correlação é significativa ao nível de 5% (2-tailed)
Fonte: elaborado pelo autor
4.9.1.3 Associações entre NSL e DE contingenciada pelo tipo de produto
A tabela 23 (4) apresenta as associações entre o NSL e o DE, contingenciada pelo tipo de produto.Evidencia-se que, quando considera-se o tipo de produto – Industrial, o NSLO se apresenta correlacionado negativamente com a rentabilidade do patrimônio líquido. Fato semelhante ocorre quando se considera Produtos de Consumo. Desta vez, as associações se apresentam significativas e negativas para o NSLR e a variação do Ebitda e para o NNSLO e a variação do Ebitda. Em outras palavras, a empresa pode, por exemplo, estar oferecendo altos níveis de serviço logístico e estar obtendo desempenho empresarial aquém do desejado.
Isto pode ser entendido a partir das diferenças entre os variados tipos de clientes da empresa, ou seja, a empresa deve prestar níveis diferentes de serviço logístico para diferentes clientes, idéia já defendida por Figueiredo (2000).
Tabela 23 (4) – Correlação entre NSL e DE contingenciada pelo Tipo de Produto
INDUSTRIAL CONSUMO
NSLR NSLO NSLR NSLO
VARRL Cor. Pearson 0,082 0,051 -0,087 0,259
Sig. (2-tailed) 0,502 0,675 0,569 0,093
Quant. 70 70 45 43
RENTPL Cor. Pearson -0,064 -0,275* 0,047 0,048
Sig. (2-tailed) 0,601 0,021 0,757 0,758
Quant. 70 70 45 43
VAREBITD Cor. Pearson 0,060 0,124 -0,317* -0,306*
Sig. (2-tailed) 0,619 0,307 0,034 0,046
Quant. 70 70
**A correlação é significativa ao nível de 1% (2-tailed) *A correlação é significativa ao nível de 5% (2-tailed)
Fonte: elaborado pelo autor