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Autoras: Isis Teixeira Faria e Rafaela de Moraes Pinto Leite

Introdução

Antes de empreender o trabalho propriamente dito, uma questão nos veio como desafio, de alguma forma: “experiência exitosa?” O que temos feito tem tido êxito? Entretanto, poste-riormente, o eixo, no qual este trabalho foi submetido, veio nos tirar da “contemplação” e de um possível sentimento de inadequação ou frustração: “práticas educativas problematiza-doras”. Ao olharmos a problematização pelo olhar de Foucault, entendemos que problema-tizar está para além de noções, como: certo ou errado, bonito ou feio, verdadeiro ou falso, etc.

Trata-se de um trabalho de desconstrução e não apenas de construir alguma coisa. O pre-sente trabalho tem a finalidade de apresentar a experiência da articulação da rede interseto-rial do município de Silva Jardim, no estado do Rio de Janeiro. A iniciativa parte do Programa de Enfrentamento à Violência, que está inserido na Coordenação de Programas de Saúde (COOPS), na esfera da Atenção Primária.

Objetivo Geral

Traçar o perfil epidemiológico do município, conhecer as reais demandas da população, ob-jetivando reivindicação de políticas públicas e fortalecimento da rede de proteção à vítima de violência.

Objetivos Específicos

Reconhecendo a importância da Educação Permanente, considerando a Portaria Nº 198/GM de 13 de fevereiro de 2004, os objetivos da Comissão devem estar alinhados com a iden-tificação das necessidades de formação dos trabalhadores e a construção de estratégias e processos para qualificar os mesmos. Segundo Ceccim e Ferla (2009, p. 1), a Educação Permanente precisa ser entendida simultaneamente como uma prática de ensino-aprendi-zagem e como uma política de educação na saúde. Afirmam, ainda, que ela se parece com muitas vertentes brasileiras da educação popular em saúde e compartilha muitos de seus conceitos, porém enquanto a educação popular visa à cidadania, a educação permanente visa o trabalho. Tendo este pano de fundo, os objetivos específicos são:

• Conscientizar os dispositivos da rede sobre a importância do preenchimento da Ficha de Notificação Individual, para alimentação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).

• Promover Capacitação/Oficinas de Qualificação dentro e fora do âmbito da Saú-de para profissionais nos seus diversos saberes, fortalecendo, assim, a perspectiva multidisciplinar e intersetorial.

• Tornar claro o fluxo de atendimento, encaminhamento e acompanhamento, para evitar a revitimização.

• Levantar tipos de violência, faixa etária das vítimas e agressores, vínculo/grau de parentesco e local da ocorrência.

• Promover espaços de discussão visando à compreensão da violência como ques-tão social e de saúde pública.

Metodologia / Estratégias

A urgência que um problema como a violência demanda, de certa forma, dispensa muitas justificativas, uma vez que é gritante e este grito é de “socorro”. A estreitíssima relação com o adoecimento, em suas várias dimensões, e a mortalidade por si só já denuncia a gravidade e, como dito, a urgência. Entretanto, não podemos confundir urgência com o “fazer às pressas”, desarticulado e sem solidez. A educação precisa ser permanente, de fato.

Pensando desta forma, no ano de 2018 começamos nosso trabalho com reuniões periódicas, não só para tratar do tema, mas para nos conhecermos e reconhecermos na rede municipal e sabermos da competência de cada um. A primeira reunião foi realizada com representantes da Secretaria de Saúde e da Promoção Social. Posteriormente, estendemos os convites a outras secretarias, conselhos e outras instituições, que direta ou indiretamente trabalhasse com esta realidade.

Realizamos uma Capacitação no teatro local, com inscrições prévias pela internet, através de endereço eletrônico criado para esta finalidade. Tivemos mais de 100 (cem) participantes:

profissionais da Saúde (incluindo Atenção Psicossocial e Vigilância Epidemiológica), Educa-ção, Promoção Social (CRAS, CREAS, NAFA, abrigo de crianças e adolescentes), Conselho Tutelar, Conselho Comunitário de Saúde, Conselho Comunitário de Segurança, Conselho de Assistência, Secretária dos Direitos da Mulher e Minorias e Pestalozzi.

Todo o conteúdo transmitido foi baseado no Viva: Instrutivo de Notificação de Violência Inter-pessoal e Autoprovocada – Ministério da Saúde. Portanto, discutimos os tipos de violência, casos passíveis ou não de notificação, breves apanhados sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, Estatuto do Idoso e Legislação a respeito da Notificação Compulsória. Abrimos, ainda, espaço para divisão em grupos para discussão de casos fictícios, com intuito de as-similar o conteúdo e pensarmos estratégias de acordo com a rede do município. Ao final, os participantes receberam Certificados de Participação.

A partir daí, nas reuniões seguintes, elaboramos, em conjunto, os fluxos (Criança e Adoles-cente, Mulher e Pessoa Idosa), que contemplassem os protocolos existentes e refletissem nossa realidade, com os dispositivos que temos. Neste ano de 2019, formamos a Comissão Intersetorial de Enfrentamento à Violência Interpessoal e Autoprovocada. Estamos na fase de elaboração do Regimento Interno.

Resultados Esperados

Esperamos, com o levantamento dos dados mencionados acima, traçar o mapa epidemio-lógico do município e promover ações de prevenção, minimização de impactos e fortalecer a rede de proteção. Em um futuro próximo, esperamos ter outros representantes conosco.

Dentre eles: Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e Programa Crian-ça Feliz. Buscaremos, ainda, articulação com Ministério Público e Delegacia de Polícia.

Forma de Avaliação do Processo e dos Resultados Alcançados

Um dos principais indicadores de êxito nos resultados é, sem dúvida, o aumento de fichas de notificação preenchidas e, consequentemente, lançadas no sistema. Vale acrescentar a im-portância dos preenchimentos destas para além do âmbito da Saúde. A estatística fala, não é simplesmente um monte de números, mas uma espécie de “quadro sintomático”. Números são indicadores de que o trabalho anda ou não anda bem. Políticas Públicas são feitas, a partir de demandas e demandas explícitas.

Numa perspectiva mais ampla e, talvez, “mais amadurecida” deste processo, a expectativa é de que essa rede de proteção esteja mais lúcida e qualificada, tendo como desdobramento a produção de impactos positivos sobre a saúde individual e coletiva.

Recursos

Os recursos utilizados têm sido diversos e muitos apresentam baixo custo. Temos utilizado elaboração de panfletos e folders esclarecendo sobre o tema; palestras e rodas de conversa, aproveitando datas significativas.

Quanto à montagem da Capacitação Intersetorial, que fez e faz parte deste processo, preci-samos de: local que suporte a quantidade esperada de participantes (recomendamos inscri-ções prévias); aparelhagem audiovisual, inclusive telão e microfones; computador; material para confecção de crachás, listas de presença, certificados; cópias das Fichas de Notificação e outros subsídios que se façam necessários, canetas, pastas e coffee break.

Referências Bibliográficas

Brasil. Portaria nº 198 GM/MS, de 13 de fevereiro de 2004. Institui a Política Nacional de Edu-cação Permanente em Saúde como estratégia do Sistema Único de Saúde para a formação e o desenvolvimento de trabalhadores para o setor e dá outras providências. Diário Oficial da União 2004; 13 fev. Disponível em:

<https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/1832.pdf>, Acesso em 28 nov.

2019.

Ceccim, R B, Ferla, AA. Educação Permanente em Saúde. Dicionário da Educação Profissio-nal em Saúde [Internet]. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2009. Disponível em: <http://www.sites.

epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/edupersau.html>, Acesso em 28 nov. 2019.

Viva: instrutivo notificação de violência interpessoal e autoprovocada [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância de Do-enças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saúde. – 2. ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2016. Disponível em:

<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/viva_instrutivo_violencia_interpessoal_auto-provocada_2ed.pdf>, Acesso em 30 ago. 2019.

Violência intrafamiliar: construindo uma rede de cuidados na

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