a designação de “grupos ou indivíduos fragilizados, jurídica ou politicamente, na promoção, proteção ou garantia de seus direitos de cidadania” devido sua inserção em uma sociedade organizada estruturalmente e historicamente a partir das desigualdades de distribuição de bens de produção e concentração de poder (AYRES, 2007, p 188).
Na percepção de Souza, Miranda e Franco (2011) o termo vulnerabilidade é compreendido com a suscetibilidade das pessoas a uma possibilidade de adoecimento resultante de um conjunto de processos de natureza biológica, social e cultural, recolocando o sujeito em sua relação com o coletivo.
Na perspectiva de construção do conhecimento, em primeiro momento procura-se diferenciar risco de vulnerabilidade. O risco segundo Ayres (2002 p.18) aponta para “[...] chances probabilísticas de susceptibilidade, atribuíveis a um indivíduo qualquer de grupos populacionais particularizados, delimitados em função da exposição a agentes”. O autor refere-se ao termo vulnerabilidade como sendo a exposição das pessoas ao adoecimento, como resultante de um conjunto de aspectos relacionados ao indivíduo, seu contexto sociocultural e a forma como as políticas estão implementadas para sua proteção (AYRES; PAIVA; FRANÇA JÚNIOR, 2011).
Segundo Muñoz Sanchez e Bertolozzi (2007), vulnerabilidade é um conjunto de aspectos coletivos, contextuais que levam a suscetibilidade a doenças e agravos, considerando aspectos de disponibilidade ou a carência de recursos destinados à proteção das pessoas. O conceito de vulnerabilidade tem sido usado para melhor entender as práticas de saúde como práticas sociais e históricas, que necessitam do trabalho com diferentes setores da sociedade e da multidisciplinaridade (AYRES, 1995).
Assim, vulnerabilidade pode ser compreendida como um complexo de condições que podem tornam indivíduos ou comunidades suscetíveis para sofrer prejuízos em sua saúde, devido à determinação de aspectos de ordem individual, social e programática (AYRES; PAIVA; FRANÇA JÚNIOR, 2011).
A concepção de vulnerabilidade sustenta-se no pressuposto de que a dimensão estrutural da realidade, conectada às necessidades tanto objetivas quanto subjetivas dos indivíduos e grupos, causa disparidades nos níveis de exposição a agravos à saúde, ao quais os adolescentes estão expostos. Diante deste contexto,
questões de saúde e da coletividade em que vivem. Neste sentido, a vulnerabilidade em saúde articula-se fortemente com as discussões sobre direitos da pessoa, controle social, autonomia e empoderamento do sujeito, próprias do contexto da PS (AYRES et al., 2008).
A vulnerabilidade ao aproximar estes aspectos, pretende integrar três eixos estabelecidos como vulnerabilidade social, individual e programática, referente às relações entre as situações sociais, programáticas e suas interferências nas condições de vida e saúde dos indivíduos (AYRES et al., 2013).
Segundo Ayres et al., (2003a) a vulnerabilidade ao aproximar estes aspectos, pretende integrar três eixos estabelecidos sendo: Vulnerabilidade Individual - compreendida como cognitiva que se refere à capacidade, qualidade e quantidade que o indivíduo tem em receber informações, elaborá-las, incorporá-las e aplicá-las na prática de seu interesse; Vulnerabilidade Social - entendida como acesso do individuo à informação e relacionada aos aspectos materiais, culturais, políticos e morais à vida em sociedade; e Vulnerabilidade Programática - compreendida como a capacidade de resposta de programas e serviços e instituições quanto ao compromisso de disponibilizar recursos, às condições socialmente dadas de vulnerabilidade, monitorar ações de prevenção, fortalecendo os indivíduos (AYRES et al., 2003a; AYRES; PAIVA; FRANÇA JÚNIOR, 2011).
Neste contexto de vulnerabilidade existem planos individual, social e programático, identificando à necessidade de movimentar outras estruturas que não estão restritas à dimensão singular dos serviços de saúde, sendo exigidas ações de intersetorialidade. Entre estas ações, destaca-se a importância de mobilizar setores da educação, trabalho, como respostas sociais que visam à redução da vulnerabilidade (AYRES et al., 2008).
A adolescência é um período de maturidade do indivíduo que é determinada por aspectos sociais, culturais e ambientais que trazem vulnerabilidades a sua saúde. Assim, como descrito anteriormente, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes tem como proposta programar e desenvolver ações que atendam de modo integral, as demandas referentes às distintas vulnerabilidades à saúde dos adolescentes (FONSECA et al., 2013).
No entanto, um grande número de fatores de vulnerabilidade tem estado presente na realidade objetiva do adolescente, o que tem tornado este grupo
química. Esses aspectos podem ser descritos como: pobreza, violência, exploração sexual, a baixa escolaridade, a exploração do trabalho, a gravidez, as DST/AIDS, o abuso de drogas e a privação da convivência familiar e comunitária, identidade étnico-racial e de gênero, deficiência e local onde residem (BRASIL, 2011a).
Diante deste cenário ainda é pertinente relatar que as vulnerabilidades das crianças, adolescentes e de suas famílias manifestam-se em violência cotidiana no contexto familiar e escolar. A falta de oferta de uma educação de qualidade, os baixos salários e o desemprego afetam também a trajetória de vida desses brasileiros, obrigando-os a se inserirem precocemente no mercado de trabalho e/ou no tráfico de drogas (FONSECA et al., 2013).
Assim, os adolescentes pertencem a um segmento populacional em que a vulnerabilidade e a autonomia são temáticas que precisam ser desenvolvidas em ações realizadas pela equipe multidisciplinar, por tratarem de questões de gênero, culturais, sociais e religiosas, como por exemplo, relação sexual precoce e desprotegida, gravidez na adolescência, uso de substâncias psicoativas e violência física e moral.
Ao trabalhar estas questões o profissional pode compreender o universo do adolescente e a realidade em que estão inseridos, podendo assim desenvolver ações de saúde na comunidade escolar. Por outro lado os profissionais de saúde consideram as vulnerabilidades, citadas acima, de difícil abordagem, por envolverem aspectos culturais, sociais e religiosos (REIS et al., 2013).
Considerando as dificuldades em trabalhar estes aspectos com os escolares adolescentes, optou-se por desenvolver ações de educação em saúde utilização o círculo de cultura, cuja metodologia dialógica-problematizadora implica numa pesquisa dos temas geradores, que são captados, estudados e desenvolvidos como temas problemáticos presentes no cotidiano dos escolares adolescentes.