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Webradios: Novas sonoridades no ambiente digital

O RÁDIO HOJE: ASPECTOS DE UM MEIO EM EVOLUÇÃO

2.3 Panorama atual do rádio brasileiro

2.2.4 Webradios: Novas sonoridades no ambiente digital

Nativas do meio digital, as Webradios representam um dos mais expressivos divisores históricos entre a radiodifusão do passado – de caráter analógico, e o rádio do futuro – de conformação digital e virtual. A cada dia surgem e desaparecem inúmeras rádios que são acessadas exclusivamente na internet, tornando difícil a tarefa de apresentar uma mensuração atualizada desse cenário. Mas há levantamentos que buscam traçar um panorama aproximado. Prata (2013, p. 5), ao buscar o estabelecimento de um panorama das webradios brasileiras, identificou o total de 2.018 emissoras desse formato disponíveis no portal www.radios.com.br no dia 30 de maio de 2013. A quantia apresentada foi obtida mediante pesquisa que catalogou o nome, o número de acessos para aferição da audiência, a cidade e o estado de origem e o segmento em que atuam as webradios.

De acordo com o levantamento, 590 municípios brasileiros possuíam pelo menos uma

webradio – número que representa pouco mais de 10% dos 5.570 municípios existentes no país. A cidade com o maior número dessas emissoras é São Paulo, com 186 no total; seguida pelo Rio de Janeiro, com 103; e Fortaleza, com 49. No tocante à divisão por estados, o estudo revelou São Paulo como o maior detentor de emissoras – 578; enquanto Acre e Amapá apresentaram, respectivamente, apenas uma dessas estações na internet (op. cit., p. 6).

A autora relata que a distribuição das webradios pelo país replica o mesmo panorama do rádio hertziano: maior concentração nas regiões Sudeste e Sul, distribuição variada no Centro-Oeste e Nordeste e carência no Norte. Quando à audiência, Prata detectou que a emissora mais acessada foi a Só Flashback, que tem sede em São Luiz, no Maranhão. Essa

webradio apresentou 77.438 acessos no mês de maio de 2013, número inexpressivo, na

avaliação da autora, se comparado com a audiência das emissoras convencionais. “Uma das rádios com maior audiência hoje no país é a paulista Nativa FM, do grupo Band, que atinge a marca de 272 mil ouvintes por minutos no horário entre 7h e 19h” (op. cit., p. 8).

A pesquisa indicou que, nas webradios, a programação é variada, “já que a internet é o espaço apropriado para os conteúdos altamente especializados” (PRATA, 2013, p. 10). A diversidade de estilos musicais, com destaque para o gospel e o sertanejo, entre outros, são dominantes entre os conteúdos reverberados pelas emissoras virtuais. A pesquisa também observou ainda a inexistência de ações diferenciadas ou inéditas dentre as já consagradas no ambiente virtual. O mesmo ocorre com outras formas comunicacionais expressivas, como o Jornalismo, o que permitiu concluir que as webradios tendem a reproduzir os modelos já consolidados pelo rádio tradicional, principalmente em FM.

Os dados apresentados por Prata (2013) representam um instante que, na atualidade, já foi alterado devido à velocidade em que os fatos ocorrem na internet. Em 21 novembro de 2014, a soma simples de links disponíveis no mesmo Site avaliado em 2013 indicou a possibilidade de acesso a 3874 webradios59. A existência volátil, mas crescente das rádios que atuam apenas na internet é um dos fatores que não permite estabelecer uma quantificação aproximada. O neologismo Webradio é outra causa que também impede identificar, com precisão, a quantia desses meios em operação, uma vez que existem rádios convencionais que adotaram, separadamente às suas transmissões convencionais, esse formato de difusão sonora na rede mundial de computadores.

Desde que o rádio passou a marcar presença na Web busca-se entender e tipificar as novas mídias prioritariamente sonoras. No contexto tecnológico, o rádio é configurado pelos modelos analógicos (que transmitem por ondas eletromagnéticas) ou digitais (que transmitem de forma digital ou apenas pela internet – sendo este último o caso das Webradios). O meio ainda apresenta três configurações específicas na atualidade: emissoras hertzianas com

59

Utilizou-se aqui, contudo, os indicadores obtidos por Prata (2013) no citado portal, que empregou os dados obtidos à época da pesquisa com a finalidade de esboçar um cenário das webradios no Brasil. Disponível em: <http://www.radios.com.br/cnt/resultado/33/web/0>. Acesso em: 21 Nov. 2014.

transmissão analógica ou digital; emissoras hertzianas com presença na internet com transmissão digital; e emissoras digitais com presença exclusiva na internet – as webradios (PRATA, 2009, p. 15).

A história do rádio brasileiro na rede mundial de computadores começou em 1996 com as experimentações feitas por Renato Lins, então estudante de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco, que desenvolveu o Manguetronic – primeiro programa de rádio feito para a internet na América Latina. O propósito do projeto era criar um espaço de divulgação para o movimento cultural Mangue Beat (BUFARAH JR, 2003, p. 154). A primeira emissora brasileira com existência apenas na internet foi a Rádio Totem, criada pelo empresário paulista Eduardo Oliva em 1998. Inicialmente, a emissora oferecia somente programação sonora gerada ao vivo de um pequeno estúdio, em São Paulo. O conteúdo veiculado era predominantemente musical e, com o tempo, a rádio passou a oferecer estilos diversificados em outros canais, como dance, sertanejo, samba, pagode, pop, rock, MPB, axé e reggae. Ainda havia a possibilidade de acesso a programas e notícias, bem como a

videoclipes e serviços de e-mail e atendimento ao usuário (op. cit., p. 159).

As webradios, ao oferecerem um modelo de rádio que não é explorado pela posse de uma concessão governamental, mas a partir da livre iniciativa de indivíduos ou de grupos que têm metas e preferências distintas, estabelecem uma nova relação com os ouvintes/usuários que possuem, em mãos, um sistema que oferece uma sucessão de escolhas que não pode ser reproduzido pela conformação analógica das transmissões hertzianas. “Nesse processo de interação, no qual a relação homem e máquina é extrapolada pela forma de construção escolhida pelo usuário, através das interfaces da WWW, o ouvinte de rádio amplia seu acesso à emissora com base em novas ferramentas multimídia” (BUFARAH JR, 2003, p. 153).