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Capítulo III – Estágio

3. O Estágio

3.4 Actividades desenvolvidas

3.4.4 Workshop “Ouvir Imagens e Ver Sons”

O workshop “Ouvir Imagens e Ver Sons” foi projectado e organizado por colaboradores do Cine Clube de Viseu (CCV), com o propósito de dar a conhecer aos participantes as técnicas, materiais e programas necessários, para a captura e edição de som e imagem e assim construir uma curta-metragem, trabalhando o material recolhido pelos participantes, através de exercícios e processos de criação simples. Esta curta- metragem realizada teve como tema do argumento “A Cidade”.

Esta actividade é direccionada a um público com mais de 15 anos, tendo como local de actuação e de trabalho a Escola Superior

de Educação de Viseu e a própria cidade. Esta, decorreu durante o dia 8 de Outubro de 2011, tendo iniciado às 10 horas até às 17:30 horas, mas devido à quantidade de trabalho a realizar durante o workshop, este terminou por volta das 19:30 horas.

Este workshop teve a inscrição de sete

Figura 13: Imagem do vídeo criado durante o workshop.

pessoas e ainda as duas monitoras Ana Bento e Sara Figueiredo. O total de elementos foi dividido em dois grupos, quatro elementos (Grupo 1) ficaram com a monitora Ana Bento (responsável pela parte sonora da curta-metragem) e os restantes (Grupo 2) ficaram com a monitora Sara Figueiredo (responsável pela parte do vídeo), havendo troca de grupo durante a parte da tarde do workshop. O primeiro grupo, ao qual eu pertencia, desenvolveu durante a manhã, a parte sonora através de jogos de criação de ritmos com a utilização de diferentes instrumentos, tais como Guitarra eléctrica, Baixo eléctrico e alguns acessórios da Bateria, e tivemos ainda a oportunidade de criar o nosso próprio som, através do programa informático Audialize, dando oportunidade aos participantes de construir uma faixa de 4 tempos, unindo-as no final, criando assim uma outra parte da banda sonora para a curta-metragem.

Da parte da tarde, o Grupo 1 começou a desenvolver a parte do vídeo com a formadora Sara Figueiredo, que começou por explicar as técnicas gerais de captação de imagem. A seguir começamos por imaginar diferentes situações relativas à Cidade, encaixando-as na banda sonora já criada. Esta actividade foi bem conseguida, pois houve uma fluidez de ideias por parte dos participantes. Depois de expormos e discutirmos as nossas ideias, partimos para a cidade de Viseu e começámos por captar algumas imagens de diversas situações, sendo também os participantes os actores. Após alguns planos retirados, voltámos para a Escola Superior de Educação de Viseu (ESEV) e começámos por seleccionar e ordenar os planos, construindo assim a curta-metragem. Infelizmente a construção do vídeo não foi terminada pelos intervenientes, uma vez que não houve tempo suficiente, tendo sido finalizada pela formadora, Sara Figueiredo, que depois facultou a curta-metragem já editada aos participantes.

3.5 Projecto de Expressão Dramática/Teatro

Desde o início do estágio predispus-me a desenvolver uma actividade na área da Expressão Dramática, de forma a concretizar um dos principais objectivos inicialmente traçados. Esta actividade tinha como tema central “A Importância da Música na Vida das Pessoas”, uma vez que esta arte está frequentemente presente nas nossas vidas e desperta os nossos estímulos sensoriais, capazes de criar laços de afectividade.

Pretendia com este projecto alterar alguns comportamentos do grupo, tornando-o mais unido e solidário. Não pretendia trabalhar propriamente em função de um produto

final, mas sim tornar o processo apelativo, libertador e criativo, em que houvesse um espaço de partilha de ideias entre mim e os vários elementos do grupo, ou seja, queria valorizar mais o processo e trabalhar em função do grupo e não em função da criação de um espectáculo teatral.Depois de um conhecimento prévio das caracteristicas do grupo, através de um conjunto de exercícios de conhecimento, tracei os seguintes objectivos: desenvolver a capacidade artística, de cooperação e entreajuda em cada participante; desenvolver as capacidades criativas, comunicativas e expressivas, principalmente a expressividade corporal; explorar a sensibilidade e o sentido estético, assim como estimular a auto-expressão, a interacção e a integração do grupo.

A escolha do local para desenvolver esta actividade foi sugerida pela minha tutora Ana Bento. Fiquei muito satisfeita com a escolha, uma vez que iria ser um grande desafio trabalhar com um grupo de raparigas adolescentes, com idades compreendidas entre os 11 e os 18 anos, que se encontram a viver no Internato Viseense Santa Teresinha. Num primeiro contacto com a instituição, optei por realizar uma chamada telefónica para sugerir a ideia à direcção, onde solicitaram que redigisse uma sinopse (Anexo IX) da actividade que pretendia e que aguardasse por um futuro contacto, pois iriam marcar uma reunião onde apresentaria a proposta. Por motivos de restruturação na direcção do Internato, o processo de aceitação da actividade demorou algum tempo, assim sendo, as sessões tiveram início apenas no dia 19 de Outubro, a cerca de um mês do término do período de estágio. Como o pretendido era também desenvolver um exercício teatral com a colaboração de todos, era impossível consegui-lo em apenas um mês, o que me obrigou a prolongar o tempo de estágio por mais três semanas.

Nas primeiras duas semanas desenvolveram-se apenas duas sessões, às quartas- feiras, das 17h às 18:30 horas e a partir da terceira semana, comecei por realizar duas sessões, duas vezes por semana, tendo lugar às sextas-feiras, entre as 16:45 horas e as 18:15 horas e aos sábados das 11 às 12:30 horas, uma vez que era escasso o tempo para a apresentação da peça, que se realizou no dia 11 de Dezembro de 2011.

Numa primeira fase as sessões desenvolvidas começaram com jogos de apresentação (Anexo X) assim como jogos de desinibição, cooperação e de concentração. Depois de os alunos já se encontrarem mais descontraidos e confiantes, partimos para a

Figura 14: Sessões com o grupo

construção do guião do exercício teatral (Anexo XI) que foi redigido e pensado pelo grupo, mas, devido à falta de tempo, acabei por terminá-lo eu, introduzindo as ideias já debatidas. A ideia sugerida pelo grupo desviou-se da ideia inicial que tinha pensado relacionada com a importância da música, constou então na representação de dois tipos de famílias de classes bem diferenciadas, uma família rica cheia de coisas luxuosas e uma família pobre, abandonada e roubada pelo chefe de família (pai). Pessoalmente considerei a ideia bastante pertinente, pois surgiu de um grupo que, em parte, já passou por situações de grandes dificuldades e que pertence a uma classe mais desfavorecida. Esta temática espelha um pouco das suas realidades e leva-nos a reflectir sobre as desigualdades sociais onde estão inseridos.

No final de cada sessão, sempre que possível, sentava o grupo em círculo e faziamos uma reflexão crítica do trabalho desenvolvido, de forma a haver uma retroacção e colaboração consciente e activa do grupo em todo o processo.

Aproximando-se a data da apresentação, comecei por procurar um local para a realização da actividade, enviando um ofício (Anexo XII) ao IPJ, que foi negado, uma vez que o espaço (auditório) se encontrava ocupado durante o mês de Dezembro. Posteriormente tive de recorrer ao CAFAC do Instituto

Politécnico de Viseu (IPV), onde entreguei novamente um ofício a solicitar o local para o dia da apresentação e o dia anterior para a realização de um ensaio geral e de adaptação ao espaço.

Já numa fase final, tinha chegado a altura da definição dos figurinos das personagens, assim como preparar os restantes elementos cenográficos e todos os adereços fundamentais. O material necessário para a construção dos diferentes cenários era constituído por uma mesa, sofá, cadeiras, vasos e uma televisão, que foi construída por mim (Anexo XIII). A transição do cenário, de uma cena para a outra, fazia-se visualizar pela mudança de adereços mínimos, como um simples cobrir do sofá com um pano, quando nos encontrávamos em casa da família pobre, assim como a toalha da mesa que era diferente em cada casa. O transporte do cenário nas mudanças de cena era da inteira responsabilidade do grupo, tendo cada elemento uma função a desempenhar (Anexo XIV).

Figura 15: Nome na porta de entrada do espaço.

Durante as sessões e a preparação para a apresentação da peça, contei com a colaboração de várias pessoas: a Ana Bento, que foi responsável pela sonoplastia de toda a peça, a Cristina Nogueira, que se responsabilizou pela iluminação, a Vanda Rodrigues, que preparou o lanche que se realizou no final da apresentação e o Lanxeirão (restaurante e pastelaria de Viseu), que patrocinou o evento fornecendo as lancheiras e as bolas para o lanche final.

A apresentação (Anexo XV e XVIII) decorreu no dia 11 de Dezembro, abrindo as portas ao público às 16 horas. Este evento contou com uma casa cheia, repleta de alegria, amor e carinho, fazendo-se notar pela satisfação expressa no rosto dos espectadores.

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