3.3 CONTEXTO DA PESQUISA
4.1.9 Índices de jovens aprendizes que participaram do programa e foram
O último item da entrevista realizada pela pesquisadora aos funcionários das empresas participantes desse estudo demonstra que tanto a empresa Alpha quanto as empresas Beta e Gamma não possuem índices de jovens aprendizes que participaram do programa e foram integrados às funções da organização empresarial.
Apesar do acima exposto e de a empresa Delta também não possuir índices de jovens aprendizes que participaram do programa e foram integrados às funções da empresa, o entrevistado e responsável pela área de Recursos Humanos afirmou que já observou casos em que o jovem aprendiz foi admitido posteriormente.
O entrevistado da empresa Zeta explica, porém, que não há nenhum índice nessa organização de jovens aprendizes que participaram do programa e foram integrados às funções da organização empresarial. Complementa essa assertiva, afirmando que:
Eu até daria preferência pra ele, assim como sou cautelosa e dou preferência na contratação do jovem aprendiz que seja do nosso bairro, onde está situada a empresa, para valorizar o local. Creio que se aparecesse algum pedindo emprego, que tenha sido nosso jovem aprendiz, este não se apresentaria como alguém que tivesse experiência na nossa atividade, não saberia, teríamos que ensinar tudo. Também não creio que o sentimento dele seja de que tenha sido nosso funcionário.
Por fim, o entrevistado da empresa Ômmega diferentemente do narrado pelos demais funcionários de outras empresas, esclarece com relação a esses índices de jovens aprendizes que participaram do programa e foram integrados às funções da organização empresarial:
Sim, inclusive que foram nossos jovens aprendizes, foram admitidos, porque já tem alguém da família aqui, pai, mãe ou irmão. Isso influencia muito.
Como para a admissão deles, jovens aprendizes, que os pais indicam e nós fizemos as inscrições, funciona como uma espécie de apadrinhamento. Nós abrimos a vaga, os pais funcionários apresentam seus filhos, mandamos a carta de recomendação destes para o SENAI e são admitidos. Mudou ano passado. Antes o SENAI fazia a prova de seleção e indicava para nós o jovem aprendiz aprovado. Agora ficou melhor. Podemos ajudar mais os que já são nossos funcionários.
Compreende-se, diante de todas essas considerações, que a maioria das empresas não possui, portanto, índices de pessoas que participaram do Programa Jovem Aprendiz e foram admitidas posteriormente, salvo uma exceção, qual seja, aquela referente à empresa Ômmega e que deve ser considerada como uma organização empresarial que destoa das demais entrevistadas.
Ademais, verifica-se que na grande maioria dos itens apresentados ao longo deste capítulo se observam déficits e problemas no tocante ao Programa Jovem Aprendiz e que deveria ser uma política pública voltada à inserção de jovens no mercado de trabalho através da qualificação profissional.
Porém, o que se vê, na prática, é que existe um desvirtuamento desse respectivo programa. Não há, assim, o alcance da sua proposta oficial na experiência vivida em São João Batista/SC sob a égide da Lei nº 10.097/2000, motivo pelo qual se confirmou a sua ineficácia, em trabalhos desenvolvidos nesse sentido e já mencionados anteriormente.conformidade com outros
Sendo assim, demonstram-se, na sequência, as considerações finais da pesquisadora sobre este estudo, haja vista que não há, normalmente, uma compatibilidade entre a formação técnica e profissional dos adolescentes que frequentam o Programa Jovem Aprendiz e, consequentemente, faltam condições mínimas para tais adolescentes desenvolvam atividades no mercado de trabalho do município de São João Batista/SC.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Programa Jovem Aprendiz é considerado uma política pública de formação profissional de jovens e está previsto na Lei nº 10.097, datada em 19 de dezembro de 2000 e que alterou, à época, alguns dispositivos constantes na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Dentre tais dispositivos, cita-se, então, o artigo 402 e 403 e, ainda, os artigos 428 a 433.
Esse programa em análise é uma iniciativa do Governo Federal brasileiro e, via de regra, serve para possibilitar aos jovens formação técnica e profissional, motivo pelo qual estes exercem atividades profissionais em organizações empresariais, para que, futuramente, sejam mais facilmente inseridos no mercado de trabalho.
Busca-se em parceria com os Serviços Nacionais de Aprendizagem, a exemplo do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) matricular e capacitar jovens para que aprendam a exercer determinadas atividades e, consequentemente, se destaquem e tenham uma maior facilidade, depois da experiência vivida, de adquirem seu primeiro emprego.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) é uma instituição de educação profissional que, no Brasil, apoia os setores industriais e oferece, dentre outros, alguns serviços voltados à aprendizagem profissional.
No entanto, o que se verifica, no caso do município de São João Batista/SC, é que não há, via de regra, o trabalho de menores aprendizes nas empresas que foram entrevistadas nem sequer um comprometimento empresarial com uma sociedade mais justa e igualitária de oportunidades, combate ao desemprego e à desigualdade social.
Os profissionais da área de Recursos Humanos de cada organização dentre as entrevistadas relatam, na maioria das vezes, que o Programa Jovem Aprendiz não é realizado de acordo com sua proposta oficial no município de São João Batista/SC, mas tão somente segue as disposições da Lei nº 10.097/2000, porque, caso contrário, as empresas poderão sofrer penalidades por não se adequarem às regras que lhes são impostas.
Verifica-se, por isso, que os jovens aprendizes não exercem atividades nas organizações empresariais e permanecem no Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial (SENAI), apenas se dirigindo à empresa no dia do pagamento de salário que é, aliás, realizado no 5º dia útil de todo mês.
De acordo com relatos demonstrados no decorrer do capítulo 4 desse estudo, tais jovens aprendizes não exercem qualquer espécie de labor, porque no município de São João Batista/SC a atividade econômica principal se refere à indústria de calçados.
Porém, como as atividades são insalubres, não é possível que os jovens desempenhem qualquer tipo de papel nestes locais, haja vista que essa é, aliás, uma vedação não somente da Consolidação das Leis do Trabalho, mas, inclusive, da própria Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
Em decorrência dessa insalubridade constante nas indústrias de calçados situadas no município de São João Batista/SC, os jovens aprendizes ficam, então, à disposição do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) que possui ambientes simulados e referentes à indústria de calçados o que, de certa forma, acaba lhes oferecendo algumas informações importantes, mas não os capacita para o mercado de trabalho e primeiro emprego.
Destaca-se, ainda, que as empresas que não tem por atividade econômica a indústria de calçados, a exemplo de empresas voltadas ao ramo alimentício são também prejudicadas e não conseguem fazer com que jovens aprendizes tenham uma formação profissional interna, porque o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) localizado no município de São João Batista/SC não oferece, por exemplo, cursos que possibilitem a utilização de mão de obra desses jovens na sede empresarial.
Diante de todo o exposto, afirma-se que o Programa Jovem Aprendiz, como política pública que é, não atende a sua proposta oficial, nos moldes da Lei nº 10.097/200 e foi desvirtuado no município de São João Batista/SC, ou seja, não serve para a inserção profissional de jovens no mercado de trabalho.
Ademais, salienta-se que o ônus desse programa, que deveria ser suportado pelo Estado, é perpassado, no caso de São João Batista/SC, às empresas que além de serem obrigadas a pagar salários aos jovens que nem sequer desenvolvem atividades na organização, são responsáveis, pois, por contribuírem com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Afirma-se isso, porque são as indústrias que mantém, por intermédio de contribuições sociais, a manutenção desse Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Sendo assim, apesar de se ter atendido ao objetivo geral, bem como aos objetivos específicos delineados ao início desse estudo, ainda existem muitos déficits relacionados ao Programa Jovem Aprendiz e que precisam ser solucionados, conforme se verifica em noticias que relatam casos em que há o descumprimento da Lei nº 10.097/2000. O discurso e a prática divergem. O interesse econômico do Estado prepondera em detrimento de uma política publica que não atinge sua finalidade, ao arrepio de um descontentamento no âmbito empresarial, que custeia antes do Jovem Aprendiz sem o retorno efetivo no seu empreendimento, também o sistema 5S.
Dito isso, sugere-se a continuação de estudos no tocante a esse respectivo assunto, visto que, se houver uma efetiva parceria entre Estado, empresas e Serviços Nacionais de Aprendizagem, os jovens aprendizes poderão usufruir dessa política pública que deveria fomentar o incentivo à educação profissional, capacitar jovens ao mercado de trabalho e, ainda, contribuir para que estes últimos sejam efetivamente empregados e possam desfrutar do labor para a consecução dos seus objetivos pessoais e profissionais.
Finalmente, recomendam-se, então, estudos que se voltem à percepção do jovem aprendiz sobre o programa em análise, como também à percepção dos gestores desse programa no governo.
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