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O programa jovem aprendiz e a lei nº 10.097/2000

No documento Michelli Giacomossi.pdf - Univali (páginas 50-56)

2.4 CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL E PROGRAMA JOVEM APRENDIZ

2.4.2 O programa jovem aprendiz e a lei nº 10.097/2000

2.4.1.3 Os programas de capacitação profissional

O Governo federal brasileiro possui alguns programas de capacitação profissional para jovens, a exemplo do Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego (PNPE). Esse programa:

[...] é um conjunto de ações direcionadas para gerar empregos e preparar os jovens para melhor inserção no mercado de trabalho. O PNPE incentiva as empresas a contratarem jovens pagando um incentivo financeiro a cada vaga criada. As vagas são direcionadas prioritariamente a jovens de 16 a 24 anos, com ensino fundamental e médio incompletos ou curso supletivo, com renda familiar per capita de até meio salário mínimo. O jovem deve frequentar a escola.

Os jovens interessados em participarem do programa devem cumprir os seguintes requisitos: não ter vínculo empregatício anterior; ser membro de família com renda per capita (por pessoa) de até meio salário mínimo; estar matriculado e cursando ensino fundamental, médio ou cursos de educação de jovens e adultos (supletivos) (BRASIL, 2014).

Além deste referido programa há, ainda, o Programa Jovem Aprendiz e que além de ser uma iniciativa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), tem por principal finalidade facilitar o acesso ao mercado de trabalho para os jovens brasileiros que buscam a oportunidade de conseguir o primeiro emprego (JOVEM APRENDIZ, 2015).

Por isso, apresenta-se, na sequência, no que consiste tal programa e qual é a sua relação com a Lei nº 10.097/2000.

das Leis do Trabalho e que assim dispõe, in verbis:

Art. 403. É proibido qualquer trabalho a menores de dezesseis anos de idade, salvo na condição de aprendiz, a partir dos quatorze anos.

Parágrafo único. O trabalho do menor não poderá ser realizado em locais prejudiciais à sua formação, ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social e em horários e locais que não permitam a freqüência à escola (BRASIL, 1943).

Por conseguinte, houve, ainda, modificação na redação do artigo 428, da Consolidação das Leis do Trabalho. No entanto, frisa-se que a Lei nº 11.180/2005 também operou algumas modificações neste dispositivo legal que trata a respeito do contrato de aprendizagem (BRASIL, 1943).

O caput do artigo 428 foi, então, modificado de acordo com a Lei nº 11.180/2005, assim como o § 5º e § 6º do mesmo dispositivo (BRASIL, 1943).

Porém, destaca-se que a Lei nº 11.788, datada em 25 de setembro de 2008 também modificou o disposto nos §§ 1º e 3º, ambos do artigo 428, da Consolidação das Leis do Trabalho e que assim passou a disciplinar:

Art. 428. Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por escrito e por prazo determinado, em que o empregador se compromete a assegurar ao maior de 14 (quatorze) e menor de 24 (vinte e quatro) anos inscrito em programa de aprendizagem formação técnico- profissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz, a executar com zelo e diligência as tarefas necessárias a essa formação.

§ 1o A validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social, matrícula e freqüência do aprendiz na escola, caso não haja concluído o ensino médio, e inscrição em programa de aprendizagem desenvolvido sob orientação de entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica.

§ 2o Ao menor aprendiz, salvo condição mais favorável, será garantido o salário mínimo hora.

§ 3o O contrato de aprendizagem não poderá ser estipulado por mais de 2 (dois) anos, exceto quando se tratar de aprendiz portador de deficiência.)

§ 4o A formação técnico-profissional a que se refere o caput deste artigo caracteriza-se por atividades teóricas e práticas, metodicamente organizadas em tarefas de complexidade progressiva desenvolvidas no ambiente de trabalho.

§ 5o A idade máxima prevista no caput deste artigo não se aplica a aprendizes portadores de deficiência.

§ 6o Para os fins do contrato de aprendizagem, a comprovação da escolaridade de aprendiz portador de deficiência mental deve considerar, sobretudo, as habilidades e competências relacionadas com a profissionalização.

§ 7o Nas localidades onde não houver oferta de ensino médio para o cumprimento do disposto no § 1o deste artigo, a contratação do aprendiz poderá ocorrer sem a freqüência à escola, desde que ele já tenha concluído o ensino fundamental (BRASIL, 1943).

Além desses dispositivos, a Lei nº 10.097/2000 alterou a redação do artigo 429, da Consolidação das Leis do Trabalho e que também foi modificado, posteriormente, pela Lei nº 12.594/2012 e que inseriu o § 2º (BRASIL, 1943).

Este dispositivo trata acerca de normas concernentes aos estabelecimentos que são obrigados a empregar e matricular aprendizes, tal como se observa abaixo:

Art. 429. Os estabelecimentos de qualquer natureza são obrigados a empregar e matricular nos cursos dos Serviços Nacionais de Aprendizagem número de aprendizes equivalente a cinco por cento, no mínimo, e quinze por cento, no máximo, dos trabalhadores existentes em cada estabelecimento, cujas funções demandem formação profissional.

§ 1o-A. O limite fixado neste artigo não se aplica quando o empregador for entidade sem fins lucrativos, que tenha por objetivo a educação profissional.

§ 1o As frações de unidade, no cálculo da percentagem de que trata o caput, darão lugar à admissão de um aprendiz.

§ 2o Os estabelecimentos de que trata o caput ofertarão vagas de aprendizes a adolescentes usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os estabelecimentos e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais (BRASIL, 1943).

Ademais, insta frisar que também a Lei nº 10.097/2000 alterou outros dispositivos constantes na Consolidação das Leis do Trabalho, a exemplo dos artigos 430, 431, 432 e 433 (BRASIL, 2000).

O artigo 430, da Consolidação das Leis do Trabalho determina que os Serviços Nacionais de Aprendizagem que não oferecerem cursos ou vagas suficientes para atender à demanda dos estabelecimentos mencionados no artigo 429, deverão redirecionar tais demandas a outras entidades qualificadas para tal, a exemplo de entidades sem fins lucrativos, dentre outras, como se observa na sequência:

Art. 430. Na hipótese de os Serviços Nacionais de Aprendizagem não oferecerem cursos ou vagas suficientes para atender à demanda dos estabelecimentos, esta poderá ser suprida por outras entidades qualificadas em formação técnico-profissional metódica, a saber:

I Escolas Técnicas de Educação;

II entidades sem fins lucrativos, que tenham por objetivo a assistência ao adolescente e à educação profissional, registradas no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

§ 1o As entidades mencionadas neste artigo deverão contar com estrutura adequada ao desenvolvimento dos programas de aprendizagem, de forma a manter a qualidade do processo de ensino, bem como acompanhar e avaliar os resultados.

§ 2o Aos aprendizes que concluírem os cursos de aprendizagem, com aproveitamento, será concedido certificado de qualificação profissional.

§ 3o O Ministério do Trabalho e Emprego fixará normas para avaliação da competência das entidades mencionadas no inciso II deste artigo (BRASIL, 1943).

Destaca-se, ainda, que o artigo 431, da Consolidação das Leis do Trabalho trata acerca da contratação de aprendiz, conquanto o artigo 432 sobre a duração do trabalho de aprendiz, como se pode notar da transcrição abaixo colacionada:

Art. 431. A contratação do aprendiz poderá ser efetivada pela empresa onde se realizará a aprendizagem ou pelas entidades mencionadas no inciso II do

art. 430, caso em que não gera vínculo de emprego com a empresa tomadora dos serviços.

Parágrafo único. Aos candidatos rejeitados pela seleção profissional deverá ser dada, tanto quanto possível, orientação profissional para ingresso em atividade mais adequada às qualidades e aptidões que tiverem demonstrado.

Art. 432. A duração do trabalho do aprendiz não excederá de seis horas diárias, sendo vedadas a prorrogação e a compensação de jornada.

§ 1o O limite previsto neste artigo poderá ser de até oito horas diárias para os aprendizes que já tiverem completado o ensino fundamental, se nelas forem computadas as horas destinadas à aprendizagem teórica (BRASIL, 1943).

Finalmente, registra-se que o artigo 433, da Consolidação das Leis do Trabalho é aquele que versa da extinção do contrato de aprendizagem (BRASIL, 1943).

Porém, mister se faz ressaltar que também este dispositivo foi alterado, posteriormente, pela Lei nº 11.180/2005 e que modificou o seu caput, mantendo as demais regras da Lei nº 10.097/2000, como se pode depreender de sua redação:

Art. 433. O contrato de aprendizagem extinguir-se-á no seu termo ou quando o aprendiz completar 24 (vinte e quatro) anos, ressalvada a hipótese prevista no § 5o do art. 428 desta Consolidação, ou ainda antecipadamente nas seguintes hipóteses:

I desempenho insuficiente ou inadaptação do aprendiz;

II falta disciplinar grave;

III ausência injustificada à escola que implique perda do ano letivo; ou IV a pedido do aprendiz.

§ 2o Não se aplica o disposto nos arts. 479 e 480 desta Consolidação às hipóteses de extinção do contrato mencionadas neste artigo (BRASIL, 1943).

Demonstrada a intrínseca relação existente entre o Programa Jovem Aprendiz e a Lei nº 10.097/2000, destaca-se, ainda, que não se pode esquecer que o jovem aprendiz não pode exercer determinados tipos de atividade laboral (insalubres, perigosas, penosas, dentre outras), nos moldes da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, da Consolidação das Leis do Trabalho e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ENGELMANN; BASSAN, 2012).

Ademais, assinala-se que há, atualmente, uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 361 e ajuizada no Supremo Tribunal Federal que discute se há competência da Justiça do Trabalho ou da Justiça Estadual Comum para concessão de autorização para crianças ou adolescentes trabalharem (SINDICATO DOS ADVOGADOS DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2015).

Neste caso, a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho

ANAMATRA:

[...] contesta o parágrafo 2º, do artigo 405, e caput do artigo 406, ambos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), bem como o artigo 149, inciso II, da Lei nº 8.069/1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A alegação é de que estes dispositivos não foram recepcionados pela Emenda Constitucional nº 45/2015, que atribuiu à Justiça do Trabalho competência para toda e qualquer ação sobre relação de trabalho.

De acordo com a Anamatra, o ECA não atribuiu qualquer competência aos juízes da Infância e da Juventude para darem autorização de trabalho.

Sustenta que apenas há referência da competência para dispor sobre participação em espetáculos públicos e seus ensaios assim como em LT, conforme a entidade, dispôs sobre a atribuição do antigo juiz de menores atual juiz da Infância e da Juventude para o fim de conceder autorização de trabalho ao menor.

Na ADPF, a Anamatra sustenta que, por meio da Emenda Constitucional nº 45, o legislador constituinte passou a atribuir à Justiça do Trabalho, no inciso I, do artigo 114, a competência para todas as ações que envolvessem para julgar dissídios individuais da relação de emprego, na redação pretérita PAULO, 2015).

Ante todo o exposto, passa-se ao próximo e último subtítulo deste capítulo, qual seja, aquele que versa sobre o papel do Programa Jovem Aprendiz como contribuinte à capacitação profissional.

2.4.2.1 O papel do programa jovem aprendiz como contribuinte à capacitação profissional

O Programa Jovem Aprendiz, um programa de iniciativa do Governo Federal brasileiro, é definido por Amorim (2015) como sendo uma política pública que foi lançada com a finalidade de possibilitar aos jovens uma formação técnica e profissional. Por isso, é através desse referido programa que o jovem desenvolverá atividades profissionais em uma organização empresarial.

Busca-se, dessa forma, que o jovem seja inserido no mercado de trabalho, mas também construa a sua própria identidade, para que se reduza o abismo existente entre o mercado de trabalho e a realidade de grande parte dos brasileiros (AMORIM, 2015).

Afirma-se, portanto, que este programa visa capacitar e preparar os jovens para o mercado de trabalho, razão pela qual aprimora o seu processo educativo e serve, consequentemente, como contribuinte à capacitação profissional (FREITAS;

OLIVEIRA, 2012).

Medeiros (2011) demonstrou, portanto, em sua Dissertação de Mestrado

programa atende a sua proposta em uma instituição localizada no município de Itajaí/SC, desde o ano de 2007, isto é, serve como contribuinte à capacitação profissional, conforme indicado no parágrafo anterior.

Destaca-se, nesse sentido, que outra Dissertação submetida à Universidade do Vale do Itajaí também faz referência ao fato de que o Programa Jovem Aprendiz atende a sua proposta em instituição situada no município de Itajaí/SC, instituição, aliás, que foi citada no parágrafo anterior (ARDIGÓ, 2008).

No entanto, o que se verifica é que nem sempre o Programa Jovem Aprendiz atende a sua proposta como política pública ou, ainda, possui alguns aspectos deficitários, como se pôde observar de outras dissertações que trataram a respeito dessa temática (PFAFFENSELLER, 2014; OLIVEIRA, 2008; FONTES, 2013).

Dessa forma, apresentados essas breves considerações acerca do papel do Programa Jovem Aprendiz como contribuinte à capacitação profissional e experiências positivas e negativas quanto a sua efetiva aplicabilidade como espécie de política pública, passa-se ao capítulo seguinte e que apresenta a metodologia adotada no decorrer dessa pesquisa.

3 METODOLOGIA

Este capítulo teve por principal finalidade demonstrar a metodologia utilizada no decorrer desse estudo. Por isso, destacou-se, inicialmente, o delineamento da pesquisa, para, por conseguinte, apresentarem-se os métodos e técnicas de coleta e análise de dados. Por fim, salientou-se o contexto dessa pesquisa, para que se pudessem compreender os objetivos a que se destina.

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