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4.1.3.2 - O mercado brasileiro de vinhos

No documento Sem t.tulo-5 (páginas 126-130)

Vinhos elaborados com a mesma tecnologia, provenientes de diferentes regiões, são distintos, pois possuem características próprias. Visando valorizar as peculiaridades das distintas regiões de produção, têm sido importantes as indicações geográficas12, as quais já estão implementadas nos países produtores do Mercosul ampliado, como Argentina, Chile, Uruguai e Brasil.

Se, por um lado, a globalização dos mercados do vinho é um fato incontestável, que impõe a todos os atores esforços para garantir uma posição competitiva, por outro, a globalização da produção é uma realidade bem diferente.

O vinho não pode ser produzido em qualquer lugar, e cada região tem as suas vantagens comparativas, que são importantes e determinantes para a imagem do vinho e para a sua posição no mercado, assim como para os custos de produção.

elevando sua participação na produção dos vinhos finos de 25% em 1992-93 para 43% em 2000-01. Tal fato foi atribuído, em grande parte, à difusão dos benefícios do vinho tinto para a saúde. Todavia os viticultores não estavam preparados para o aumento da demanda por uvas viníferas tintas, e as vinícolas não as conseguiam em quantidade suficiente, sendo necessários alguns anos para qualquer alteração de varietais, desde a produção da uva até o vinho estar pronto para ser comercializado. Vinhos brancos, por necessitarem menor tempo de envelhecimento, permitem maior rotatividade de estoques e menores custos de produção.

No Brasil, a drástica redução das alíquotas de importação a partir de 198813 e os baixos preços dos vinhos importados em relação aos nacionais de mesma qualidade resultaram em grande aumento na relação comercialização de vinhos finos importados/vinhos nacionais, que atingiu 37% no biênio 1996-97, passando a 49% no período 2001-02. Isso pode ser explicado, em parte, porque a redução observada na comercialização de vinhos nacionais, que atingiu 31% de 1999 a 2002, foi significativamente maior do que a queda das importações, de 8%, conforme pode ser visto na Tabela 4.1. Já o decréscimo da comercialização interna,14 que inclui os vinhos nacionais e os importados, deveu-se, em grande parte, à redução do poder aquisitivo da população.

O crescimento da quantidade importada foi acompanhado de um incremento no valor médio do litro importado, na década de 90, com a alteração da origem dos principais fornecedores, que eram Alemanha e Portugal em 1991-96, para Itália, Portugal e Chile em 1999-01, segundo dados da Uvibra. O preço médio da caixa de vinho oscilou, no período 1996-02, ao redor de US$ 15,8, significando que o preço médio da garrafa (750ml) de vinho que entrou no País durante o período considerado variou entre US$ 1,3 e US$ 1,8.

A formação da união aduaneira do Mercosul também ampliou a entrada de vinhos dos países parceiros, tanto em quantidade como em valor. Os maiores acréscimos foram observados nas importações do Uruguai, cujas quantidades e valores passaram, respectivamente, de 61,2 mil litros e US$ 135 mil em

13 A alíquota de importação de vinho, que, no período 1980-87, era, em média, de 82,3%, foi reduzida para cerca de 45,3% de 1988 a 1990, e atingiu em torno de 19% no biênio 1994- -95. Em 2000, nas transações intrabloco, ela foi zerada, e, com os demais países, a TEC situa-se em 21,5%.

14 De acordo com estudo realizado pelo Instituto Brasileiro do Vinho (2001), os cinco fatores considerados mais importantes pelos consumidores para aumentar o consumo de vinhos finos no Brasil são: expor os benefícios do consumo, reduzir o preço, melhorar a qualidade, conhecer mais os vinhos e ter mais propaganda.

1996 para cerca de 1,8 milhão de litros ao ano e US$ 3,4 milhões, a preços correntes, no período 2000-01. Da Argentina, as importações após 1996 cresce- ram significativamente, atingindo 2,6 milhões de litros e US$ 6,4 milhões ao ano no biênio 2000-01. Já o Chile, país-sócio, também incrementou as vendas para o Brasil, sobremaneira após 1997, passando de US$ 5,4 milhões para US$

11,5 milhões, como média anual em 2000-01.

Esses três países, que participavam com 18% do valor das importações no biênio 1996-97, passaram a representar 33% em 2000-01. Em quantidade, sua participação passou de 4,5% em 1996 para 16,6% em 2001. Já o preço médio da caixa de nove litros (ou 12 garrafas de 750ml) de vinho importado foi, em 2001, de US$ 19,4 para o vinho do Chile, de US$ 21,6 para o da Argentina e de US$ 16,8 para o do Uruguai, segundo dados fornecidos pela Uvibra.

Como os vinhos brasileiros se destinam basicamente ao mercado interno, pois as exportações15 não apresentam números expressivos, conforme pode

15 Em geral, as estatísticas de exportação de vinhos no Brasil consideram todos os vinhos, incluindo os comuns, os especiais, os finos e os frisantes. Portanto, a quantidade exportada Tabela 4.1

Comercialização de vinhos finos importados e de vinhos finos nacionais no Brasil — 1996-02

DISCRIMINAÇÃO 1996 1997 1998 1999

Vinhos importados (1 000l) 19 079 23 799 22 191 26 274 Vinhos nacionais (1 000l) ... 35 369 36 681 31 740 36 899 Total comercializado

(1 000l) ... 54 448 60 480 53 931 63 173

Vinhos importados/total (%) 35,0 39,3 41,1 41,6

US$ FOB/cx. 9l ………….... 15,8 18,1 21,6 21,0

DISCRIMINAÇÃO 2000 2001 2002

Vinhos importados (1 000 l) 29 072 28 058 24 184 Vinhos nacionais (1 000l) ... 34 109 28 653 25 376 Total comercializado

(1 000l) ... 63 181 56 711 49 559 Vinhos importados/total (%) 46,0 49,5 48,8 US$ FOB/cx. 9l ……….….. 20,0 20,4 18,7 FONTE: Uvibra.

ser visto na Tabela 4.2, o aumento das importações refletiu-se significativamen- te na indústria vinícola brasileira, pelo aumento da concorrência no mercado interno.

de vinhos finos é muito menor do que a de vinhos de mesa, cujos dados são disponibilizados pela Embrapa (2002). Apresentam-se apenas os dados a partir de 1998, para os quais se obtiveram, em separado, os dos vinhos finos.

A quantidade comercializada dos vinhos nacionais nos mercados internos e externos, ao longo da década de 90, foi irregular, tendo atingido seu ápice em 1993, seguido de 1994 e 1997.

As exportações de vinhos finos, por sua vez, também vêm apresentando um comportamento declinante a partir de 1998, quando atingiram 716 mil litros, sendo que, no ano de 2001, foram vendidos ao exterior apenas 49 mil litros, conforme dados disponibilizados pela Uvibra. A grande redução das exporta- ções pode ser explicada por vários fatores, dentre os quais se destacam a brusca queda das vendas da Cooperativa Vinícola Aurora, com interrupção da exportação do vinho Marcus James, dada a descontinuidade contratual com uma empresa estrangeira que o distribuía nos Estados Unidos, e a redução das encomendas do vinho Brazilian Wine, também produzido pela Aurora, importado pela Tesco, da Inglaterra.

Tabela 4.2

Comercialização de vinhos finos nos mercados interno e externo do Brasil — 1998-02

MERCADOS 1998 1999 2000

Mercado interno (1 000l) ... 31 740 36 899 34 109

Mercado externo (1 000l) ... 716 197 87

Total comercializado

(1 000l) ... 32 456 37 097 34 196 Exportação/total (%) ... 2,21 0,53 0,25

MERCADOS 2001 2002 ∆%

2002/1998 Mercado interno (1 000l) ... 28 653 25 376 -20,1

Mercado externo (1 000l) ... 49 57 -92,0

Total comercializado

(1 000l) ... 28 702 25 432 -21,6 Exportação/total (%) ... 0,17 0,22 - FONTE: Uvibra.

Apesar da desvalorização cambial ocorrida em janeiro de 1999, gerando acréscimos exógenos na rentabilidade potencial das vendas externas, estas não cresceram. Tal fato explica-se, por um lado, porque a venda externa de vinhos era muito concentrada em pouquíssimas empresas, e problemas na Cooperativa Aurora, principal exportadora, repercutiram sobremaneira no mercado;

por outro, pela existência de uma defasagem temporal entre a alteração cambial e a entrada de novas vinícolas e de produtos no comércio internacional, tendo em vista a falta de tradição exportadora. Além disso, como soe acontecer, a melhora na taxa de paridade é parcialmente compensada por descontos exigidos pelos compradores internacionais, uma vez que o nível da concorrência nos mercados externos é cada vez maior.

No documento Sem t.tulo-5 (páginas 126-130)