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A CQCT e o posicionamento da FETRAF-SUL

No documento CONVENÇÃO-QUADRO PARA O CONTROLE DO TABACO: (páginas 139-143)

CAPÍTULO IV: Perspectivas dos Fumicultores: AFUBRA e FETRAF-SUL

4.2. FETRAF-SUL

4.2.1 A CQCT e o posicionamento da FETRAF-SUL

produção são imprescindíveis para uma análise mais consistente no que se refere à renda líquida dos produtores.

para a cadeia produtiva do fumo com o título: “O futuro da fumicultura no Brasil – Cadeia Produtiva do Fumo: capacitação e formação de lideranças multiplicadoras da agricultura familiar” (FETRAF-SUL, 2006e). O projeto previu a realização de seminários e de uma pesquisa que serviu para identificar alternativas de renda viáveis, possibilitando à FETRAF-SUL e ao Governo Federal um incremento na argumentação sobre a diversificação da produção. O projeto baseia-se na premissa de que a CQCT produza resultados positivos no longo prazo – redução da oferta no mercado mundial, e que os agricultores devam se preparar para enfrentar esta nova realidade. A entidade propõe a integração entre agricultores e o movimento sindical – FETRAF-SUL/CUT, cooperativas, ONGs, com a finalidade de buscar a promoção de experiências de sucesso, e assim resgatar valores que julgam fundamentais para a construção de um projeto de desenvolvimento. Estes valores estariam baseados na produção de alimentos na agroecologia, na geração de renda, na organização pela cooperação mútua dos agricultores e pela comercialização direta aos consumidores. No box 8, os objetivos específicos do projeto.

Box 8: Objetivos específicos do Projeto o futuro da fumicultura no Brasil Objetivos Específicos:

Dar visibilidade para agricultura familiar como um ator social, de fundamental importância para a sociedade, valorizando suas iniciativas, e garantindo a participação dos agricultores que historicamente foram excluídos dos espaços de construção de propostas.

Possibilitar para que os agricultores busquem intercambiar conhecimentos e experiências com outros agricultores do Brasil e do Mundo, entidades nacionais e internacionais, a fim de aprimorar as experiências existentes, e avançar em novas formas de organização e produção.

Apresentar a todos que há diversificação na agricultura familiar, representada pela variada quantidade de iniciativas, produtos e experiências desenvolvidas, na produção, processamento, organização e comercialização.

Afirmar que a agricultura de economia familiar é responsável pela produção da maioria dos alimentos consumidos no Brasil, mantendo características importantes como a geração de emprego, diversificação das produções, diminuição dos impactos ambientais. Resgatando valores socioculturais, viabilizando a sobrevivência de milhões de pessoas envolvidas.

Abrir canais de diálogo para avançarmos no debate sobre a importância da agricultura de economia familiar estar organizada, buscando construir alternativas coletivas, que respondam à altura para o desafio colocado, “alimentar o mundo”, com alimentos saudáveis, produzidos de forma socialmente justa, respeitando as diversidades locais, e viabilizando processos de desenvolvimento integrando o agricultor e o consumidor.

Fonte: FETRAF-SUL (2006e)

Pelos objetivos específicos apresentados no box acima, é possível verificar que a FETRAF-SUL tem como uma de suas perspectivas a reconversão da fumicultura para produtos alimentícios, embora não o diga claramente. De qualquer forma, embora reconheça as dificuldades, insiste em estimular e apresentar alternativas de renda e

culturas economicamente viáveis para a reconversão. Enquanto isso não ocorre, sempre que possível a entidade presta orientação aos agricultores nas estratégias para obter os melhores preços possíveis na comercialização do tabaco.

Com relação à comercialização, a FETRAF-SUL também posiciona-se contrária ao modelo proposto pelo sistema integrado implantado pela indústria, porém tem atuado mais incisivamente na redução das classes de compra, previstas em uma portaria do MAPA. Atualmente a portaria prevê 41 classes para a compra de fumo pela indústria, sendo que a proposta da FETRAF-SUL em 2006 era de uma redução para no máximo 16 classes, contra as 32 propostas pela AFUBRA e as 60 pela Indústria. A FETRAF- SUL considera que o número excessivo de classes para o fumo é um dos fatores que induzem o baixo preço pago ao produtor. Conforme avalia a entidade, enquanto no mercado mundial está acontecendo uma redução na produção do tabaco, no Brasil as indústrias vêm incentivando a produção. Apesar de produzir fumo de qualidade (no sentido mercadológico), o agricultor brasileiro é um dos mais mal remunerados pelo trabalho. Conforme dados do SINDIFUMO de São Paulo, em 2006 no Brasil, a indústria vinha pagando cerca de R$ 45,00 pela arroba, contra R$ 203,25 pago nos Estados Unidos, R$ 338,70 na Europa e R$ 609,60 no Japão (FETRAF-SUL, 2006c).

Os baixos preços têm gerado crise nas economias regionais, estagnam o comércio e levam os fumicultores ao endividamento.

Em janeiro de 2007, a FETRAF-SUL promoveu um debate sobre a cadeia produtiva do fumo. A reunião aconteceu em Chapecó-SC, e pautou principalmente assuntos como: estimativa de safra; produção mundial x consumo x estoques;

comercialização; preços e distribuição de renda e lucros do setor. No que se refere à estimativa da safra, as análises apontavam para uma pequena diminuição de volumes produzidos com menor área plantada, mas com maior qualidade e produtividade (kg/ha). De acordo com o assessor técnico da FETRAF-SUL, Albino Gewehr, a produção mundial está estável,

com redução de área cultivada onde o fumo é valorizado e ampliação onde é barato, como no caso da África e China. O consumo permanece equilibrado com a produção não permitindo a retomada da formação de estoques (FETRAF-SUL, 2007c).

Segundo Gewehr, no Brasil as indústrias ampliaram os seus lucros por dois motivos: majoração em 10% do preço dos cigarros e a ampliação no combate ao contrabando.

Mesmo assim vêm a público dizer que a desvalorização do dólar e os problemas com a retenção do ICMS no RS afetariam seus lucros. Os dados de 2006 desmentem esta falácia das fumageiras (FETRAF-SUL, 2007c).

Conforme análise da FETRAF-SUL, naquele período o lucro aumentou e área plantada diminuiu. O setor fumageiro arrecadou mais de R$ 11 bilhões no ano de 2006, sendo o cigarro responsável por mais de 74% deste total. O reajuste de 10% praticado nos preços do cigarro, no final de 2006, proporcionaria um crescimento de R$ 1 bilhão em 2007. Somando-se a redução do contrabando e das falsificações, a estimativa era de que o setor deveria faturar mais de R$ 13 bilhões naquele ano. Desta forma, em 2007 a FETRAF-SUL defendeu uma redução da safra para, no mínimo, 30% como forma de valorizar o produto. A aposta da entidade está baseada na estimativa de que o resultado da safra mundial seja inferior ao esperado para o período 2007/08. A previsão inicial é a colheita de 5,7 milhões de toneladas de fumo no Mundo. Caso a colheita ficasse abaixo dessa estimativa seria possível haver uma baixa nos estoques mundiais e uma provável disputa pelo fumo brasileiro. A FETRAF-SUL acredita que a diminuição da produção é uma tendência mundial e que na atualidade o estoque ideal mundial seria de oito milhões de toneladas. Com a estabilidade do consumo e a queda na produção mundial, segundo estimativas da organização, o estoque hoje não ultrapassaria os 5,3 milhões de toneladas (FETRAF-SUL, 2008a).

Quanto às alternativas à expansão do fumo no Brasil, o posicionamento da FETRAF-SUL é de que seja necessário implementar uma política agrícola completa.

Isto consiste na disponibilidade de crédito abundante para custeio e investimento, assistência técnica eficiente, universal e adaptada à realidade da agricultura familiar.

Além disso, considera fundamental capacitar os agricultores para a gestão, com apoio à agroindustrialização familiar, com a comercialização e com garantia de preços e renda.

Segundo a entidade, é necessária a formulação de políticas públicas que atendam aos agricultores familiares garantindo o fomento de sistemas cooperados, autogestionários, voltadas à distribuição da renda gerada pela produção agrícola (FETRAF-SUL, 2006d).

A FETRAF-SUL considera as ações desenvolvidas pelo governo brasileiro, tanto nas ações de nível internacional – processo de elaboração e da implementação da

CQCT, como nas políticas internas, com destaque para o programa de diversificação – altamente positivas e elogiáveis. Porém, alerta que a estrutura atualmente existente, e o volume dos recursos disponibilizados para implementar as suas ações, estão ainda muito aquém da importância e do impacto que a participação do Brasil representou no processo de negociação internacional da CQCT. Para a entidade o programa é bom, mas precisa crescer rapidamente para atender a demanda, precisa ir além da ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural) e avançar no apoio à agroindustrialização e à comercialização.

No documento CONVENÇÃO-QUADRO PARA O CONTROLE DO TABACO: (páginas 139-143)