CAPÍTULO III: Perspectivas da Indústria: SINDITABACO e Souza Cruz
3.2. CQCT – Uma ameaça, um aliado ou um desafio?
3.2.2 Mercado: A perspectiva da oferta de Tabaco à sombra da CQCT
O resultado das safras do tabaco brasileiro serve basicamente a dois mercados. O mercado interno, para a fabricação de cigarros, e o mercado externo, para a exportação de fumo em folhas. Apesar da grande fatia da produção ser destinada ao mercado externo, cerca de 85%, a produção e comercialização de cigarros no mercado brasileiro constituem uma atividade altamente rentável, geradora de empregos e uma das maiores fontes de arrecadação de tributos para o Estado.
3.2.2.1 Mercado interno: cigarros
Atualmente o mercado brasileiro de cigarros é dominado pela Souza Cruz – com aproximadamente 60%. Apesar disso, estima-se que cerca de 28% das vendas de cigarros são provenientes do comércio ilegal. O mercado ilegal de cigarros, que em 1993 representava menos 5% do volume comercializado, saltou para 34% em 2001.
Conforme a indústria, este aumento vertiginoso no comércio ilegal deve-se basicamente ao forte impacto da carga tributária no custo do produto.
Segundo o SINDITABACO, no ano de 2001 o mercado brasileiro consumiu cerca de 150 bilhões de unidades de cigarros. Naquele ano o sindicato estimou que cerca de 34% (51 bilhões de unidades) dos volumes vendidos no mercado brasileiro
tenham sido comercializados ilegalmente. No ano de 2002, o SINDITABACO divulgou que de um total das 420 marcas de cigarros comercializadas no Brasil, apenas 54 (13%) eram produzidas e vendidas legalmente, enquanto que 366 marcas constituíam o mercado ilegal. Infelizmente não se teve acesso as pesquisas que revelam tais grandezas, o que dificulta qualquer análise das informações postas. Assim sendo, as informações ficam a título de curiosidade. Na mesma matéria o SINDITABACO estimou que naquele momento (2002) a composição do mercado ilegal era a seguinte:
60% contrabando, 21% falsificados e 19% provenientes de pequenas fábricas nacionais que operam de forma irregular ou sonegando impostos (SINDIFUMO. 2002).
Em 2003, houve uma retração do mercado brasileiro na ordem de 5,7%, comparado com o mesmo período de 2002. Segundo o relatório da administração da Souza Cruz, esta queda pôde ser atribuída a alguns fatores relevantes, como aumento de preços da indústria acima da inflação, originados pelo aumento da carga tributária e elevação dos custos, principalmente da matéria-prima (fumo) que provocou uma elevação nos custos na ordem de 40%. Conforme argumenta a indústria, o recessivo cenário econômico impactou no poder e no comportamento de compra da população.
(SOUZA CRUZ, 2003).
No ano de 2004, mais uma retração do mercado. Na comparação com o ano anterior, o mercado brasileiro de cigarros sofreu queda de 4,6%. Segundo análise da indústria líder no mercado, o fator que mais teria contribuído para a retração foi a queda do poder aquisitivo pela população. Em tese a indústria garante que impostos e custos mais altos geraram preços maiores, especialmente nos produtos destinados aos segmentos de menor renda, causando queda nas vendas, principalmente no mercado legal. Desta forma, aumentou a diferença entre o preço do produto legal (que paga impostos e teve que incorporar os aumentos) para o produto ilegal - que, sonegando impostos, pôde manter o seu preço (SOUZA CRUZ, 2004).
Gráfico 2: Mercado Total de Cigarros no Brasil em bilhões de unidades
Fonte: Souza Cruz (2008).
Em 2007 no mercado brasileiro de cigarros, foram comercializados cerca de 130 bilhões de unidades. Em 2008, os volumes comercializados foram estimados em aproximadamente 127 bilhões de unidades. Conforme a indústria, essa redução decorre principalmente dos aumentos de preços dos cigarros promovidos pelas empresas a fim de compensar a elevação média de 30% das alíquotas do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) ocorrida em julho de2007. Neste período, devido a maior atuação do governo no combate à ilegalidade, registrada nos últimos anos, houve também um pequeno encolhimento da participação do mercado ilegal para 28,7% em 2007 e 27,1%
em 2008.
Gráfico 3: Participação do Mercado Ilegal
Fonte: Souza Cruz (2008).
3.2.2.2 Mercado externo: fumo em folha
O fumo brasileiro é exportado para cerca de 100 países. A maior parte é destinada à Europa, que é responsável pela compra de 40% do fumo brasileiro exportado. O mercado Norte-Americano absorve algo em torno de 13%, enquanto que o Extremo Oriente fica com 21%. O volume restante é absorvido pelos mercados do Leste Europeu, África/Oriente Médio e pela América Latina.
Figura 4: O Mercado do Tabaco Brasileiro em 2008
Fonte: SINDITABACO (s/d)
O Brasil é líder no comércio internacional de fumo desde o ano de 1993, tendo participado com 37% deste mercado em 2002, nos fumos tipo Virginia e Burley. Devido à sua alta competitividade em volume, qualidade e custos, a demanda pela produção brasileira de tabaco continua em uma tendência ascendente. Com os grandes exportadores como Estados Unidos e Zimbabwe enfrentando problemas de custos de produção, no caso americano, e de instabilidade político-econômica, no país africano, há um fortalecimento da produção brasileira (SOUZA CRUZ, 2003).
Gráfico 4: Exportações Brasileiras de Fumo (2001 – 2008)
Fonte: SINDITABACO (s/d)
Conforme disposto no gráfico 4, percebe-se uma tendência à estabilização dos volumes exportados. Calculando a média aritmética da série histórica referente aos volumes exportados no período de 2008/2004, encontramos um volume médio de 629 mil toneladas para exportação. A análise comparativa destes números com os volumes produzidos, o volume demandado pelo mercado interno (cigarros), da evolução de hectares plantados, e finalmente a evolução da quantidade de produtores integrados, leva a crer que há mesmo uma tendência à estabilização. Contudo, olhando atentamente o gráfico em análise, percebe-se um distanciamento ascendente na relação U$/Volume.
Comparativamente, à relação U$/kg em 2008 (3,95) foi 25,7% maior do que o auferido no ano anterior (3,14), demonstrando que houve uma significativa valorização do produto no mercado internacional. Vale destacar, ainda, a queda no comércio dos volumes em 2006 – fumos produzidos na safra 2005. Segundo o SINDITABACO, a causa foi a produção de fumos de qualidade abaixo do desejado, devido a fatores climáticos desfavoráveis durante o ciclo produtivo. Esta fato revela a preocupação demonstrada pela indústria com a qualidade e integridade do tabaco produzido no Brasil. Com o mercado cada vez mais restrito, a competitividade entre os países produtores aumentará gradativamente. Contudo, confrontando os gráficos 4 e 5, podemos sugerir que atualmente o mercado internacional demanda a produção brasileira. Observemos nos gráficos que a queda nas vendas em 2006 foi recuperada em 2007, podendo significar que os países concorrentes não supriram a demanda internacional naquele momento.