Figura 108: O cavaleiro medieval.
Fonte: www.atelierheraldico.com.br.
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Embora alguns estudiosos discordem sobre a atribuição ao padre e heraldista Silvestre Petra Sancta ou Pietra Santa (Roma, 1590 – Roma, 1647) a criação de regras para a heráldica, coincidem em que foi o jesuíta quem normatizou tais regras. Ele foi reitor do Colégio de Loreto e, mais tarde, em Roma, publicou dois famosos tratados de heráldica em latim: Brasões e Em- blemas da Nobreza (1634) e Brasões de Armas das Grandes Famílias (1638)2.
A partir desse último livro, Pietra Santa criou um método para representar as cores por meio de símbolos. Assim, os esmaltes e metais3, que receberam nomes em francês arcaico, são representados por diferentes traços em branco e preto, como podemos ver abaixo:
Quadro 6: O método de Pietra Santa.
Fonte: http://flagspot.net/flags/heraldry.html#psm.
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2. Fonte: <http://flagspot.net/flags/heraldry.html#psm>. Acessado em 03/01/2010. Tradução livre.
3. As peles, como o arminho e o veiro, não constavam do método de Pietra Santa.
A heráldica, apesar de todo o rigor exigido pela tradição, possui as características dos países onde essa ciência se desenvolveu, destacando-se as escolas portuguesas e espanholas (muito similares), a heráldica eclesiástica e as demais europeias, onde cada região contribuiu com a aposição de figuras representativas de animais (reais e mitológicos), flores e plantas, além de uma variedade de elementos visuais que enriqueceram a representação das armas.
Para compreendermos os principais fundamentos do design de brasões, é necessária a desmontagem de suas partes. Na composição, os principais elementos visuais são o escudo, os esmaltes, os metais, as partições, as peças, as figuras, o elmo, o timbre, o mote e os suportes.
Peles, insígnias e brisuras também podem compor o desenho, embora mais raramente.
Escudo é o principal elemento do brasão, podendo ser de vários formatos, conforme abaixo:
Figura 109: Tipos de escudo.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/.
O escudo é tradicionalmente dividido em nove partes, com vista à descrição da locali- zação das peças no seu campo. Expressões como destra, sinistra, cantão, chefe, flanco, abismo, ponta e umbigo são usadas como pontos de referência.
Figura 110: Partes do escudo.
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/.
O campo do escudo pode apresentar-se inteiro, caso em que se diz pleno, ou dividido em duas ou mais partes, chamadas partições4, ou ainda, subpartições, conforme exemplos abaixo:
Figura 111: Tipos de partição.
Fonte: www.atelierheraldico.com.br.
Esmaltes e metais são as cores usadas na heráldica, embora haja certos padrões, cha- mados peles, e representações de figuras em suas cores naturais, ou da sua cor (distintas das cores representáveis), que também são tratadas como esmaltes.
Uma das convenções é a de que não se aplica cor sobre cor e nem metal sobre metal, devendo-se buscar a separação destes por meio de soluções da própria heráldica. A seguir, exemplos de escudos com os principais esmaltes, metais e peles e sua representação pelo Mé- todo Pietra Santa.
Figura 112: Esmaltes.
Fonte: www.atelierheraldico.com.br.
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4. Fonte: <www.atelierheraldeico.com.br>. Acessado em 10/01/2010. As cores são usadas apenas didaticamente para realçar as divisões e subdivisões do campo.
Figura 113: Metais e peles.
Fonte: www.atelierheraldico.com.br.
Peças internas ou honrarias são convenções usadas para simbolizar uma honraria gal- gada pelo detentor do escudo, embora algumas sejam confundidas com as partições. Neste tra- balho, usamos a classificação do portal Atelier Heráldico, já citado anteriormente, cujas cores são usadas, também, apenas didaticamente.
Figura 114: Peças internas ou honrarias.
Fonte: www.atelierheraldico.com.br.
As figuras de um escudo designam todas as imagens que se encontram dentro deste, sobre uma peça ou outra figura. São os elementos menos padronizados na feitura de brasões, e classificados de modo diferente para cada país. Os exemplos a seguir são apenas alguns que fazem parte de inúmeras seleções organizadas por heraldistas em todo o mundo.
Figura 115: Tipos de figura.
Fonte: http://www.rarebooks.nd.edu/digital/heraldry/.
O elmo era uma das peças mais importantes da armadura dos cavaleiros medievais, uma vez que protegia a cabeça. Na heráldica adquiriu importância devido ao fato de que os elmos fechados não permitiam a visão da cabeça do cavaleiro. Daí a necessidade de identificação nos escudos.
Todos os três tipos mais comuns são empregados em brasões. Abaixo da esquerda para a direita, junto ao seu design heráldico: o tipo elmo de torneio boca de sapo, o de torneio de viseira aberta e o de cerimonial, com viseira de grades.
Figura 116: Tipos de elmo.
Fonte: www.atelierheraldico.com.br.
A coroa, na maioria absoluta dos casos, sempre foi o ícone máximo da realeza e da nobreza em geral. Coronel é a peça que se encontra nos demais graus, desde cavaleiros até duques. Abaixo, alguns exemplos de coroas e coronéis empregados nos brasões.
Figura 117: Coroas e coronéis.
Fonte: www.atelierheraldico.com.br.
Foram os torneios que difundiram a utilização de figuras sobre os elmos, como forma de facilitar o reconhecimento da identidade do cavaleiro e aumentar a sua visibilidade pelos espectadores. Essas figuras eram, normalmente, uma das peças pintadas no escudo e que deram origem aos timbres no desenho heráldico. Abaixo, um exemplo de timbre em forma de plumas sobre um elmo de cerimonial de grades.
Figura 118: Timbre sobre escudo original dos Bonapartes.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki.
O mote, lema ou divisa armorial é a frase ou conjunto de palavras que descreve a mo- tivação ou intenção da pessoa ou corporação. Também chamados “gritos de guerra”, motes geralmente são aplicados em um laço sob o escudo, chamado listel. Abaixo, o brasão de armas de Mônaco, com o mote Deo Juvante (Com a ajuda de Deus).
Figura 119: Mote.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki.
A origem dos tenentes, suportes e sóstenes encontra-se possivelmente nos escudeiros que seguravam as armas dos cavaleiros antes dos torneios e também nos campos de batalha.
Tenentes são figuras humanas ou semi-humanas, que se posicionam por detrás ou ao lado do escudo, recebendo essa denominação porque tais figuras guardam o escudo sem segurá- los.
As figuras representadas pelos suportes podem ser animais reais ou quiméricos, plan- tas, árvores, elementos arquitetônicos, barcos, etc., que se posicionam por trás ou ao lado do escudo, tocando-o e segurando-o. Em alguns países, recebe o nome de apoio quando são usados plantas e alguns objetos.
Sóstenes são figuras de anjos ou de santos que se posicionam por trás ou ao lado do escudo, segurando-o e sustentando-o.
Figura 120: Tenentes, suportes e sóstenes.
Fonte: www.atelierheraldico.com.br.
Para concluir esta parte referente às regras heráldicas, citamos ainda a brisura que, em heráldica, é toda modificação introduzida no brasão de uma família para distinguir as armas que dela procedem. Brisurar o brasão é levar as armas simples, puras e planas de seus antecesso- res.
Outros elementos chamados adornos também podem ser encontrados em brasões como manto, bandeiras, virol e paquife, conforme abaixo:
Figura 121: Outros elementos do brasão.