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Há controvérsia com relação à co-autoria da Bandeira Imperial, principalmente em re- lação ao brasão. Parecem coincidir analistas para o fato de que todo o conjunto foi desenhado por Debret, mas divergem com relação à inserção de elementos gráficos. Joaquim Redig ques- tiona: “Se Debret seria o autor da parte externa (o losango), então teria sido José Bonifácio, com sua vasta experiência e formação cultural europeia [...] o autor da parte interna – o Brasão – de simbologia mais intensa?” (REDIG, 2009, p. 49).

Abaixo fragmento do Decreto de 18/09/1822, que institui o “Escudo Real de Armas”, extraído da Wikipédia, a biblioteca livre da rede mundial de computadores:

[...] Será d’ora em diante o Escudo deste Reino do Brasil, em campo verde huma esphera Armilar de ouro atravessada por uma Cruz da Ordem de Chris- to, sendo circulada a mesma Esphera de dezenove Estrelas de prata em uma orla azul; e firmada a Coroa Real Diamantina sobre o Escudo, cujos lados serão abraçados por dois ramos das plantas de Caffé e Tabaco, como Emble- mas de sua riqueza comercial, representados na sua própria cor e ligados na sua parte inferior pelo Laço da Nação. A Bandeira Nacional será composta de hum paralellogramo verde e nelle inscripto hum quadrilátero rhomboidal côr de ouro, ficando no centro deste Escudo das Armas do Reino do Brasil. – José Bonifácio de Andrada e Silva, do Meo Conselho de Estado e do Conselho de Sua Magestade Fidelíssima o Senhor Rey Dom João Sexto e Meo Augusto Pay [...].

Figura 16: Coroas e brasões do Império.

Fonte: www.monarquia.org.br.

o trono em favor de seu sétimo filho, D. Pedro de Alcântara – único do sexo masculino que so- breviveu –, com apenas cinco anos de idade, dando início ao Período Regencial, que durou até 23 de julho de 1840, quando D. Pedro II completou a “maioridade” pouco antes de completar 15 anos. “Ao acordar no dia 7 de abril de 1831, Pedro II encontrou sobre sua cama a coroa im- perial de seu pai” (CARVALHO, 2007, p. 22). Ele nunca mais o veria porque naquela manhã, junto com sua madrasta, seu pai já se encontrava na fragata britânica que partiria para Portugal daí a alguns dias.

Assim, durante o Segundo Reinado, foram mantidos o Brasão e a Bandeira Imperial, embora possamos observar em pesquisas iconográficas que a coroa imperial do brasão de D.

Pedro II varia ora verde, ora vermelha. Conforme verificamos no projeto original de Debret, o campo do escudo e o forro da coroa eram verdes. “Felix Taunay – como Debret professor da Academia de Belas-Artes e seu diretor – não concordou com a repetição desta cor; sugerindo sua substituição pelo vermelho. D. Pedro alegou que era essa a cor do escudo português, con- vindo que apenas o forro da coroa adotasse o vermelho”10. Sobre esta questão assim se manifes- tou o rei-de-armas11 do Supremo Tribunal de Armas e Consulta Heráldica do Brasil, Raul Breno Marquardt, em resposta à nossa pergunta sobre a heráldica da coroa imperial:

As coroas físicas de D.Pedro I e II eram de forro verde por ser a cor da família real lusitana, e até em alguns dos primeiros desenhos de brasões eram também com forro verde. A coroa física do Reino Unido, por exemplo, tem forro púr- pura, a cor da realeza, mas a coroa heráldica é vermelha. [...] a heráldica brasi- leira estava ainda engatinhando na sua concepção, e naquela época se ganhava no grito; e quem desenhava melhor e era mais próximo do governante fazia valer seu desenho, como é costume na história brasileira, o que é até hoje, in- felizmente. Assim que a Heráldica começou a se encaixar nas regras corretas, a monarquia foi extinta no Brasil, mas já haviam “arrumado” o erro heráldico de desenhar a coroa com forro verde para o vermelho, que é a forma correta.12 Por volta de 1870, D. Pedro II resolveu adicionar a vigésima estrela ao Brasão, pois, apesar de ter perdido a Província Cisplatina (atual Uruguai) em 1829, houve a criação de duas novas províncias: a do Amazonas, em 1850, que teve origem na subdivisão do Grão-Pará em Amazonas e Pará; e a do Paraná, em 1853, a partir de seu desmembramento da província de São Paulo.

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10. LUZ, Milton Fortuna. A História dos Símbolos Nacionais. Brasília: Senado Federal, Secretaria Especial de Editoração e Publicações, 1999, p. 67.

11. Desde a época medieval, no organograma da Casa Real, o Rei-de-Armas Portugal era o principal oficial de heráldica. A ele eram subordinados os Reis-de-Armas Algarve e Índia (oficiais de 1º nível); os Arautos Lisboa, Silves e Goa (oficiais de 2º nível), os Passavantes Santarém, Tavira e Coxim (oficiais de 3º nível); o Escrivão da Nobreza (subscrevia as cartas de armas); e Armeiro-Mor (encarregado dos livros de registro de armas). No Plano de Ordem de Aclamação de D. João VI, podemos perceber nitidamente a função de cada um (www.arquivonacio- nal.gov.br). Extraído do blog de Cláudia Alexandre, jornalista pós-graduada em Administração e Organização de Eventos, disponível em: <http://claudinhaalexandre.blogspot.com/2009/05/Apresentador-de-eventos-na-corte-do- rei.html>. Acessado em 17/09/2009.

12.Raul Breno Marquardt é o responsável pelo portal Atelier Heráldico, disponível em: <http://www.atelierheral- dico.com.br>. Acessado em 17/09/2009. É também autor do redesenho do brasão de Campos dos Goytacazes-RJ.

Figura 17: Modificações no número de estrelas.

Fonte: www.monarquia.org.br.

O chamado Segundo Reinado durou cerca de cinquenta e oito anos – se somarmos as Regências (1831-1840) – e terminou com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889. Além de ser o mais longo período de um governo na História do Brasil, experimentou enorme progresso cultural e econômico, alimentado pelas novidades da Revolução Industrial, resultando em profundas mudanças sociais, como o fim da Escravidão e o incentivo à imigra- ção, trazendo ao país novas frentes de trabalho. Por outro lado, o período também foi marcado por convulsões como a Guerra do Paraguai e crises como a Questão Militar, a Questão Religio- sa e a Questão Abolicionista, além de revoltas por todo o país.

Todos os historiadores coincidem em que um evento pode ser considerado o marco que pôs fim ao Segundo Reinado: o baile da Ilha Fiscal13. E escolhemos uma peça gráfica como seu símbolo: o convite distribuído.

Figura 18: Convite para o baile da Ilha Fiscal.

Fonte: http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/files/2008/10/brasil2c.jpg.

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13. Ocorrido em 9 de novembro de 1889 e previsto inicialmente para 19 de outubro, como se vê no convite distri- buído. O adiamento ocorreu devido ao falecimento do rei Luís I de Portugal, sobrinho de D. Pedro II. Realizado no Centro Histórico do Rio de Janeiro, era uma homenagem aos oficiais do navio chileno Almirante Cochrane.

Marcado pelo excesso e pela extravagância, reuniu cerca de 3.000 (ou 5.000) convidados. À mesma hora, os repu- blicanos reuniam-se no Clube Militar, presididos pelo tenente-coronel Benjamin Constant, para tramar a queda do Império. Fonte: <http://veja.abril.com.br/historia/republica/sociedade-baile-imperio-ilha-fiscal.shtml>. Acessado em 27/11/2009.

Terminamos essa fase imperial com o emprego do design do Brasão na numismática. A primeira moeda do Brasil independente chamou-se Peça da Coroação14, cunhada por Zèpheryn Ferrez. D. Pedro I suspendeu-a por ter detestado o projeto: por estar com busto nu e louros na cabeça, à moda dos imperadores romanos; pela falta das legendas “Constitucionalis” e “Et Per- petuus Brasiliae Defensor”; e por conter a coroa real diamantina (achatada) em vez da imperial.

Por esse motivo só circularam sessenta e quatro moedas. Na figura 19, observamos que foram corrigidas essas “impropriedades” nas próximas cunhagens, como é o caso da moeda da direita.

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14. Segundo a Sociedade Numismática Paranaense, a moeda mais cobiçada do Brasil vale US$300.000. Trata-se da moeda de 6.400 réis, cunhada em ouro, especialmente para a Coroação de D. Pedro I. Disponível em: <http://

www.snp.org.br/pecacor.htm >. Acessado em 15/11/2009.

Figura 19: Moedas do Império.

Fonte: Sociedade Numismática Paranaense.

Seja pelo desgaste do poder ou pelas transformações da economia e da sociedade, o fato é que o movimento pró-república ganhava vulto: já não cabia mais aquela forma de regime, pois

“o reinado de D. Pedro II, excessivamente longo, levava a época a um sentimento de monoto- nia sem igual” (AGUIAR, 1989, p. 11). Como cita Leôncio Basbaum em História Sincera da República, faltava apenas um empurrão para que a Monarquia desabasse, “[...] e o empurrão foi dado na célebre madrugada” (BASBAUM, 1975-76, p. 231).