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A IMPORTÂNCIA DAS FIGURAS PATERNA E MATERNA

O impacto da separação traz mudanças imediatas no comportamento dos filhos, podendo provocar graves conseqüências.

Com a desunião paterna a criança altera seu quadro referencial em relação aos pais e muda seu esquema de vida, se separa não só de um dos pais, mas de parte de sua família, e altera as relações com outros membros da família, e quase sempre concentra a autoridade em uma mão só.60

Umas das funções primordiais dos papéis materno e paterno no que tange as relações afetivas, biológicas, educacionais, bem como emocionais, para que haja um desenvolvimento sadio, é a necessidade de proteção, sendo, portanto, o adulto que se relaciona mais intimamente com a criança.61

Conforme assevera Clemente e Silva62

(...) a participação paterna consiste em auxiliar em alguns cuidados com essa criança, consequentemente o seu papel não se limita ao de provedor e sim de uma figura

60 CLEMENTE, Maria Luiza e SILVA, Vilma Regina da, A guarda de filhos como suporte para que os laços de união sejam mantidos, p.125

61 CLEMENTE, Maria Luiza e SILVA, Vilma Regina da, A guarda de filhos como suporte para que os laços de união sejam mantidos, p.125

62 CLEMENTE, Maria Luiza e SILVA, Vilma Regina da, A guarda de filhos como suporte para que os laços de união sejam mantidos, p.125

extremamente importante dentro desse núcleo familiar como símbolo e referencia de autoridade, assim como modelo de orientação masculina, haja vista que em sua formação a criança depende de referenciais tanto masculino quanto feminino.

Dessa forma, verifica-se que a figura paterna influencia de forma significativa na educação e desenvolvimento da criança, entendendo-se que tais ações podem interferir na formação da personalidade do indivíduo.

Considerações semelhantes de Peluso63 sobre os efeitos emocionais e afetivos do menor quando da separação:

Quem lida com problemas psicológicos sabe que a introdução da figura paterna ou materna, quando deficiente ou precária, conduz o desajustamento na área da sexualidade. Em muitos casos o homossexualismo está ligado a essas deficiências.

É na convivência da criança com adultos de ambos os sexos, sejam eles seus pais biológicos ou não que se encontra o gérmen da identidade sexual e do relacionamento com o sexo oposto.64

A presença de ambos os genitores, ou de quem cumpra essa função, é indispensável no decorrer do desenvolvimento até que a criança seja adulta, logo a presença de ambos os genitores é decisiva mesmo que não seja contínua, pois será muito difícil que uma só pessoa possa desempenhar plenamente funções materna e paterna que,

63 PELUSO, Antônio César. O menor na Separação, p. 30

64 PELUSO, Antônio César. O menor na Separação, p. 30

em certos momentos, pode se configurar em tomadas de posições diametralmente opostas.65

Segundo Motta66

Os filhos necessitam da mãe e do pai para ter um desenvolvimento sadio, o que não ocorre na guarda uniparental, que é atribuído geralmente a mulher, com esquemas de visitas que impossibilitam ao pai a convivência adequada o suficiente para o verdadeiro desempenho das funções paternas.

A idéia subjacente parece ser a de que a mãe é figura imprescindível, enquanto o pai é dispensável na criação dos filhos.

Com isso os filhos terminam por perder a possibilidade de convivência adequada com o pai e com a mãe devido à dinâmica que passa a reger o funcionamento familiar: o pai pouco presente, com raro ou nenhum envolvimento com a vida dos filhos, e a mãe, sobrecarregada com as tarefas de complementar o orçamento familiar e cuidar da casa e das crianças, torna-se menos disponível para estar com elas.67

De um momento para outro os filhos se vêem privados do relacionamento com seus pais, e como a desunião conjugal deixou de ser uma exceção, passando a ser encarada com naturalidade pela sociedade, a legislação passou a ser insuficiente para organizar essas relações na família desunida, logo a guarda conjunta incentiva ambos os

65 MARRACINI, Eliane Michelini, MOTTA, Maria Antonieta Pisano. Guarda de filhos: algumas diretrizes psicanalíticas, p. 348-349

66 MOTTA, Maria Antonieta Pisano. Guarda Compartilhada, p. 32

67 MOTTA, Maria Antonieta Pisano. Guarda Compartilhada, p. 19

genitores a participar igualitariamente da convivência, da educação e da responsabilidade pela prole, e valida o papel contínuo com a vida dos filhos.

Alguns pais interpretam o desejo do filho de conviver com outro genitor como mais uma perda. Muitos pais depois do divórcio ficam exageradamente sensíveis até a breves períodos de separação dos filhos, e despedidas bastante corriqueiras podem fazer ressoar sentimentos de perda, vazio ou abandono. Para esses pais, o desejo do filho conviver com o outro genitor faz com que se sintam isolados, como se todo mundo os tivesse abandonado.68

Como forma de proteção contra os dolorosos sentimentos de rejeição e perda, alguns pais passam sutilmente ao filho o recado de que é precioso optar entre eles e os ex-parceiros.

Os sentimentos de perda dos adultos são uma reação humana e compreensível ao divórcio; no entanto, os pais não devem esquivar-se a esses sentimentos difíceis criando conflitos de lealdade para os filhos.

Os pais também fazem pressões de lealdade sobre os filhos porque não conseguem separar seus próprios sentimentos negativos em relação ao ex-parceiro da necessidade que os filhos têm de manter um relacionamento contínuo e positivo com o outro genitor.

Alguns pais são incapazes de ver o filho como algo separado deles conforme pensamento de Teyber69

68 TEYBER, Edward Ajudando as crianças a conviver com o divórcio. p. 153.

69 TEYBER, Edward Ajudando as crianças a conviver com o divórcio. p. 154.

(...) são pessoas com sentimentos e necessidades distintas. A capacidade de ver os filhos como distintos de si mesmo – com diferentes desejos e necessidades – é importante para ser um bom pai. Ao contrário é sempre problemático para o filho o fato de o pai estar enraivecido, vingativo e querer sabotar sua relação com o outro genitor, moldando os sentimentos do filho a imagem dos seus.

Nas famílias saudáveis, os adultos cuidam e orientam e as crianças recebem e obedecem. Por necessidade, as crianças de famílias de pais divorciados em geral precisam se encarregar de mais tarefas domésticas, e muitas vezes há mais intercambio emocional entre o genitor e filho do que nas famílias com pai e mãe.

Na visão de Teyber70

(...) os filhos de famílias de pais descasados crescem mais depressa, tem mais tarefas a executar e tomam mais decisões pela família. Mesmo assim, no entanto, os papéis e as responsabilidades de adultos e crianças são claramente diferenciados nas famílias saudáveis de pais divorciados.

Algumas famílias de pais divorciados apresentam problemas quando os papéis de adultos e crianças ficam indistintas.

Nessas famílias, essas crianças assumem tantas responsabilidades de adultos, ou tentam assumir tantas necessidades emocionais de seus pais, que os papéis de genitor e filho se invertem.

Nesse caso ocorre a parentificação, quando as crianças dão segurança e controle os pais; quando suprem suas

70 TEYBER, Edward Ajudando as crianças a conviver com o divórcio. p. 160.

necessidades de intimidade e proximidade; ou quando dirigem a casa e se transformam nas principais responsáveis pelos irmãos menores.71

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