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A existência de conflitos na esfera internacional remonta, naturalmente, ao próprio nascimento da sociedade, sob o fundamento do uso da força e do direito à guerra

736,737

, porém, especialmente, com o advento do Estado-Nação após a paz de Westphalia em 1648

738

, desenvolve-se a ideia da necessidade de criação de regras e mecanismos de resolução pacífica

734 Segundo Tom Ginsburg, antes da Segunda Guerra Mundial, apenas algumas constituições continham disposições sobre o controle de constitucionalidade. Contudo, ao se analisar o sistema de jurisdição constitucional de 191 países em 2011, observa-se que 158 sistemas constitucionais incluem alguma provisão formal de jurisdição constitucional. Assim, apesar de em 1951 apenas 38% dos sistemas constitucionais terem previsões de jurisdição constitucional, em 2011, 83% das constituições mundiais trataram do poder dos tribunais de controlar a implementação da Constituição e invalidar a legislação com bases constitucionais. GINSBURG, Tom;

VERSTEEG, Mila. Why do Countries adopt Constitutional Review? Journal of Law, Economics &

Organization, n. 30, 2014.

735 TATE, C. Neal; VALLINDER, Torbjorn. The global expansion of judicial power. New York University, 1997.

736 O tratado sobre “O direito da guerra e da paz” do jurista holandês Hugo Grotius, exerceu grande influência à época em função de sua defesa do conceito de sociedade internacional. Grotius sustentava que todo Estado estava sujeito ao Direito Natural sobre o qual, por sua vez, estava assentado o direito das nações. Para ele, o Direito Natural consistia em princípios morais gerais acessíveis a todo ser humano por meio da razão e do senso comum.

Todas as pessoas eram portadoras dos mesmos direitos naturais que, basicamente, garantiam a vida, a propriedade e o direito à autodefesa. O direito das nações, por outro lado, é necessariamente baseado no Direito Natural, mas resulta, essencialmente, da vontade dos Estados em estabelecer regras de convivência baseadas no consenso. As leis da guerra e da paz deveriam, assim, refletir os postulados morais do Direito Natural. Daí deriva, por exemplo, a teoria da guerra justa de Grotius, que afirma que a guerra pode ser justa e legítima apenas quando um Estado é agredido ou ameaçado gravemente em sua sobrevivência. Guerras religiosas não poderiam ser justas, uma vez que seria reservado a cada Estado a escolha de sua própria religião. TUCK, Richard. The Rights of War and Peace:

political thought and the international order from Grotius to Kant. New York: Oxford University Press, 1999, p.

1-108.

737 Para doutrina de legitimação da guerra justa, não basta uma ofensa qualquer para justificar a guerra, dado que uma sanção tão grave deve ser proporcional à ofensa. Além disso, justamente porque configurada como sanção dirigida à paz e à segurança, a guerra não pode degenerar em uma violência ilimitada, mas também deve estar sujeita ao direito (ius in bello). Disso resulta uma configuração jurídica da guerra, como sanção voltada a assegurar a efetividade do Direito Internacional. GUGGENHEIM, Paul. Contribution à l’histoire des sources du droit des gens. Recueil des Cours de L’Académie de Droit International de la Haye, t. 94, 1958-II, p. 1-84.

738 EVANS, Malcolm D. International Law. Oxford: Oxford University Press, 2010, p. 3-21.

de disputas

739

, como os meios diplomáticos, os meios jurídicos, como a arbitragem

740

, dentre outros

741

.

Contudo, a criação de uma corte internacional, com jurisdição universal, para solução judicial de conflitos

742

, possui uma origem bem mais recente, e se remete à I Convenção de Paz da Haia de 1899

743

, que previu a Corte Permanente de Arbitragem, considerada a mais antiga instituição de resolução de disputas internacionais entre Estados e organizações intergovernamentais, com a ideia de buscar a solução pacífica das controvérsias

744,745

.

Da mesma forma, após a Primeira Guerra Mundial, os interesses estatais convergiram no sentido de estabelecer uma verdadeira jurisdição internacional permanente, a qual se consolidou, com a criação, pela Sociedade das Nações

746

em 1921, na Corte Permanente de Justiça Internacional (CPJI)

747

.

739 O artigo 33, item 1, da Carta das Nações Unidas, traz um rol, exemplificativo, das soluções pacíficas de conflitos, nos seguintes termos “Artigo 33. 1. As partes em uma controvérsia, que possa vir a constituir uma ameaça à paz e à segurança internacionais, procurarão, antes de tudo, chegar a uma solução por negociação, inquérito, mediação, conciliação, arbitragem, solução judicial, recurso a entidades ou acordos regionais, ou a qualquer outro meio pacífico à sua escolha”. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ decreto/1930- 1949/d19841.htm>. Acesso em: jun. 2015.

740 Um dos exemplos do uso da arbitragem para solução pacífica de conflitos, foi o caso Alabama de 1872, que trata de uma disputa entre os Estados Unidos e o Reino Unido. BORGES DE MACEDO, Paulo Emílio.

Observância de Tratados: art. 26 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados (1969). In: SALIBA, Aziz (org.). Estudos de direito internacional: comentários à Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados (1969) ed.Belo Horizonte: Arraes, 2011, p. 181-197.

741 LITRENTO, Oliveiros. Manual de direito internacional público. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1979, p. 520.

742 EVANS, Malcolm D. International law. Oxford: Oxford University Press, 2010, p. 537-648.

743 A criação de uma corte internacional, com jurisdição universal, para solução de conflitos, já era discutida nos debates da I Convenção de Paz da Haia de 1899, nos seguintes temos “delegates unanimously admitted the principle of obligatory arbitration, and declares that certain disputes, in particular those relating to the interpretation and application of the provisions of international agreements, may be submitted to obligatory arbitration without any restriction (…) the establishment of a Permanent Court of international arbitration, which has so long been the dream of the advocates of peace, destined, apparently, until now never to be realized (…)a body of duly qualified arbitrators, ready and willing if called upon to undertake the work of assisting in the peaceful settlement of disputes, and provided with general rules of procedure for the fulfilment of their office”.

Disponível em: <http://oll.libertyfund.org/titles/1053>. Acesso em: 6 Fev. 2016.

744 ZIEGLER, Andreas R. As Convenções da Haia e sua importância para a solução pacífica de controvérsias no início do século XXI. In: OLIVEIRA, Bárbara da Costa Pinto et al (cood). Manual de direito processual internacional. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 19-21.

745 A Corte Permanente de Arbitragem não é uma corte, no sentido estrito do termo, mas uma organização administrativa com o objetivo de servir como registro para fins de arbitragem internacional e para outros procedimentos relacionados. SANTOS, Bernardo; BARROSO, Gabriel. A Corte Internacional de Justiça. In:

OLIVEIRA, Bárbara da Costa Pinto et al (cood). Manual de direito processual internacional. São Paulo:

Saraiva, 2012, p. 49-55.

746 Após o encerramento da Primeira Guerra Mundial em 1919, pelo Tratado de Versalhes, foi criada a Sociedade das Nações. RAMOS, André de Carvalho. Teoria geral dos direitos humanos na ordem internacional. 3. ed.

São Paulo: Saraiva, 2016, p. 151-152.

747 A Corte Permanente de Justiça Internacional, representa a primeira fase de institucionalização do sistema jurisdicional internacional, permanente e universal, consolidando a regra do consentimento obrigatório dos Estados como fundamento para a jurisdição internacional, mas criando paralelamente a cláusula facultativa de jurisdição compulsória. EVANS, Malcolm D. International law. Oxford: Oxford University Press, 2010, p. 589-618.

De toda sorte, apesar da importância da criação da Sociedade das Nações e da Corte Permanente de Justiça Internacional, com o aparecimento da Segunda Grande Guerra, marcada por graves violações aos Direitos Humanos, torna-se imperioso repensar a temática da garantia dos Direitos Humanos como preocupação apenas das agendas domésticas, convertendo-se em exigência constante e indeclinável da comunidade internacional, com o fenômeno de positivação dos Direitos Humanos na esfera internacional, por meio da consagração nos textos jurídicos de direitos antes projetados apenas no plano da filosofia política.

Ou seja, o pós-guerra inaugura uma nova fase do direito internacional, marcada pela reconstrução e pela globalização dos Direitos Humanos, tomados agora como referencial ético a orientar a ordem transnacional, com o delineamento de um sistema normativo internacional para a proteção e efetivação dos direitos declarados, e, nesse sentido, a expansão global e os fenômenos da proteção dos Direitos Humanos, trazem a ideia de que os direitos referentes à pessoa humana possuiriam validade universal, e de que os conceitos de soberania nacional e não intervenção deveriam ser reinterpretados à luz do princípio da prevalência dos Direitos Humanos

748

.

A Carta das Nações Unidas de 1945

749

consolida esse movimento, passando a reger a relação entre o Estado e seus nacionais como uma problemática internacional, e, em sequência, a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948

750,751

, vem a estabelecer a matriz do sistema global de proteção dos Direitos Humanos, com o abandono da visão dos Direitos Humanos como preocupação apenas das jurisdições domésticas

752

.

748 TRINDADE, Antônio Augusto Cançado. A humanização do direito internacional. São Paulo: Del Rey, 2006, p. 365-411.

749 Com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, foi criada a Organização das Nações Unidas (ONU), após a Conferência de São Francisco. EVANS, Malcolm D. International law. Oxford: Oxford University Press, 2010, p. 19-23.

750 A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), em 1948, veio a definir com precisão o elenco dos

“Direitos Humanos e liberdades fundamentais”, estabelecendo duas categorias de direitos, os direitos civis e políticos, e os direitos econômicos, sociais e culturais, endossando a universalidade desses direitos, e afirmando que os Direitos Humanos decorrem da dignidade inerente à condição de pessoa. A DUDH, foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris, em 10 de Dezembro de 1948, através da Resolução 217 A (III) da Assembleia Geral, e apesar de não assumir a forma de tratado internacional, apresenta força jurídica obrigatória e vinculante, na medida em que constitui a interpretação autorizada da expressão “Direitos Humanos”, constante dos artigos 1º (3) e 55 da Carta das Nações Unidas. Representa ainda, um dos mais influentes instrumentos jurídicos e políticos do século XX, além de ter-se transformado, ao longo de mais de cinquenta anos de sua adoção, em direito costumeiro internacional e princípio geral de Direito Internacional. RAMOS, André de Carvalho.

Processo internacional de direitos humanos. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 31-36.

751 Cabe pontuar, que alguns autores entendem que a Declaração Universal dos Direitos Humanos não possui força obrigatória, uma vez que as Resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas não teriam força vinculante, conforme se observa dos artigos 10 e 14 da Carta das Nações Unidas (diferentemente das Resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que teriam força vinculante, conforme se observa do artigo 24 n. 1 da Carta das Nações Unidas). RAMOS, loc. cit.

752 Em seguida, foram criados o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos de 1966, e o Pacto Internacional de Direitos Sociais e Econômicos também de 1966. RAMOS, op. cit., p. 152-165.

Este processo, da mesma forma, desdobrou-se nos sistemas regionais de proteção dos Direitos Humanos, como, por exemplo, o sistema interamericano — que nasceu com a adoção da Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, em Bogotá, Colômbia, em abril de 1948 e foi o primeiro instrumento internacional de Direitos Humanos de caráter geral

753,754

— o sistema europeu — que se inicia em 1950, com a criação da Convenção Europeia de Direitos Humanos, através do Tratado de Roma —, e o sistema africano — que se inicia na Conferência de todos os povos africanos em 1958

755

.

De toda sorte, a necessidade da tutela judicial global dos Direitos Humanos, leva à criação de diversos órgãos, com destaque, no caso da Organização das Nações Unidas

756,757

,

753 Somente podem aderir ao Pacto de San Jose da Costa Rica, os países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA). RAMOS, op. cit., p. 257-299.

754 Na sequência da Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem de 1948, foi adotada em 1969, a Convenção Americana de Direitos Humanos, o Pacto de San Jose da Costa Rica, e, em 1978, a Convenção entrou em vigor. O Protocolo de San Salvador, de 1988, entrou em vigor em 1999, consagrando a implantação dos direitos sociais no sistema interamericano. RAMOS, loc. cit.

755 Na verdade, a defesa dos Direitos Humanos na história da África, remonta ao primeiro Congresso Pan-africano realizado em 1919, que, no bojo da Conferência de Paz de Versailles, reunindo líderes de diversas partes da África, exigiu a abolição do trabalho forçado, dos castigos corporais e o direito à manutenção do idioma e cultura locais.

Posteriormente, em 1958, na Conferência de todos os povos africanos (All African People’s Conference), que reuniu líderes de toda a África em Gana, foi adotada resolução que vinculou a independência ao respeito a Direitos Humanos, até para demonstrar a diferença entre os novos governos e os colonialistas do passado. Nesse sentido, a Carta da Organização da Unidade Africana, assinada em 1963, em Addis Abeba (Etiópia), por 32 Estados africanos independentes, possuía, já em seu preâmbulo, a menção ao respeito e aderência à Carta das Nações Unidas e à Declaração Universal dos Direitos Humanos. Assim, os países africanos, ao menos inicialmente, anuíram com a universalização dos Direitos Humanos. Na sequência, em 1981, foi elaborada a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, conhecida como Carta de Banjul, por ter sido aprovada pela Conferência Ministerial da Organização da Unidade Africana, realizada em Banjul, Gâmbia, entrando em vigor em 21 de outubro de 1986. Já a criação da União Africana, em substituição à Organização da Unidade Africana, decorre da Sexta Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da Organização da Unidade Africana em 1999, tendo sua criação efetiva se dado em 2002, com a Conferência de Durban. A União Africana manteve a sede em Addis Abeba (Etiópia), tendo entre seus objetivos principais, a promoção dos princípios democráticos, participação popular e proteção dos Direitos Humanos e dos povos de acordo com a Carta Africana de Direitos Humanos e dos Povos e outros instrumentos relevantes de Direitos Humanos. RAMOS, op. cit., p. 275, 276 e 280.

756 Os órgãos principais da ONU são: a Assembleia Geral, o Conselho de Segurança, a Corte Internacional de Justiça, o Conselho Econômico e Social e o Secretariado. EVANS, Malcolm D. International law. Oxford:

Oxford University Press, 2010, p. 273-280.

757 No caso do sistema global de proteção dos Direitos Humanos, a ONU, além da Corte Internacional de Justiça, possui o Conselho de Direitos Humanos, que tem a função de elaborar relatórios técnicos nos países referente aos Direitos Humanos, e como principal vocação institucional “promover o respeito universal pela proteção de todos os Direitos Humanos e liberdades fundamentais de todas as pessoas, sem distinções de nenhum tipo e de forma justa e equitativa”. Antes da criação do Conselho de Direitos Humanos, havia a Comissão de Direitos Humanos da ONU, criada em 1946, como órgão vinculado ao Conselho Econômico e Social, que tinha como função geral promover e proteger os Direitos Humanos em âmbito mundial. O Conselho de Direitos Humanos da ONU foi criado pela Resolução 60/251, aprovada pela Assembleia Geral no dia 15 de março de 2006, em substituição à Comissão de Direitos Humanos, visando alçar a temática dos Direitos Humanos ao mesmo status que as questões da segurança e do desenvolvimento, debatidas no âmbito do Conselho de Segurança e do Conselho Econômico e Social, tornando o novo Conselho um órgão de Direitos Humanos mais forte e eficaz. O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas criou, em março de 2006, o “Mecanismo de Revisão Periódica Universal”, como um instrumento que objetiva melhorar a situação dos Direitos Humanos nos Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU). A Revisão Periódica Universal (RPU), é um mecanismo que determina que todos os 193 Estados-membros da ONU, sejam submetidos, a uma revisão de sua situação de Direitos Humanos, a cada quatro

para a atuação da Corte Internacional de Justiça

758,759

— criada pela Carta das Nações Unidas de 1945, em substituição à Corte Permanente de Justiça Internacional —, com a principal função de resolver conflitos jurídicos a ela submetidos pelos Estados e emitir pareceres sobre questões jurídicas apresentadas pela Assembleia Geral das Nações Unidas, pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas ou por órgãos e agências especializadas acreditadas pela Assembleia da ONU

760

.

Observa-se, portanto, que, nos termos da Carta das Nações Unidas de 1945, a Corte Internacional de Justiça possui competências consultivas — nas quais a Corte indica o direito aplicado em questões jurídicas, abstratas ou concretas, que lhe forem encaminhadas pela Assembleia Geral, Conselho de Segurança e órgãos das Nações Unidas e entidades

anos e meio. De acordo com a Resolução 60/251 (2006) da Assembleia Geral e a Resolução 5/1 (2007) do Conselho de Direitos Humanos, esta revisão visa avaliar o cumprimento por parte dos Estados, das obrigações e compromissos internacionais assumidos em matéria de Direitos Humanos. No Sistema Global de tutela dos direitos humanos, há ainda os Comitês de Direitos Humanos, que são considerados mecanismos convencionais de proteção dos Direitos Humanos, geralmente criados por meio de convenções internacionais, como ocorreu com a Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes. Os Comitês de Direitos Humanos, são órgãos criados com o objetivo de controlar a aplicação, pelos Estados-parte, das convenções internacionais sobre Direitos Humanos. Assim, os Estados-parte apresentam relatórios ao Comitê, onde enunciam as medidas adotadas para tornar efetivas as disposições dos tratados. Os relatórios são analisados pelo Comitê, e discutidos com os representantes do Estados-parte em causa, após o que o Comitê emite as suas observações finais sobre cada relatório, salientando os aspectos positivos bem como os problemas detectados, para os quais recomenda as soluções que lhe pareçam adequadas. Os Comitês de Direitos Humanos, são compostos por especialistas em matéria de Direitos Humanos, independentes e autônomos, à disposição do Comitê. No Sistema Global, os principais Comitês existente são o Comitê de Direitos Humanos, para monitorar a implementação do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos; o Comitê de Direitos Humanos, para monitorar a implementação do Pacto Internacional dos Direitos Sociais, Econômicos e Culturais; o Comitê para monitorar a implementação da Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial; o Comitê para monitorar a implementação da Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes; o Comitê para monitorar a implementação da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança;

e, o Comitê para monitorar a implementação da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher. Inclusive, o artigo 2º do Protocolo facultativo relativo ao Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, dispõe que “o indivíduo que se considerar vítima de violação de qualquer dos direitos enunciados no Pacto e que tenha esgotado todos os recursos internos disponíveis, poderá apresentar uma comunicação escrita ao Comitê para que este a examine”. RAMOS, André de Carvalho. Teoria geral dos direitos humanos na ordem internacional. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 299-332.

758 A Corte Internacional de Justiça, é o principal órgão judiciário da Organização das Nações Unidas, instituído pelo artigo 92 da Carta das Nações Unidas, que dispõe “A Corte Internacional de Justiça constitui o órgão judiciário principal das Nações Unidas. Funciona de acordo com um Estatuto estabelecido com base no Estatuto da Corte Permanente de Justiça Internacional e anexado à presente Carta da qual faz parte integrante”. Carta das Nações Unidas. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d19841.htm>. Acesso em: 15 fev. 2016.

759 A Corte Internacional de Justiça é integrada por quinze membros. RAMOS, André de Carvalho. Processo internacional de direitos humanos. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 101.

760 O artigo 34.1 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça dispõe: “Artigo 34. 1. Só os Estados poderão ser partes em questões perante a Côrte”. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930- 1949/d19841.htm>. Acesso em: 15 fev. 2016.

especializadas

761

—, e contenciosas — para decidir controvérsias litigiosas

762

sobre assuntos previstos na Carta das Nações Unidas ou em tratados e convenções em vigor

763

, que lhe forem submetidas pelos Estados-membros da ONU

764,765

ou outros Estados nas condições determinadas pelo Conselho de Segurança

766

, mediante o consentimento específico dos Estados litigantes em cada caso

767,768

.

761 O artigo 96 da Carta das Nações Unidas dispõe: “Artigo 96. 1. A Assembleia Geral ou o Conselho de Segurança poderá solicitar parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça, sobre qualquer questão de ordem jurídica. 2.

Outros órgãos das Nações Unidas e entidades especializadas, que forem em qualquer época devidamente autorizados pela Assembleia Geral, poderão também solicitar pareceres consultivos da Corte sobre questões jurídicas surgidas dentro da esfera de suas atividades”. Carta das Nações Unidas. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d19841.htm>. Acesso em: 15 fev. 2016.

762 Conforme estabelecido no caso Mavrommatis Palestine Concessions (Greece v. The United Kingdom), julgado pela Corte Permanente de Jutiça Internacional em 1924, há a necessidade de que haja um desacordo sobre uma questão de direito ou de fato, um conflito de opiniões ou de interesses entre duas pessoas, para que as demandas possam ser analisadas pela Corte Internacional de Justiça. No caso, o Sr. Mavrommatis, cidadão grego, havia obtido algumas concessões de obras na região da Palestina em 1914. Ao final da Primeira Guerra Mundial, a Palestina passou a ser administrada pela Grã-Bretanha, por mandato concedido pela Liga das Nações. O governo britânico não reconheceu os direitos de Mavrommatis, dando origem à controvérsia. O governo grego apresentou requerimento à CPJI, pugnando pelo reconhecimento dos direitos e pela reparação dos prejuízos. A Corte assegurou a manutenção das concessões a Mavrommatis no território palestino, mas recusou o pedido de indenização, alegando que a concessão não havia sido, de fato, anulada e que não havia provas de perdas sofridas.

PELLET, Alain. La seconde mort d'Euripide Mavrommatis? notes sur le projet de la c.d.i. sur la protection diplomatique In: Droit Du Pouvoir, Pouvoir Du Droit Mélanges offerts à Jean Salmon. Bruxelles: Bruylant, 2007. Disponível em: <http://www.alainpellet.eu/Documents/PELLET%20-%202007%20-

%20Seconde%20mort%20d'Euripide%20Mavrommatis%20(M%C3%A9langes%20Salmon).pdf>. Acesso em: 6 fev. 2016.

763 O artigo 36.1 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça dispõe: “Artigo 36. 1. A competência da Côrte abrange tôdas as questões que as partes lhe submetam, bem como todos os assuntos especialmente previstos na Carta das Nações Unidas ou em tratados e convenções em vigor.” Estatuto da Corte Internacional de Justiça.

Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d19841.htm>. Acesso em: 15 fev.

2016.

764 O artigo 35.1 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça dispõe: “Artigo 35. 1. A Côrte estará aberta aos Estados que são parte no presente Estatuto.” Estatuto da Corte Internacional de Justiça. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d19841.htm>. Acesso em: jun. 2015.

765 O artigo 93.1 da Carta das Nações Unidas dispõe: “Artigo 93. 1. Todos os Membros das Nações Unidas são ipso facto partes do Estatuto da Corte Internacional de Justiça.” Carta das Nações Unidas. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d19841.htm>. Acesso em: 15 fev. 2016.

766 O artigo 35.2 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça dispõe: “Artigo 35. 2. As condições pelas quais a Côrte estará aberta a outros Estados serão determinadas, pelo Conselho de Segurança, ressalvadas as disposições especiais dos tratados vigentes; em nenhum caso, porém, tais condições colocarão as partes em posição de desigualdade perante a Côrte.” No mesmo sentido, art. 93, item 2, Carta da ONU. Estatuto da Corte Internacional de Justiça. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d19841.htm>. Acesso em:

jun. 2015.

767 O Estado poderá levar a demanda à Corte Internacional de Justiça por diversas formas, como o compromis, ou seja, o compromisso entre os Estados de submeter a demanda à CIJ. O Estado também poderá apresentar unilateralmente a demanda à Corte, devendo haver, neste caso, a concordância, expressa ou tácita em litigar, do outro Estado. Outra forma de encaminhar um caso à Corte, é por meio das cláusulas judiciais que fazem parte de um compromisso entre Estados ou de um tratado. Por fim, é possível submeter um caso à CIJ por meio da cláusula facultativa de jurisdição compulsória, chamada cláusula Cláusula Raul Fernandes, em que há o consentimento prévio do Estado à submissão da CIJ. O Brasil não aceitou a cláusula facultativa de adesão à jurisdição da Corte Internacional de Justiça. RAMOS, André de Carvalho. Processo internacional de direitos humanos. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 100-104.

768 O artigo 94.1 da Carta das Nações Unidas dispõe: “Artigo 94. 1. Cada Membro das Nações Unidas se compromete a conformar-se com a decisão da Corte Internacional de Justiça em qualquer caso em que for parte.”

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