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A PENA DE MORTE E ALGUMAS ESTATÍSTICAS

No documento Fernando Michels Barbosa - Univali (páginas 56-63)

Um estudo realizado a respeito da pena de morte, demonstra que a criminalidade não diminuiu com a imposição de tal pena, em alguns lugares a criminalidade chegou a aumentar, como bem descreveu Mittermaier111:

As execuções capitais não prevêem os crimes; a curiosidade, o despejo de ver a atitude do criminoso, o horror do espetáculo atrai o povo, ele esquece completamente que se cumpriu um ato de justiça.

Comete-se frequentemente roubos durante uma execução, ou mesmo a execução é apenas encontrada que grandes crimes afligem-se de contrariá-la, e seus autores tinha assistido a execuções: como conciliar estes fatos com a opinião ainda bem difundida sobre a intimidação que exerce uma execução capital?

Não se percebe, depois de uma execução, a Newgate, as crianças se divertem em apresentá-la? Cada um tem seu papel: um é condenado, outro o capelão, o terceiro o xerife, e o quarto o carrasco: não há mais aí um terrível ensino? Um eminente publicista, Sr. Bérenger, cita outros fatos dignos de atenção. Se as execuções tinham por efeito a diminuição da criminalidade, ver-se-á produzi-la nos países e nas épocas em que a pena é prodigalizada;

109 GOMES, Luiz Flávio. Corte Constitucional dos E.U.A. suspende a execução da pena de morte. 2007, Disponível em: <http://www.blogdolfg.com.br>. Acesso em: 21 maio 2008.

110 GOMES, Luiz Flávio. Corte Constitucional dos E.U.A. suspende a execução da pena de morte. 2007, Disponível em: <http://www.blogdolfg.com.br>. Acesso em: 21 maio 2008.

111 MITTERMAIER, Karl Josef Anton. A pena de morte. São Paulo; Liv. e Ed. Universitária de Direito;

2004; p. 161 e 162.

Como se verá adiante, a estatística demonstra que nos países onde as execuções multiplicaram-se terrivelmente em determinadas épocas, o número dos grandes crimes se elevou.

Num trabalho recentemente publicado na Bélgica contra a pena de morte se fez para as diferentes províncias deste país uma aproximação entre o número das execuções e aquele do crimes. Em duas províncias, Limburgo e Luxemburgo, somente uma execução teve lugar desde 1830; em Liegi não houve nenhuma desde 1825.

em Liegi, o número de crimes punidos com a morte diminuiu 13%.

De 1832 a 1835, conta-se ainda um acusado sobre 66,475 pessoas, e de 1850 a 1855, um sobre 102,972. Na instância da corte de apelação de Bruxelas, 25 execuções tiveram lugar desde 1832, e o número de acusados é aumentado de 22 % em 20 anos. Na Instância de Grand, o número das execuções foi de 22, e o dos crimes é aumentado de 13 9%.

Entender-se-á má as explicações e os dados estatísticos que apresentamos, se se quer nos deixar dizer que o número dos grandes crimes aumenta ou diminui com o das execuções.

Queremos provar somente que uma severa aplicação da pena não diminui geralmente o número de crimes; ela tende mais a aumentá-la. (grifo nosso)

Tem-se verificado realmente que com a aplicação da pena capital, a criminalidade não chega a diminuir, pelo contrário, em alguns casos criminosos que assistem a determinadas execuções praticadas pelo Estado, chegam a praticar o crime alguns dias após ter assistido tais execuções, como bem asseverou o eloqüente Jules Simon, Filósofo e estadista que pertenceu a academia francesa, na obra “A PENA DE MORTE: SIM OU NÃO?” de Jorge112:

Em 1864, um inglês assiste a uma execução: seis dias depois, ele mata a sua amante. No mesmo ano, Franz Muller foi enforcado e um assassinato é cometido sob o seu cadafalso. Em Estocolmo, um operário liquida um dos seus companheiros, após assistir uma execução. Em 1844, no Epinal, houve duas execuções.

Transcorridos poucos dias, ocorreu ali um envenenamento. Um capelão inglês declarou que entre 167 condenados à morte, 161 tinham visto uma execução. Mombe, assassino de uma mulher e de uma criança, foi executado em 5 de agosto de 1869 e decorridos seis dias, Troppmann inicia a série dos seus crimes.

Jorge113 na mesma obra complementa:

112 JORGE, Fernando. Pena de Morte: sim ou não?: os crimes hediondo e a pena capital. São Paulo: Mercuryo; 1993; p. 154.

113JORGE, Fernando. Pena de Morte: sim ou não?: os crimes hediondo e a pena capital; São Paulo: Mercuryo; 1993; p. 154 - 155.

Alguns Fatos parecem comprovar a eficácia, por exemplo, um advogado dos Estados Unidos, o Doutor Markus Kowank, Juiz de direito em Illinois, escreveu estas palavras no ano de 1931:

“A cidade americana de Detroit está situada em frente às duas cidades canadenses de Windsor e Sandwisch, apenas separada pelo rio Detroit. Na cidade americana foi abolida a pena de morte, enquanto no Canadá não somente subsiste, mas ainda é rigorosamente aplicada. Ora, em 1928 e 1929, foram cometidos 455 assaniatos em Detroit, ao passo que em Windsor nenhum. E o mesmo fenômeno se observa em Boston, onde se aplica a pena de morte há trinta anos: nesta cidade, a média de assassinatos, em 1920, era de 2,9 por 100.000 habitantes; em Detroit, no mesmo ano, foi de 18,6.”

Em 1851, informa Markus Kowank, os criminosos dominavam a cidade de São Francisco da Califórnia. A audácia dels chegou a tal ponto, que se apoderaram da chefatura de policia. Indignados, os homens honestos resolveram organizar grupos armados, no estilo Vigilantes, do Velho Oeste. Estes, de modo sumário, prendiam e enforcavam os delinqüentes. Logo, em poucos dias, houve baixa acentuada do índice de criminalidade.

O fato prova o valor da pena de morte? Uma reação enérgica como esta é eficaz por causa da sua rapidez, mas ela não teria essa força se fosse desenvolvida em prazo mais longo.

Depois de abolir a pena capital elucida um texto divulgado pela ONU, paises como a Suécia, a Noruega, a Áustria e a Finlândia, registraram nos seus territórios o declínio do furor homicida.

É curioso observar que nos Estados Unidos, entre os anos de 1950 e 1964, no Estado de Illinois, onde existia a pena de morte, a média anual de homicídios era de 5,3 por cem mil habitante, mas no vizinho estado de Michigan, onde ela não imperava, a referida média foi de 4,0 dentro do mesmo período.

Desta maneira percebe-se, dos relatos expostos acima, que em diversos países onde há a pena de morte, concluí-se que a inclusão desta pena, de nada altera a freqüência dos homicídios, conforme conclui Fernando Jorge114:

Uma pesquisa mais recente, efetuada em 1992 nos Estados Unidos, é bem expressiva. Tanto o estado de Missouri como o de Kansas, no meio oeste desse país, são quase iguais, em termos demográficos e econômicos. Mas o Missouri, que adota a pena capital, tem registrado índices de criminalidade muito mais elevados do que os de Kansas, que não adota essa pena.

A Revista Síntese de Direito Penal e Processual Penal, também fez alguns relatos a respeito:

Nos EUA, os defensores dos direitos humanos não aceitam os fatos que ocorrem nos paises da América Latina, que em tese estariam

114 JORGE, Fernando. Pena de Morte: sim ou não?: os crimes hediondo e a pena capital; São Paulo: Mercuryo; 1993; p. 155.

violando as garantias estabelecidas nos instrumentos internacionais.

Mas, os americanos convivem normalmente com a pena de morte e a prisão perpétua, que são previstas em lei na maioria dos Estados- membros da Federação. Os Estados americanos possuem autonomia para legislarem em matéria penal diversamente dos Estados brasileiros, que somente podem legislar sobre matérias que não sejam de competência exclusiva da União.

No ano de 1999-2000, segundo informações divulgadas na imprensa, o Estado do Texas executou mais de 100 pessoas como resposta aos crimes por ele praticados. Na maioria das prisões americanas, os presos são obrigados a trabalharem e estão sujeitos a regras severas que impedem, inclusive em determinados casos, o contato pessoal com os familiares, que é realizado pro meio de vidros e a ajuda de interfones. 115

Na obra ‘REFLEXÕES SOBRE A PENA DE MORTE”, Marques116, assim acrescenta:

Em nenhum dos paises que adotaram a pena capital no passado ou a dotam ainda no presente, atuou ela como fator de inibição da criminalidade. O exemplo clássico neste caso é o dos Estados Unidos. Lá, apesar do espectro ameaçador da câmara de gás, da cadeira elétrica e, mais recentemente, da injeção letal, os índices de criminalidade nunca diminuíram por causa do temor supostamente inspirado pela pena de morte. Tanto assim é que vem diminuindo o número de estados que ainda insistem em mantê-la e, mesmo nestes, o número de execuções é cada vez menor. É fato cada vez mais evidente para os especialistas que o criminoso não se intimida com a severidade das penas. É sabido que quem transgride a lei não pára, antes de fazê-lo, para medir lúcida e consciente, as conseqüências de seu ato e refletir sobre a sanção que terá de sofrer, imposta pela sociedade. Se fosse assim a muito a humanidade teria erradicado a criminalidade.

[...]

Não é a toa, como se vê, que ao longo da História a severidade das penas venha diminuindo – e não aumentando – sistematicamente.

Não é sem razão, também, que na Europa, onde a reflexão jurídica e filosófica, assim como a experiência histórica, são mais ricas que nos Estados Unidos, a pena de morte vem sendo abolida, progressivamente, nos últimos tempos. Há dez anos a França aposentou a sua sinistra guilhotina sem que isto tivesse qualquer efeito negativo sobre os índices de criminalidade. O mesmo se pode dizer da Grã-Bretanha e da abolição da pena de morte por enforcamento.

Não é preciso buscar lá fora exemplos sobre a ineficácia da pena de morte. O melhor exemplo está aqui mesmo no Brasil, onde, para vergonha nossa, a pena de morte existe de fato, aplicada em larga

115 ROSA, Paulo Tadeu Rodrigues; Macerou, Eliane Ferreira. Revista Síntese de Direito Penal e Processual Penal. Pena de Morte ou Prisão Perpétua – Uma Solução Justa?. Porto Alegre:

Síntese, v. 1, n. 1, abril-maio de 2002. p. 29.

116 MARQUES, João Benedito de Azevedo. Reflexões sobre a pena de morte; São Paulo; Cortez;

Ordem dos Advogados do Brasil, SP; Brasília. DF; Ordem dos Advogados do Brasil, Federal, 1993; p.

66-67.

medida e com requintes de crueldade. Esquadrões da morte,

“justiceiros” e multidões enfurecidas que praticam o linchamento em escala assustadora (na Bahia, os linchamentos já passaram de sessenta) cumprem essa sinistra tarefa á margem da lei.

[...]

Nada mais natural, porque o índice de criminalidade, aqui como em toda parte, nada tem a ver com existência ou não de qualquer tipo de pena de morte. Se no Brasil queremos diminuir a criminalidade, é preciso voltar os olhos para outra direção. Ela está ligada às vergonhosas desigualdades econômicas e sociais, que condenam milhões de brasileiros, sobretudo crianças e jovens, a optar entre a mendicância e o crime.

Está ligada a um sistema penitenciário que multiplica os criminosos em vez de recuperá-los. Está ligada à impunidade, que decorre da lentidão do aparelho judiciário e da ineficiência da policia, que por sua vez são conseqüência da falta de recursos humanos e materiais de que ressentem essas duas instituições. Em resumo, é inadmissível que se apele para a pena de morte para esconder o malogro do Estado numa de suas missões básicas – a de assegurar a justiça e garantir a segurança dos cidadãos.

A pena de morte, inaceitável sob a ótica jurídica e filosófica, e comprovadamente ineficaz como instrumento de combate ao crime, não passa de lamentável equivoco, no caso dos bem intencionados, e de mera demagogia no caso daqueles que sempre estiveram prontos a explorar, em beneficio próprio, a insatisfação popular.

Algumas estatísticas, ao longo do tempo, demonstraram a ineficácia da aplicação da pena de morte na prevenção dos crimes.

Nos Estados Unidos da América, pesquisadores demonstraram que no ano de 1983, os estados que adotavam a pena de morte, as taxas de homicídios eram maiores que nos estados abolicionistas. A Florida teve, nos anos entre 1976 a 1978, uma das mais baixas taxas de homicídios da sua história. Em 1979, com a reintrodução da pena, essas taxas aumentaram brutalmente, havendo uma elevação de 28% em 1980; em 1984, os índices ainda eram superiores aos do períodos em que não ocorreram execuções. Na estado da Geórgia deu-se o mesmo, pois no ano que se seguiu à retomada das execuções houve um aumento dos homicídios em uma base de 20 % (no mesmo ano, em nível nacional, a taxa elevou-se em apenas 5%). No ano de 1990, oito das 20 maiores cidades do pais quebraram seus recordes de criminalidade, entre elas Washington, Dallas e Nova Iorque. Nos últimos 30 anos, dezenas de pesquisadores analisaram tais estatísticas para tentar descobrir se a pena de morte reduz a criminalidade. O

que se pode findar revisando esses estudos, é que a Suprema Corte norte- americana não pode concluir que a pena capital previna o crime violento.117

No Canadá, um ano antes da abolição da pena capital, mais precisamente no ano de 1976, a taxa de assassinatos era de 3,09 para cada 100.000 habitantes, já no ano de 1983, havia caído para 2,74/100.000.118

Na Inglaterra, Deputados britânicos que em 1990 rejeitaram uma moção para o restabelecimento da pena de morte, ressaltaram que as evidências estatísticas sobre o efeito dissuasivo da pena capital no combate ao crime são extremamente contraditórias. Segundo estes Deputados, de acordo com o anuário demográfico das Nações Unidas, a Inglaterra tem uma das mais baixas taxas de assassinatos do mundo, correspondente a 0,7 para cada 100.000 habitantes. A referida taxa é alta nos Estados unidos da América (8,5/100.000) mas muito baixa no Japão (0,8/1000.000), embora estes dois paises mantenham a pena capital para homicídios. O primeiro Ministro conservador John Major, sucessor de Margareth Thatcher, pronunciou-se contra a pena de morte, já o Ministro do Interior, Keneth Baker, também manifestou-se contrário à volta da pena capital porque “a justiça não é infalível”. Ele citou o caso conhecido como “Os Quatro de Guildford”, quando três homens e uma mulher, condenados à prisão perpétua há quinze anos (e que poderiam ter sido condenados à morte, se a pena capital estivesse em vigor à época) tiveram sua sentenças canceladas em 1990, depois que seus defensores provaram no tribunal de apelação erros judiciários na condenação de seus clientes119.

Importante então observar que atualmente, a pena capital foi abolida para todos os crimes em quase todos os países da Europa e da Oceania. Na América do Norte, foi abolida no Canadá e no México e em algumas áreas dos Estados Unidos da América. Trinta e seis estados dos Estados Unidos, a Guatemala, a maior parte do Caribe, da Ásia e da África ainda retêm a pena de morte para crimes comuns. Na América do Sul, vários países como o Brasil ainda mantêm a pena de morte para alguns crimes, mas que estão completamente fora da

117 RAMALHO, Celuta Cardoso. Pena de Morte. Porto Alegre: DATADEZ.. [Dez/95]. CD-ROM.

118 RAMALHO, Celuta Cardoso. Pena de Morte. Porto Alegre: DATADEZ.. [Dez/95]]. CD-ROM.

119 RAMALHO, Celuta Cardoso. Pena de Morte. Porto Alegre: DATADEZ. [Dez/95]. CD-ROM.

realidade do cotidiano dos cidadãos, como por exemplo traição em tempos de guerra. O caso de alguns países, como é o da Rússia, é bastante peculiar, pois ainda retêm a pena de morte na legalidade, mas já não executam mais ninguém há um longo período de tempo120.

Sendo assim, observa-se que desde 1990 houve mais de 40 países que aboliram a pena capital. Na África, Costa do Marfim e Libéria; no continente americano, o Canadá, México e Paraguai; na Ásia e Pacífico, o Butão, Samoa, Turquemenistão e Filipinas; na Europa e Cáucaso do Sul, a Arménia, Bósnia-Herzegovina, Chipre, Sérvia, Montenegro e Turquia.121

Tem-se ainda que nos países mais civilizados do mundo, pena capital desapareceu ou tentede a desaparecer. A Itália a mantém somente na ligislação militar. A Alemanha a baniu de sua legislação de forma absoluta, por imperativo constitucional. Portugal eliminou esta pena há mais de de um século.

Grã-Bretanha e França aboliram-na mais recentemente122.

Extrai-se de pesquisas realisadas que os países que mantêm o uso da pena de morte (dados de 2005) são 74, os que não têm execuções ou condenações há mais de dez anos são 28, os que mantêm a pena de morte para circunstâncias excepcionais são nove e os que a aboliram para todos os crimes são 89123.

Delineado a quantidade de paises que mantêm o uso da pena de morte em seu ordenamento juridico, necessário se faz demonstrar o porquê da extinção desta pena capital.

A respeito desta extinção, Cardoso124 em sua obra “PENAS E MEDIDAS ALTERNATIVAS”, assim descreveu:

Já a partir dos séculos XVII e XVIII, a pena de morte deixou de ser infligida em razão de crimes religiosos, como acontecia

120 Pena de morte. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pena_de_morte>. acesso em: 26 março 2008.

121 Pena de morte. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pena_de_morte>. acesso em: 26 março 2008.

122 ZAFFARONI, Eugenio Raúl. Manual de direito penal brasileiro: parte geral; 5. ed. rev. e atual;

São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2004; p. 742.

123 Pena de morte. Disponível em <htt’p://pt.wikipedia.org/wiki/Pena_de_morte>. acesso em: 26 março 2008.

124 CARDOSO, Franciele Silva. Penas e medidas alternativas: análise da efetividade de sua aplicação; São Paulo: Editora Método, 2004. p. 21.

frequentemente até então, passando a ser imposta principalmente nos crimes contra a propriedade e muitas delas por crimes trivialíssimos, o que se justificava pelo período histórico ao qual se remete, que era o ferviilhar da Revolução Industrial “ numa época de padrões em rápida mudança em que os proprietários exigiam penas severas como meio de proteção”.

Apesas da influência da classe economicamente dominante, o povo comum, ao perceber o fortalecimento do seu poder político (conquistado após diversos protestos como greves e destruição de máquinas), rechaçou as sentenças de morte (até então um instrumento de garantia de ordem preestabelecida), as quais, embora impostas, não eram executadas em um considerável número de casos em função principalmente do esvaziamento do poder intimidativo da referida pena e seu descrédito perante a sociedade em ebulição da época.

Observando-se que a pena capital vem se extinguindo pelo mundo todo, uma vez que a sua inserção no ordenamento jurídico não diminui a criminalidade, é preciso que o Estado busque novas formas de prevenção da criminalidade, participando mais ativamente na vida dos cidadãos desde o seu nascimento, dando a todos uma melhor condição de vida, ao invés de estar presente na vida destes cidadãos só através do sistema penal.

No documento Fernando Michels Barbosa - Univali (páginas 56-63)

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