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HISTÓRICO DA PENA DE MORTE

No documento Fernando Michels Barbosa - Univali (páginas 51-54)

Antes de delinear a evolução da pena de morte, importante destacar que a pena de morte é o mais premeditado dos assassinatos, onde o Estado através de sua supremacia, ceifa a vida daquele que por algum motivo, cometeu um delito grave, no qual a sociedade julga por ser intolerável.

Há muito tempo vem se discutindo acerca da pena de morte, pois pergunta-se, se com a inserção desta no ordenamento jurídico brasileiro, a criminalidade instalada em todo o território viria a diminuir ou não?

Deste modo para obtermos uma melhor compreensão a respeito desta pena, será importante descrever como a pena capital se desenvolveu em alguns paises.

Na obra de Jorge100, “PENA DE MORTE: SIM OU NÃO?”, o ilustre doutrinador assim discorreu:

Na Grécia da época de Sócrates, o condenado a morte submetia-se a decapitação, ou ao estrangulamento, ou tinha de beber cicuta, ou ainda qualquer veneno. Os hebreus o apedrejavam. Em Roma, o criminoso era queimado vivo, se fosse incendiário, ou precipitado do alto da rocha Tarpéia. Podia também ser enforcado, ou decapitado, ou crucificado. Se fosse parricida, a romana o metia vivo dentro de um saco de couro, na companhia de um galo, de um cão, de uma víbora e de um macaco. Após estas providências, os executores da lei jogavam o saco no mar.

E no Egito dos faraós, estiletes pontiagudos perfuravam a barriga dos parricidas, antes de serem incinerados em moitas de espinhos.

Viu-se que a pena de morte teve sua influência sobre o direito penal na antiguidade, e que três princípios essenciais encontram-se em parte na história dos povos germânicos. Princípios estes que explica Mittermaier101 em sua obra “A PENA DE MORTE”:

1º É o principio do talião. A idéia do talião que impõe ao culpado, tanto quanto possível, um mal igual àquele que causou a outrem com seu crime, é mais ou menos aceito por um povo ainda pouco civilizado, conforme que a idéia da pena se liberte de suas crenças religiosas, sobre o dever da vingança, e o talião toma lugar numa legislação baseada sobre o direito costumeiro, outro tanto melhor que ele satisfaz os sentidos e o prejudicado de um misticismo sobre a necessidade de aplacar o sangue por sangue. É assim que nos achamos no direito romano das Doze Tábuas, como expressão de idéias do talião, Tábua VIII, a regra seguinte: Qui membrum rupit ne cume o pacit, tálio est e a palavra vindicta, para designar a pena correspondente a idéia da vingança e do talião. Sob o império de tais idéias, entende-se que a pena de morte seja admitida com a pena legitima do assassinato.

2º É a necessidade de intimidação mediante a pena para prevenir os crimes. Esta teoria sobre a pena de morte condiz para um povo ainda em demasia grosseiro para respeitar no homem um ser moral;

relacionando tudo aos sentidos, pensa-se que o medo de um mal físico pode sozinho impressionar o homem como pode com os animais e mantê-los longe do crime. É então que a lei procura meios de intimidação nas penas que causam ao homem um mal físico: por

100JORGE, Fernando. Pena de Morte: sim ou não? os crimes hediondo e a pena capital; São Paulo; Mercuryo; 1993; p. 8.

101 MITTERMAIER, Karl Josef Anton. A pena de morte; São Paulo; Liv. e Ed. Universitária de Direito;

2004; p. 26-28.

exemplo, a tortura, as mutilações, e, para os crimes mais relevantes, a pena de morte.

3º É enfim a idéia da cólera divina e a necessidade de acalmá-la com as punições. A idéia que dominou na Antiguidade foi a de uma divindade irritada. O povo, em sua grosseria, atribui-lhe as paixões humanas, e imagina que ela foi ofendida por causa dos erros, por causa de grandes crimes, e sobretudo aos que parecem diretamente dirigidos contra ela ou contra uma instituição importante para ela, e ela vinga-se sobre o povo. Ele deve então procurar acalmar a divindade com os sacrifícios, na esperança de evitar para a sociedade toda a pena merecida por um de seus membros. Um preconceito da mesma ordem reinou longamente: é que impunha ao homem culpado, o dever de apaziguar a cólera dos deuses: ele não podia participar aos sacrifícios públicos, sem impedir que ele não fosse agradável aos deuses.

Através do desenvolvimento da liberdade política, a história romana apóia a procura histórica ao escopo de demonstrar junto a todos os povos as reações de idéias sobre a pena de morte. Viu-se ainda o homem chegando com o progresso das ciências, tomando gosto e conhecendo o preço da liberdade e a respeitar no homem um ser moral, vindo ele, um ser mortal, cessar umas das piores captura de sua liberdade, qual seja, a pena de morte102.

Com a evolução da ciência e do homem, não se poderia deixar de relatar como a pena capital se desenvolveu no Brasil.

A pena capital se desenvolveu das Ordenações do Reino para o Código Criminal do Império, no entanto não fora aplicada a partir de 1865, acabando por ser abolida pelo primeiro código republicano (1890). Em 1937 na Carta Constitucional do Estado Novo, outorgou-se ao legislador ordinário a faculdade de prescrever a pena de morte para crime políticos, além dos mais graves delitos políticos-sociais, dentre eles o homicídio qualificado pelo motivo fútil e o cometido com extremos de crueldade, única forma comum contemplada. A Lei constitucional n. 1, de 16/05/1938, tornou imperativa a aplicação da pena de morte, enquanto o Decreto-Lei 431, de 18/05/1938, estipulou quando a pena de morte deveria ser aplicada. Em ato continuo a esta ideologia de segurança nacional, a pena capital foi reintroduzida na legislação Brasileira através do Ato Institucional n.

14, de 05/09/1969, e pelo Decreto-Lei 898, de 21/09/1969, mas não chegou a ser

102 MITTERMAIER, Karl Josef Anton. A pena de morte; São Paulo; Liv. e ed. Universitária de Direito;

2004; p. 28.

aplicada e a Emenda Constitucional n.11, de 18/10/1978, a qual ab-rogou os “atos”, com o que voltou à tradição liberal de repúdio a essa espécie de sanção103.

Entretanto como descrito acima, período importante na história do Brasil, ocorreu no ano de 1978 e 1983, período este o qual se revogou a pena de morte, substituindo-a por pena de reclusão.

No documento Fernando Michels Barbosa - Univali (páginas 51-54)

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