objetivos
Meta da aula
Apresentar os grandes grupos de transtornos na aprendizagem e algumas intervenções psicope- dagógicas possíveis para cada um deles, a saber:
defi ciência intelectual, difi culdade de aprendizagem e doença mental.
Esperamos que, ao fi nal desta aula, você seja capaz de:
1. identifi car as diferenças entre defi ciência intelectual, difi culdade de aprendizagem e doença mental;
2. reconhecer algumas propostas psicopedagógicas para atender as necessidades deste aluno em sala de aula.
A queixa sobre a
INTRODUÇÃO Como já vimos em aulas anteriores, “aprender envolve a simultaneidade da integridade neurobiológica e a presença de um contexto social facilitador”
(FONSECA, 2009, p. 66). Veremos, nesta aula, em que consiste “integridade neurobiológica” e um ambiente facilitador. Para este fi m, abordaremos os tipos de problemas (as etiologias) que impedem ou difi cultam que o organismo mantenha a sua funcionalidade, bem como algumas formas de avaliar e intervir junto às difi culdades ou mesmo os impedimentos a alguns tipos de aprendi- zagem trazidos pelo contexto de interação no qual a criança se desenvolve.
Cabe lembrar que, para a concepção interacionista de desenvolvimento que adotamos neste curso, desenvolvimento intelectual e desenvolvimento linguístico se confundem e podem mesmo ser considerados um só, tal como postulado por Vygotsky (1993-1994).
O ORGANISMO QUE APRENDE
Antes de tudo, é importante discriminar os três grandes grupos de problemas que podem afetar a aprendizagem:
– a defi ciência intelectual;
– a difi culdade de aprendizagem;
– a doença mental.
Abordaremos cada um separadamente para que as aproximações e as diferenças entre eles possam fi car claras.
A defi ciência intelectual
Muitos termos são utilizados para nos referirmos a pessoas que possuem funcionamento intelectual abaixo do que é considerado a média de inteligência normal. Entre eles estão: rebaixamento cognitivo; défi cit cognitivo; defi ciência mental; défi cit intelectual; inteligência limítrofe;
retardo mental.
Ressaltamos, no entanto, que, desde 2001, na Conferência Interna- cional sobre Defi ciência Intelectual, no Canadá, vem sendo recomendado o uso da expressão “defi ciência intelectual”, ofi cialmente adotada em 2010 pela American Association on Mental Retardation (AAMR) ou, em Língua Portuguesa, Associação Americana de Retardo Mental, que passou, por este motivo, a chamar-se Associação Americana de Defi ciência Intelectual e Desenvolvimento (AADID). Todas as diretrizes políticas atuais, no Brasil, têm adotado esta nomenclatura.
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São características da defi ciência intelectual:
• Organicidade.
• Permanência.
• Comprometimento da inteligência.
• Prejuízo global do desenvolvimento.
Por organicidade, entendemos que existe uma disfunção ou transtorno do organismo, algo que, mesmo que não possa ser mapeado ou visível, existe e impede o organismo de funcionar em sua plenitude.
Logo, todas as causas de defi ciência intelectual possuem algum corres- pondente no organismo.
Esta condição é permanente, ou seja, uma criança que é diag- nosticada com defi ciência intelectual aos quatro ou cinco anos de idade tenderá a ter a mesma condição aos doze ou aos vinte anos. Isto signifi ca que a interferência do ambiente – como estímulos, escola especializada, acompanhamentos clínicos especializados – não é capaz de reverter o diagnóstico.
Em outras palavras, interação com o grupo social, escolarida- de, apoios terapêuticos favorecem sobremaneira o desenvolvimento, mas este será sempre limitado, em função da organicidade (grau de comprometimento).
A defi ciência intelectual na perspectiva da AADID refere-se a limitações substanciais no funcionamento atual. Caracteriza-se por um funcionamento intelectual signifi cativamente abaixo da média, que geralmente coexiste com limitações em duas ou mais das seguintes áreas de competências adaptativas (LUCKASSON, 1992):
– comunicação;
– cuidado pessoal;
– atividades domésticas;
– competências sociais;
– utilização dos serviços da comunidade;
– autodeterminação;
– saúde e segurança;
– competências acadêmicas funcionais;
– lazer;
– trabalho.
Note-se que todas as capacidades citadas, quando preservadas, dizem respeito a uma pessoa que, na idade adulta, é capaz de gerenciar sua vida com autonomia. Isto é o que se espera de qualquer indivíduo que se desenvolve em condições adequadas. Esta defi nição de Luckasson et al. (1992) implica ainda que sejam respeitados os seguintes princípios:
1. A avaliação tem de ter em conta a diversidade cultural e linguística e as diferenças entre diferentes grupos nos aspectos da comunicação e do comportamento.
2. A determinação de limitações em competência adaptativas tem de respeitar as características do contexto comunitário de que a criança faz parte e os apoios ou oportunidades de aprendizagem que lhe foram proporcionados.
3. Muito frequentemente, pode acontecer que, a par de limitações adap- tativas específi cas, existam potencialidades em outras áreas adaptativas ou capacidades pessoais.
4. Geralmente, o funcionamento da pessoa com defi ciência intelectual melhora se lhe forem proporcionados apoios adequados durante um período de tempo continuado.
É importante apontarmos, no entanto, que a defi ciência intelectual diz respeito a um tipo de funcionamento intelectual. Não se trata apenas de uma necessidade maior de tempo para que a criança “cumpra” deter- minados conteúdos acadêmicos ou não. Se fosse apenas uma questão de tempo de aprendizagem, seria possível para todas as pessoas com defi ci- ência intelectual chegar à faculdade levando apenas mais anos para isso.
Acontece que, em casos de defi ciência intelectual, estão comprometidas, em maior ou menor grau, dependendo do caso, as estruturas cognitivas que dão sustentação para as aprendizagens.
Para citar um exemplo, aprender a falar, apesar de ser visto como algo “natural”, para o que basta estar em contato com sujeitos falantes, requer habilidades como generalização (compreensão de que inicial- mente todos os bichos são “auau”, mas com o tempo os nomes vão se diferenciar), simbolização (ideia de que uma palavra pode substituir a presença do objeto), classifi cação, compreensão do contexto de interação (signifi cado), articulação dos fonemas corretos na sequência correta, reação adequada ao uso que outras pessoas fazem das palavras, uso correto das palavras e, por fi m, defi nição de palavras. Como se pode ver,
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muitas habilidades estão em jogo quando nos referimos ao “simples”
ato de aprender a falar. O mesmo acontece com outras capacidades emi- nentemente humanas, como aprender a ler e escrever, realizar cálculos, articular fatos históricos, compreender leis da Física etc.
Todas estas aquisições requerem um organismo intacto, como foi dito antes, e determinados obstáculos para o desenvolvimento típi- co podem difi cultar ou mesmo impedir alguns tipos de aprendizagem considerados complexos em relação ao comprometimento apresentado pelo sujeito.
Na visão interacionista, deve-se considerar o grau de comprome- timento intelectual, os tipos de suportes e escolarização disponibilizados para cada caso. É importante lembrar que não há um sujeito igual ao outro, ainda que acometidos pela mesma síndrome ou defi ciência. Na Aula 14, aprofundaremos nossos estudos sobre esta defi ciência.
Se você quer saber mais sobre o assunto, visite o site http://www.eduinclusivapesq-uerj.pro.br/
O diagnóstico de defi ciência intelectual é feito por equipe multi- disciplinar. O psicólogo aplica testes padronizados e avalia se o prejuízo se dá em todas as esferas da vida da criança, quais sejam: socialização (se tem amigos da mesma idade); escolaridade (se acompanha os conteúdos da série escolar para a sua idade); cognição (se brinca adequadamente, com brinquedos e brincadeiras adequadas à sua idade); língua (se o desenvolvimento da fala está adequado ao esperado para a sua idade cronológica) e outras.
No fi lme Uma lição de amor (I am Sam, 2001), Sam Dawson (Sean Penn) é um homem com defi ciência intelectual que cria sua fi lha Lucy (Dakota Fanning) com uma grande ajuda de seus amigos. Porém, assim que faz sete anos, Lucy começa a ultrapassar intelectualmente seu pai, e esta situação chama a atenção de uma assistente social que quer Lucy internada em um orfanato. A partir de então, Sam enfrenta um caso virtual- mente impossível de ser vencido por ele, contando para isso com a ajuda da advogada Rita Harrison (Michelle Pfeiffer), que aceita o caso como um desafi o com seus colegas de profi ssão.
A difi culdade de aprendizagem
Atualmente, em nossas escolas, temos observado um aumento de casos nos quais o aluno não apresenta defi ciência e, apesar disso, não alcança os objetivos escolares. Nestes casos, podemos estar diante de uma difi culdade de aprendizagem, que apresenta as seguintes características:
• pressupõe inteligência normal ou acima da média;
• pode ou não apresentar organicidade;
• tem caráter transitório;
• afeta apenas uma das áreas do desenvolvimento.
Ao contrário do que acontece nos casos de defi ciência intelectual, os casos de difi culdades na aprendizagem pressupõem inteligência nor- mal ou acima da média. Há casos de difi culdades de aprendizagem que apresentam algum tipo de organicidade, como é o caso, por exemplo, da dislexia, considerada atualmente como uma disfunção específi ca do cérebro para o processamento de grafemas e fonemas (estudaremos sobre dislexia na Aula 12). E há casos em que não é possível encontrar
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nenhuma correspondência orgânica para a difi culdade. Isto não signifi ca que não exista uma questão orgânica; signifi ca, simplesmente, que nossos recursos diagnósticos ainda não nos permitem visualizá-la.
No caso de uma criança disléxica, por exemplo, o transtorno pode difi cultar ou mesmo impedir a apropriação do código fonológico na modalidade escrita, mas todas as suas capacidades de aprender estão intactas. Então, esta criança poderá conversar sobre assuntos adequados à sua faixa etária, ter amigos da mesma idade, interessar-se pelas mesmas coisas que outras crianças que não apresentam dislexia.
Há também situações em que a difi culdade é causada por questões emocionais ou conjunturais, como morte de um ente querido, separação de um dos pais ou de ambos, timidez extrema etc.
A transitoriedade refere-se ao fato de a difi culdade de aprendiza- gem ser receptiva à intervenção, isto é, uma vez que haja uma interferência adequada no processo de aprendizagem da criança, o problema tenderá a ser sanado. Comparativamente falando, o mesmo não acontece com os casos de rebaixamento intelectual, nos quais a intervenção não é capaz de promover a mudança da condição da pessoa afetada.
A difi culdade de aprendizagem é pontual, ou seja, afeta apenas uma das áreas da vida da criança. Todas as demais seguem o curso típico de desenvolvimento, fazendo com que esta criança se pareça “global- mente” com uma criança sem difi culdade de aprendizagem.
Para avaliarmos – de forma assistemática – a capacidade cognitiva de uma criança que, por exemplo, apresenta resultados insatisfatórios no ensino formal, é necessário nos aproximarmos e verifi carmos como se comporta nas capacidades (ou competências) adaptativas listadas antes.
Em outras palavras, é necessário sabermos do que esta criança gosta, com o que brinca, se possui amigos da mesma idade, se suas atividades de lazer são semelhantes às da maioria das crianças da sua idade, se o uso da língua está adequado etc. Se todos estes itens forem considerados positivamente, é muito provável que estejamos diante de uma criança com uma difi culdade de aprendizagem.
Figura 11.1: Crianças brincando.
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1103342
A doença mental
As doenças mentais são também chamadas “doenças do pensa- mento”. Não se trata, nesse caso, de uma questão de quantidade de inte- ligência, mas sim da qualidade do pensamento, que está comprometida.
Para compreender melhor do que estamos tratando, imagine que você está assistindo a uma aula e o professor se dirige à porta da sala por imaginar que há alguém a observá-lo. Ao verifi car que não há ninguém atrás da porta, ele volta à sua explanação e continua a aula.
Cinco minutos depois, ele volta a repetir o mesmo comportamento por- que aquele pensamento de que há alguém atrás da porta a observá-lo recorre na sua cabeça. Ele volta a olhar atrás da porta e, de novo, não há ninguém. Se este comportamento se repete outras tantas vezes, isto irá, certamente, atrapalhar o seu desempenho como professor, além, é claro, de afetar a sua imagem perante os alunos. A partir deste exem- plo, percebe-se que um transtorno psíquico (ou doença mental) é algo que afeta o comportamento social da pessoa. Se há qualquer alteração signifi cativa do pensamento sem que esta interfi ra no comportamento humano, não se pode falar de um transtorno psiquiátrico.
Michael Pohl
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As principais características da doença mental são:
• doença do pensamento;
• comprometimento do curso, conteúdo ou forma;
• concorre com inteligência normal na maior parte dos casos;
• pode apresentar comorbidades.
O comprometimento no curso do pensamento pode ser exempli- fi cado por:
1. Lentidão: muitas vezes é acompanhado de lentidão no uso da língua (fala), é característico de estados depressivos.
2. Aceleração: o uso da língua (fala) também fi ca acelerado, é caracte- rístico de estados maníacos.
3. Interrupção: bloqueio do pensamento e, portanto, da fala. A pessoa deixa a frase pela metade e/ou roubo do pensamento (quando quer pensar, algo lhe “rouba”, “puxa” o pensamento).
O comprometimento na forma do pensamento pode ser exem- plifi cado por:
1. Descarrilamento: mudança súbita de uma ideia para outra. Em casos graves ocorre a "salada de palavras" (falar muitas palavras mistura- das).
2. Publicação: o paciente acredita que os outros podem ler o seu pensa- mento ou que os seus pensamentos saem da cabeça em voz alta.
3. Leitura: o paciente acredita que pode ler o pensamento dos outros.
O comprometimento no conteúdo do pensamento pode ser exem- plifi cado por:
1. Ideias sobrevaloradas: são ideias falsas consideradas verdadeiras pelo fato de a personalidade se identifi car com a ideia, e pela situação do indivíduo. Um exemplo pode ser um homem ciumento casado com mulher atraente e que, por esta ter amigos e usar roupas decotadas, acredita estar sendo traído.
2. Ideias deliroides: são exacerbações de pensamentos. Por exemplo, um paciente deprimido pode achar que o mundo vai acabar ou um paciente com humor exaltado pode acreditar que é o presidente dos Estados Unidos.
3. Ideias delirantes: caracterizam-se pela ininfl uenciabilidade, ou seja, nada que o outro diz, por mais razoável que seja, faz sentido ou infl uencia a pessoa, e pela irredutibilidade, quando ninguém consegue demover o paciente de uma ideia absurda (DALGALARRONDO, 2000).
No fi lme Melhor é impossível (As good as it gets, 1997), um escritor antissocial entra em crise depois de aceitar cuidar do cachorrinho de um vizinho doente e gay, e sentir-se apai- xonado por uma garçonete. Pouco a pouco, ele, que tem características de transtorno obsessivo compulsivo, sente-se desafi ado a mudar seu comportamento francamente agressivo para conviver com estas pessoas.
As doenças mentais não comprometem a capacidade cognitiva da pessoa afetada. Atribui-se a Freud a frase “Não é psicótico quem quer, mas quem pode”. A exemplo disto, vê-se nos ambulatórios psiquiátricos que há sempre pacientes com as mais diversas formações acadêmicas.
A incidência de doenças mentais em crianças não é tão signifi - cativa quanto a incidência das difi culdades de aprendizagem ou a das defi ciências intelectuais.
Alguns exemplos de doença mental
Esquizofrenia – doença psiquiátrica caracterizada pela dissocia- ção (afastamento da realidade) e presença de produções fantasmáticas (LAPLANCHE; PONTALIS, 1986).
Depressão – condição de tristeza patológica com reações psicofi - siológicas, como rebaixamento do humor, inapetência, sonolência, etc.
Fobia – é considerada por Freud como uma histeria de angústia e seu principal sintoma é um medo infundado.
Transtorno obsessivo compulsivo (TOC) – caracteriza-se por ideias obsidiantes, compulsão a realizar atos indesejáveis, rituais, etc.
(LAPLANCHE; PONTALIS, 1986).
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Psicose – abrange uma gama de doenças mentais que apresentam, em comum, a construção delirante (idem, ibidem).
Perversão – conjunto de comportamentos psicossexuais que apre- sentam atipias na obtenção do prazer sexual (LAPLANCHE; PONTALIS, 1986). Os serial killers seriam exemplos de perversos.
Síndrome do pânico – condição mental psiquiátrica que faz com que o indivíduo tenha ataques de pânico esporádicos, intensos e muitas vezes recorrentes. Pode ser controlada com medicação e psicoterapia. É importante ressaltar que um ataque de pânico pode não constituir doença (se isolado) ou ser secundário a outro transtorno mental. (Fonte: http://
pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_do_pânico)
Transtorno bipolar – é uma forma de transtorno de humor caracterizado pela variação extrema do humor entre uma fase maníaca com hiperatividade e grande imaginação e uma fase de depressão com lentidão para conceber e realizar ideias, ansiedade ou tristeza. (Fonte:
http://pt.eikipedia.org/wiki/Transtorno_bipolar)
Atende ao Objetivo 1
1. Aponte duas diferenças entre uma criança com difi culdade de aprendi- zagem, uma criança com defi ciência intelectual e outra com uma doença mental.
ATIVIDADE
ABORDAGEM PSICOPEDAGÓGICA NAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
Passaremos agora a apresentar algumas intervenções possíveis de serem feitas pela escola quando for constatada alguma intercorrência no processo de aprendizagem da criança.
De acordo com Weiss e Cruz (2007), principalmente em se tra- tando de alunos com difi culdades no processo de aprendizagem, inde- pendentemente da causa, três palavras de ordem se impõem:
RESPOSTA COMENTADA A criança com difi culdade de aprendizagem tem a inteligência normal ou acima da média e geralmente apresenta difi culdade em apenas uma das áreas do desenvolvimento.
A criança com defi ciência intelectual apresenta défi cit cognitivo com limitações em duas ou mais das competências adaptativas (comuni- cação, cuidado pessoal, atividades domésticas, competências sociais, utilização dos serviços da comunidade, autodeterminação, saúde e segurança, competências acadêmicas funcionais).
Na criança com doença mental, o pensamento pode estar compro- metido em seu curso, conteúdo ou forma, com inteligência normal na maior parte dos casos.
O processo de avaliação, que deve ser contínuo, será ainda melhor se contar com a contribuição de equipe multidisciplinar de profi ssio- nais que atendem a criança fora da escola (psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo, neurologista, psiquiatra etc.), mas sabemos que esta não é a realidade da maioria dos nossos alunos da rede pública. De qualquer forma, a avaliação pedagógica deve ser processual, detalhada e incluir não somente o que ele não sabe, suas difi culdades, mas levantar dados que nos ajudem a encontrar caminhos para o seu aprender, como por exemplo:
suas preferências, seus pontos fortes, as áreas em que se sente valorizado.
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Contextualizar signifi ca ajudar a estabelecer relações entre antigos e novos conhecimentos, partir do que é conhecido para o aluno. O tra- balho por projetos, em pequenos grupos, pode ser uma boa alternativa para a construção de uma proposta de trabalho signifi cativo para o aluno com difi culdades de aprendizagem.
Para saber mais sobre a pedagogia de projetos, acesse http://vicenteofi cina.blogspot.com/2007/12/trabalhando-com- -projetos-globalizao_04.html
Diversifi car é oferecer opções, surpreender, favorecer a estimulação de diferentes áreas cerebrais, com atividades que possuem sons, imagens, movimentos, despertam sentimentos, favorecem a refl exão. Os alunos devem, sempre que possível, experimentar, vivenciar uma situação para depois sistematizar um conceito. Daí a importância do uso de recursos concretos tanto na clínica quanto na escola, como Cuisenaire, blocos lógicos, material dourado, alfabeto móvel.
Figura 11.2: Cuisenaire e material dourado.
Fonte: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fi chaTecnicaAula.html?aula=22785
Para o aluno com defi ciência intelectual, por exemplo, cuja estru- tura do pensamento lógico torna as operações abstratas difíceis – ou impossíveis, dependendo do grau de defi ciência –, este tipo de recurso é fundamental.
Outro ponto importante é que os alunos com difi culdades no pro- cesso de aprendizagem devem estar inseridos em grupos heterogêneos, onde possam aprender com os colegas, e não somente com o professor, e ensinar, também, é claro – é importante permitir que descubram uma área em que são bons, seja um esporte, uma habilidade artística ou social.
Um conceito vygotskiano nos lembra que a boa aprendizagem é aquela que se adianta ao desenvolvimento. Isto pode impelir o professor a ampliar a interação do aluno com o objeto de conhecimento a fi m de que, antes mesmo que ele possa aprender assistematicamente, a mediação efetuada pelo professor surta efeito e a aprendizagem aconteça.
Atende ao Objetivo 2
2. Imagine que há alunos com difi culdades de aprendizagem em uma turma na qual você dará uma aula sobre problemas com frações. Seu objetivo é ensiná-los a resolver problemas que envolvam compor uma quantidade a partir de utilização de frações de uso social, como meio quilo, um quilo e meio. Que fl exibilizações você faria para atender as necessidades destes alunos?
RESPOSTA COMENTADA Medir/pesar alimentos em sala de aula, levantar hipóteses, fazer comparações, registrar, desenhar no quadro as diferentes quantida- des (1/2 kg, 1 kg, 1 ½ kg), pesquisar, em encartes de supermerca- dos, fotos de produtos vendidos em embalagens de 1kg, ½ kg etc.
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