8.1 As propriedades de um instrumento de medida
8.1.2 A validade
investi
ência de incapacidade até a incapa
ente”; “sim, muito dificilmente”; “não, é imposs
decisõ construído, ele precisa ser
aplicáv
válido, ou seja, se ele mede o que deve medir
gar a função vestir, pode-se avaliar o desempenho, a elegância, a adequação.
Essas três escalas estão imbricadas umas nas outras.
A partir de um dado ponto de vista, cada rubrica pode ser explorada de uma maneira hierarquizada, constituindo uma escala ordinal, isto é, que se organiza em uma determinada ordem e que se estende desde a aus
cidade grave: vestir-se sem dificuldade, com alguma dificuldade, muito dificilmente.
Para a mesma rubrica, outra escala ordinal poderia ser: “veste-se sozinho”, “com ajuda parcial”, “com ajuda total”. Para cada uma delas, o ponto de vista se exprime em termos de dificuldade: “sim, sem dificuldade”; “sim, dificilm
ível” (16).
A etapa seguinte seria a construção do indicador propriamente dito, em que ocorre a passagem do conjunto dos conceitos ao conjunto de números (escalas ordinais, cardinais, grandezas mensuráveis), isto é, transformar a rubrica “faz sozinho” em “faz sozinho=0”, e assim, sucessivamente: “com dificuldade=1”; “não consegue fazer=2” (16).
Todas estas preocupações visam favorecer a aceitação, bem como reduzir o tempo de aplicação e o custo da investigação. Por isso as questões de uma ferramenta de avaliação devem ser claras, sem ambigüidade, adaptadas às condições de utilização e redigidas de um modo compreensível para a população a ser avaliada (16).
Uma vez construído o instrumento, ele deve ser validado. Um dos objetivos da validação é julgar até que ponto o instrumento é confiável para orientar a tomada de
es: afinal, não basta que ele seja tecnicamente bem el e confiável (16).
exemplo, a taxa de mortalidade infantil também pode servir como um indicador conveniente do desenvolvimento socioeconômico de um país (19).
ntal ter consciência desta relatividade da validade, particularmente nas ciência
apreci
ade de conteúdo, a qual se refere ao quão adequadamente as uestões selecionadas abrangem os temas que estão especificados na definição conceitual do seu escopo (332). É importante verificar: a dependência física está transferência para um terceiro dos atos necessários da vida cotidiana?
O desempenho está distinto da aptidão? As formulações propostas são fiéis aos conceitos utilizados e compreensíveis para os utilizadores (pesquisadores e pesquisados)? Apesar do seu
ferramentas de rastreio, testes diagnósticos e medidas preditivas, cujos procedimentos de Assim, uma definição mais ampla assegura que a validade descreve uma variedade de interpretações que podem ser apropriadamente colocadas em um escore de medida: o que este resultado significa? O que é possível concluir sobre a pessoa que produziu um dado escore no teste “X”? De acordo com esta nova abordagem proposta por McDowell (19), a validade é mais do que uma propriedade de medida, ela é a própria interpretação dos resultados, sendo, portanto, uma função direta do domínio ao qual pertence a medida.
É fundame
s humanas, onde a medida dos fenômenos observados apresenta dificuldades diferenciadas daquelas dos fenômenos físicos. Se a concentração de um metabólito em um líquido biológico se exprime sem ambigüidade por uma taxa, a avaliação da incapacidade não pode se reduzir a uma medida de um único dado ou se limitar à
ação de um único critério (16). Afinal, não existe critério simples que permita definir de modo unívoco esta condição, cuja conceituação resta indefinida, marcada por conotações mais ou menos normativas, ligadas às representações geradas no contexto que envolve o indivíduo idoso e o observador (16; 20).
O processo de validação inclui algumas etapas e a comprovação de determinadas propriedades do instrumento de medida (16; 19; 332).
A primeira etapa da maioria dos estudos de validação inicia-se com a demonstração da sua valid
q
concebida como a
caráter empírico, o método mais frequentemente utilizado para avaliar a validade de conteúdo de um instrumento é o recurso ao julgamento dos especialistas (16; 19).
Após a validação do conteúdo, são aplicados procedimentos estatísticos formais (19; 332). Nesta fase, é necessário distinguir os instrumentos de medida que estão baseados em conceitos objetivos e abstratos. Para os primeiros existem critérios bem definidos, que servem à comparação dos resultados obtidos. Este grupo inclui
validação estão relativamente estabelecidos. O outro tipo de instrumento de medida, baseia-se em conceitos abstratos, como a felicidade, a qualidade de vida e a incapa
ento a testar e pelo método ou critério de referência (16; 332). Há situaçõ
crevem uma mesma dimensão se organizam de modo coerente em relaçã
plas variáve
cidade, e cujo processo de validação envolve não apenas a validade de conteúdo mas também a validade de critério e de construto (19; 332).
A validade de critério considera se um escore medido em um instrumento concorda com uma medida padrão-ouro do mesmo tema. Isto é, quando o objeto avaliado por um instrumento a validar, for completa e indiscutivelmente definido por outro método de medida, a validade do instrumento será avaliada pela correlação entre os resultados obtidos, pelo instrum
es em que não existe um padrão-ouro, então o teste de validade é ainda mais desafiador (19).
Para cada construto abstrato a validação da medida envolve uma série de passos conhecida como validação de construto ou da estrutura do instrumento. Esta se inicia com a definição conceitual do tópico a ser medido, indicando a estrutura interna dos componentes e a maneira pela qual ele se relaciona com outros construtos (19). Diversos métodos de análises multivariadas definem a validade da estrutura, a partir da exploração das distâncias matemáticas entre os ítens e da variância total que eles explicam, o que permite verificar em que medida as variáveis que des
alinham sobre um mesmo eixo (combinação linear do conjunto das variáveis) (16).
Se os elementos do instrumento estudado se
o a ele mesmo, fala-se de validade de estrutura interna; se são utilizadas informações tiradas de fontes diferentes e reconhecidas como descritoras do mesmo domínio, fala-se de validade de estrutura externa (16).
Outra etapa é a que comprova a validade da estrutura interna ou validade fatorial:
avalia a coerência interna do instrumento em considerar as diferentes dimensões do objeto da medida (por exemplo: as dimensões física, psíquica, social da dependência).
Considera-se que a validade da estrutura interna é tanto melhor demonstrada quanto os itens que descrevem estas dimensões são mais bem correlacionados entre si do que com aqueles que avaliam outra dimensão. Seu interesse é revelar as relações entre múlti
is, descrever a informação sobre uma dada dimensão e eliminar as redundâncias inúteis. Isto contribui para melhorar a aceitação do teste e facilitar o tratamento dos dados (16).
A validade da estrutura externa é testada por métodos estatísticos que tentam estabelecer o sentido e a magnitude das associações entre as variáveis. No campo da
incapacidade, há associações conhecidas: entre as atividades de auto-cuidado e a mobilidade, entre as diferentes medidas de funções e a utilização de serviços; entre a condição funcional e a percepção de saúde (16).
Por fim, outro aspecto da validade é o seu poder de predição que verifica em que medid
s. As condiç
xplicar os conceitos de validade e de co
lmente, é definida como a proporção das variações observadas nos escores que reflete
a o instrumento permite fazer uma boa predição de um estado futuro, como a associação entre uma determinada incapacidade e outro desfecho em saúde (internação, óbito) (16).