é perceptível mudanças nesse mercado, cada vez há mais produtos voltados para o atendimento desse público, como cremes para o cabelo crespo, hidrante para e maquiagem para a pele negra.
Segundo Martins Filho (2012, p. 194), esse movimento do mercado “não é apenas o fato socioeconômico, mas principalmente o fato cultural, como uma consequência dessa mudança no perfil econômico”, fazendo com que “estilo negro de ser” estivesse na moda.
Dessa forma há todo um incentivo no mundo da moda e na mídia televisiva ao uso de acessórios de cunho afro, como brinco e turbantes, a serem utilizados não apenas por pessoas de pigmentação negra, como também pelas de pele clara.
Essa nova lógica cultural que está se constituindo no mercado de consumo da sociedade brasileira ainda caminhando a passos tímidos (MARTINS FILHO, 2012), de modo a ainda se configurar como uma problemática para quem pertence a esse segmento e tem o poder de compra (COUTINHO, 2010).
a esse público 20% das vagas de concurso público do Estado do Rio de Janeiro para as pessoas que se declararem afrodescendentes.
Como Chaves (2010) aponta, essas garantias despertaram muitas discussões na sociedade brasileira por se tratar de políticas de ações afirmativas pautadas em questões raciais. Dentre as entrevistadas, 13 se declararam a favor da cota e 7 contra essas políticas de ações afirmativas.
Porque acho que a tendência é sermos pessoas de famílias com menos poder aquisitivo e isso influencia na trajetória educacional que vai influenciar na trajetória profissional das pessoas.
[...] Acho que é facilitar ingresso. Enfim, fazer ter maior quantidade desse grupo em determinados lugares que antes eles não acessavam. (Entrevistada nº12).
Mesmo considerando a questão histórica de escravidão dos negros, e os possíveis reflexos na atualidade, algumas delas tenderam a ser contra essas políticas. Os argumentos se dividiram em função da importância de educação de base para todos, como forma de mudar qualquer realidade social e o fato de acreditarem que na verdade uma das principais consequências dessa política seria o grifo ao preconceito racial. Possível motivo dessa política afirmativa ainda apresentar seus entraves sociais:
Eu sou uma pessoa que sou um pouco contra a política de cota porque a política de cota, a meu ver, eu posso tá errada, mas a meu ver, ela tá resolvendo um problema que é no final. Então, pode parecer pra muita gente que: “Ah, você entrou na faculdade, porque você foi beneficiado pela política de cota. Você entrou no emprego público por conta disso”. Então, vai tá sempre associado, assim: “Poxa, você teve um benefício pra isso”. “Eu?”. Eu falo assim: “Poxa, a gente tem que consertar um problema da base. A gente tem que incentivar a educação, uma educação de qualidade, desde a base. Não pro final”. (Entrevistada nº9).
Eu acho quer pode. [...] Por exemplo, tem uma candidata que eu conheço que fez prova no meu dia, que eu identifiquei ela como negra, mas ela não concorreu como cotista. Não sei porquê. Não sei se ela não viu que tinha essa possibilidade, se ela não teve tempo de mandar o documento ou simplesmente ela acredita que ela não seja negra o suficiente para concorrer àquela vaga ou que ela considere, de repente, indigno, que ela contra, enfim, não sei. Então, eu acho que têm muitos entraves.
Mesmo tendo as políticas afirmativas ainda vão atrapalhar, assim, uma visibilidade mesmo real que você veja diferença. (Entrevistada nº7).
[...] eu não consigo ser a favor das cotas. Eu entendi todo o processo. Eu entendi que foi um jeito do governo dela compensar o erro histórico que ele cometeu. Só que o problema hoje em dia pra mim é que não existem só negros pobres, também existem brancos pobres. Infelizmente, a nossa educação ela continua sendo uma educação ruim. [...] Gente, quer dizer, eu consegui mais do que uma pessoa que estudou pra caramba, mas eu consegui por causa da minha cor. [...] E isso aumentou ainda o preconceito. [...] Mas eu acho que nesse sentido, o governo também ele aumenta mais ainda a questão do preconceito. [...] Porque, assim, se você melhora a base, se você melhora o ensino, tudo mundo consegue chegar. (Entrevistada nº3).
Esses entraves são pelo motivo de que para elas a tendência dessas políticas de ações afirmativas é aumentar ainda mais o preconceito, pois por mais que essas pessoas conseguissem alcançar vitórias não antes atingidas, na verdade isso não possibilitaria uma real inserção dela nos espaços de outras camadas sociais; isso a desqualificaria como profissional e sua aceitação social seria ainda menor.
Eu sou contra a cota. [...] Por que só pra negro? Como se fosse uma sub-raça, que isso, não é assim. Eu acho que tinha que ser repensado. Eu não concordo de jeito nenhum com cota pra negro, de jeito nenhum. Eu acho que tem que ter oportunidade. Já que deu oportunidade pra branco, tem que dar oportunidade pra negro, pro índio, independente da cor. (Entrevistada nº14).
Assim, por que que eu preciso de cota pra passar no concurso público, assim... Eu acho que desqualifica. Por que que não tenho condição de concorrer com os outros?
O que eu tenho de diferente que eu preciso de vaga especial pra entrar num concurso público? A universidade... Assim, não acho também é a cor da pele, assim, pra mim tinha que ser, por exemplo, os oriundos do ensino público. Mas, sabe? Eu acho que não tem nada que me impeça de ser tão bem classificada quanto outra pessoa qualquer num concurso público. Talvez isso reforce, assim... Acho que é um pouco uma faca de dois gumes, sabe? Talvez isso reforce um pouco, assim, essa coisa do preconceito. (Entrevistada nº10).
Nesse discurso de negativa mais uma vez a questão da meritocracia se fez presente...
Eu sou contra isso. Isso acomoda muito a raça negra a lutar pelo espaço dela (Entrevistada nº8)
... e a desvalorização do esforço daquela pessoa, sendo o preconceito racial sua principal consequência.
Eu acho que isso grifa muito mais, é o meu pensamento primeiro, que grifa muito mais a tua cor. Eu acho que eu isso grifa, isso grita: “Você é negro, você é diferente, então, você precisa... precisa haver algo que te introduza na raça, tem que ser na porrada tá. Porque a sociedade é cruel, as oportunidades estão postas muito mais pras pessoas de pele clara, então, você precisa ter algo que te defina, que você possa estar, que garanta você estar”. Isso tá dizendo que você não tem lugar. Tá dizendo, né. A tua cor não tem lugar na sociedade. (Entrevistada nº5).
Essa resistência em considerar as cotas como uma política afirmativa legítima de inserção do negro à classe média pode advir do fato que até então o concurso público era a principal estratégia identificada por estes como uma competição igualitária e democrática entre os candidatos, maneira em que poderiam comprovar a sua capacidade (GOMES, 2000) e se constituiria enquanto uma forma diferenciada de como a mobilidade social ocorria, como traz Figueiredo (2004):
Ainda que centrada mais especificamente no emprego público, estas breves referências objetivam demonstrar como as estratégias de mobilidade social empregadas pelos negros foram modificadas nas últimas décadas - sendo que no passado eram caracterizadas por uma relação de dependência com indivíduos ou famílias brancas. Ao que parece, a relação com os brancos que possibilitava a mobilidade era a mesma que permitia o ingresso, ainda que marginalmente, no mundo dos brancos. Argumento que o uso de mecanismos de mobilidade mais autônomos - que não envolvam, necessariamente, uma relação de subordinação, subserviência e, consequentemente, a sensação de ter uma dívida com alguém - influenciam a percepção sobre o significado da mobilidade social, do preconceito e da discriminação racial. (FIGUEIREDO, 2004, p. 207).
Possivelmente por isso, as entrevistadas enunciem a valorização dos moldes do concurso público antes da implantação do sistema de cotas:
Nisso, assim, o concurso eu acho que ajuda. Porque, assim, foi feito o vestibular, ninguém viu cor antes de ser aprovado. Eu acho que isso fala muito mais a favor das condições de como os negros tão mais pobres. Porque se você tem educação, você consegue. Acho que é muito mais nesse sentido. (Entrevistada nº6).
Porém, como salienta Gomes (2000, p. 7), “sabemos que um concurso público, da forma como está organizado em nossa sociedade, ainda impõe barreiras sociais. Se concordamos que raça, classe e gênero estão relacionadas, devemos ampliar a nossa análise e refletir sobre quem são os principais sujeitos sociais atingidos por essas barreiras”.
Não por acaso que “poucos negros ocupam cargos de relevância tanto em órgãos públicos quanto nos privados, restando a uma maioria empobrecida, desacreditada, discriminada e estigmatizada a base da pirâmide social e/ou à margem desta” (NADAL, 2007, p. 17).
O posicionamento contra as cotas também adveio da dificuldade de classificar a negritude. Como apontam algumas pesquisas, a classificação feita pela cor, em função do alto grau de miscigenação dos brasileiros, acaba provocando complicações nessa definição.
(CAMINO et al., 2001; BERNARDINO, 2002).
Eu não consigo dizer: isso é ruim ou isso é bom. Porque eu acho que a grande dificuldade nessa... nesse projeto, eu não sei qual o nome que é dado agora pras cotas, é você classificar. Como você classifica quem é branco e quem é negro na população brasileira? Como? Lá no Ministério, tem um rapaz que ele é residente de enfermagem, e ele fez prova pra um concurso público que tinha essas cotas. Ele é branco. E ele botou, entrou como cotista. Botou a cota e passou. E quando você passa, você tem que justificar, e aí todo mundo começou a questionar ele: “Você não tem vergonha de fazer isso?”. E, assim, ele é um cara muito instruído, ele sabe falar bem e tal, e ele nem respondeu, só puxou a foto: a avó dele, preta. Preta, preta, preta.
E é avó dele, mãe da mãe. Você responde o que? Que ele não é preto? Que ele não é negro? Ele tem né... Tem alguma coisa ali que leva ele pro lado da população negra.
Então, assim, eu acho que então o difícil é esse: classificar. Como que eu vou dizer pra uma pessoa dessa que ele não é negro? Ele não tem os traços físicos, mas ele tem o sangue da avó dele que ele adora. E aí, como faz? (Entrevistada nº4).
Importante considerar que das 7 participantes que se posicionaram contra essas políticas afirmativas, 6 apontaram que esta é sim uma forma de ter efetivamente mais oportunidade a curto prazo. As que são a favor veem essa política apenas como uma das ações dentre outras a serem tomadas para propulsionar a mobilidade social do negro, e que ao menos garante alguns acessos e garantia de visibilidade (BERNARDINO, 2002).
Sim. Acho que sim. Considero como positivas. Acho muito importante, acho um avanço. (Entrevistada nº7).
Eu acho que pode mudar sim, acho que sim. Pode abrir oportunidade pra pessoa tá num emprego legal e tudo mais. Embora eu ache que mais importante que a universidade é que o ensino de base a maior parte dos negros estão na escola pública. (Entrevistada nº20).
Não sei se pode mudar, mas eu acho que pode contribuir né. [...] eu acho que as políticas de ações afirmativas possibilitam um acesso maior. E aí eu acho que junto com outras medidas talvez tenham um impacto né nessa realidade.
Acho que pode. Vejo cotas como um grãozinho de areia dentro dessa coisa gigante que são as ações afirmativas. (Entrevistada nº1).
Porém, também é enfatizado o formato em que essa oportunidade se dá e frisam a importância de diminuir a dissonância entre as necessidades dessas mulheres e o ofertado, já que entendem não ser simples essa permanência, experienciaram essa situação.
É preciso uma política de permanência muito forte e muito séria. Entrar na universidade é uma coisa, sair é outra completamente diferente né. Porque a gente tem dois viés aí né: a universidade foi preparada para formar pensadores, não o mercado de trabalho. Mas no caso dessas mulheres que normalmente vêm de uma situação sócio-econômica mais delicada, elas têm que fazer graduação pro mercado de trabalho sim. Não adianta tapar o sol com a peneira. E acho que a universidade não vê isso. Acho importante que se estimule que essas mulheres continuem seus estudos, na pós, na especialização, no mestrado e doutorado. Acho também que elas entram mais tarde na universidade. Essas mulheres negras entram mais tarde sim né.
(Entrevistada nº1).
E nesse sentido, algumas entrevistadas, apontaram sua mudança de posicionamento ao considerar a questão histórica e a sociedade na qual vivemos, visto que “a promoção da resiliência não é uma questão pessoal, pois o processo de superação da adversidade é de responsabilidade social e política” (NADAL, 2007, p. 18).
Era contra as cotas a princípio, porque, assim, como a gente tá num país igualitário, todo mundo tem condições, “se eu consegui por que outro negro não vai conseguir?”
Mas pensando nesse outro viés dessa falta de às vezes oportunidade, estudo precário, uma forma de igualdade é a questão da cota. (Entrevistada nº15).
Podem. Já estão modificando né. Eu acredito que já estejam modificando. Tanto os concursos como o acesso ao ensino superior através das cotas. Antes eu era contra, mas depois eu fiz um resgate da minha história. Eu sempre estudei em escola particular. E aí a minha graduação, as duas pós, foram todas em universidades
públicas. Enquanto a maioria estuda em escola pública e tem que pagar a faculdade, eu fiz o outro caminho. Então, por que eu vou ser injusta com aquelas pessoas que não tiveram a mesma chance que eu? Na UFRJ não tinha cotas em 2002. Eu passei porque eu tive uma base, eu tive quem pudesse me possibilitar né, quem possibilitasse aquilo pra mim. Então, outras pessoas não têm. Então, por isso que eu sou a favor hoje em dia. “Ah, mas não acaba”. Realmente, não vai acabar com a desigualdade, mas é um passo. É o início de alguma coisa que dá pra se mudar lá na frente. Concurso também a mesma coisa, eu sou a favor das cotas. (Entrevistada nº16).
Cabe frisar que é fundamental o cuidado com o discurso de que o Brasil é um país igualitário, como cita a Entrevistada 15, quando ainda se colocava contra o sistema de cotas, pois de fato as oportunidades e o acesso não se dão em pé de igualdade, seja pela questão histórica que é forte e ainda se faz presente, seja pela questão do preconceito racial, como já dito, que fecha as portas para as possibilidades de mudança de suas realidades, exercendo total efeito mantenedor dessa situação.
Sou a favor das políticas afirmativas, dessas cotas, porque se meritocracia não é forma de lidar com isso, tem uma história né, tem esse ranço. Eu acho que tem algumas gerações que não vão se beneficiar de mudanças políticas mais estruturais que vão demorar tempo pra se instituir. Eu acho que essas políticas dão chance de que essas pessoas tenham chance. Porque as pessoas falam: “Tem que mudar a educação, tem que mudar desde a base”. Mas e aí que que a gente faz com essa geração que já é prejudicada pela história? Joga fora? Deixa passar? “Ah, você não vai conseguir não, mas seu neto vai”. Então, eu acho que é de suma importância, sou a favor. Não era. [...] Me fez mudar pensar melhor, assim, eu na verdade eu não acho que eu fui... Eu fui uma pessoa privilegiada nesse sentido. Tive acesso a uma educação que os negros na sua maioria não têm acesso. Então, quando eu fiz vestibular, eu não entendi porque que eu precisava daquilo. Eu não entendia porque que o negro, a parte aquele que estudava em escola pública, precisava daquilo.
Então, eu não era a favor por causa disso. Eu já achava que o aluno de escola pública precisava, mas o negro de escola particular não precisaria dessa política.
Mas aí pensando melhor, pensando nisso, nessa desigualdade né, não estamos todos no mesmo patamar de oportunidades em concurso público, em entrevistas.
Entrevistas então, que têm critérios mais subjetivos, né. Então, eu passei a pensar melhor sobre isso. (Entrevistada nº13).
Por estarem tão imersos e submetidos a determinados discursos, muitas vezes o próprio negro incorpora esse discurso negativo sobre sua identidade (BERNARDINO, 2002), em que se tem a ideia de que o posicionamento social desses indivíduos gira apenas em torno da meritocracia, do esforço pessoal, sendo essa mais uma expressão do preconceito sutil, caracterizada pela “crença de que os membros do exogrupo não se esforçam o suficiente ou não possuem os valores adequados” na busca de realização social (LIMA; VALA, 2004, p.
407).
Por isso a importância de se fazer uma séria reflexão no que diz respeito a essas questões. A partir desse movimento, as entrevistadas identificam consequências positivas para além do imediato, do curto prazo.
Acho que é facilitar ingresso. Enfim, fazer ter maior quantidade desse grupo em determinados lugares que antes eles não acessavam. (Entrevistada nº12).
Eu acho que elas, de certa forma, podem auxiliar naquela questão da visibilidade. A gente vai poder permitir um ingresso maior de pessoas dessa etnia e fazer com que quem tá do outro lado possa ver que esse caminho é possível, que não é algo impossível, não é algo distante e que você pode concretizar essa situação, você pode chegar lá também. (Entrevistada nº18).
Podem. [...] Então eu vejo que assegurar as cotas não é simplesmente para que tenha mais negros, mas você por baixo disso você assegura a identidade, firma a identidade do negro dentro do Brasil e em outros lugares também, que é o que é mais importante. E galgando níveis de conhecimento, nós negros podemos também intervir nas realidades que frequentamos. [...] Porque isso é o que vai trazer também a transformação social, pode ser por décadas, mas isso vai assegurar a transformação social. (Entrevistada nº11).
Ou seja, a implantação desse tipo de política pública proporcionaria a quebra do ciclo vicioso, já dito anteriormente, e possibilitaria ver o desenho de outra história, em que os negros, de forma geral, conseguissem alcançar uma visibilidade positiva, e a partir disso iniciar um novo ciclo de pensamento social (PRESTES, 2013), e, por consequência, uma nova representação social, atuando na parte de diminuição na face de estranhamento de vê-los enquanto circulantes de determinados espaços e principalmente a construção positiva em torno dessa identidade racial, “através da atribuição de valores positivos à classificação racial do negro” (BERNARDINO, 2002. p. 264).
Então eu vejo que assegurar as cotas não é simplesmente para que tenha mais negros, mas você por baixo disso você assegura a identidade, firma a identidade do negro dentro do Brasil e em outros lugares também, que é o mais importante. E galgando níveis de conhecimento, nós negros podemos também intervir nas realidades que frequentamos. Então, é importantíssimo. Eu acho que isso tem que se manter mesmo em termos de política pública, em termos de votação no Congresso, não deixar de perder de vista isso não tá. Porque isso é o que vai trazer também a transformação social, pode ser por décadas, mas isso vai assegurar a transformação social. (Entrevistada nº11).
Como aponta Santos (2011, p. 9), “política de ação afirmativa e todas as demais políticas de promoção da igualdade racial objetivam, sobretudo, mudar os termos de representação social dos negros a fim de gerar, em um futuro não muito distante condições para uma real equidade entre todos os grupos”.
De modo que essa equidade a partir da ocupação de determinados espaços sociais pelos negros, com o tempo faria diminuir essa associação cognitiva entre negros e pobres, não
apenas para a sociedade como para esse grupo étnico, proporcionando representatividade que por sua vez afetaria positivamente a autoestima do grupo. “Neste sentido, a adoção de políticas públicas racializadas permite entrever a atribuição de um valor positivo à classificação social do negro, por exemplo. A partir daí surge a oportunidade inédita - para além da militância negra stricto sensu - de um autoreconhecimento positivo, em ser negro no Brasil, isto é, cria-se a oportunidade de construir identidades negras no Brasil para além dos militantes” (BERNARDINO, 2002, p. 263).