APRENDIZAGEM
4. Hospital e escola
4.1. Abordagem
Segundo Matos e Mugiatti (2006), a pedagogia hospitalar surgiu em solo Paranaense, contradizendo Esteves (2008) que afirma que a pedagogia hospitalar surgiu no Rio de Janeiro.
Matos e Mugiatti escreveram duas obras e, a segunda publicação apresenta a mesma base com um pouco mais de informações. A obra foi publicada inicialmente com o titulo “Pedagogia Hospitalar” em 2001. Em 2006 é publicada novamente com o titulo “Pedagogia Hospitalar: a humanização integrando educação e saúde.” O livro vem com a proposta de argumentar e defender que através da Pedagogia Hospitalar é possível lutar pela vida. Na capa constam as seguintes palavras:
A Pedagogia Hospitalar assume uma posição de vanguarda na luta incessante pela vida, pela sua qualidade, pela busca de novos e específicos conhe-
cimentos multi/inter/transdisciplinares junto às equipes especificadas, cujos maiores beneficiários serão os enfermos-alvo dessa tão nobre empreitada; dentre eles, nossas crianças e a adolescentes. Compartilhe conosco desta jornada de amor à vida, à saúde e à educação cada vez mais plurais e dignas, no limiar da ciência e da essência.
(MATOS; MUGIATTI, 2006)
Estas transmitem a certeza de que é possível a implantação da Pedagogia Hospitalar nos hospitais, defendendo que a criança e o adolescente têm o direito à educação e à saúde, e ao seu espaço na sociedade como cidadão. Nesse sentido a Pedagogia Hospitalar “[...]
vem contribuir, no âmbito da Ciência do Conhecimento, para uma inovadora forma de enfrentar os problemas clínicos, com elevado nível de discernimento”. (MATOS;
MUGIATTI, 2006, p. 16)
As autoras que pesquisam e estudam sobre a Pedagogia hospitalar afirmam que a Pedagogia Hospitalar no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba-PR, envolvia dez projetos desenvolvidos entre os anos de 1989 e 2007. A obra “Pedagogia Hospitalar: a humanização integrando educação e saúde” de Matos e Mugiatti, publicada em 2006, relata esses projetos, que são apresentados a seguir.
O Projeto Mirim de Hospitalização Escolarizada teve início em 1989 em Curitiba-PR, motivado pela equipe técnica do hospital que começou este projeto a partir da necessidade de solucionar questões, como o que fazer com a criança e o adolescente que está há muito tempo internado.
O primeiro procedimento foi verificar o interesse da criança e do adolescente e da família em participar do projeto, explicando suas razões e justificativas, os objetivos e como seria realizado.
Com o auxilio do serviço social, a pedagoga entrava em contato com a escola de origem, diretamente com a professora da criança ou do adolescente. Estabelecido este contato, iniciava-se o processo de manutenção e acompanhamento dos conteúdos escolares.
O processo de escolarização ocorria por meio do contato da pedagoga hospitalar juntamente com o professor da criança ou do adolescente, com a assistente social do
hospital e os pais.
Os pais, segunda a autora, foram as “pontes” entre o hospital e a escola, ficando responsáveis pelo encaminhamento das atividades e propostas didático-pedagógicas.
Cada criança ou adolescente é um caso diferente, tendo suas limitações diversificadas, e cada dia é diferente do outro, às vezes uma atividade deu certo no dia, pode não dar no outro. Nessa condição, é necessário que o pedagogo seja flexível, atento e criativo. As atividades aconteciam dependendo do contexto e da condição da criança, de forma individualizada ou na classe hospitalar.
As autoras ressaltam que é importante lembrar “[...] é de bom senso o entendimento de que o hospital não é uma escola. Trata-se do atendimento a uma eventualidade que representa prejuízo à criança ou adolescente, em estado de doença/internação prolongada”. (MATOS; MUGIATTI, 2006, p.129).
Diferente do que nos disse a pedagoga do Boldrini, as autoras Matos e Mugiatti (2006), revelam que o pedagogo entra em contato com a escola e principalmente com a o professor da criança para obter o conteúdo escolar. Já a pedagoga do Boldrini relatou que as escolas são indiferentes ao direito da criança, porém por atender crianças do país inteiro fica difícil entrar em contato com a escola que a criança esta matriculada.
Segundo Fonseca (2008), estudar não dói, e em sua segunda obra (2008) aponta as abordagens gerais sobre o ambiente hospitalar e seus profissionais, a rotina e a dinâmica de trabalho do hospital, ou seja, da classe escola hospitalar: “Frisando o papel da escola e do professor dentro do ambiente hospitalar, fazendo referência ao programa de humanização da assistência hospitalar, ou seja, dando ênfase à aprendizagem da criança hospitalizada, uma perspectiva de vida”. Segundo Fonseca (2008, p.9).
Esse pensar sobre a criança e o adolescente enfermo é um assunto que já vem sendo realizado há alguns anos, como é o caso, dos Hospitais Menino Jesus, Hospital do Câncer A.C. Camargo e o Centro Infantil Boldrini, e tantos outros espalhados pelo Brasil.
No entanto, há locais em que a Pedagogia Hospitalar está presente há mais tempo. Segundo Esteves (2008), conforme já relatado anteriormente, a pedagogia hospitalar teve seus primeiros indícios encontrados em 1935, em Paris, quando foi inaugurada por Henri Sellier, a primeira escola para o atendimento de crianças inadaptadas.
Essa primeira proposta consistia em levar atendimento hospitalar para essas crianças dentro do ambiente escolar, ou seja, as crianças iam para escola e lá recebiam os procedimentos escolares e o atendimento a sua enfermidade.
Após esse primeiro passo, a Alemanha, a França e os Estados Unidos, iniciaram esse trabalho com as crianças enfermas, mas era especificamente para o atendimento de crianças tuberculosas, expandindo a Pedagogia Hospitalar a outros países. (ESTEVES, 2008).
Segundo Garbardo (2004, p. 65), “Por restringir as relações de convivência da criança, afastando-a de sua casa, de sua família, de seus brinquedos e amigos, e por restringi-la também das oportunidades sociais e pedagógicas oferecidas pela escola, pode alterar significativamente seu desenvolvimento e diferentes aspectos de sua vida social”.
Portantoa participação nas atividades da classe hospitalar pode levar a criança a se desvincular mesmo que momentaneamente os efeitos que a hospitalização pode provocar. Assim, isso pode evitar, ainda que parcialmente, que a escolaridade dessas crianças seja alterada, ou seja, prejudicada.
Segundo Fontes(2008), adoecer faz parte da vida. “A hospitalização distancia a criança de suas atividades cotidianas, podendo contribuir para seu maior adoecimento.
Enquanto ser humano em contínuo processo desenvolvimento, este fator pode prejudicar a criança na constituição de sua subjetividade” (FONTES, 2008, p.73)
Todavia, algumas doenças levam à hospitalização, afetando a vida das pessoas durante um determinado período de tempo.
O caso torna-se mais grave quando o paciente em questão é uma criança e quando a causa de internação vai além de ser alguma debilidade física, traz a marca da discriminação socioeconômica de nossa sociedade. E, por esta razão, acaba se tornando crônica, prejudicando uma das etapas mais importantes da vida da criança: a infância.
Esse pequeno ser, ainda em desenvolvimento, cuja subjetividade começa a ser constituída e desprovida de qualquer compreensão mais significativa da patologia de que padece, tende a incorporá-la em sua história de vida da mesma forma mágica e peculiar com a qual entende o mundo. (FONTES, 2008 P.73).
Todas estas autoras abordam a relação escola hospital em conjunto para o processo de ensino e aprendizagem para que a criança hospitalizada não sofra defasagem no aprendizado, sendo que as mesmas pesquisam a partir dos atendimentos realizados em
suas respectivas cidades. Já o
Hospital do câncer, ou seja, o Centro Infantil Boldrini que presta atendimento para todo o Brasil por ser um hospital referência, não consegue fazer esta ponte. Porém, mesmo tendo essa dificuldade, seu trabalho pedagógico é de excelente resultado para as crianças e os jovens em tratamento, pois tem grandes parcerias e uma equipe pedagógica compromissada com a educação para a vida.
5 Considerações finais
A pesquisa realizada possibilitou conhecer a proposta da Pedagogia Hospitalar e como seu trabalho vem sendo desenvolvidos nos hospitais brasileiros. Foi relatado que seu surgimento aconteceu fora do Brasil, os primeiros indícios aconteceram em 1935, em Paris, depois se expandiu para outros países europeus.
No Brasil surgiu na década de 1950, no Rio de Janeiro, no Hospital Menino Jesus. Analisando as datas, podemos considerar que não é um assunto tão novo, mas ainda há cidades e até estados brasileiros que não tem conhecimento sobre esse trabalho desenvolvido pelo Pedagogo.
A proposta desta pesquisa era fazer um levantamento da Trajetória Histórica da Pedagogia Hospitalar e o trabalho do Pedagogo no âmbito hospitalar. Conhecer, através das pesquisas, os hospitais que iniciaram esse trabalho e sua relevância, e ainda investigar, através de documentos, se os direitos das crianças e adolescentes hospitalizados estão sendo assistidos, e por quais hospitais e em quais cidades e estados.
Sabendo que ainda há muito a ser feito para que os direitos das crianças e adolescentes hospitalizados sejam atendidos, foi possível constatar que a pedagogia hospitalar é relevante, trouxe e traz benefícios para as crianças e adolescentes em tratamento por longos períodos dentro dos hospitais no Brasil e em outros países.
A pesquisa bibliográfica revelou que vários autores pesquisam e estudam sobre como é o atendimento do processo de ensino e aprendizagem dentro dos hospitais com as crianças em tratamento, além da participação da família, das escolas e da própria equipe pedagógica que atua na área hospitalar.
Este trabalho revelou dados que constatam quantas classes hospitais existe no Brasil até a presente dada.
Além da necessidade desse ramo pedagógico, ou seja, o profissional da educação voltou-se para área hospitalar para atender a necessidade e direito da criança enferma no ramo educacional para que a mesma não sofresse o fracasso escolar ao retornar para a escola após o tratamento.
Foi feita a pesquisa de campo no Centro Infantil Boldrini, na Cidade de Campinas-SP, e isso permitiu conhecer a proposta pedagógica dos profissionais que lá atuam, e, que acima de tudo, honram com o compromisso e com a vontade de estudar da criança.
Foi possível conhecer também, através da palestra pedagógica, a teoria relacionada à prática, que mesmo dentro de um hospital é possível, ensinar, pois ensinar é arte e aprender é humildade.
E, ao término desse trabalho de conclusão de curso, vem a indagação: se tudo o que foi pesquisado vem atender a proposta de humanização, ou seja, a proposta que a criança e o adolescente tem o direito à educação, mesmo estando em tratamento dentro de um hospital e que as políticas públicas e sociais tenham um olhar voltado à criança incapaz e fragilizado, que o pedagogo não esteja sozinho nessa batalha árdua de educar os que mais precisam e menos apresentam condições, e a busca para aprender e entender continua.
Agradecimento
Agradeço a Deus que é à base da minha vida, que fez tudo se tornar possível. Tudo posso naquele que me fortalece. Nos momentos mais difíceis Ele me ajudou, nas horas de angústia, me abraçou. Enxugou minhas lágrimas quando chorei. Pôs-me de pé nos momentos pensei que não suportaria mais. Deus, tu és a minha força, refúgio, fortaleça, e meu socorro.
Agradeço também ao meu querido e amado marido Jose Carlos, que me apoiou, deu-me forças. Quando pensei em desistir ele me confortou com palavras sábias. Por muitas vezes sacrificou-se para me ajudar tanto financeira quanto fisicamente. Sem o seu apoio não seria possível está realização, e aos meus dois queridos e amados filhos Thiago e Eduardo. Agradeço a minha querida professora e orientadora Marli Naomi que por várias vezes teve muita paciência comigo, sempre muito meiga e carinhosa mesmo nas horas que precisava falar sério.
Agradeço também a todos os professores que ajudaram em minha formação e principalmente a coordenadora do curso de Pedagogia, Bárbara Chacur, que também esteve comigo por esses quatros longos anos.
Agradeço ao meu querido grupo, minhas queridas e amadas amigas; Anedith Cordeiro, Ivone Brandão, Graziela Maciel, Fabiana Albuquerque, e também ao Everton Junior Vieira que, fez parte desse grupo por três anos, beijos e que Deus abençoe a todos.
Referências
ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente. BRASIL, 1990.
ESTEVES, Cláudia R. Pedagogia Hospitalar: Um breve Histórico. Artigo, São Paulo:
Volume 1, p. 1-7, fev. 2008.
FONSECA, Eneida Simões. Atendimento Escolar no Ambiente Hospitalar. São Paulo: Memnon, 2008.
FONTES, Rejane de Souza. Da Classe à Pedagogia Hospitalar: A Educação para Além da Escolarização. Rio de Janeiro: Volume 3, p. 72 – 92. Jan. 2008.
GARBARDO, Andréia Ayres. Classe Hospitalar: Aspectos da Relação Professor-
Aluno em sala de aula de um Hospital. Santa Catarina: volume 1, 08. Jun. 2004.
Disponível em <http://WWW.tede.ufsc.br/tese>. Acesso em: 26 mai. 2010 e 20 ago.
2012. LDB – Leis de
Diretrizes e Bases. BRASIL, 1996. LIBÂNEO, José
Carlos. Pedagogia e Pedagogos, Para quê? 10. ed. São Paulo: CORTEZ, 2008. p. 58- 59.
MATOS, Elizete Lúcia Moreira; MUGIATTI, Margarida Maria Teixeira de Freitas.
Pedagogia Hospitalar: A Humanização Integrando Educação e Saúde. 5. ed.
Petrópolis: VOZES, 2006.