A IMAGEM COMO PROPOSTA EDUCACIONAL PARA O ENSINO FUNDAMENTAL I
2.5 Imagem e Fotografia: fonte de conhecimento
No ensino de história, a autora vê, no trabalho do professor, uma fonte de pesquisa ou de informação sobre um determinado contexto histórico, uma gravura, uma pintura ou um texto.
Lavisse (2003) apud Bittencourt (2003, p.146) afirma que “ver cenas históricas” era o objetivo fundamental que justificava ou ainda justifica, a inclusão de imagens nos livros didáticos em maior número possível, significando que ilustrações concretizam a noção altamente abstrata de tempo histórico.
Assim, as gravuras dos livros serviam ainda para facilitar a memorização dos conteúdos, sendo que o autor teria que ter cuidados especiais em apresentar, no corpo da página, o texto escrito mesclado a cenas que reforçam as explicações escritas do autor.
Litz (1998, p.5) afirma que os alunos agregam, às suas vidas, os valores e explicações passados em sala de aula, por isso é função do professor fornecer estímulos ou significados que os farão lembrar ou silenciar quanto aos fatos, eventos históricos, imagens marcantes, processos. Algumas das informações e questões históricas, adquiridas de modo organizado ou fragmentado, são incorporadas significativamente pelo aluno.
despertaram. Uma é a intenção, o outro, o ato do registro e por fim os caminhos percorridos por esta fotografia.
As fotos, transformadas em recursos didáticos, favorecem a introdução dos alunos nos métodos de análise de “documentos históricos” e, em se tratando da fase inicial de alfabetização, contribuem para que identifique ano, nome de pessoas ou grupos sociais, além de favorecer a compreensão do antes e do depois e a interiorização do conceito de ontem e hoje, isto é, antes e depois sendo focado por duas imagens representando momentos diferentes.
Com base em fotos de dois períodos, os alunos podem identificar o espaço (nome e lugar específico da cidade, por exemplo) e as mudanças ocorridas (identificar todos os elementos possíveis que forneçam essas informações de mudanças e permanências), além das diferenças e entre as fotos no espaço mais técnico (dependendo da idade dos alunos), apontando a finalidade das fotografias.
Toda fotografia tem uma origem a partir do desejo de um indivíduo que se vê motivado a congelar em imagem um aspecto dado do real em um determinado lugar e época.
Segundo Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Artes (2005), gravuras e ilustrações têm sido utilizadas com frequência como recurso pedagógico no ensino de história.
Ao lado dos acervos iconográficos reproduzidos nos livros, surgem imagens tecnológicas dos vídeos, do cinema, da fotografia e de imagens informatizadas em CD- ROM e Sofwares.
De acordo com Bittencourt (1995), no campo didático da história, são praticamente inexistentes pesquisas, mas pode-se notar reflexões e práticas de ensino variadas a respeito da utilização de filmes.
Os PCN’s (2003) também propõem que o professor crie atividades de pesquisa, buscando elementos disponíveis na realidade do aluno que contribuam para o enriquecimento da aprendizagem artística dos mesmos.
Muitas vezes na comunidade escolar existem pessoas que trabalham como artesões, artistas de rua, enfim, que desenvolvem alguma atividade artística e o professor não deve desprezar que seu aluno traga tais objetos do seu cotidiano para a realidade escolar da qual faz parte.
.Segundo os PCNs(2001), os professores devem incentivá-los a trazer, para a aula de história, objetos históricos que retratam a realidade do aluno para serem trabalhados e socializados, pois isso pode gerar o interesse pela história regional, local em que este aluno está inserido.
Conforme o artigo de Kehwald (1978), grande parte da nossa geração conclui seus estudos sem ter contato com as obras de arte (menos ainda com a arte brasileira, de difícil circulação) porque se entendia que as imagens podiam prejudicar a preservação, a espontaneidade e a livre manifestação infantil, objetivos hoje da grande maioria dos professores.
Assim permanecemos analfabetos no que se refere ao mundo das imagens e dos objetos que fazem parte do acervo simbólico da humanidade e com os quais podemos aprender sobre nosso passado, entender e transformar o presente e fazer projeções para o futuro.
No final da década de 1980, no entanto, surgiram no Brasil, asideias que deram corpo ao entendimento de que arte não é só expressão, mas é também conhecimento, é comportamento inteligente e sensível, o que eliminou a diferença entre cognição e emoção e pavimentou o terreno para a circulação dos fundamentos de uma proposta de ensino da arte ancorada pela própria arte, em sua história, em sua apreciação e em seus prazeres.
Esta proposta foi introduzida no Brasil por Ana Mae Barbosa (1991), citada por Bittencourt (2003). Chamada inicialmente de metodologia triangular, enfatizou a necessidade da leitura de obras de artes visuais no inter-relacionamento entre três eixos:
o fazer artístico do aluno, a leitura da obra de arte e a contextualização histórica, ou
como sugerem os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino de arte (2001), entre a produção do aluno, a fruição das obras e a reflexão.
Segundo os PCN’s de históriutilização de uma fotografia como fonte de pesquisa deve levar em consideração que a imagem impressa no papel não se confunde com a realidade.
Se o pesquisador considerar que tudo o que pode ser visto na foto era costume da época, pode-se chegar a conclusões equivocadas sobre como, por exemplo, as pessoas se vestiam antigamente.
No século XIX, as pessoas apareciam nas fotos com roupas apertadas, bem passadas e arrumadas e sempre posando com ar sério.
Era um momento para ser guardado, então. Segundo o PCN de história (2001), as pessoas se comportavam e se preparavam para vivenciar este momento, que para a época era de suma importância.
A foto, por ser um recorte particular da realidade, representa apenas o congelamento de um momento, principalmente quando produzida em estúdio.
Devido à incipiente tecnologia do início do século XIX, tirar uma foto era um acontecimento. Aquele registro poderia ser o único de toda a vida de uma pessoa, então era um momento de preparação, onde nada poderia dar errado, era um momento de muita expectativa para quem ia ser fotografado.
Os PCN’s de história (2001) sugerem que o professor desta disciplina não despreze o cotidiano histórico do aluno.
É gratificante e significativo, para o professor e para os seus alunos, trabalhos que envolvam saídas da sala de aula ou mesmo da escola: visitar uma exposição em um museu, visitar uma fábrica, fazer uma pesquisa no bairro, conhecer cidades históricas, etc.
3 Metodologia
O presente estudo foi fundamentado a partir de pesquisa feita em artigos científicos, livros e documentos específicos, como os PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais, também foi feita uma observação com alunos e professores do Ensino Fundamental I.
Todo desenvolvimento desta pesquisa está embasado nos fundamentos teóricos propostos por Circe Bittencourt (2003).
O objetivo desta observação foi analisar se os professores realizavam aleatoriamente as imagens, sem a preocupação com seu contexto de produção, pois é de fundamental importância que os professores se apropriem de conhecimentos históricos para o ensino na sala de aula, no sentido de auxiliar os alunos na construção de uma visão crítica sobre fatos ocorridos na história que fazem parte do contexto imediato do seu tempo.
O objetivo geral foi o de propiciar a reflexão sobre o uso de imagens históricas na sala de aula de educação básica e o específico foi o de permitir análises e reflexões sobre algumas imagens históricas utilizadas pelos professores nas aulas de histórias.
Uma das imagens selecionadas para compor esta abordagem foi “O Grito do Ipiranga”, uma imagem que tem muita relevância no cenário e no contexto histórico do nosso povo.
Este fato marcou um momento de transição do Brasil Colônia para o Brasil Império e marcou a independência feita em 7 de setembro de 1822, sendo que é lembrado e comemorado até hoje. Esta pintura é de autoria do artista Pedro Américo, do ano de 1888.
A segunda imagem foi a “Taba do Índio”, que representa a moradia dos primeiros habitantes do Brasil, que pode ser denominada como Oca ou Maloca. De autoria e data desconhecidas, o título é: “habitação coletiva dos índios”.
Além da observação em sala de aula, foi aplicado um questionário ao professor e alunos na disciplina de história. Seus nomes foram preservados, a escola foi denominada UE, e os professores e alunos foram chamados de sujeitos.
O questionário foi composto de 6 questões fechadas para professores e alunos, focando questionar as imagens apresentadas.
As questões fechadas foram mencionadas após a apresentação para entender a representatividade desta prática tanto para o educando como para o educador.
O termo sujeito para definir professor e aluno, surgiu no momento em resolvi preservar os nomes das pessoas envolvidas nesta pesquisa. Com permissão da minha orientadora firmei meu desejo e foi mesmo o termo usado no desenvolver da pesquisa.
Assim, me apropriei deste saber e achei interessante mencioná-lo nesta pesquisa.
Também relatamos como os professores trabalham o recurso das imagens e quais fatores relevantes eles poderiam tirar desta prática para o cotidiano escolar na disciplina de história.
A escola se localiza em uma região urbana, contendo, na equipe de gestão, um diretor e um vice-diretor. Ela oferece Ensino Fundamental I e II, respectivamente, do 1º ao 5º ano e do 5º ao 9º ano. O quadro da UE constitui-se de 16 salas de aulas, sendo 6 no período da manhã, 5 no da tarde e 5 no da noite.
Os professores são polivalentes, isto é, ministram várias disciplinas sem licenciaturas para exercer a função, inclusive o de história não tem formação específica na área, somente os professores de arte e educação física tem licenciatura para desempenhar a função.
A sala de aula observada tinha 30 alunos, sendo 17 meninas e 13 meninos, dos quais 6 foram selecionados para responder o questionário de observação qualitativa para a conclusão desta pesquisa.
Depois, analisamos o que o professor ensina e o que o aluno aprende com o uso da imagem no ensino de história, se os alunos já conheciam as imagens apresentadas, qual a opinião que eles expressaram depois da análise das mesmas.
Os alunos responderam que apreciam um livro didático com ilustrações interessantes e que as imagens facilitam a aprendizagem e o interesse pelo conteúdo.