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ACESSÃO ARTIFICIAL OU INDUSTRIAL

Inicialmente, necessário se faz destacar que a acessão artificial ou industrial é uma espécie de acessão de móvel a imóvel, e se realiza por um comportamento ativo do homem, não advém de uma ação ou causa natural, sobrevém com a incorporação de coisas de donos diversos, decorrente do trabalho humano, e devido a isso é que se conceitua como acessão artificial, por alguns doutrinadores é também chamada de industrial.

138 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito Civil Brasileiro. Direito das coisas. 20.ed. ver. Atual. São Paulo: Saraiva, 2004. v.4 .p.149..

A acessão chamada de artificial ou industrial tem caráter oneroso e desde o próprio direito romano, dá-se geralmente por três formas:

semeadura, plantação e construção, o direito moderno, também utiliza-se dessas três figuras.139

DINIZ140 ensina que esta modalidade de acessão segue a regra de que tudo aquilo que se incorpora ao bem em razão de uma ação qualquer, cai sob o domínio de seu proprietário, ante a presunção juris tantum contida no Código Civil em seu artigo 1253, senão vejamos:

Art. 1.253. Toda construção ou plantação existente em um terreno presume-se feita pelo proprietário e à sua custa, até que se prove o contrário.

Todavia GOMES pontifica:

Aplica-se-lhe o principio de que o acessório segue o principal. Sendo o solo coisa principal, o que se lhe incorpora passa a pertencer ao seu dono. E, assim, toda construção, ou plantação, existente em um terreno se presume feita pelo proprietário, e à sua custa. Todavia, essa presunção não é absoluta. Admite prova em contrário. Quando se afirma, por conseguinte, que omne quod inaedificatur vel plantatur solo cedit, enuncia-se regra aplicável a situações nas quais, prevalecendo embora o principio, não se afirma que a incorporação tenha sido feita necessariamente pelo proprietário da coisa principal.

Que não o seja, ainda assim, se a coisa móvel for unida à imóvel, constituindo parte integrante essencial, adquirir-lhe-á a propriedade o dono da coisa imóvel, que é a coisa principal. Para a acessão, o que importa é a qualidade da união ou incorporação. Se permanente e inseparável, verifica-se.

Portanto, o cerne da questão se volta em identificar os casos em que as acessões não pertencem ao dono do solo a que se incorporaram, e sendo possível semear, plantar e construir, sem que o material, plantas e sementes

139 GOMES, Orlando. Direitos Reais. 20. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010. p.182.

140 DINIZ, Maria Helena. Curso De Direito Civil Brasileiro. Direito das Coisas. 20.ed. ver. Atual.

São Paulo: Saraiva, 2004.v.4. p.149..

a serem utilizados sejam de propriedade do dono do terreno, é necessário identificar essas hipóteses141.

1ª hipótese: O dono do solo constrói ou planta, em terreno próprio com sementes e materiais alheios.

Neste caso, o proprietário, realizou uma construção, ou plantação em um solo que era de sua propriedade, porém para tanto se utilizou de plantas ou materiais que não eram de sua propriedade, e conforme preceitua o Código Civil de 2002 em seu artigo 1254, ficará este obrigado a reembolsar o valor do material que utilizar, respondendo ainda por perdas e danos se agiu de má fé, vejamos o que dispõe o aludido artigo:

Art. 1.254. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno próprio com sementes, plantas ou materiais alheios, adquire a propriedade destes; mas fica obrigado a pagar-lhes o valor, além de responder por perdas e danos, se agiu de má-fé.

Assim sendo o proprietário do solo mesmo tendo agido de má- fé, é beneficiado pela acessão e adquire automaticamente a propriedade do material que foi empregado nesta incorporação entre o bem móvel, que são as sementes, plantas ou materiais, e o bem imóvel, que é no caso o terreno do proprietário, porém, tendo este agido de má-fé, deverá indenizar e ainda responder por perdas e danos.142

Neste escopo PEREIRA143, analisa:

Se é o proprietário que semeia, planta ou constrói no seu terreno com sementes, plantas ou materiais alheios, adquire a propriedade destes, pois quidquid plantatur vel inaedificatur solo cedit – o que adere ao solo a este se incorpora. Mas terá de reembolsar o valor do que utilizar, respondendo ainda por perdas e danos se tiver

141 GOMES, Orlando. Direitos Reais. 20. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010. p.182.

142 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Direito das Coisas. 2. ed. São Paulo:

Saraiva, 2008. v.5. p.293.

143 PEREIRA, Caio Mario da silva. Instituições de Direito Civil. 19.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005. v.5. p.132.

procedido de má-fé. Não se poderá dizer que o direito protege aquele que maliciosamente emprega no plantio ou construção bens alheios.

O que se tem em vista é que a planta, a semeadura ou o material, acedendo ao solo. A ele se incorpora, sendo antieconômico e inútil destruir, perdendo ou danificando o que foi usado. Daí admitir o direito a acessão, ainda em caso de má-fé do proprietário do terreno.

Mas a indenização por perdas e danos ressarcirá o prejuízo sofrido pelo dono dos bens utilizados, impedindo o locupletamento à sua custa realizado pelo proprietário do imóvel.

Conseqüentemente, vê-se que a lei impediu neste caso o enriquecimento ilícito por parte do dono do terreno que age de má fé, e caso contrario, este esteja agindo de boa-fé, pagará apenas o valor dos materiais, sementes ou plantas que empregou, e mesmo que haja prejuízos superiores ao valor dos materiais utilizados, não terá este que ressarcir ao outro interessado144.

2ª hipótese: O dono das sementes, plantas ou materiais, planta ou constrói em terreno alheio.

Esta segunda hipótese, regula-se pelo disposto no artigo 1255 do Código Civil de 2002, conforme segue:

Art. 1.255. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, plantas e construções; se procedeu de boa-fé, terá direito a indenização.

Segundo o artigo, o semeador, plantador ou construtor, que agindo de boa-fé, obrou em terreno alheio, com seus materiais, sementes ou plantas, perde para o proprietário do terreno a propriedade destas coisas, e terá direito a indenização mediante a um acordo entre as partes, ou fixada judicialmente145.

144 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito Civil Brasileiro. Direito Das Coisas. 20.ed. ver. Atual.

São Paulo: Saraiva, 2004. v.4. p.150.

145 VENOSA. Sílvio de Salvo. Direito Civil: Parte Geral. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2006. v.5. p. 189.

VENOSA146 entende que o dono dos materiais empregados nessa incorporação ainda teria direito de retenção, se detêm o imóvel, pois pontifica que se aplicam os princípios das benfeitorias, verificando-se a boa ou má-fé em cada caso concreto, fundado do principio comum de evitar o enriquecimento sem causa.

No caso de o semeador, plantador ou construtor, ter agido de má-fé, não será este indenizado, e poderá ser compelido a tudo repor no estado que antes se encontrava, retirando as plantas, demolindo as edificações, ou pode deixar que permaneçam as coisas em beneficio do proprietário.

Esta situação se funda no sentido de que não haveria razoabilidade na concessão de indenização a um malfeito, nem teria sentido amparar juridicamente esta situação.

Existe também a possibilidade de ambas as partes estarem agindo de má-fé, e se de ambas as partes houve má-fé, adquirirá o proprietário as sementes, plantas e construções, devendo ressarcir o valor das acessões, conforme preceito disposto no artigo 1256 do CÓDIGO CIVIL DE 2002, o próprio artigo ainda em seu parágrafo único, presume a má-fé no proprietário, quando o trabalho de construção, ou lavoura, se fez em sua presença e sem impugnação sua.

Neste contexto é necessária a explanação de PEREIRA147: Não podendo o proprietário malicioso auferir proveito do seu comportamento antijurídico, a lei estabelece que se ambas as partes se houverem com má-fé, o proprietário adquire as sementes, plantas e construções, uma vez que a acessão industrial é modalidade aquisitiva do domínio, mas é obrigado a indenizar o respectivo valor.

A apuração da má-fé no proprietário desloca-se para o plano da prova, nem sempre fácil. Contudo, à falta de outros elementos mais positivos, presume-se a sua má-fé quando o trabalho de construção ou lavoura se fez em sua presença e sem impugnação sua.

146 VENOSA. Sílvio de Salvo. Direito Civil: Parte Geral. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2006. v.5. p. 189.

147 PEREIRA, Caio Mario da silva. Instituições de Direito Civil. 19.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005. v.4. p.132.

No entanto, pode haver a situação em que a construção ou plantação venha a exceder consideravelmente o valor do terreno, em relação a isto a lei civil dispõe no parágrafo único de seu artigo 1255, vejamos:

Art. 1255. [...]

Parágrafo único. Se a construção ou a plantação exceder consideravelmente o valor do terreno, aquele que, de boa-fé, plantou ou edificou, adquirirá a propriedade do solo, mediante pagamento da indenização fixada judicialmente, se não houver acordo.

Deste modo, aquele que edificou ou plantou de boa-fé passará a ser o proprietário do solo, pagando a correspondente indenização fixada judicialmente, caso não haja um acordo entre as partes sobre a questão, neste escopo DINIZ148 exemplifica:

Por exemplo, se alguém de boa-fé edificar, em terreno alheio de pequena área, um edifício com dez andares, fez um alto investimento, cujo valor é bem maior do que o do terreno que não lhe pertence. Por isso, mais justo será que passe a ser proprietário do solo, mediante pagamento de um quantum indenizatório. Com isso, evitar-se-á que haja enriquecimento sem causa. Ter-se-á, segundo alguns autores, uma “desapropriação privada”, pois seria mais conveniente o pagamento dessa indenização do que desfazer parcialmente a obra, prejudicando-a e violando o principio da função social da propriedade. O dono do solo invadido deveria, durante a construção, ter feito uso da ação de nunciação de obra nova, para embargá-la.

Assim sendo, verifica-se que o que ocorre é uma inversão, o solo deixa de ser principal e passa a ser acessório e se consideram a plantação e a construção como principal, ocorrendo a acessão em sua forma invertida, descaracterizando o princípio de que o acessório segue o principal.149

3ª hipótese: Semear, plantar ou construir, em terreno alheio com sementes, plantas ou materiais alheios.

148 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito Civil Brasileiro. Direito Das Coisas. 20.ed. ver. Atual.

São Paulo: Saraiva, 2004. v.4. p.151.

149 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito Civil Brasileiro. Direito Das Coisas. 20.ed. ver. Atual.

São Paulo: Saraiva, 2004. v.4. p.151.

No caso em questão, vejamos o que prevê o Código Civil de 2002:

Art. 1.257. O disposto no artigo antecedente aplica-se ao caso de não pertencerem as sementes, plantas ou materiais a quem de boa- fé os empregou em solo alheio.

Parágrafo único. O proprietário das sementes, plantas ou materiais poderá cobrar do proprietário do solo a indenização devida, quando não puder havê-la do plantador ou construtor.

Como se constata, quando o terceiro de boa-fé fé planta ou edifica com sementes ou matérias alheio em terreno alheio, são aplicadas as disposições elencadas no artigo 1256 do CÓDIGO CIVIL DE 2002, que anteriormente já foi citado, ou seja, o proprietário de boa-fé, dos matérias aplicados nesta incorporação perde-os em proveito do proprietário do solo e este por sua vez deverá indenizar o valor.

O parágrafo único do aludido artigo 1257, ainda dispõem que caso o proprietário das sementes poderá cobrar esta indenização do proprietário do solo, caso não consiga obtê-la de quem semeou, ou plantou ou construiu150.

4ª hipótese: construir, plantar ou semear em solo próprio, invadindo solo alheio.

Além do exposto, o diploma civil de 2002, trouxe um inovação em relação ao Código de 1916, preenchendo uma lacuna que existia no anterior, pois passou a tratar da possibilidade de construir, plantar ou semear em solo próprio, e acabar por invadir solo alheio, dispondo conforme segue:

Art. 1.258. Se a construção, feita parcialmente em solo próprio, invade solo alheio em proporção não superior à vigésima parte deste, adquire o construtor de boa-fé a propriedade da parte do solo invadido, se o valor da construção exceder o dessa parte, e responde por indenização que represente, também, o valor da área perdida e a desvalorização da área remanescente.

150 GOMES, Orlando. Direitos Reais. 20. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010. p.182.

Parágrafo único. Pagando em décuplo as perdas e danos previstos neste artigo, o construtor de má-fé adquire a propriedade da parte do solo que invadiu, se em proporção à vigésima parte deste e o valor da construção exceder consideravelmente o dessa parte e não se puder demolir a porção invasora sem grave prejuízo para a construção.

No mesmo sentido PEREIRA151, ensina:

“Prevê, pois o Código que se a construção, feita parcialmente em solo próprio, invade solo alheio em proporção não superior a um vigésimo deste, o construtor de boa-fé adquire a propriedade da parte invadida, se o valor da construção exceder o dessa parte, e responde por indenização correspondente, também ao valor da área perdia e à desvalorização da área remanescente.

E ainda no mesmo escopo pontua:

“Ora , cada um tem o direito de construir em solo próprio, dês que respeite a propriedade alheia. Se alguém, construindo em solo próprio, invade o alheio, tem o proprietário deste direito de embargar a construção. Quando a parte invadida não exceder um vigésimo do solo, e o valor da construção for superior em um vigésimo, da parte invadida, o construtor de boa-fé adquire a propriedade da parte invadida, mas responde ao proprietário desta, por indenização. Esta para ser completa, há de compreender o valor efetivo da área perdida (dano emergente) e mais a desvalorização dessa área remanescente (lucro cessante). Se em razão da parte invadida, o terreno não puder ser utilizado para o fim que normalmente se destine, computar-se-á no ressarcimento esta circunstância. ”

Sem duvidas nesta hipótese, prevalece o interesse social no sentido de evitar a destruição de uma riqueza, sendo uma questão de ampla importância pratica.

Anteriormente com o antigo Código de 1916, essa questão era de difícil resolução, contudo o Código Civil de 2002 procurou auxiliar a solução de conflitos, e com certeza conseguiu também fazer surgir um importante instrumento

151 PEREIRA, Caio Mario da silva. Instituições de Direito Civil. 19.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005. v.4. p.134.

para os magistrados, que antes muitas vezes, se mostravam perplexos ao se depararem com situações de fato.152

No mesmo intuito expõe VENOSA153:

Em várias oportunidades nos deparamos com casos práticos de construções de boa ou de má-fé, com alguns ou muitos metros de construção invadindo os terrenos vizinhos. A situação é comum, mormente nos loteamentos mais antigos e irregulares, quando os marcos divisórios não estavam aviventados ou simplesmente não existem. Mais uma vez, a boa ou má-fé será um grande divisor de águas a ser aferido pelo magistrado. Por outro lado a pericia informará ao juiz sobre a proporção da referida vigésima parte e seu respectivo valor, bem como sobre a conveniência da demolição, que será sempre a última solução, principalmente quando esta afeta o todo construído. Como apontamos, também aqui essa porcentagem não será um critério flexível: dependendo da situação de fato enfrentada, nada impede, a nosso ver, que o magistrado decida na forma apontada pela lei, se a porcentagem de invasão for pouco maior ou pouco menor. O juiz deverá seguir a melhor argumentação para o caso e o que melhor se amolda à adequação social.

Certamente haverá quem defenda deva o juiz prender-se exclusivamente à letra da lei, o que não é uma concepção filosófica contemporânea em qualquer situação. A idéia central do Código e 2002 é sempre permitir uma flexibilização da lei, desde de que não se contrarie com o ordenamento.

Como se vê a doutrina salienta que, atualmente não pode mais prevalecer o principio de acordo com o qual considerava a construção como acessório do solo (superfícies solo cedit), impondo-se a regra inversa (solo cedit superfíciei).

Ademais, verifica-se que mesmo o construtor estando de má- fé, adquiri a parte do solo que invadiu se está parte corresponder a vigésima parte de todo o solo, e o valor da construção não exceder consideravelmente o valor desta parte invadida, e que também não haja a possibilidade de demolir a porção invasora sem ocasionar grave perigo para a construção, e para tanto o invasor, pagará a

152 VENOSA. Sílvio de Salvo. Direito Civil: Parte Geral. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2006. v.5. p.191.

153 VENOSA. Sílvio de Salvo. Direito Civil: Parte Geral. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2006. v.5. p. 191

quantia prevista no parágrafo único do artigo 1258 do Código Civil de 2002, ou seja em decuplo as perdas e danos previstas no aludido preceito, no caso de o invasor não preencher os requisitos presentes no aludido artigo, este não adquira a propriedade do solo invadido e ainda deverá pagas perdas e danos.154

Contudo pode ocorrer que a invasão ultrapasse a vigésima parte do solo invadido e neste caso, prevê o artigo 1259 do CÓDIGO CIVIL DE 2002, vejamos:

Art. 1.259. Se o construtor estiver de boa-fé, e a invasão do solo alheio exceder a vigésima parte deste, adquire a propriedade da parte do solo invadido, e responde por perdas e danos que abranjam o valor que a invasão acrescer à construção, mais o da área perdida e o da desvalorização da área remanescente; se de má-fé, é obrigado a demolir o que nele construiu, pagando as perdas e danos apurados, que serão devidos em dobro.

Neste ultimo dispositivo, encontra-se disposto a situação na qual a construção invasora exceda a vigésima parte do solo alheio, prevê invasão de área maior, e sem duvida o cerne da questão é a determinação da boa ou má-fé, sobretudo dada a situação que em sendo de boa-fé o invasor é tratado de forma mais benéfica, este por sua vez irá adquirir a propriedade, e terá que responder por perdas e danos que correspondam ao valor da áreas perdida e o de desvalorização do terreno do outro.155

Já no caso de o invasor estando de má fé, este será obrigado a demolir a construção, e ainda pagar perdas e danos em dobro ao dono do terreno invadido, verifica-se que neste dispositivo o legislador foi mais severo na imposição da sanção ao invasor que age maliciosamente.156

Deste modo, finalizamos com as lições de PEREIRA:

154 PEREIRA, Caio Mario da silva. Instituições de Direito Civil. 19.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005. v.7. p.134.

155 VENOSA. Sílvio de Salvo. Direito Civil: Parte Geral. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2006. v.5. p. 192

156 MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de Direito Civil: Direito Das Coisas. 38 ed. São Paulo: Saraiva, 2007. v.3. p.119.

Cogita outrossim, a lei, de invasão que exceda a um vigésimo do solo invadido, atendendo a boa ou à má-fé do invasor. Se o construtor estiver de boa-fé, adquire a propriedade do solo invadido, indenizando o proprietário do valor da área respectiva, mais o valor que a invasão acrescer à sua construção, e ainda ressarcirá ao dono da terra perdida a desvalorização do terreno remanescente. Se o invasor estiver de má-fé, será obrigado a demolir o que nele construiu, repondo o terreno no statu que ante, e ainda pagará, em dobro, ao dono da terra invadida as perdas e danos que a construção lhe causou.

De tal modo, concluído o estudo da acessão, em todas suas formas e espécies, passamos a analise de fato das diferenças existentes entre as benfeitorias e as acessões, questões de ordem pratica, que serão consideradas com base no entendimento doutrinário vigente, e a comparação ao que atualmente tem decidido nossos tribunais referentes a essa matéria.

DAS DIFERENÇAS ENTRE BENFEITORIAS E ACESSÕES

3.1 INTRODUÇÃO

Ao longo desta pesquisa, analisamos todos os aspectos referentes as benfeitorias e acessões, bem como sua conceituação, classificação, espécies, formas, e efeitos jurídicos.

Importante se faz ressaltar, como anteriormente já dito a natureza jurídica destes dois institutos, para que possamos diferenciá-los de modo a entender as reais diferenças de ordem pratica, econômica e jurídica que estas figuras jurídicas suscitam.

Para tanto, primeiramente há que se destacar que as benfeitorias e acessões são objetos do direito, são por definição bens espécies de bens, e entende-se por definição que bem, numa acepção mais ampla ser tudo aquilo que tem valor pecuniário, econômico e não econômico, por assim dizer o bem é uma espécie de coisa que pode ser apropriada pelo homem e que para este tem utilidade157.

Nosso ordenamento divide os bens em varias classes, justamente para facilitar a compreensão lógica e pratica foi que nosso legislador, classificou varias espécies de bens por não poderem se aplicar as mesmas normas a todos158, e dentre essas classes estão os bens considerados em si mesmos, que abrangem os bens moveis e imóveis no qual se encontram os imóveis por acessão.

A outra classe de bens que interessa ao nosso estudo é a dos bens reciprocamente considerados, que incluem os bens principais e acessórios, e entre os acessórios se encontram as benfeitorias.

157 VENOSA. Sílvio de Salvo. Direito Civil: Parte Geral. 10.ed. São Paulo: Atlas, 2010. v.1. p. 292

158 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. Direito Das Coisas. 20.ed. ver. Atual.

São Paulo: Saraiva, 2009. v.4. p.338.

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