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E NTENDIMENTOS J URISPRUDENCIAIS DOS E STADOS

3.2 DAS DIFERENÇAS

3.2.1 E NTENDIMENTOS J URISPRUDENCIAIS DOS E STADOS

Como visto, e analisado entre benfeitorias e acessões, pode-se dizer que cada qual tem seu regime jurídico próprio, contudo se faz imprescindível a

como da coisa acessória. aconteceram naturalmente.

Nas acessões artificiais, quem as realiza, não procede com a convicção que é o dono ou legítimo possuidor, sabe que não o é.

Valoração O acréscimo realizado ocorre de forma onerosa

Acessões naturais: há o acréscimo gratuito, acessões artificiais: ocorre de forma onerosa.

Direito de Levantar Benfeitorias voluptuárias podem ser levantadas.

Na acessão artificial é

impossível e

economicamente inviável proceder no levantamento sem a destruição da coisa acessória e a inutilização do principal

Direito de indenização Nas benfeitorias independe se existe a boa ou má fé, por parte do benfeitor, pois mesmo se de má fé será indenizado pelas benfeitorias necessárias e se de boa-fé será indenizado pelas necessárias e úteis.

Na acessão a boa-fé é elemento indispensável pra que haja a indenização.

Direito de retenção O possuidor de boa-fé tem direito a retenção pelas benfeitorias úteis e necessárias.

Em analogia às

benfeitorias, nas acessões artificiais também é possível exercitar o direito de retenção.

analise de algumas decisões acerca do posicionamento dos Tribunais, em questão pertinentes a estes institutos para avaliarmos como na pratica são decididas.

Assim, optou-se pela analise de decisões proferidas pelos Tribunais de Justiça do Estado de Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais,

Em relação ao uso do direito de retenção podendo ser usado por analogia também nos casos de acessões artificiais, analisa-se decisão proferida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina em ação de reintegração de posse, no caso de comodato existente por sete anos, em que o magistrado de 1ª instancia havia julgado parcialmente procedentes os pedidos do autor no imóvel determinando a reintegração de posse, porém ressalvando, todavia, o direito de retenção do réu quanto às acessões realizadas.

O autor interpôs recurso de apelação sustentando a ausência de provas acerca das acessões, bem como a má-fé do réu quando da edificação, alegando que o mesmo não fazia jus ao direito de retenção.193

No presente caso julgou-se improcedente o recurso do autor, mantendo a decisão do juízo “ad quem”, para reconhecer o direito de indenização por ser uma consequência lógica do deferimento do pedido de reintegração de posse do autor, evitando-se, com isso, enriquecimento sem causa, levando-se em consideração que o autor permitiu que o réu realizasse as suas atividades por aproximadamente sete anos, conforme observa-se na ementa do julgado, vejamos:194

CIVIL. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. COMODATO. PLEITO RECURSAL [...] RÉU QUE EXERCEU A POSSE MANSA, PACÍFICA E DE BOA-FÉ SOBRE O IMÓVEL SUB JUDICE POR APROXIMADAMENTE SETE ANOS. ACESSÕES REALIZADAS NO IMÓVEL QUE DEVEM SER DEVIDAMENTE INDENIZADAS.

FOTOGRAFIAS COLACIONADAS QUE CORROBORAM OS ARGUMENTOS SUSTENTADOS PELO RÉU. APURAÇÃO DO QUANTUM DEBEATUR QUE PODERÁ SER RELEGADO PARA

193 Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Terceira Câmara de Direito Civil. Apelação Cível nº.

2009.050876-1, Rel. Des. Marcus Tulio Sartorato. Julgado em 17.11.2009:

194 Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Terceira Câmara de Direito Civil. Apelação Cível nº.

2009.050876-1, Rel. Des. Marcus Tulio Sartorato. Julgado em 17.11.2009:

POSTERIOR INCIDENTE DE LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA.

SENTENÇA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO.

"O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis" (art. 1.219 do CC). Por analogia, igualmente devem ser compreendidas as acessões realizadas no bem.195 (grifo nosso)

Ainda colaciona-se teor da fundamentação feita pelo magistrado na decisão proferida, baseando-se na doutrina, colacionamos assim um trecho da decisão, conforme segue:

Nesse sentido, colhe-se da doutrina:

“É entendimento sedimentado da doutrina e dos tribunais que o direito de retenção, previsto de modo expresso para as benfeitorias úteis e necessárias na posse de boa-fé, aplica-se também às construções e plantações. O capítulo que trata das acessões é omisso quanto ao tema, de modo que a interpretação analógica é possível. Se cabe a retenção para a melhoria, com maior dose de razão cabe para a construção em que se faz a melhoria. Nesse sentido está o Enunciado n. 81 do Conselho de Estudos Judiciários do Superior Tribunal de Justiça, com o seguinte teor: 'O direito de retenção previsto no art. 1.219 do Código Civil, decorrente da realização de benfeitorias necessárias e úteis também se aplica às acessões (construções e plantações), nas mesmas circunstâncias.”

(Código Civil Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Coordenador Cezar Peluso. 2. ed. Barueri/SP: Manole, 2008, p. 1128).196

Analiticamente, entende-se que o tema está pacificado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, pois conforme denota-se das decisões a grande questão como já estudamos é identificar se quem realizou as acessões agiu de boa ou má-fé, e partindo dessa analise, o magistrado deverá verificar cada caso

195 Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Terceira Câmara de Direito Civil. Apelação Cível nº.

2009.050876-1, Rel. Des. Marcus Tulio Sartorato. Julgado em 17.11.2009:

196 Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Terceira Câmara de Direito Civil. Apelação Cível nº.

2009.050876-1, Rel. Des. Marcus Tulio Sartorato. Julgado em 17.11.2009:

concreto para poder assim atribuir ou não o direito de retenção por analogia, nos casos de benfeitorias.

Vejamos outra decisão proferida pelo Tribunal Catarinense:

AÇÕES DE DESPEJO POR INFRAÇÃO CONTRATUAL E POR FALTA DE PAGAMENTO DOS ALUGUERES [...] CONTRATO DE COMODATO RECONHECIDO. RELAÇÃO LOCATÍCIA AFASTADA [...] ACESSÕES REALIZADAS NO IMÓVEL. DIREITO À INDENIZAÇÃO.

[...] Havendo prova de que o réu construiu acessões sobre o imóvel, às suas expensas, na propriedade da autora e, ainda, não havendo demonstração da má-fé do apelado, acertada a decisão que reconhece o direito à indenização, postergando a definição do valor para a fase de liquidação de sentença.

O possuidor de boa-fé, como bem sublinhou o ilustre magistrado singular, tem direito à retenção do bem até ser ressarcido pelas benfeitorias instituídas no imóvel.197

Não difere deste entendimento o Tribunal Paranaense, senão vejamos:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE USUCAPIÃO JULGADA IMPROCEDENTE. RECONVENÇÃO. REIVINDICATÓRIA JULGADA PROCEDENTE. USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA COM PRAZO REDUZIDO. LAPSO TEMPORAL. NÃO DEMONSTRADO.

CÔMPUTO DO PRAZO DECORRIDO ENTRE O AJUIZAMENTO DA AÇÃO E A SENTENÇA. IMPOSSIBILIDADE. APELO NÃO PROVIDO. RECURSO ADESIVO. DIREITO DE INDENIZAÇÃO POR BENFEITORIAS E ACESSÕES FÍSICAS CONSTRUÍDAS NO IMÓVEL. RECONHECIDO. DIREITO DE RETENÇÃO ATÉ O EFETIVO PAGAMENTO. GARANTIDO. POSSUIDOR DE BOA-FÉ.

SENTENÇA MANTIDA. RECURSOS NÃO PROVIDOS.198

Todavia o Tribunal paranaense, assim como o Catarinense ao equipar as acessões às benfeitorias, para fins de aplicação do art. 1.219 do Código

197 Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Primeira Câmara de Direito Civil. Apelação Cível nº.

2007.050205-5, Rel. Des. Des. Carlos Adilson Silva. Julgado em 01.09.2009:

198 Tribunal de Justiça do Paraná. 17ª Câmara Cível. Apelação Cível nº. 689107-6 Rel. Des. Vicente Del Prete Misurelli. Julgado em 22.09.2009.

Civil, sendo indenizáveis, além de permitida a retenção, desde que o possuidor seja de boa-fé, caso contrário julga desfavorável ao que age com má-fé, senão vejamos:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE COM PEDIDO DE MEDIDA LIMINAR. ACESSÕES REALIZADAS NO IMÓVEL EQUIPARADAS A BENFEITORIAS ÚTEIS PARA FIM DE INDENIZAÇÃO. POSSE DE MÁ-FÉ EVIDENCIADA. AUSENTE DIREITO DE INDENIZAÇÃO E RETENÇÃO. ARTIGO 1219 DO CÓDIGO CIVIL. ADEQUAÇÃO DA SUCUMBÊNCIA.

1. Comprovada a má-fé do possuidor, este não possui o direito de ser indenizado pelas acessões realizadas no imóvel.

2. Apelação conhecida e provida.199 (grifo nosso) Extrai-se da referida decisão:

“Outrossim, é pacífico na jurisprudência que as acessões equiparam- se as benfeitorias úteis, e não às necessárias, e obedecem a regra do artigo 1.219 do Código Civil no que diz respeito à indenização e retenção das mesmas.

Contudo, em análise do caderno processual em mesa, restou evidente a má-fé do apelado ao edificar a casa em terreno que não lhe pertencia, tendo pleno conhecimento de que era de propriedade dos apelantes.

Assim, o caso em tela não se enquadra na hipótese do artigo 1.219 do Código Civil, que consagra o direito à indenização e retenção das benfeitorias necessárias e úteis ao possuidor de boa-fé, sendo aquele que ignora o vício ou obstáculo que impede a aquisição da coisa, nos termos do artigo 1.201 do referido diploma legal.”200

Ademais verifica-se que a Corte Paranaense, evidenciando que o possuidor age de boa-fé, concede a este o direito de ser indenizado pelas acessões realizadas no imóvel, porquanto ter se verificado que o próprio o Superior

199 Tribunal de Justiça do Paraná. 18ª Câmara Cível. Apelação Cível nº. 611.723-7 Rel. Des. José Carlos Dalacqua. Julgado em 14.10.2009.

200 Tribunal de Justiça do Paraná. 18ª Câmara Cível. Apelação Cível nº. 611.723-7 Rel. Des. José Carlos Dalacqua. Julgado em 14.10.2009.

Tribunal de Justiça tem firmado entendimento no sentido de que estas se equiparam às benfeitorias necessárias.201

Necessário se faz trazer o entendimento explanado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que não difere da corte Catarinense nem tampouco da Paranaense, o que faz, mormente é corroborar com o entendimento que já se encontra pacificado perante a jurisprudência.

Extrai-se decisão em ação de rescisão contratual combinada com reintegração de posse, em que o contrato tem como objeto um lote vago, vejamos:

AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL C/C REINTEGRAÇÃO DE POSSE - CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA - CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR - DIREITO À RESTITUIÇÃO DOS VALORES PAGOS - RETENÇÃO DE VALORES PELAS DESPESAS ADMINISTRATIVAS - DIREITO DE FRUIÇÃO - BENFEITORIAS - ACESSÕES - POSSUIDOR DE BOA- FÉ - DIREITO A INDENIZAÇÃO E RETENÇÃO. O Código de Defesa do Consumidor aplica-se aos casos em que a relação jurídica travada entre as partes se caracteriza como típica relação de consumo. Na hipótese de rescisão contratual, os promitentes compradores, ainda que tenham dado causa ao desfazimento do negócio por inadimplência, têm direito à restituição das importâncias pagas, a teor do disposto no art. 51, II e IV c/c art. 53, do Código de Defesa do Consumidor. A promitente vendedora faz jus à RETENÇÃO de percentual sobre as quantias pagas para o ressarcimento das despesas administrativas efetuadas com a venda do imóvel (publicidade, corretagem, etc.), bem como dos prejuízos decorrentes do desfazimento do negócio, em razão da inadimplência dos compradores. Da posse exercida surge para o promitente vendedor o direito de ser indenizado pela fruição da coisa, não obstante se tratar de lote vago. O direito de RETENÇÃO previsto no art. 1.219 do CC/2002, decorrente da realização de benfeitorias necessárias e úteis, também se aplica às ACESSÕES (construções e plantações), nas mesmas circunstâncias. O promitente comprador tem direito à RETENÇÃO do imóvel até a efetiva devolução das importâncias

201 Tribunal de Justiça do Paraná. 18ª Câmara Cível. Apelação Cível nº. 384.187-8 Rel. Des Rabello Filho. Julgado em 21.03.2007.

pagas e a devida indenização pela acessão edificada no imóvel.202

Em sede de decisão o magistrado, entendeu que as construções lançadas ao solo são acessões e não benfeitorias, e resultam em acréscimos novos feitos na coisa, que elevam o valor da propriedade, enquanto as benfeitorias são aprimoramentos feitos na coisa já existente, com o escopo, de melhorá-la, embelezá-la ou conservá-la, contudo para os efeitos de indenização e retenção, as acessões são equiparadas às benfeitorias úteis203.

Em Jornada de Direito Civil, promovida pelo Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal, de 11 a 13 de setembro de 2002, sob a orientação geral do Ministro Milton Luiz Pereira e a orientação científica do Ministro Ruy Rosado de Aguiar, ambos do Superior Tribunal de Justiça, emitiu-se, acerca da analogia entre benfeitorias e acessões, o Enunciado nº 81, de seguinte teor:

Enunciado nº 81: O direito de Retenção previsto no art. 1.219 do CC decorrente da realização de benfeitorias necessárias e úteis também se aplica às Acessões (construções e plantações), nas mesmas circunstância204.

Além disso, existe outro ponto que deve ser analisado, pois nos contratos de locação, conforme sumula do Superior Tribunal de Justiça, em sede de contratos de locação, há possibilidade de inclusão de clausula de Renuncia à indenização por benfeitorias realizadas no imóvel, bem como renuncia ao direito de retenção, vejamos o que dispõe seu enunciado:

STJ Súmula nº 335 - 25/04/2007 - DJ 07.05.2007

Contratos de Locação - Cláusula de Renúncia à Indenização - Benfeitorias e Direito de Retenção

202 Tribunal de Justiça de Minas Gerais. 12ª Câmara Cível. Apelação Cível nº. 1.0024.07.672760- 1/002 Rel. Des. Domingos Coelho. Julgado em 06.05.2009.

203 Tribunal de Justiça de Minas Gerais. 12ª Câmara Cível. Apelação Cível nº. 1.0024.07.672760- 1/002 Rel. Des. Domingos Coelho. Julgado em 06.05.2009.

204 Tribunal de Justiça de Minas Gerais. 12ª Câmara Cível. Apelação Cível nº. 1.0024.07.672760- 1/002 Rel. Des. Domingos Coelho. Julgado em 06.05.2009.

Nos contratos de locação, é válida a cláusula de renúncia à indenização das benfeitorias e ao direito de retenção.

Neste sentido o Tribunal Paranaense entende em decisão proferida conforme se colaciona a seguir :

AÇÃO DE DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO C/C COBRANÇA DE ALUGUÉIS - CONTRATO DE LOCAÇÃO COMERCIAL - CONSTRUÇÕES - INDENIZAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE - CLÁUSULA CONTRATUAL DE RENÚNCIA ÀS BENFEITORIAS - INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA ABRANGENDO ACESSÕES -RECURSO DESPROVIDO.

As benfeitorias e acessões realizadas no imóvel não estão sujeitas à indenização em face de cláusula contratual, na qual o locatário renunciou expressamente ao direito de retenção pelas mesmas.205 No caso em questão no contrato de locação havia clausula expressa de renuncia, e o apelante requereu ter reconhecido seu direito à retenção das acessões realizadas no imóvel locado da apelada, alegando que a cláusula com a qual o juiz "a quo" fundamentou a improcedência do pedido de indenização trata da renúncia das benfeitorias realizadas por ele no imóvel, sendo essas diferentes das acessões, ou seja, as construções efetuadas não são benfeitorias. 206

Alegou que o não reconhecimento de tal direito acarretaria enriquecimento ilícito do arrendante, que se beneficiaria da valorização produzida no imóvel pelas construções ali realizadas, e autorizadas pelo proprietário, ressaltando a boa fé com que agiu 207.

Entretanto o magistrado decidiu que apesar de as construções realizadas no imóvel terem sido autorizadas pelo locador e ter agido o locatário de boa-fé, não há que se falar em retenção ou indenização., pois conforme o contrato celebrado entre as partes evidencia-se a renúncia realizada pelo apelante que,

205 Tribunal de Justiça do Paraná. 12ª Câmara Cível. Apelação Cível nº. 0389833-5 Rel. Des Costa Barros. Julgado em 23.05.2007

206 Tribunal de Justiça do Paraná. 12ª Câmara Cível. Apelação Cível nº. 0389833-5 Rel. Des Costa Barros. Julgado em 23.05.2007

207 Tribunal de Justiça do Paraná. 12ª Câmara Cível. Apelação Cível nº. 0389833-5 Rel. Des Costa Barros. Julgado em 23.05.2007

apesar de a nomenclatura utilizada ser benfeitorias, a renuncia abrangeria todas as construções de tal complexo 208.

Deste modo analisando a jurisprudência de alguns estados encontram-se incontáveis julgados, de Tribunais diversos, no sentido de que não se dá tamanha relevância a essa distinção entre benfeitorias e acessões principalmente no que tange aos contratos de locação, a resultar em que, sob denominação benfeitorias, poderiam estar incluídas também acessões promovidas pelo locatário.

Assim, denota-se que as diferenças praticas entre benfeitorias e acessões são intrinsecamente tênues, e por ser difícil a distinção deve-se recorrer ao bom senso e aos costumes do lugar, para poder encontrar distinções tangíveis, até porque não poderia a lei enumerar cada uma delas.

208 Tribunal de Justiça do Paraná. 12ª Câmara Cível. Apelação Cível nº. 0389833-5 Rel. Des Costa Barros. Julgado em 23.05.2007

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente monografia teve por objeto o estudo das diferenças entre os institutos das Benfeitorias e Acessões.

Ante exposto, no decorrer deste estudou doutrinariamente sobre o instituto das benfeitorias e acessões, e levando em conta oque entende a doutrina, vislumbrou-se que as benfeitorias são efeitos resultantes da relação de posse, feitos na coisa existente para conservação, melhoramento ou embelezamento, e geralmente existe uma relação jurídica entre a coisa e o benfeitor, agindo como dono da coisa, que de forma onerosa modifica o bem principal, está modificação, dependendo do seu escopo, torna a benfeitoria útil, necessária ou voluptuária, e essa classificação da o direito de indenização e retenção das úteis e necessárias e gera o direito de levantar as voluptuárias se o possuidor estiver de boa-fé, e o direito apenas a ser indenizado caso aja de má-fé.

Diferentemente como visto e constado, a doutrina entende que a acessão é considerada uma modalidade de aquisição originária da propriedade, que se dá pela ligação de bens distintos, em decorrência de ação gratuita da natureza ou onerosamente pelo homem que pode ser estranho a coisa, sem relação jurídica com a mesma, e altera a substancia da desta de tal forma que se torna impossível e economicamente inviável separar o bem acessório do principal, e a boa-fé no caso das acessões artificiais e industriais e ele indispensável pra que haja a indenização.

Sob uma ótica pratica, visualizou-se que em relação às benfeitorias e as acessões artificiais ou industriais, freqüentemente acontecem controvérsias devido a semelhanças existentes nos institutos, pois as duas decorrem do trabalho humano, e devido a isso é que se confundem, e é neste ponto que se volta a questão problema desse trabalho, pois como os institutos tem paridades

comuns, em situações fáticas nem sempre se demonstra claro, se uma melhoria na coisa é uma benfeitoria ou acessão.

Entretando, conforme analisado Jurisprudencialmente, constatou-se que compete aos magistrados, em situações fáticas não confundir as benfeitorias com acessões, mesmo que de fato elas possam ser confundidas, justamente por existirem diferenças verdadeiramente tênues entre benfeitorias e acessões artificiais.

No momentos de classificar a melhoria em um ou noutro instituto, é que o julgador deve levar em consideração todos os aspectos, para que esta definição seja o mais completa possível, bem como deve-se recorrer ao bom senso e aos costumes do lugar, para poder encontrar distinções tangíveis, para que a sentença leve sempre em conta o principio da isonomia, e seja justa para ambas as partes evitando o beneficio de uma em detrimento de outra..

Destarte, ponto paralelo encontrado nos dois institutos é que os mesmo seguem a regra de que a ninguém é dado enriquecer sem causa, ou melhor, licitamente a custa alheia, de modo que em analogia às benfeitorias, nas acessões artificiais também é possível exercitar o direito de retenção.

Sendo assim restou confirmada a hipótese levantada no início desta pesquisa, pois conforme visto para efeito de retenção ou indenização existe apenas divergência doutrinária em relação aos institutos das benfeitorias e acessões, haja vista esta diferenciação não vir sendo admitida pela jurisprudência nos tribunais brasileiros.

Por fim, de forma pratica, analisando os casos concretos trazidos pelas jurisprudências estudadas, conclui-se que os tribunais vêm confirmando o direito à indenização para ambos os institutos e estendendo também às acessões o direito de retenção quando se tratar de possuidor de boa-fé.

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