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Análise e interpretação dos dados

fossem enviados questionários via correio para que os funcionários que não participaram da primeira remessa pudessem responder também a pesquisa. Esse envio aconteceu na segunda quinzena de março e os questionários preenchidos foram coletados na própria ONG, pela pesquisadora, na primeira quinzena de abril.

A direção da ONG também disponibilizou a relação dos doadores e dos voluntários para que fosse desenvolvida a pesquisa com esses públicos. A listagem fornecida contemplava 50 doadores entre pessoas jurídicas e físicas e 02 voluntários.

Os questionários dos doadores foram enviados via e-mail e dos voluntários foram deixados na própria ONG, uma vez que os dois doadores possuíam horários diferenciados de voluntariado na organização.

O envio do instrumento para os doadores obedeceu algumas etapas. Na primeira etapa, ligou-se para toda a relação e o público foi informado sobre a pesquisa que seria desenvolvida e seus objetivos. Após o telefone, o instrumento foi enviado anexado em um e-mail que também continha uma carta que reforçava a importância da resposta para o desenvolvimento do estudo, conforme apêndice B.

Após o envio, foram aguardados 15 dias para o retorno do questionário, o que não aconteceu. Mais uma vez fora enviado o instrumento e a carta via e-mail e não houve nenhum retorno. Ligou-se mais uma vez para todos os doadores e foi enviado, pela terceira vez, o e-mail com o anexo e a carta. Na terceira tentativa houve 03 respostas, sendo 01 questionário preenchido e 02 respostas negativas, salientando que não iriam participar da pesquisa por falta de conhecimento da ONG.

Na quarta tentativa, 02 doadores enviaram o questionário preenchido. E, na última tentativa, de número cinco, mais 03 doadores responderam. O que finalizou 06 respondentes do grupo doadores após 05 tentativas durante 03 meses da aplicação do instrumento.

A relação dos dirigentes foi fornecida também pela ONG e os questionários foram enviados por e-mail, após ligação inicial da ONG e da pesquisadora, informando sobre a pesquisa que seria desenvolvida. Foram necessários 03 tentativas para se obter retorno.

Por se tratar de uma pesquisa quantitativa, os resultados quantitativos foram analisados com o uso de estatística de análise multivariada de clusters.

Já as respostas semi-abertas do questionário foram interpretadas e comentadas dentro de um contexto global, considerando as demais informações disponíveis.

3.3.1 Tratamento e análise dos dados

Os respondentes foram divididos em 02 públicos, interno e externo. O público interno foi constituído pelos funcionários e dirigentes. O público externo foi composto pelos beneficiados, voluntários e doadores.

Para realizar a análise estatística, primeiramente, foi estruturada uma base de dados com a utilização de planilha eletrônica. Na etapa seguinte, os dados estatísticos foram devidamente tratados e tabulados mediante a utilização do programa Statistica, da Statsoft, através da análise multivariada de clusters, que permitiu a geração de Tabelas e gráficos para uma melhor visualização dos resultados, através de percentuais e interpretação dos dados.

A análise multivariada de clusters é uma série de procedimentos estatísticos usados para classificar objetos e pessoas através da observação das semelhanças entre elas, sem a definição prévia de critérios de inclusão em qualquer agrupamento.

“Os métodos de análise de clusters são procedimentos de estatística multivariada que tentam organizar um conjunto de indivíduos, para os quais é conhecida informação detalhada, em grupos relativamente homogêneos (clusters).” (REIS, 1997, p. 287).

Neste tipo de análise é fundamental ter cuidado na seleção das variáveis iniciais que vão caracterizar cada indivíduo ou caso e que possam determinar, em última instância, qual grupo em que deve ser inscrito. Nesta análise não há qualquer tipo de dependência entre as variáveis, isto é, os grupos são configurados por si mesmos sem a necessidade de definição de uma relação casual entre as variáveis utilizadas. A idéia é que os grupos apresentem coerência e que se diferenciem significativamente uns dos outros. (REIS, 1997).

Para a autora, os métodos são, sobretudo, exploratórios e a idéia é a geração de hipóteses, mais do que o teste de hipóteses, pelo qual é necessária a validação posterior dos resultados encontrados, através da aplicação de outros métodos estatísticos. Contudo, o que se pretende é que os grupos sejam coerentes e que se distingam de maneira significativa uns dos outros. (REIS, 1997).

A mesma analogia é feita por Johnson e Wirchern (apud RODRIGUES, 2002) cujos autores descrevem a análise de clusters, correspondendo a uma importante técnica exploratória que busca identificar uma estrutura de agrupamentos visando avaliar a dimensionalidade dos dados e fornecer hipóteses acerca de associações, usada, sobretudo, para agrupar indicadores.

Reis (1997, p. 290-291) descreve cinco etapas genéricas para a análise de clusters:

1. A seleção de indivíduos ou de uma amostra de indivíduos a serem agrupados;

2. A definição de um conjunto de variáveis a partir das quais será obtida a informação necessária ao agrupamento dos indivíduos;

3. A definição de uma medida de semelhança ou distância entre cada dois indivíduos;

4. A escolha de um critério de agregação ou desagregação dos indivíduos, isto é, a definição de um algoritmo de partição/classificação;

5. Por último a validação dos resultados encontrados.

Neste estudo, estas etapas se configuraram da seguinte maneira:

1. A seleção dos indivíduos a serem agrupados obedeceu ao critério inicial da divisão em dois públicos chamados de interno e externo. Como já mencionado, o público interno foi composto pelos funcionários e dirigentes e o público externo pelos voluntários, beneficiados e doadores.

2. A definição do conjunto de variáveis foi embasada na literatura estudada e contemplou 06 indicadores de análise agrupados em: (a) grupos e redes; (b) confiança e solidariedade; (c) ação coletiva e cooperação; (d) informação e comunicação; (e) coesão social e inclusão e, (f) acréscimo de força e política de ação.

3. A medida de semelhança ou distância entre cada dois indivíduos foi expressa através de valores numéricos para cada questionamento do grupo das variáveis, através da distância euclidiana.

4. O critério de agregação escolhido foi o critério de Ward. Este critério, segundo (REIS, 1997, p. 321), “é baseado na perda de informação resultante do agrupamento dos indivíduos e medida através da soma dos quadrados dos desvios das observações individuais relativamente às médias dos grupos em que são classificadas”. Pode ser resumidamente explicado nos seguintes passos:

Primeiro são calculadas as médias das variáveis para cada grupo; em seguida, é calculado o quadrado da distância Euclideana entre essas médias e os valores das variáveis para cada individuo; somam-se as distancias para todos os indivíduos; por último, pretende-se otimizar a variância mínima dentro dos grupos.

A função objetiva que se pretende minimizar é também chamada soma dos quadrados dos erros (ESS) ou soma dos quadrados dentro dos grupos (WSS). (REIS, 1997, p. 321-322).

5. A validação dos resultados encontrados deverá ser feita através de uma análise confirmatória, diferente da proposta deste estudo que é exploratória. Portanto, essa etapa será apresentada como sugestão de projeto futuro de pesquisa sobre o tema.

Desta forma, buscou-se seguir os preceitos e o rigor científico necessário em documentos técnico-científicos, visando colaborar na evolução das produções de cunho acadêmico relacionadas ao estudo do Capital Social e Terceiro Setor, frente ao interesse em torno destes temas. Portanto, apresentam-se no próximo capítulo os resultados encontrados durante o desenvolvimento da pesquisa.

4 RESULTADOS DA PESQUISA

Neste capítulo são apresentados e analisados os resultados do estudo de caso, através da descrição dos procedimentos realizados para análise e interpretação dos dados coletados, seguido de discussão e comentário destes, através dos gráficos gerados pelo programa Statistica. A pesquisa buscou descrever como esses indicadores são percebidos pelos públicos da organização estudada.

Desta forma, o primeiro item deste capítulo apresenta uma caracterização do universo pesquisado, seguido por uma descrição dos dados coletados referentes aos indicadores de capital social e, posteriormente, as análises comparativas dos dados coletados.

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