Artigo encaminhado à publicação
Programas de segurança e saúde do trabalhador:
uma análise das 3 principais Normas Regulamentadoras Safety and worker health`s programs:
an analysis of the three most important regulating
Larissa Maas1; Luciane Peter Grillo1; Juliana Vieira de Araújo Sandri1 Resumo
INTRODUÇÃO: O texto descreve a avaliação de fragilidades e lacunas das principais normas regulamentadoras em vigor referente à saúde do trabalhador, aos riscos ambientais e à análise ergonômica do trabalho.
MÉTODO: Realizou-se uma revisão documental das Normas Regulamentadoras n⁰7 - Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional, n⁰9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais e n⁰17 - Ergonomia, baseando-se nos conceitos da Política Nacional de Segurança e Saúde do Trabalho (PNSST) como critérios adotados.
RESULTADOS: As principais fragilidades encontradas foram: promoção da saúde precária; definição não explícita do responsável pela elaboração do documento; empresas que oferecem riscos estão desobrigadas ao cumprimento de itens das normas, das análises estáticas e com pequena ou nenhuma participação do trabalhador para elaboração dos documentos;
definições subjetivas e falta de definições, gerando dificuldades na interpretação do texto. As normas regulamentadoras analisadas apresentaram lacunas, como a falta de integração entre elas, de indicação do responsável pela análise ergonômica, de reconhecimento de alguns riscos existentes no ambiente de trabalho e de indicação de obrigatoriedade das empresas em elaborar a análise ergonômica. Elaborou-se um checklist para identificação da aplicação de todos os itens das normas, incluindo-se os itens frágeis e as lacunas encontradas.
CONCLUSÃO: Este estudo pode contribuir para a construção de novas normas para a área de saúde do trabalhador e o ajuste das normas já existentes.
1 Mestrado Profissional em Saúde e Gestão do Trabalho. Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, Itajaí, SC Brasil.
Contato: Larissa Maas
E-mail: [email protected]
As autoras declaram que este artigo não apresenta conflito de interesses.
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Palavras-chave: Saúde do trabalhador. Riscos Ambientais. Engenharia humana.
Introdução
A saúde do trabalhador é uma área multidisciplinar, visto que envolve profissionais da engenharia, da medicina, da psicologia, da fisioterapia, do direito, entre outras. Esta área estuda as interações entre o ambiente de trabalho e a saúde do indivíduo exposto aos riscos que podem estar presentes no local.
No Brasil, os trabalhadores têm assegurados seus direitos por meio da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), legislação que especifica as regras da relação de contrato entre empresa e empregado. A partir da CLT, em 1978, surgiram as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho, que detalham as condições que os ambientes de trabalho devem apresentar para garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores.
As Normas Regulamentadoras (NR) são de cumprimento obrigatório por parte das empresas privadas, podendo gerar falta grave passível de multa o não cumprimento do disposto na legislação. Atualmente, existem 36 NR em vigor, cada uma com um tema distinto e que determinado segmento de empresa deve seguir.
As empresas devem implantar dois principais programas: Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional e Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, estabelecidos pelas NR 7 e 9, respectivamente (BRASIL, 1978).
Outra norma de igual importância é a NR 17, que discute o tema Ergonomia e cita a elaboração do documento Análise Ergonômica do Trabalho, que avalia a adaptação do ambiente de trabalho ao indivíduo. A elaboração desse documento não é obrigatória, mas é indicada quando o risco ergonômico for identificado no ambiente de trabalho. Para Michel (2008), a ergonomia contribui para organizar o ambiente de trabalho e torná-lo saudável e produtivo, promovendo bem-estar ao indivíduo e melhorando o rendimento do trabalhador.
As normas regulamentadoras encontram sua principal função na garantia do trabalho digno sem causar danos à saúde do trabalhador e que o trabalho não gere sofrimentos ao indivíduo. Para Souto (2011), o homem tem direito ao trabalho digno e que este trabalho seja motivo de realização e de garantia da subsistência do indivíduo.
O presente estudo fez uma análise das normas regulamentadoras 7 (PCMSO), 9 (PPRA) e 17 (Ergonomia), identificando as fragilidades e as lacunas que a legislação apresenta, gerando programas de saúde do trabalhador ineficientes. A análise é necessária para auxiliar na construção de novas normas e legislações que interessam o trabalhador.
Método
Realizou-se uma revisão documental das normas regulamentadoras n⁰ 7 - Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional, n⁰ 9 – Programa de
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Prevenção de Riscos Ambientais e n⁰ 17 - Ergonomia. A pesquisa dividiu-se em quatro etapas: análise documental; e identificação das fragilidades, apontamento das lacunas e da proposta de um checklist para verificação do cumprimento das normas regulamentadoras citadas.
A análise documental foi realizada utilizando-se como critérios para a indicação de fragilidades e lacunas os conceitos da Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (PNSST) observando-se os objetivos de promoção da saúde do trabalhador e prevenção de acidentes e danos à saúde relacionados ao trabalho (BRASIL, 2011).
As fragilidades foram identificadas quando um item da Norma Regulamentadora não deixa evidente em seu texto o que pretende com tal item. O texto está sujeito a interpretações equivocadas, quando não explicita as ações que devem gerar. Segundo Morais (2012), somente uma interpretação pode ser permitida pela legislação.
As lacunas foram apontadas quando a norma não cita itens importantes ou quando informações foram omitidas do texto, permitindo assim que ocorram falhas no momento de implantar as ações do cuidado do trabalhador.
Um checklist foi elaborado com os itens da norma, incluindo as fragilidades encontradas e preenchendo as lacunas observadas, podendo ser aplicado pelo profissional da área de segurança do trabalho para identificar se os documentos estão conforme as exigências da legislação. A ferramenta apresenta três alternativas de resposta: ‘atende’, ‘não atende’ e ‘não se aplica’.
Resultados e Discussão
a) Análise das normas regulamentadoras 7 (PCMSO), 9 (PPRA) e 17 (Ergonomia)
Nesta fase da pesquisa, examinaram-se os principais aspectos dos textos das normas regulamentadoras citadas, para identificar fragilidades e lacunas que os textos possam apresentar.
As Normas Regulamentadoras (NR) do Ministério do Trabalho e Emprego descrevem e identificam as condições do ambiente de trabalho para assegurar a manutenção da saúde do trabalhador. Apesar de ser de observância obrigatória, para os casos que a empresa não se enquadre nas exigências do disposto nas normas, as NR podem ser importante referência para o desenvolvimento das atividades em segurança do trabalho. Há empresas que devem cumprir a legislação, mas não apresentam em seu quadro de funcionários profissionais especializados em segurança ou saúde do trabalho, podendo até, em alguns casos, gerar interpretações equivocadas da legislação devido à ausência de transparência no texto.
Para Saliba (2011), as Normas Regulamentadoras ainda apresentam aspectos pouco discutidos que podem levar a interpretações errôneas da legislação pelos profissionais da área de segurança do trabalho.
A legislação deve apresentar texto claro e conciso para não gerar diversas interpretações, que podem acarretar a falta de cumprimento dos itens por ela preconizados. O texto não pode permitir interpretações muito distintas,
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a ponto de ações completamente diferentes estarem ligadas ao mesmo aspecto da legislação. Alguns termos utilizados no texto da legislação deixam margem para várias interpretações, como cita Morais (2012), que quando a norma menciona que a empresa pode realizar tal atividade para atingir o objetivo, não necessariamente se refere ao que a empresa deve obrigatoriamente realizar.
As discussões no campo saúde do trabalhador vêm crescendo nos últimos anos, mas ainda apresentam aberturas e espaços para ampliar os argumentos para a construção de políticas públicas no sentido das garantias dos direitos do trabalhador. Bezerra & Neves (2010) apresentaram um estudo que realizaram com artigos sobre a saúde do trabalhador, no qual apontam como resultado 28 artigos publicados no período de 2001 a 2008, com tema principal de discussão sobre políticas públicas e normas, revelando discussão precoce sobre essa temática.
Norma Regulamentadora 7 – Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO)
A Norma Regulamentadora (NR) 7 descreve o documento, intitulado PCMSO, que deve contemplar os exames médicos recomendados para cada função existente na empresa; as ações de saúde que devem ser implantadas pela empresa e outras recomendações importantes para a manutenção da saúde do trabalhador. O principal foco do PCMSO deve ser de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce de doenças do trabalho, utilizando-se preferencialmente do instrumental clínico-epidemiológico no momento de análise das relações saúde-trabalho. O responsável pela elaboração do PCMSO é o médico do trabalho, que deve ser um médico com especialização em medicina do trabalho.
A NR inicia indicando que todas as empresas que admitam trabalhadores como empregados devem elaborar o PCMSO, isto é, todas as empresas de iniciativa privada estão obrigadas a elaborar esse documento.
Um dos objetivos é a promoção e a preservação da saúde dos trabalhadores. Embora o termo promoção da saúde seja citado, fica evidente somente a preservação da saúde, pois as ações de promoção não ficam explícitas na norma.
As diretrizes dessa norma citam que o PCMSO deve ser planejado e implantado com base nos riscos identificados no ambiente de trabalho e deve estar articulado com as outras NR, pois são elas que indicam os métodos de avaliação que devem ser adotados.
As responsabilidades do empregador em relação ao documento PCMSO são: elaborar, implantar e indicar um médico que será responsável pelo PCMSO. É responsabilidade da empresa, também, custear sem ônus para o trabalhador os exames e os procedimentos citados no PCMSO.
Outro conceito interessante e muito difundido na segurança do trabalho é o de responsabilidade solidária, que a norma traz quando cita a obrigatoriedade da empresa contratante de serviços terceirizados em informar
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os riscos existentes naquele local de trabalho e por conta disso deve auxiliar na elaboração e na implementação do PCMSO da empresa terceirizada.
A norma define que o médico coordenador do PCMSO deve ser médico do trabalho e o médico examinador pode ser de outra especialidade, desde que orientado pelo médico coordenador.
Os exames médicos devem ser realizados incluindo anamnese ocupacional, exame físico e mental e exames complementares, devendo ser realizados em diferentes momentos da vida laboral do trabalhador. Os exames mínimos obrigatórios são: admissional, periódico, retorno ao trabalho, mudança de função e demissional. A partir dos exames periódicos, deve ser elaborado um relatório anual com os resultados para monitoramento e para implantação de ações. Caso ocorra algum exame alterado, um Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT) deve ser emitido.
As empresas que não apresentam risco grave aos trabalhadores estão desobrigadas de indicar médico coordenador, conforme apresentado no Quadro 1; e conforme a norma prevê, as empresas que não têm médico coordenador não precisam elaborar o relatório anual com os resultados dos exames médicos.
Quadro 1 – Empresas desobrigadas de indicar médico coordenador Número de funcionários Grau de risco 1 e 2
Até 25 Desobrigada
De 25 a 50 Negociável
Número de funcionários Grau de risco 3 e 4
Até 10 Desobrigada
De 10 a 20 Negociável
Fonte: Elaborado pela autora.
Os exames periódicos devem ser realizados, de modo geral, anualmente, quando menores de 18 anos e maiores de 45; a cada dois anos para os demais, ou em intervalos menores, a critério do médico coordenador.
A NR 7 apresenta uma tabela de referência de indicadores biológicos para a realização de exames médicos quando há contato do trabalhador com contaminantes químicos. A periodicidade de realização do exame é indicada pelo médico coordenador do PCMSO.
Após a realização do exame médico, é emitido um Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) em duas vias, uma deve ficar no local de trabalho e outra via deve ser entregue ao trabalhador. O ASO deve conter informações relacionadas ao registro do trabalhador, as funções que desempenha, os riscos da atividade, informações dos exames médicos já realizados e sobre o médico examinador e, baseado no exame realizado, o médico deve definir se o trabalhador está apto ou não para a função.
O médico coordenador deverá manter os registros dos exames realizados com os trabalhadores e os resultados em prontuários clínicos
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individuais, os quais no momento de alteração de profissional deverão ser transferidos para o sucessor, assim todo o histórico da saúde ocupacional do trabalhador estará registrado.
Todas as empresas devem ter equipamentos de primeiros socorros, que devem permanecer em local adequado, bem como sob os cuidados de um trabalhador treinado.
Norma Regulamentadora 9 – Programas de Prevenção de Riscos Ambientais O documento descrito nessa Norma Regulamentadora (NR) é o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), que assim como o PCMSO, deve ser elaborado por toda empresa que admita trabalhador com relação de trabalho regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ou seja, as empresas da iniciativa privada.
Segundo Saliba (2011), o PPRA é um documento de extrema importância para a gestão das condições do ambiente de trabalho para prevenir doenças, mas deve ser bem elaborado pelo profissional da segurança ou medicina do trabalho. O autor ainda salienta que a interpretação equivocada é um dos principais fatores contribuintes para a visão distorcida de que o programa é apenas um documento a ser apresentado no momento de fiscalização de um auditor do Ministério do Trabalho.
A responsabilidade de elaboração, implementação, acompanhamento e avaliação do PPRA poderá ser realizada pelo Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), ou por pessoa ou equipe de pessoas que o empregador julgar que estão aptas a fazer o serviço.
O principal objetivo do PPRA é a preservação da saúde e da integridade física dos trabalhadores, e a empresa é a responsável pelas ações que devem ser adotadas, com a contribuição e com a participação dos trabalhadores. Deve estar articulado com o PCMSO e com as demais NR.
Para a elaboração do documento, as etapas de trabalho devem seguir a antecipação, o reconhecimento, a avaliação e o controle dos riscos que estão presentes no ambiente de trabalho.
A NR 9 considera riscos ambientais os agentes físicos, químicos e biológicos, que podem causar danos à saúde do trabalhador. Os agentes físicos são: ruído, vibrações, radiações, pressões anormais e temperaturas extremas, infrassom e ultrassom. Os agentes químicos são poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases e vapores. Os agentes biológicos são bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros (BRASIL, 1978).
O documento PPRA deve apresentar uma estrutura mínima, com planejamento de metas, prioridades e cronograma; estratégia e metodologia de ações; forma de registro, manutenção e divulgação dos dados; periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento do documento, que deve ser revisto
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uma vez por ano ou quando houver alterações significativas na empresa (BRASIL, 1978).
A elaboração do PPRA deve apresentar as etapas de antecipação e reconhecimento do risco; estabelecimento de prioridades e metas de avaliação e controle; avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores; implantação de medidas de controle e avaliação da eficácia; monitoramento da exposição aos agentes e registro e divulgação dos dados (BRASIL, 1978).
A antecipação dos riscos se dá no momento de análise de novos projetos ou alterações que irão acontecer dentro da empresa, com o claro objetivo da implantação de medidas de proteção antes de expor o trabalhador ao risco.
Quando a norma cita reconhecimento do risco, entende-se que o profissional já conhece previamente os riscos e a partir disso elabora o documento, que deverá conter todas as informações relativas ao risco, trajetórias e tipo de exposição, função e atividades desenvolvidas, número de trabalhadores expostos, dados da empresa de indicativos de comprometimento da saúde dos trabalhadores com relação aos agentes expostos, informações disponíveis na literatura e descrição de medidas de controle já existentes implantadas.
Após o reconhecimento do risco, é necessário quantificá-lo para a comprovação ou não da situação de risco, que pode gerar agravos à saúde do trabalhador. A avaliação dos riscos deve ser realizada com a utilização de equipamentos para quantificar a exposição do trabalhador e o monitoramento da exposição ao risco e deve ser repetida periodicamente para a análise das medidas de controle adotadas.
As medidas de proteção devem prioritariamente eliminar ou reduzir o risco e, caso isso não seja possível, é importante evitar a liberação dos agentes pelo ambiente de trabalho. Essa recomendação deve ser adotada pelos profissionais da área de segurança e saúde do trabalhador sempre que identificar uma situação que apresente risco ao trabalhador. Todas as medidas de proteção implantadas, sejam de caráter coletivo ou individual, devem ser precedidas de treinamentos sobre sua utilização e a eficiência sobre a neutralização do risco existente.
A proteção do trabalhador no ambiente de trabalho pode ser realizada utilizando-se o equipamento de proteção individual (EPI) adequado para o risco existente, e caso seja essa a alternativa escolhida de proteção, o PPRA deve descrever o equipamento adequado ao risco; contemplar um programa de treinamento para a correta utilização; e descrever regras sobre fornecimento, uso, guarda, higienização, conservação, manutenção e reposição do equipamento (BRASIL, 1978).
O trabalhador pode contribuir para a construção do PPRA com seu conhecimento e percepção do seu processo de trabalho e dos riscos ambientais do seu local de trabalho. Essa participação é assegurada pelo item 9.6.2 da NR 9, que cita que as informações do Mapa de Risco devem ser
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levadas em consideração somente nas etapas de planejamento e execução do PPRA. Os Mapas de Risco são documentos elaborados por integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), observando-se o ambiente de trabalho e identificando-se se os riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e mecânicos são encontrados nos ambientes de trabalho.
A qualquer momento, o trabalhador tem assegurado seu direito de, se identificar situação de grave e iminente risco, interromper a atividade sem prejuízos salariais ou de qualquer outra ordem.
O documento PPRA e os dados gerados devem sem armazenado por 20 anos, para manter um histórico sobre a evolução da empresa na área de segurança e de saúde do trabalho. A divulgação dos dados deve ser realizada utilizando-se todo o recurso disponível, para que os trabalhadores tenham conhecimento das informações e dos riscos a que estão sujeitos, caracterizando o direito do trabalhador às informações relacionadas à sua atividade laboral.
Norma Regulamentadora 17 – Ergonomia
A Norma Regulamentadora 17 apresenta parâmetros para as condições do trabalho se adaptarem ao trabalhador, para que ele tenha um mínimo de conforto, segurança e desempenho eficiente.
Barbosa Filho (2001) destaca que a ergonomia busca um equilíbrio entre o homem, o trabalho e o ambiente de interação entre eles, com o objetivo de promover um ambiente mais seguro e saudável. Partindo-se desse conceito, a análise ergonômica do trabalho contribui para a satisfação do trabalhador, porque avalia o trabalhador no seu ambiente de trabalho, não apenas as situações estáticas, como a exemplo dos outros documentos da segurança do trabalho.
Dos três programas analisados, a Análise Ergonômica do Trabalho é o documento que o trabalhador mais contribui com a análise da situação real da atividade executada. Para a elaboração desse documento, é necessária a participação efetiva dos trabalhadores, levando-se em consideração a percepção que os indivíduos têm de seus postos de trabalho, de suas atividades laborais e dos modos de produção que a empresa adota.
Para Weerdmeester & Dul (1991), a ergonomia atende a objetivos sociais, ligados ao bem-estar do trabalhador quando previne doenças; e objetivos econômicos, quando melhora o posto de trabalho e aumenta a produtividade. Esse é o objetivo da NR17, quando cita que a adaptação do posto de trabalho ao trabalhador deve proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente.
Os temas que são abordados nesta norma são: levantamento, transporte e descarga de materiais; mobiliário; equipamentos e condições ambientais do posto de trabalho; organização do trabalho.
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A Norma Regulamentadora 17 (Ergonomia) apresenta um manual de aplicação com comentários aos itens da NR 17, disponível no site do Ministério do Trabalho e Emprego. O manual foi elaborado por uma comissão especialista em ergonomia, por identificar a dificuldade que os fiscais do Ministério do Trabalho estavam encontrando no momento de aplicar as definições.
A norma não menciona a obrigatoriedade de elaboração da Análise Ergonômica do Trabalho (AET) pelas empresas, citando apenas que as avaliações e as adaptações das condições de trabalho devem ser a cargo do empregador. Morais (2012) contextualiza que, em 1936, Charles Chaplin, em seu filme, apresentou uma crítica à fragmentação das atividades dentro de uma linha de montagem e as consequências que esse modo de trabalho poderia trazer aos trabalhadores. Apesar do filme ter quase 80 anos, observa-se que dentro das empresas ainda existe esse modo de trabalho e com completa falta de cuidado com a saúde do trabalhador. Por esse fato é que a Análise Ergonômica do Trabalho (AET) deveria ser obrigatória, principalmente para segmentos de empresas que têm seu modo de produção fragmentado.
O trabalhador deve receber treinamentos para o manuseio seguro de cargas, quando desenvolver atividades de transporte de cargas. Para mulheres e trabalhadores jovens, o peso da carga no transporte manual deverá ser inferior ao admitido para homens.
O mobiliário dos postos de trabalho devem ter regulagens para permitir o ajuste às características do trabalhador e todas as atividades, quando possível, devem preferencialmente ser realizadas na posição sentada; quando não há essa possibilidade, deve estar disponível aos trabalhadores assentos para que possam sentar em seus momentos de pausas.
Os trabalhos manuais devem ter o posto de trabalho adequado, que ofereça boa postura, visualização e operação. As características do posto de trabalho devem ser adequadas à atividade, à movimentação do trabalhador, com altura do assento e distância entre campo de trabalho e bancada/mesa adequadas.
Os equipamentos que compõem o posto de trabalho devem estar adequados às características psicofisiológicas do trabalhador e à natureza do trabalho.
Em atividades de digitação, devem ser observados a movimentação do pescoço e o movimento para leitura. Deve-se evitar fadiga e o local de trabalho deve estar adaptado para cada atividade a ser desenvolvida. Alguns itens devem ser avaliados, como: visibilidade do trabalhador; adequação da tela para evitar reflexos; teclado independente, para que o trabalhador possa posicioná- lo da melhor maneira; distâncias olho-tela e olho-teclado devem ser semelhantes, para facilitar o desenvolvimento do trabalho; altura da superfície de trabalho ajustável. A norma menciona que quando essa atividade for realizada eventualmente, essas exigências podem ser dispensadas.
Em atividades de processamento eletrônico de dados, a avaliação do desempenho dos trabalhadores não pode ser baseada no número de toques,