Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado Profissional em Saúde e Gestão do Trabalho da Universidade do Vale do Itajaí, como requisito para obtenção do título de Mestre em Saúde e Gestão do Trabalho. O profissional responsável pela elaboração do PCMSO é o médico do trabalho e o responsável pelo PPRA geralmente é o técnico de segurança do trabalho.
Justificativa
Problema de pesquisa
Geral
Específicos
Essa normativa elenca os riscos e acidentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e os acidentes de trabalho (BRASIL, 1994). Riscos ergonômicos: decorrentes das relações de trabalho, organização do trabalho, mobiliário e relações relacionadas ao conforto no ambiente de trabalho (BRASIL, 1978).
Análise das normas regulamentadoras
NR 7 – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional
O PCMSO deverá incluir a obrigatoriedade da realização de exames médicos de admissão, periódicos, retorno ao trabalho, mudança de função e alta. A avaliação deverá ser realizada semestralmente por meio de exames médicos ou em período menor, conforme indicação do médico coordenador.
NR 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
O PPRA deve ser um documento que faz parte das ações da empresa para manutenção da saúde e integridade dos trabalhadores, coordenadas com o PCMSO e demais NRs. A análise do PPRA deverá ser realizada sempre que houver alguma mudança significativa na empresa ou pelo menos uma vez ao ano e reavaliar seus objetivos e plano de ação. Uma cópia do Plano de Ação do PPRA deverá ser encaminhada para discussão nas reuniões da CIPA.
O objetivo do controle deve ser determinado para que o risco não cause danos à saúde e à integridade física do trabalhador. A avaliação dos riscos deve ser realizada com recurso a equipamentos que quantifiquem a exposição dos trabalhadores. d) Implementação de medidas de controlo e avaliação da sua eficácia. Outra situação em que uma medida de controle deve ser implementada ou monitorada é quando a relação causal entre a atividade e o adoecimento do trabalhador fica evidente através de dados estatísticos explicados na literatura.
Além dessas ações, cada medida de proteção deverá ser avaliada e testada antes da aprovação e as informações deverão constar no PPRA. Essas ações a serem tomadas para prevenir a exposição ao agente insalubre devem ser avaliadas por meio do monitoramento da exposição e da verificação dos resultados de exames médicos.
NR 17 – Ergonomia
Neste item é assegurada a participação dos trabalhadores para que possam apresentar propostas de melhoria dos ambientes de trabalho. O trabalhador deve contribuir para a construção do PPRA com seu conhecimento e percepção do seu processo de trabalho e dos riscos ambientais do seu local de trabalho. Os temas abordados nesta norma são: elevação, transporte e descarga de materiais; mobília; equipamentos e condições ambientais do local de trabalho; organização do trabalho.
Os móveis dos postos de trabalho devem ter adaptações que permitam adaptação às características do trabalhador. O artesão deve possuir posto de trabalho adequado, que proporcione boa postura, aparência e operação. As características do posto de trabalho devem ser adequadas à atividade, à movimentação do trabalhador, com altura de assento suficiente e distância entre o campo de trabalho e a bancada/mesa.
Os equipamentos que compõem o posto de trabalho devem ser adequados às características psicofisiológicas do trabalhador e à natureza do trabalho. O número máximo de toques não pode exceder 8.000 por hora trabalhada e o tempo de trabalho não deve ultrapassar 5 horas nesta atividade.
NR 7 – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional
NR 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
A norma determina que todas as empresas devem ter pelo menos um trabalhador com formação em primeiros socorros, mas não especifica a responsabilidade de quem deve realizar o treinamento, a validade do treinamento e quando deve ocorrer o treinamento de atualização. A cláusula 9.9.9 da NR 9 estabelece que o PPRA poderá ser elaborado por qualquer perito que a empresa considere possuir o conhecimento necessário. Isso significa que qualquer pessoa pode elaborar um PPRA, mesmo sem compreender as análises e avaliações internas de riscos.
No ponto 9.9.9 afirma-se que o risco deve ser conhecido, o que significa que o profissional deve ter conhecimento prévio dos riscos existentes na sociedade, de acordo com as normas em vigor. O PPRA é uma importante ferramenta de gestão, mas as empresas não entendem isso, prestando atenção apenas na elaboração do documento e não no que ele propõe. Se os profissionais da área entenderem melhor que o PPRA pode ser uma ferramenta de gestão da segurança do trabalho dentro da empresa, ele poderá ser utilizado para o fim a que se destina, um programa de melhoria dentro da empresa.
Apesar de afirmar que deve ser elaborado com a participação dos empregados, o PPRA não leva muito em consideração as ações dos empregados durante as avaliações e reflete pouco sobre as mudanças no comportamento dos empregados.
NR 17 – Análise Ergonômica do Trabalho
Desempenho eficiente: A norma não deixa claro o que significa o termo desempenho eficiente, o que nos faz pensar em melhores níveis de produção, volumes maiores com custos mais baixos. Saúde e Segurança do Trabalhador: Neste termo, cada profissional faz sua própria interpretação sobre o que constitui comprometimento da saúde e segurança do trabalhador. Dados estatísticos sobre acidentes e doenças já ocorridos na empresa ou que a literatura apresenta podem ser um indício de comprometimento da saúde do trabalhador.
Outra interpretação desse termo poderia ser a situação incômoda que o funcionário relata no desempenho de seu trabalho.
NR 7 – Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional
NR 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
NR 17 – Análise Ergonômica do Trabalho
Proposta de ferramenta para análise dos documentos
Para os trabalhadores expostos a riscos, com doenças crônicas, menores de 18 anos ou maiores de 45 anos, deverão ser realizados exames médicos anualmente. Uma via deverá ser arquivada no local de trabalho e uma via deverá ser entregue ao trabalhador com a assinatura do trabalhador na via que permanecer na empresa. Quando é detectada doença ou agravamento da doença. os profissionais são orientados a tomar medidas de controle no ambiente de trabalho.
O documento afirma que os trabalhadores cujo peso possa pôr em perigo a sua saúde ou segurança não devem ser autorizados a transportar cargas manualmente. Indica que a CLT é respeitada quando afirma que 60 kg é o peso máximo que um trabalhador pode retirar. Para os trabalhadores manuais, o posto de trabalho (mesas, bancos, poltronas) deve garantir boa postura, visualização e funcionamento.
Mostra que a avaliação realizada no local de trabalho está adaptada às exigências do tipo de atividade e tem em consideração a condição física do colaborador (alcance, movimentação, posicionamento). O tempo real de trabalho para entrada de dados não pode ultrapassar o limite de 5 horas, sendo 50 minutos de trabalho e 10 minutos de descanso a cada hora.
DISCUSSÃO
Souto (2011) observa que o papel do médico do trabalho se limita a atuar o mínimo possível nas ações relacionadas à saúde do trabalhador, e defende que esse papel deveria ser maior. Segundo Saliba (2011), o PPRA é um documento de extrema importância para a gestão das condições do ambiente de trabalho para prevenção de doenças, mas deve ser bem elaborado pelo especialista em segurança ou medicina do trabalho. A elaboração de um documento de segurança do trabalho é de extrema importância e deve ser realizada por um profissional da área de segurança do trabalho, que entenda suas responsabilidades na execução de trabalhos desta magnitude.
Os profissionais da área de segurança do trabalho possuem conhecimentos específicos para atender às exigências da legislação e podem assumir essa responsabilidade. Os principais objetivos da saúde e segurança ocupacional são proteger e promover a saúde dos trabalhadores. Este manual foi elaborado por uma comissão que, observando a diversidade na implementação da norma, considerou prudente desenvolver um documento contendo informações para auxiliar os inspetores nas inspeções e, em última instância, também para auxiliar os profissionais de segurança do trabalho.
Com base nesse conceito, a análise ergonômica do trabalho contribui para a satisfação do trabalhador, pois avalia o trabalhador em seu ambiente de trabalho e não apenas em situações estáticas, como acontece em outros documentos de segurança do trabalho. É por isso que a Análise Ergonômica do Trabalho (AET) deveria ser obrigatória, principalmente para segmentos de empresas que possuem um método de produção fragmentado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A importância deste estudo reside em incentivar a formulação de questões relacionadas à legislação de saúde ocupacional. Entre as principais fragilidades identificadas estão: promoção da saúde, pouco discutida nos textos; indicação de profissionais responsáveis por documentos não definidos no texto; empresas não obrigadas a cumprir itens mesmo que representem risco aos trabalhadores; definições desatualizadas de risco ambiental; a co-gestão dos trabalhadores não estava em vigor no momento da elaboração do documento; e outras definições que não são transparentes no texto padrão. As lacunas encontradas nas normas regulamentadoras foram: falta de indicação de profissionais para implementação dos documentos; falta de autonomia do médico coordenador na identificação de alterações com exames médicos; falta de medidas integradas na promoção da saúde;
Para auxiliar os profissionais da área de segurança do trabalho, foi criado um checklist que contempla pontos identificados como fragilidades e lacunas. Outro aspecto importante do trabalho apresentado está relacionado às discussões que podem gerar para a construção e preparação de profissionais que atuam na área de segurança do trabalhador.
Acidentes registrados no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Ribeirão Preto, São Paulo. PPRA/PCMSO: auditoria, fiscalização do trabalho e controle social; Programas de prevenção de riscos ambientais e programas de monitoramento de saúde ocupacional: auditorias, fiscalização do trabalho e controle social.
APÊNDICE
Esta área estuda as interações entre o ambiente de trabalho e a saúde do indivíduo exposto aos perigos que podem estar presentes no local. A elaboração deste documento não é obrigatória, mas é recomendada quando for identificado risco ergonômico no ambiente de trabalho. Segundo Michel (2008), a ergonomia contribui para organizar o ambiente de trabalho e torná-lo saudável e produtivo, promovendo o bem-estar individual e melhorando o desempenho dos funcionários.
As Normas Regulamentadoras (NR) do Ministério do Trabalho e Emprego descrevem e identificam as condições do ambiente de trabalho para garantir a manutenção da saúde do trabalhador. Caso algum exame seja alterado, deverá ser emitido um Boletim de Acidente de Trabalho (CAT). Para elaboração do documento, as etapas de trabalho devem seguir a antecipação, o reconhecimento, a avaliação e o controle dos riscos que ocorrem no ambiente de trabalho.
A proteção dos trabalhadores no ambiente de trabalho pode ser realizada com equipamentos de proteção individual (EPI) adequados ao risco existente, e caso esta seja a alternativa de proteção selecionada, o PPRA deverá descrever os equipamentos adequados ao risco; considere um programa de treinamento para uso adequado; e descreve as normas sobre fornecimento, utilização, armazenamento, higiene, preservação, manutenção e reposição de equipamentos (BRASIL, 1978). Se o objetivo for a saúde do trabalhador, deve-se levar em conta a sua percepção sobre o ambiente de trabalho. As fases de trabalho do PPRA abordam os riscos do ambiente de trabalho de forma estática, sem intervenção do trabalhador.
Para os trabalhadores manuais, o posto de trabalho (mesas, bancos, poltronas) deve garantir boa postura, visualização e funcionamento.