religioso. Quanto a este, convem sublinhar a reação da Igreja Catolica à legalização da eutanásia na Holandam publicando no Jornal da Santa Sé
“L’Osservatore Romano” que “a eutanásia pe uma aberração. Matar um paciente é um gesto criminoso [...] é dificil acreditar que uma opção tao macabra seja qualificada como ‘civilizada’ e ‘humanitária’”.195
Por ultimo, há um intenso receio de que a partir da legalização da eutanásia voluntária ativa, abra-se uma fresta para praticas eugênicas – um processo de seleção da raça humana – quer seja no nascimento, quer seja na velhice. Afinal, durante a Segunda Guerra Mundial o mundo assistiu ao desejo daquele que almejou formar uma raça superior. E processo similar ocorreu quando da colonização da América do Sul, em que milhoes de índios foram mortos em nome de uma pretensa superioridade do homem branco, fundado na força da Igreja e do Estado (a Cruz e a Espada).196
195 RAMOS, Augusto César. Eutanásia: aspectos éticos e jurídicos da morte. Florianópolis
OAB/SC Editora, 2003. p 121
196 RAMOS, Augusto César. Eutanásia: aspectos éticos e jurídicos da morte. Florianópolis
OAB/SC Editora, 2003. p 121-122
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como observado ao longo deste trabalho, a eutanásia, modalidade pretendida quando o paciente acometido de doença grave não possui condições de uma boa vida, não possui previsão legal para a sua prática.
É certo que, mesmo não tendo sido contemplada pelo ordenamento jurídico pátrio, já existem tentativas para a sua legalização. Esta modalidade vem sendo realizada, através da concessão de permissões mundo afora. Ocorre que mesmo sem a autorização para a prática abortiva, comumente observa-se a incidência do aborto em clínicas clandestinas, estas que raramente possuem condições sanitárias e frequentemente colocam em risco a vida das gestantes.
Denota-se através dos inúmeros argumentos favoráveis e contrários à eutanásia que quando a questão se refere ao paciente que esta sofrendo, aqueles que se posicionam contra, tornam-se minoria.
Ressaltando a respeito dos direitos fundamentais, encontrou-se, no principio da dignidade da pessoa humana, um fundamento assegurado para uma morte digna, sem sofrimento.
Observando-se os princípios bioéticos da autonomia, beneficência e justiça, bem como os fundamentais direito à vida e à dignidade da pessoa humana, têm-se condições de formular uma opinião acerca da eutanásia.
Ao analisar as modalidades de eutanásia, verifica-se certo contra-senso por parte de alguns que se posicionam contra. Defender o direito à vida, que não tem as mínimas condições de sobrevivência fora de um hospital e sem os devidos aparelhos, acaba por configurar evidente hipocrisia.
O que não se pode considerar, é que aqueles que ignoram tais princípios, valendo-se unicamente de uma opinião sem qualquer
fundamentação aceitável, queiram se posicionar e impor que um ser humano suporte a dor de passar por um final de vida sem dignidade e com imenso sofrimento.
Ao desenvolver este trabalho, foram demonstrados, os argumentos prós e contra à eutanásia, com uma tendência a aceitação da pratica deste ato.Assim, pretendeu-se, de certa forma, convencer aqueles contrários à eutanásia a expandirem suas convicções, deixando de lado suas crenças morais e religiosas, e se colocando no lugar daqueles sofredores pacientes que, indignamente, tendo que permanecer vivo indignamente, e contra a sua vontade.
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