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que são executadas, visando ao alívio do sofrimento de um paciente terminal;

h) eutanásia experimental: é aquela que causa a morte indolor de pessoas, tendo o experimento científico como fim; i) eutanásia súbita: representa a morte repentina;

j) eutanásia natural: morte natural ou senil, resultante do processo natural e progressivo do envelhecimento; entre outras.

A doutrina, rica em classificações, não raro obscurece a compreensão dos incipientes estudiosos que se aventuram no tema. Convém, para efeitos deste estudo, concentrar o foco em torno de quatro classificações clássicas apontadas pela doutrina contemporânea, a saber: eutanásia, ortotanásia, distanásia e suicídio assistido.178

3.5.1ORTOTANÁSIA

A doutrina tem vinculado o uso da expressão eutanásia passiva a da ortotanásia (do grego orthós: normal, correta + tlianatos: morte), que indica a omissão voluntária do médico em aplicar ou interromper meios terapêuticos extraordinários ao paciente acometido de doença incurável e que sofre terrivelmente, [...] evidente, tal conduta médica só será lícita se não caracterizar o tipo penal de abandono de incapaz.179

A ortotanásia está implícita na concepção de eutanásia. A prática as ortotanásia é conduta atípica no ordenamento jurídico penal brasileiro, pois corresponde a promoção de um ato lícito, na medida em que

178 RAMOS, Augusto César. Eutanásia: aspectos éticos e jurídicos da morte. Florianópolis

OAB/SC Editora, 2003. p

179 RAMOS, Augusto César. Eutanásia: aspectos éticos e jurídicos da morte. Florianópolis

OAB/SC Editora, 2003. p 101

não significa encurtar a vida de um paciente, apenas consolidar uma situação irreversível e irremediável de morte encefálica. 180

Diante da constatação de um paciente que sofra de doença incurável, cujo sofrimento é de impossível controle ou paralisação pelas respostas oferecidas pela biotecnologia atual, pode o enfermo optar pela interrupção do tratamento médico, ou mesmo nem sequer iniciá-lo.181

Há uma corrente considerável de estudiosos que defendem a ortotanásia (eutanásia passiva), sob o argumento de que [...] O médico não age, apenas deixa de prolongar, por meios artificiais, uma vida que, além de sofrida, mostra-se irrecuperável. 182

3.5.2 DISTANÁSIA

A distanásia (dis + thanasia, morte lenta, ansiosa e com muito sofrimento) significa o emprego de todos os meios terapêuticos possíveis no paciente que sofre de doença incurável e encontra-se em terrível agonia, de modo a prolongar a vida do moribundo sem a mínima certeza de sua eficácia e tampouco da reversibilidade do quadro clínico da doença.183

A distanásia pode ser conceituada como a agonia prolongada, o patrocínio de uma morte com sofrimento físico ou psicológico do individuo, sem qualquer perspectiva de cura ou melhora184

180 ADONI, André Luiz. Bioética e Biodireito: Aspectos Gerais Sobre A Eutanásia e o Direito a Morte Digna.Revista dos Tribunais. São Paulo ano 9, v.818, p 394-421, 2003

181 ADONI, André Luiz. Bioética e Biodireito: Aspectos Gerais Sobre A Eutanásia e o Direito a Morte Digna.Revista dos Tribunais. São Paulo ano 9, v.818, p 394-421, 2003

182 RAMOS, Augusto César. Eutanásia: aspectos éticos e jurídicos da morte. Florianópolis

OAB/SC Editora, 2003. p 105

183 RAMOS, Augusto César. Eutanásia: aspectos éticos e jurídicos da morte. Florianópolis

OAB/SC Editora, 2003. p 107

184 ADONI, André Luiz. Bioética e Biodireito: Aspectos Gerais Sobre A Eutanásia e o Direito a Morte Digna.Revista dos Tribunais. São Paulo ano 9, v.818, p 394-421, 2003

Nesse particular, a Recomendação n° 1.418, aprovado em junho de 1999 pela Assembléia parlamentar do Conselho Europeu, que versa sobre a proteção dos direitos humanos e da dignidade dos doentes incuráveis e terminais, “convida os Estados membros a prever, em seu direito interno, disposições que assegurem aos doentes incuráveis e terminais a proteção jurídica e social necessária contra os perigos e os receios específicos [...], particularrnente contra o risco de: [...] ter a existência prolongada contra a própria vontade”. 185

Falar em distanásia é desconsiderar os limites dos tratamentos fúteis ou inúteis à saúde do paciente em fase terminal sob a defesa dos princípios bioéticos da beneficência (fazer o bem), da autonomia (respeito pela autonomia do paciente) e de justiça (eqüidade na distribuição de bens e benefícios).186

3.5.3SUICÍDIO ASSISTIDO

O suicídio assistido parte da premissa de que a pessoa não esteja sofrendo de qualquer doença incurável, e nem esteja sob a incidência de intensas dores físicas ou mentais. Ocorre quando uma pessoa não dispondo de meios para consumar, por si mesma, o próprio óbito, reclama auxílio de outrem para levar a contento sua intenção.187

185 RAMOS , Augusto César. Eutanásia: aspectos éticos e jurídicos da morte. Florianópolis

OAB/SC Editora, 2003. p 107

186 RAMOS, Augusto César. Eutanásia: aspectos éticos e jurídicos da morte. Florianópolis

OAB/SC Editora, 2003. p 108

187 ADONI, André Luiz. Bioética e Biodireito: Aspectos Gerais Sobre A Eutanásia e o Direito a Morte Digna.Revista dos Tribunais. São Paulo ano 9, v.818, p 394-421, 2003

A pessoa que contribui para a ocorrência da morte da outra pode ser enquadrada no art 122 do Código Penal Brasileiro, que constitui tal conduta como crime.188

Eutanásia, homicídio, suicídio e suicídio assistido

Embora seja a eutanásia vizinha do suicídio, com ele não se confunde, conforme CASABONA apud RAMOS189, porquanto:

la primera sería la aceleración del momento de la muerte que se presenta más o menos cercana como único medio de abreviar el sufrimiento físico y moral derivado de una enfermidad terminal [...] mientras que el segundo consiste en quitarse uno mismo violenta y voluntariamente la vida que ya no quiere ser vivida por cualquier outro motivo y en circunstancias diferentes.

Do mesmo modo não se confunde suicídio com suicídio assistido, uma vez que suicídio é o ato de dar a si mesmo morte ou buscá-la intencionalmente [...] o suicídio assistido, ou homicídio suicídio, é o homicídio consentido, em que uma pessoa atenta contra sua vida e porque outra a ajuda.190

Não há falar em semelhança entre homicídio e suicídio assistido. Este não prescinde do consentimento da vítima, que é irrelevante para a caracterização daquele. Por fim, deve-se atentar para o fato de que o induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio são condutas previstas no Código Penal pátrio, em seu art 122.191

188 ADONI, André Luiz. Bioética e Biodireito: Aspectos Gerais Sobre A Eutanásia e o Direito a Morte Digna.Revista dos Tribunais. São Paulo ano 9, v.818, p 394-421, 2003

189 RAMOS, Augusto César. Eutanásia: aspectos éticos e jurídicos da morte. Florianópolis

OAB/SC Editora, 2003. p 108

190 RAMOS, Augusto César. Eutanásia: aspectos éticos e jurídicos da morte. Florianópolis

OAB/SC Editora, 2003. p 115

191 RAMOS, Augusto César. Eutanásia: aspectos éticos e jurídicos da morte. Florianópolis OAB/SC Editora, 2003. p 115

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