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AS FORMAS DE FAMÍLIA NA CRFB/88

No documento 1 – Família - Univali (páginas 40-45)

Casamento para Orlando Gomes, é “[...] o vínculo entre um homem e uma mulher, para constituição de uma família [...]”90

Segundo Patrícia Fontanella Rosa, casamento é:

a união entre um homem e uma mulher, celebrada com observância das formalidades exigidas na lei. É o ato formal em que os cônjuges adquirem direitos e deveres recíprocos, de natureza pessoal e patrimonial.91

Silvio Rodrigues considera que casamento “é o instituto básico e dominante, ordinariamente e na maioria dos casos, resulta a família.”92

Para Arnaldo Rizzardo, casamento vem a ser:

um contrato solene pelo qual duas pessoas de sexo diferentes se unem para constituir uma família e viver em plena comunhão de vida.

Na celebração do ato, prometem elas mútua fidelidade, assistência recíproca, e a criação e educação dos filhos.93

Desse modo, é faculdade afirmar que o casamento é tido como a forma mais comum de se constituir uma Família.

1.3.2 A família a partir do concubinato e da união estável

Segundo Silvio de Salvo Venosa, a união fora do casamento civil (união livre) também gera efeitos jurídicos. Porém, anteriormente, o legislador via no casamento a única forma de constituição da Família, negando efeitos jurídicos à união livre, mais ou menos estável, traduzindo essa posição em nosso Código Civil do século passado.94

Isso ocorreu por influência da Igreja Católica. Coube por isso à doutrina, a partir da metade do século XX, tecer posições em favor dos direitos dos concubinos, preparando terreno para a jurisprudência e para a alteração legislativa. Com isso,

90 GOMES, Orlando. Direito de família. p.45.

91 ROSA, Patrícia Fontanella. Dicionário técnico jurídico e latim forense. Florianópolis:

Habitus, 2002. p.27.

92 RODRIGUES, Silvio. Direito civil. 27.ed. São Paulo: Saraiva, 2002. p.76. v.6.

93 RIZZARDO, Arnaldo. 2006. p.17. COMPLETAR

94 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2006. [v.6 - Direito de Família]. p.35-37.

por longo período, os tribunais passaram a reconhecer direitos aos a essa nova organização familiar na esfera obrigacional.

Casamento, separação, divórcio, dimensões constitutivas da família, ou de sua dissolução, são elementos fundamentais para a Igreja Católica que os avalia de acordo com diretrizes específicas. Como a Igreja exerce grande influência na sociedade brasileira, sua interpretação acerca dessas questões são relevantes, sobretudo, para os católicos. Por isso, esses elementos não podem ser analisados sem se levar em conta a postura da Igreja Católica diante das mudanças profundas e intensas que afetam a família.

Nos ensinamentos de Hélio Borghi, pode-se identificar que “além do casamento, há outra espécie de união, diferente da meramente transitória, [...], que já é ou vem sendo regularizada em vários países, [...] a união estável, [...]”95

A partir da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, que estabeleceu a plena igualdade entre homem e mulher, o casamento passou a não ser o único meio de formação familiar, uma vez que o Código Civil de 2002 reconheceu, em seu art. 1.723, a união estável entre homem e mulher como entidade familiar, calcado no comando expresso da referida Constituição. Assim dispõe o artigo constitucional:

Art. 226 - [...]

§3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre homem e mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.

Ainda cabe aqui transcrever o referido dispositivo do Código:

Art. 1.723 - É reconhecida como entidade familiar à união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família.

§1º - A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do art. 1.521; não se aplicando a incidência do inciso VI - No caso de a pessoa casada se achar separada de fato ou judicialmente.

§2º - As causas suspensivas do art. 1.523 não impedirão a caracterização da união estável.

95 BORGHI, Hélio. Casamento e união estável: formação, eficácia e dissolução. São Paulo:

Juarez de Oliveira, 2001. p.45.

Desse modo, segundo Euclides de Oliveira, a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e o Código Civil de 2002 trouxeram uma ampla definição de família, como base da sociedade, pela qual foi formada esse novo tipo de união familiar, fortalecendo, assim, como uma outra maneira de formação da família brasileira, independentemente da existência de impedimento matrimonial entre os seus partícipes, antes verificado pela falta do divórcio no Direito Brasileiro.96

1.3.3 A família monoparental

Esse é o nome que se dá a uma entidade familiar organizada pelo filho que convive somente com um dos pais, sendo que neste caso os dois (pai e mãe) não mantêm uma relação familiar entre si.

Como previsão legal desse tipo de Família assim dispõe a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

Art. 226 - [...]

§4º - Entende-se, também, como entidade familiar à comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.

Neste sentido, Caio Mário da Silva Pereira escreve que:

priorizada a convivência familiar, ora nos confrontamos com o grupo fundado no casamento ou no companheirismo, ora assumimos o reconhecimento da família monoparental identificada com os mesmos direitos e deveres [...]97

Sobre isso faz-se necessário ressaltar que, por ser uma Família prevista em lei, possui direitos e deveres como qualquer outra formação familiar.

96 OLIVEIRA, Euclides de. União estável: do concubinato ao casamento - antes e depois do novo código civil. p.29-30.

97 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de direito civil. 3.ed. Rio de Janeiro:

Forense, 1979. p.6. v.5.

Leciona Sílvio de Salvo Venosa que:

[...], a própria Constituição reconhece que pode existir família, entidade familiar, fora do casamento e fora da união estável, constituída por apenas um de seus genitores e seus descendentes, a chamada família monoparental [...]98

Sobre essa forma de organização da entidade familiar, Caio Mário da Silva Pereira disciplina que:

a Carta de 1988 reconheceu a proteção do Estado [...] às famílias monoparentais constituídas por um dos pais com os filhos. Qualquer dos cônjuges na Separação ou no Divórcio, as mães solteiras, viúvas e, mesmo, os celibatários com seus filhos, são reconhecidos como base para a convivência familiar e comunitária identificada como Direito Fundamental Constitucional.99

Roberto Senise Lisboa complementa afirmando que há relação monoparental nos seguintes casos:

a) entre qualquer dos pais e seus filhos, ante a morte, o desaparecimento ou a ausência do outro genitor.

b) entre qualquer dos avós e seus netos, ante a morte, o desaparecimento ou a ausência dos pais.

c) entre qualquer dos bisavós e seus bisnetos, ante a morte, o desaparecimento ou a ausência dos avós e dos pais; e assim por diante.100

Pode-se afirmar que a mãe ou o pai solteiro, separado, divorciado, ou viúvo que vive com o seu filho ou filha, vive em uma espécie de Família.

98 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil. p.472.

99 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de direito civil. p.15.

100 LISBOA, Roberto Senise. Manual de direito civil. p.261.

No documento 1 – Família - Univali (páginas 40-45)

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