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AS SERRARIAS E A ECONOMIA DE NOVA COLINA

No documento Educação e a Influência das Práticas (páginas 121-128)

Parece contraditório tratar de benefícios gerados pelas serrarias à co- munidade de Nova Colina depois de se elencar os danos ambientais avas- saladores decorrentes de suas ações, principalmente quando não se percebe

nenhuma iniciativa por parte delas, voltada para o gerenciamento de seus respectivos resíduos, no que se refere a destinação final adequada. No en- tanto, seria injusto com esses estabelecimentos e com os alunos, sobretudo, com aqueles pertencentes às famílias, cuja condição financeira de prover o sustento e a manutenção decorre do fato de seus pais e/ou responsáveis serem prestadores de serviços nessas indústrias.

Na região de Nova Colina, município de Rorainópolis ao Sul do es- tado de Roraima,

a extração madeireira é realizada de forma seletiva ou predatória imprimindo forte pressão em poucas espé- cies florestais mais valiosas como, por exemplo, Dinizia excelsa Ducke (angelin ferro) e Manilkara huberi Ducke (massaranduba). Esta prática causa danos irreparáveis à estrutura da floresta através da derrubada das árvores, abertura de trilhas de arraste e de pátios de estocagem de madeira. Isto favorece a degradação da biomassa flo- restal, a perda de biodiversidade e a entrada do fogo em anos de El Niño (BARNI; SILVA, 2016, p. 1).

Como se pode perceber, os efeitos provenientes das atividades dessas indústrias são devastadores, ou seja, não restam dúvidas de que a explora- ção de madeira pelas serrarias, seja em Nova Colina ou em qualquer outro lugar, desencadeia problemas avassaladores do ponto de vista ambiental.

Diante do exposto, fica a indagação: será que as serrarias promovem algum benefício a comunidade de Nova Colina? Para responder essa pergunta, será realizada aqui uma breve abordagem destacando-se como essas indús- trias contribuem com a economia de Nova Colina.

Em um breve levantamento, por meio de entrevistas junto aos pais e pessoas que vivenciaram a implantação de serrarias em Nova Colina, os alunos constataram que a primeira serraria instalou-se na comunidade entre os anos de 2001 e 2002, época em que a população era bem reduzida na área urbana e a maioria das famílias tirava o sustento da produção de mandioca, arroz e milho. Em 2001, por exemplo, o município de Rorainópolis produziu 5.600 toneladas de alimentos somados os três produtos produzidos com o destaque para Nova Colina, segundo Alves et al. (p. 34, 2006), ficando atrás apenas do município de Caroebe que produziu 9.360 toneladas naquele ano.

De acordo, com os dados levantados pelos alunos, a exploração de ma- deira desencadeou um crescimento drástico na população de Nova Colina, entre os anos de 2007 a 2015. Nesse período, donos de serrarias locais cons- truíram dezenas de casas para alojar famílias inteiras que traziam, sobretudo do Pará, para prestar serviços em suas empresas, pois, embora empregassem pessoas com baixíssimo nível de escolaridade, a mão de obra disponível era insuficiente para atender as demandas de seus estabelecimentos.

Com a elevação no índice de postos de trabalho nas serrarias e, con- sequentemente, aumento da população, nesse período, em Nova Colina cresceu o número de estabelecimentos comerciais, o poder aquisitivo das famílias melhorou e a região atraiu serviços de comunicação, como a im- plantação da torre de transmissão de sinal de celular, em 2017.

Em 2017, as serrarias foram severamente abaladas pela efetiva fis- calização incisiva dos órgãos de proteção ambiental que combatem o des- matamento ilegal. Uma força-tarefa composta pelo Ibama/Femarh/PRF/

Exército14 fechou as oito serrarias em funcionamento, por aproximadamen- te três meses, implicando na perda de mais de 350 postos de emprego.

Em 2018, a ação se repetiu, afetando diretamente a economia local e a qualidade de vida das famílias que tinham vínculos empregatícios com esses empreendimentos. O fechamento causou impacto visível, reduzindo o poder aquisitivo das famílias. A movimentação no comércio local que antes era contínua, passou a ser “mais intensa apenas entre os dias 01 a 10 de cada mês, elevação no índice de inadimplência e reduziu o índice de nego- ciação envolvendo dinheiro” comentou um dos comerciantes da feira local.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao longo da pesquisa, pode-se constatar que o ensino interdisciplinar forjado na transversalidade possibilita a promoção da aprendizagem do cur- ricular escolar, considerando a diversidade de capacidades, potencialidades e limitações existentes em uma sala de aula. Também possibilita, converter as necessidades e potencialidades dos alunos em indicadores de aprendiza-

14 Respectivamente Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis; Femarh - Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos; PRF - Polícia Rodoviária Federal e Exército Brasileiro.

gem e em motivação para superar desafios que surgem no processo, ora de ensino (na abordagem dos conteúdos pelo professor de forma a atender a todos os alunos), ora de aprendizagem (no que confere a assimilação dos conteúdos pelos aluno).

O sucesso do ensino interdisciplinar reside na ação contínua de ex- por o aluno ao exercício da criatividade, do raciocínio lógico, da argumen- tação e ao uso do senso crítico para explorar a realidade, que serve como contexto para sua ocorrência e na transformação de saberes socioculturais em elo que atribuem significados, que vinculam os conteúdos dos compo- nentes curriculares às situações da vivência cotidiana do aluno.

Os temas transversais, por sua vez, no âmbito do ensino interdisci- plinar, quase que espontaneamente criam ambientes permeados de pontos de conectividade que favorecem a pesquisa-ação, ressaltando a relevância dos valores sociais para vivência coletiva em suas múltiplas dimensões, bem como da reciprocidade impreterivelmente para o processo de construção de habilidades e conhecimentos na ação educativa.

Por fim, as práticas interdisciplinares são uma necessidade no apri- moramento e desenvolvimento de habilidades pertinentes a uma aprendiza- gem bem-sucedida dos conteúdos curriculares e a uma produção de outros conhecimentos, pois reúnem os elementos que levam o aluno à apropriação da realidade social em uma dialética que leva ao equacionamento e pro- moção da interatividade dos saberes histórico/cultural, com as vertentes científica do currículo escolar promovendo o engajamento e envolvimento do aluno com a aprendizagem.

REFERÊNCIAS

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DESAFIOS E PERSPECTIVAS NO USO DE

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