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3.3 FASE CONTRATUAL

3.3.1 ASSÉDIO MORAL

O Assédio moral se diferencia do dano moral, pois consiste na exposição contínua do ofendido a situações que levam ao dano moral, ou seja, gera o assédio quando ocorreu mais de um ato vexatório, são atos consecutivos161.

Segundo o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa162, a palavra "assédio" significa: insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém.

Sendo assim, aquele que possui o poder dentro de uma empresa, ou seja, o empregador que expõe seus funcionários, por diversos motivos, a situações humilhantes durante o período de trabalho de maneira repetitiva, está cometendo o assédio moral.

Margarida Barreto163, comenta o assédio moral no emprego:

O assédio moral no trabalho é a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego.

Este tipo de assédio, na maioria das vezes afeta psicologicamente o empregado assediado, trazendo sérios transtornos em sua vida profissional e pessoal.

Na visão de Hirigoyen164, assédio moral no trabalho é:

161 MARTINS, Sérgio Pinto. Dano Moral decorrente do contrato de trabalho, 2007, p.89

162Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, disponível em: houaiss.com.br, acesso em: 20 nov. 2007.

163 BARRETO, Margarida Maria Silveira. Violência, saúde, trabalho - Uma jornada de humilhações. São Paulo: EDUC - EDITORA DA PUC-SP, 2000,p.54

Toda e qualquer conduta abusiva (gesto, palavra, comportamento, atitude...) que atente, por sua repetição ou sistematização, contra a dignidade ou a integridade psíquica ou física de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o clima de trabalho.

Sobre o mesmo tema, Candemil165, descreve como assédio moral pode se caracterizar.

- Críticas públicas, tendendo para a humilhação e ridicularização;

- Tratar a vítima por um apelido pejorativo;

- Brincadeiras, sarcasmos e piadas envolvendo o assediado;

- Solicitar tarefas abaixo ou acima da qualificação do assediado;

- Mandar que o empregado faça tarefas inúteis;

- Obrigação cumprimento metas impossíveis;

- Isolamento do assediado em sala distante, local humilhante.

Da mesma forma, a referida advogada166, expõe o que não caracteriza o assédio moral:

O que não caracteriza assédio moral:

- Exigir produtividade do empregado;

- Uso poder disciplinar: advertências verbais ou por escrito; suspensão;

-Uso poder fiscalização.

O empregador deve exercer o seu poder de comando sem excessos. Caso este poder ultrapasse os limites ferindo a honra ou a vida do empregado, resultará no dano moral.

Segue abaixo alguns julgados167 referentes ao assédio moral:

164 HIRIGOYEN, Marie-France. Mal-estar no trabalho: redefinindo o assédio moral, tradução de Rejane Janowitzer, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002, p. 17.

165 CANDEMIL. Alexandra, Aspectos preventivos do dano moral nas relações de trabalho e da justa causa trabalhista. Projeto Educação Continuada. Florianópolis: Brasil, 2007, p. 4

166 CANDEMIL. Alexandra, Aspectos preventivos do dano moral nas relações de trabalho e da justa causa trabalhista., 2007, p. 4

Assédio moral – Caracterização – O assédio moral, também denominado terror psicológico ou ‘mobbing’, consiste na exposição, sistemática e freqüente, do trabalhador a situações vexatórias, humilhantes ou qualquer outro meio que cause violência psicológica, acarretando a marginalização do empregado em seu ambiente de trabalho e comprometendo a sua estabilidade emocional.

E ainda168:

DANOS MORAIS – ASSÉDIO MORAL CONFIGURADO – DEVIDA INDENIZAÇÃO REPARATÓRIA – Constitui assédio moral a tortura psicológica atual e continuada a que é submetido o empregado, consubstanciada no terror de ordem pessoal, moral e psicológico, praticado no âmbito da empresa, podendo ser exercitado pelo superior hierárquico, por grupo de empregados do mesmo nível e pelos subordinados contra o chefe, isto é, pode ocorrer no sentido vertical, horizontal e ascendente. Tem por objetivo, via de regra, tornar insuportável o ambiente laboral, obrigando o trabalhador a tomar a iniciativa, por qualquer meio, do desfazimento do vínculo empregatício. O

‘mobbing’ caracteriza-se pela prática atual e freqüente de atos de violência contra a pessoa do empregado, dos quais participam, necessariamente, o ofensor, o ofendido e espectadores (grupo de empregados), uma vez que tem por finalidade promover a humilhação, o constrangimento perante os demais colegas de trabalho. Marie-france hirigoyen define o psicoterror como sendo ‘toda e qualquer conduta abusiva, manifestando-se, sobretudo, por comportamentos, palavras, atos, gestos, escritos, que possam trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa, pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho’ (in ‘assédio moral a violência perversa do cotidiano’). in casu, ficaram comprovados, à saciedade, a humilhação e o constrangimento a que era submetido, rotineiramente, o empregado, na presença dos demais colegas de trabalho, por ato do superior hierárquico, por não ter atingido a meta de produção, consubstanciados na atribuição da pecha de ‘irresponsável’, ‘incompetente’, ‘fracassado’,

167 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, Rel. Juiz Flavio Nunes Campos, Proc. nº 1785-2004-026-15-00-0 – (6496/06) , DOESP 17.02.2006.

168BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região, Rel. Juiz Valdir José Silva de Carvalho, Proc. nº 00340-2004-005-06-00-1, DOEPE 04.02.2005.

dentre outros. Cabível, destarte, a indenização por danos morais. Recurso ordinário improvido, no particular.

No mesmo sentido169 :

“ASSÉDIO MORAL – SUJEIÇÃO DO EMPREGADO – IRRELEVÂNCIA DE QUE O CONSTRANGIMENTO NÃO TENHA PERDURADO POR LONGO LAPSO DE TEMPO – Conquanto não se trate de fenômeno recente, o assédio moral tem merecido reflexão e debate em função de aspectos que, no atual contexto social e econômico, levam o trabalhador a se sujeitar a condições de trabalho degradantes, na medida em que afetam sua dignidade. A pressão sobre os empregados, com atitudes negativas que, deliberadamente, degradam as condições de trabalho, é conduta reprovável que merece punição. A humilhação, no sentido de ser ofendido, menosprezado, inferiorizado, causa dor e sofrimento, independente do tempo por que se prolongou o comportamento. A reparação do dano é a forma de coibir o empregador que intimida o empregado, sem que se cogite de que ele, em indiscutível estado de sujeição, pudesse tomar providência no curso do contrato de trabalho, o que, certamente, colocaria em risco a própria manutenção do emprego. Recurso provido para condenar a ré ao pagamento de indenização por danos provocados pelo assédio moral.

Portanto, a prática do assédio moral traz malefícios à vida do ofendido, que se sente rebaixado, inferiorizado e constrangido, por este motivo que a justiça do trabalho, recentemente, é a responsável por julgar atos de tal natureza, fazendo com que o responsável do assédio moral seja punido170.

169 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, Relª Juíza Marlene T. Fuverki Suguimatsu, Proc. nº 09329-2002-04-09-00-2 – (00549-2004), DJPR 23.01.2004.

170MELO, Nehemias Domingos de. Dano moral trabalhista, 2007,p. 91

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 64-68)

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