3. PROJETO
3.1. DEFINIÇÃO DAS EMOÇÕES A SEREM TRATADAS
3.1.2. Assistente de diagnóstico afetivo do aluno
3.1.2.2. Ajustes das emoções
A partir dos valores iniciais estabelecidos, o ambiente verifica o modelo do aluno a respeito de seu desempenho em exercícios e avaliações registradas no ambiente, buscando ajustar os valores.
Os ajustes ocorrem quando: (i) um exercício é corrigido; (ii) uma nota é informada; (iii) quando o professor altera o perfil do aluno conforme percepções obtidas em sala de aula; ou ainda, (iv) conforme as ações mediadoras são realizadas dentro do ambiente.
Ao longo do uso do ambiente ALICE e do desempenho obtido em sala de aula, as emoções oscilam positiva ou negativamente. O aluno que apresenta notas acima da média tende a elevar seu nível de confiança, enquanto emoções como aversão e preocupação diminuem. Ao contrário, um aluno que obtém resultados inexpressivos na disciplina, passa a desenvolver ou aumentar sua aversão, por exemplo.
Compreende-se ainda, que os resultados obtidos em avaliações são mais significativos para os alunos do que seu desempenho em um exercício cotidiano. Isto é, suas emoções oscilam mais intensamente em uma nota de prova ou trabalho comparado às atividades do dia-a-dia. Desta forma, o ambiente deve considerar este comportamento conforme os acontecimentos registrados nele, sejam por ações do professor quanto pelos alunos.
Assim, conforme o registro de uma nota de avaliação for realizado ou um exercício for corrigido, o ambiente deve se adequar às emoções do aluno. Para a realização desse ajuste, foram elaboradas regras onde para cada um dos eventos, os ajustes ilustrados na Tabela 15 ocorrerão.
Tabela 15. Ajustes realizados conforme ações no ambiente
Emoção Acontecimento
Confiança Preocupação Aversão Se avaliação boa (aumenta) (diminui) (diminui)
Se avaliação média - (não altera) (aumenta) - (não altera)
Se avaliação ruim (diminui) (aumenta) (aumenta)
Se exercício bom (aumenta) - (não altera) (diminui)
Se exercício médio / ruim - (não altera) (aumenta) (aumenta)
Na prática, essas alterações, de aumento ou redução do nível das emoções, que ocorrem a partir de um evento, são especificadas através de equações. Os comportamentos obtidos por elas refletirão nas modificações dos valores, de forma que os mesmos nunca ultrapassem o limite de valor 1, devido ao limiar estabelecido pela normalização vista anteriormente. As alterações nas emoções tendem a ser em menor grau quando o aluno está próximo dos limites máximo e mínimo,
pois se entende que nesses casos a emoção encontra-se mais estável. Por exemplo, um aluno muito confiante não se abala tão facilmente quanto outro de confiança média. Assim como um aluno com pouca aversão não irá facilmente mudar de opinião (considerando que os fatores que disparam o ajuste são as notas de exercícios e avaliações).
Baseado nestas diretrizes, foram estabelecidas equações que realizam o ajuste das emoções conforme os eventos ocorridos. Estas equações foram obtidas através de um processo de observação empírica das mudanças ocorridas nos valores das emoções em experimentos simulados. As equações a serem disparadas a cada evento são ilustradas na Tabela 16.
Tabela 16. Equações de ajuste conforme acontecimento no ambiente Tipo Nível Equações
Bom
ções qtdeAvalia
nota confiança confiança
confiança 1 * *0,02
ções qtdeAvalia
nota o preocupaçã o
preocupaçã o
preocupaçã * *0,02
ções qtdeAvalia
nota aversão aversão
aversão * *0,02
Médio
ções qtdeAvalia
nota o preocupaçã o
preocupaçã o
preocupaçã 1 * *0,01
Avaliação
Ruim
ções qtdeAvalia
nota confiança confiança
confiança * *0,02
ções qtdeAvalia
nota o preocupaçã o
preocupaçã o
preocupaçã 1 * *0,02
ções qtdeAvalia
nota aversão aversão
aversão 1 * *0,02
Bom
cios qtdeExercí
nota confiança confiança
confiança 1 * *0,01
cios qtdeExercí
nota o preocupaçã o
preocupaçã o
preocupaçã * *0,01
cios qtdeExercí
nota aversão aversão
aversão * *0,01
Exercícios
Médio ou Ruim
cios qtdeExercí
nota confiança confiança
confiança * *0,01
cios qtdeExercí
nota o preocupaçã o
preocupaçã o
preocupaçã 1 * *0,01
cios qtdeExercí
nota aversão aversão
aversão 1 * *0,01
Conforme descrito anteriormente e analisando as equações, nota-se que a alteração nas emoções dos alunos, quando referente a um exercício tende, a afetar a metade do que afetaria caso fosse uma avaliação (exceto se a nota da avaliação for mediana).
O comportamento dessas equações na prática pode ser conferido através de um experimento de validação realizado a partir dos resultados obtidos por um aluno no final do semestre de 2005/I, apresentado na Tabela 17. A letra E indica que a atividade realizada foi um exercício, e A representa que foi uma avaliação (prova ou trabalho).
Tabela 17. Comportamento das equações de ajuste a partir dos resultados de um aluno Emoções Inicial E1
Nota: 6,6
E2
Nota: 8,6
E3
Nota: 9,2
E4
Nota: 6,6
A1
Nota: 10
A2
Nota: 7
A3
Nota: 9,5
E5
Nota: 5
A4
Nota: 1,8
A5
Nota: 6
Confiança 0,65 0,673 0,687 0,697 0,702 0,761 0,778 0,792 0,784 0,752 0,758 Preocupação 0,75 0,7 0,669 0,649 0,638 0,51 0,474 0,444 0,45 0,472 0,461 Aversão 0,178 0,166 0,159 0,154 0,151 0,121 0,113 0,105 0,114 0,151 0,147 O gráfico da Figura 29 apresenta a oscilação das emoções do aluno em cada uma das atividades realizadas, permitindo analisar graficamente as variações.
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1
Inicial Exercício 1
Exercício 2
Exercício 3
Exercício 4
Avaliação 1
Avaliação 2
Avaliação 3
Exercício 5
Avaliação 4
Avaliação 5
6,66 8,66 9,2 6,6 10 7 9,5 5 1,8 6
Confiança Preocupação Aversão
Figura 29. Gráfico com as oscilações das emoções ao decorrer das atividades
Analisando o gráfico, percebe-se que o sentimento de confiança cresceu a partir da realização das avaliações, estabilizando-se ao final. A aversão começou e terminou em níveis semelhantes, embora tenha apresentado uma diminuição, devido os bons resultados obtidos nas avaliações iniciais. Já a preocupação foi a emoção cujos valores mais oscilaram, decrescendo significativamente devido às notas obtidas acima da média.
A emoção denominada dedicação possui comportamento diferente das demais, pois se entende que um aluno é dedicado pelas suas atitudes e não apenas pelos resultados. Sendo assim, o cálculo da dedicação ocorre conforme a realização de dois tipos de eventos: (i) quando o professor atualiza as informações do aluno ou quando o aluno responde ao questionário afetivo; ou (ii) quando o aluno realiza ou o ambiente gera uma tarefa ou exercício. As fórmulas de atualização da emoção são apresentadas na Figura 30.
1) Professor atualiza informações sobre o aluno ou o aluno responde ao questionário afetivo:
3
_ _ _ _
_conversa faz exercicios não sai de sala
T
professor não6
_ 3
* 2
* Dedicação anterior
Dedicação
T
professorT
questionário2) Aluno realiza exercício ou tarefa:
# _
# _ _
_
proposta tarefa
realizada tarefa
proposto exercício
realizado exercício ambiente
T
# _ _
_ _
proposta tarefa proposto
exercício
anterior ambiente ambiente
T
anterior
T
Dedicação Dedicação
Figura 30. Fórmula para determinação da dedicação do aluno
Uma observação a ser registrada é que quando o aluno é cadastrado no ambiente, considera- se que a emoção inicial dele é de 0,5 para as variáveis em que é necessária a intervenção humana, ou seja, referente ao questionário afetivo e às observações do professor sobre o aluno. O motivo desta opção deve-se ao fato que o professor não conhece o aluno logo no início das aulas, e só poderá tecer um comentário sobre ele a partir de um determinado tempo de observação. Decidiu-se também considerar 0,5 para o questionário a fim de não impossibilitar que o aluno explore o ambiente e realize exercícios, na dependência do questionário ser respondido.
No momento em que for solicitado o preenchimento do questionário afetivo, ou que o professor informar suas percepções sobre o aluno, a dedicação deverá ser atualizada. Para isso, é realizada uma média aritmética dos parâmetros informados pelo professor a partir de observações
do comportamento em sala de aula (se o aluno conversa, busca resolver os exercícios propostos, e mantém-se em sala durante as aulas). Caso o formulário das emoções seja preenchido, o cálculo é realizado conforme descrito na Figura 28 (Fórmula para determinação do grau emoção utilizando o instrumento proposto). Com esses resultados é calculado o valor da dedicação, onde as informações fornecidas pelos alunos possuem ponderação de valor 3, acrescido do resultado das percepções do professor, cuja ponderação é de valor 2, e o valor anterior da dedicação diagnosticada pelo ambiente. A escolha dos graus de ponderação deve-se ao fato de acreditar-se que os humanos, no caso aluno e professor, identifiquem melhor esse sentimento do que um ambiente. Nesse momento, o ambiente tem um papel maior em atualizar essa emoção, do que defini-la propriamente, isto é, cabe a ele averiguar a evolução ou desleixo do aluno nos estudos.
Já quando é realizada ou gerada alguma tarefa ou exercício, o ambiente atualiza o valor da dedicação do aluno. Para isso, primeiramente é realizada uma média entre a relação dos exercícios realizados e os propostos, e as tarefas realizadas e propostas. O símbolo # na fórmula indica que são desconsideradas as tarefas que solicitam a resolução de exercícios, pois os mesmos já estão sendo contabilizados na fórmula. A separação entre exercícios e tarefas, dá-se pelo fato que nem todo o exercício gera necessariamente uma tarefa, como no caso de um exercício ser gerado pelo professor a toda turma.
Com o valor gerado é realizada uma subtração do valor anterior, obtendo-se a diferença do crescimento ou retrocesso do desempenho. Esse resultado é dividido pela soma das atividades propostas (exercícios e tarefas), e ao final soma-se ao valor da dedicação anterior.
Essa fórmula comporta tanto a um aluno que não realiza as atividades, como àquele que se esforça e mantém-se ativo. O cálculo responsável por esse comportamento dá-se pela diferença entre o valor atual de