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4. Interfaces Humano-Computador

4.5. Avaliação de Interfaces

Elemento da Interface

Recomendações

Navegação • alocar a área de navegação principal em um local bastante destacado, de preferência imediatamente ao lado esquerdo do corpo principal da página (em países ocidentais);

• não incluir um link ativo para homepage na própria homepage;

• fornecer informações sobre o contexto em que se encontra o usuário.

Utilizar barras de navegação no site que responda as perguntas: Onde estou? Onde estive? Onde posso ir?;

• manter a uniformidade das facilidades de navegação;

• manter um número de cliques reduzidos para o usuário chegar as informações que busca, por exemplo: recomenda-se três cliques para informações importantes ou freqüentemente consultadas; quatro ou cinco cliques para 80% das informações do documento e sete cliques para atingir qualquer parte do documento.

Capacidade de Busca

• disponibilizar um caixa de entrada para pesquisa na homepage, ao invés de oferecer um link para uma página de pesquisa;

• utilizar caixas onde os usuários possam ver e editar suas consultas no site (o tamanho da caixa deve suportar pelo menos 25 caracteres visíveis);

• a menos que pesquisas avançadas sejam regra geral no site, forneça pesquisa simples, se necessário forneça um link para acessar a pesquisa avançada ou dicas de pesquisa se existirem;

• a pesquisa na homepage deve pesquisar no site inteiro. Não se deve limitar a capacidade de busca, pois os usuários pressupõem, quase sempre, que a busca é completa;

• não oferecer o recurso de pesquisar na web, no site, caso os usuários necessitem disso eles usarão os seus favoritos, além de tornar a pesquisa mais complexa.

Personalização • a personalização pode funcionar bem, desde que não exija nenhum esforço de configuração por parte dos usuários;

• se for possível fazer recomendações relevantes, com base no comportamento anterior do usuário, eles ficarão gratos;

• não disponibilizar recursos para personalizar a aparência básica da interface, é melhor concentrar-se em recursos que sejam mais eficientes para a maioria dos usuários.

Quadro 4.3 – Elementos da Interface e recomendações de utilização na Web (Nielsen, 2000) (continuação).

um software. Quanto mais cedo forem encontrados os problemas de interação ou de interface, menor o custo de se consertá-los.

Um projetista não deve supor que basta seguir métodos e princípios de projeto de interfaces para garantir uma alta qualidade de uso de seu software. Além disto, também não deve presumir que os usuários são como ele próprio, e que portanto bastaria sua avaliação individual para atestar esta qualidade. Alguns dos principais objetivos de se realizar avaliação de sistemas interativos são:

a. identificar as necessidades de usuários ou verificar o entendimento dos projetistas sobre estas necessidades;

b. identificar problemas de interação ou de interface;

c. investigar como uma interface afeta a forma de trabalhar dos usuários;

d. comparar alternativas de projeto de interface;

e. alcançar objetivos quantificáveis em métricas de usabilidade;

f. verificar conformidade com um padrão ou conjunto de heurísticas.

Diferentes tipos de avaliação são necessários em diferentes estágios do projeto.

Nos estágios iniciais onde idéias estão sendo exploradas e tentadas, muitas vezes testes bastante informais são suficientes. Outras vezes, principalmente em estágios um pouco mais avançados do processo, avaliações mais formais devem ser planejadas.

Segundo Rocha e Baranauskas (2003) de forma resumida a avaliação tem três grandes objetivos:

a. Avaliar a funcionalidade do sistema: é importante observar se o sistema está adequado aos requisitos da tarefa do usuário, ou seja, permite que o usuário execute sua tarefa de modo fácil e rápido;

b. Avaliar o efeito da interface junto ao usuário: tentar identificar partes da interface que quando usadas causam resultados inesperados ou geram dúvidas nos usuários;

c. Identificar problemas específicos do sistema: é necessário avaliar a usabilidade das interfaces, ou seja, avaliar a facilidade de uso, identificar áreas da interface que sobrecarregam o usuário de alguma forma, etc.

Em relação a estes objetivos Rocha e Baranauskas (2003) classificam as técnicas de avaliação baseando-se em dois critérios: a) participação dos usuários nos testes e b) se a interface está ou não implementada. De acordo com o critério escolhido uma técnica de avaliação deverá ser selecionada. Se os usuários não participam dos testes a técnica mais indicada é a inspeção de usabilidade, caso contrário a técnica mais indicada denomina-se testes de usabilidade.

4.5.1. Inspeção de Usabilidade

Esta técnica pode ser utilizada em qualquer fase do desenvolvimento do sistema, estando implementado ou não. A técnica de inspeção de usabilidade pode usar quatro métodos de avaliação da interface:

a. Avaliação heurística: faz uma inspeção na interface tendo como base uma lista de heurísticas de usabilidade. A avaliação heurística é uma das formas de avaliação mais utilizadas, por apresentar melhores resultados práticos, facilidade de aprendizagem, além de ter a uma excelente relação custo benéfico (Nielsen e Molich, 1990; Rocha e Baranauska, 2003);

b. Revisão de guideline: a interface é analisada no sentido de verificar se está de acordo com uma lista de guidelines de usabilidade. Geralmente essa lista contém uma seqüência de 1.000 guidelines, o que torna o uso deste método muito raro dada a experiência que é exigida pelo revisor;

c. Inspeção de consistência: a avaliador verifica a consistência dentro de uma família de interfaces, quanto à terminologia, cores, formatos de entrada e saída, layout e todos os outros elementos que fazem parte da interface, se o sistema possui muitas interfaces e controles este método consome muito tempo de avaliação;

d. Percurso cognitivo: o avaliador simula o usuário caminhando na interface para executar tarefas típicas. O foco principal do método é avaliar as

interfaces no que diz respeito a facilidade de aprendizagem. O método recebe críticas exatamente por focar apenas um atributo de usabilidade que é a facilidade de aprendizagem, deixando de testar os demais atributos.

4.5.2. Testes de Usabilidade

Utilizam métodos centrados no usuário, como por exemplo:

a. Observação direta: o avaliador está ao lado do usuário observando suas interações com o sistema, o que poder algo não muito confortável para o usuário;

b. Observação indireta: o usuário pode estar sendo monitorado por uma câmera de vídeo enquanto interage com o sistema (laboratórios de usabilidade);

c. Elaboração de questionários sobre a utilização do sistema pelo usuário final: este método requer a existência de uma implementação real do sistema em algum formato que pode ser desde um protótipo que simule a capacidade interativa do sistema, sem nenhuma funcionalidade, um protótipo com um número limitado de funcionalidades ou até a implementação completa do sistema.

Os testes de usabilidade geralmente consomem muito tempo dos avaliadores e é necessário um investimento razoável para sua realização.

Durante o desenvolvimento deste trabalho optou-se pela técnica de inspeção de usabilidade, apoiada pelo método de avaliação heurística. A avaliação do AVA foi feita por especialistas ligados à área da computação. Os avaliadores escolhidos foram professores universitários e projetistas de software. Os resultados da inspeção de usabilidade serão descritos no capítulo 8 deste trabalho.

A escolha do método se deu principalmente pela sua facilidade de utilização e requisitar poucos avaliadores para analisar a interface, estas e outras facilidades fazem com que este seja um método bastante utilizado por vários pesquisadores da área (Winckler, 2000; Rocha e Baranauska, 2003). Vale ressaltar que a escolha do método não impede ou invalida que testes de usabilidade sejam realizados com usuários finais numa fase posterior, muito pelo contrário a estratégia aqui adotada visa encontrar a maioria dos

problemas sob a ótica de especia1listas antes que o AVA proposto seja utilizado por usuários reais. E desta forma minimizar significativamente os possíveis problemas que estes usuários encontrariam se a inspeção de usabilidade não fosse realizada. O método será detalhado na subseção 4.6 a seguir.