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4. Interfaces Humano-Computador

4.1. Histórico e Definições

A cada ano, os seres humanos estão ligados ao uso de computadores e dispositivos eletrônicos; isto ocorre tanto nas atividades pessoais quanto no trabalho. A facilidade de utilização desses dispositivos já vem sendo parte do esforço despendido no projeto, tanto de software quanto de hardware, pelo simples fato de que dispositivos com interfaces ruins não são utilizados como deveriam ou simplesmente acabam tornando-se um fator determinante na hora de adquirir um produto. Interfaces mal projetadas podem ocasionar desperdício de tempo na execução de tarefas que deveriam ser simples e conseqüentemente ocasionam aumento da necessidade de treinamento.

Há fundamentação empírica que quantifica a redução de custo e aumento de produtividade com a melhora da usabilidade de uma interface. Diversos estudos (Brad, 1993 e Nielsen, 2000 e 2002) descrevem economias na escala de milhões de dólares atribuídas a melhoras decorrentes de investimento em desenvolvimento e aprimoramento de interfaces. A existência de especialistas em IHM em um projeto é apontada como um fator muito importante na melhora de facilidade de uso do produto resultante. Com base nestas importantes provas, a indústria e as organizações acadêmicas e estatais com atividades ligadas à computação têm voltado crescentemente seu interesse para esta área.

Em 1992, a ACM (Association for Computing Machinery) publicou um currículo de referência para cursos de graduação na área de interação homem-computador, desenvolvido pelo Grupo de Desenvolvimento de Currículo (CDG) do seu Grupo de Interesse Especial em Interação Humano-Computador (ACM SIGCHI). Na publicação é apresentada a seguinte definição “A interação Humano-Computador é uma disciplina que diz respeito ao projeto, avaliação e implementação de sistemas de computador interativos para uso humano e ao estudo dos principais fenômenos que os cercam” (Hewett et al., 1992).

A mesma publicação classifica a área como sendo interdisciplinar abrangendo disciplinas como: ciência da computação (aplicação, projeto e engenharia de interfaces humanas), psicologia (aplicação de teorias dos processos cognitivos e análise empírica do

comportamento do usuário de computadores), sociologia e antropologia (interações entre tecnologia, trabalho e organização) e projeto industrial (produtos interativos). Devido ao fato da interação homem-computador estudar o homem e a máquina em comunicação é necessário, ao estudioso da área, o conhecimento tanto de máquinas como do ser humano.

Pelo lado das máquinas a área requer conhecimento de técnicas de computação gráfica, sistemas operacionais, linguagens de programação e ambientes de desenvolvimento. Pelo lado do ser humano requer conhecimentos de teoria da comunicação, disciplinas de projeto gráfico e industrial, lingüística, ciências sociais, psicologia cognitiva e desempenho humano. Além disso, é relevante que se tenha conhecimento de métodos de projetos e de engenharia.

Para se ter uma caracterização da interação humano-computador como um campo, deve-se pensar que a área se interessa pelo desempenho conjunto das tarefas executadas pelos seres humanos e pelas máquinas; pelas estruturas de comunicação entre o homem e a máquina; pela capacidade humana de usar máquinas (incluindo a facilidade de entendimento das interfaces); pelos algoritmos e programas da própria interface; pelos conceitos de engenharia aplicados ao projeto e construção de interfaces e pelo processo de especificação, projeto e implementação de interfaces. A interação humano-computador, desta forma, tem aspectos de ciência, engenharia e projeto.

Depois de definida a abrangência e objetivos da área da interação humano- computador, pode-se passar ao estudo da interação e das interfaces que são os meios através dos quais se faz a interação entre humanos e computadores.

4.1.1. Interface

O termo interface é aplicado normalmente àquilo que interliga dois sistemas.

Tradicionalmente, considera-se que uma interface homem-máquina é a parte de um artefato que permite a um usuário controlar e avaliar o funcionamento deste artefato por meio de dispositivos sensíveis às suas ações e capazes de estimular sua percepção. No processo de interação usuário-sistema a interface é o combinado de software e hardware necessário para viabilizar e facilitar os processos de comunicação entre o usuário e a aplicação. A interface entre usuários e sistemas computacionais diferencia-se das interfaces de máquinas convencionais por exigir dos usuários um maior esforço cognitivo em

atividades de interpretação e expressão das informações que o sistema processa (Norman, 1986).

Uma das definições históricas para interfaces foi a proposta por Moran (1981) que define interface como: “... parte de um sistema computacional com a qual uma pessoa entra em contato físico e perceptivo”. Nessa definição, Moran (1981) caracteriza que a interface com o usuário possui os componentes físico e conceitual. O componente físico é percebido e manipulado pelo usuário, por exemplo: teclas, mouses dispositivos sensíveis ao toque, etc., enquanto que o componente conceitual o usuário interpreta, processa e raciocina, por exemplo: as mensagens enviadas pela aplicação ao monitor de vídeo.

4.1.2. Interação

É um processo que engloba as ações do usuário sobre a interface de um sistema e suas interpretações sobre as respostas reveladas por esta interface (Souza et al., 1999). O processo de interação é descrito na Figura 4.1.

Figura 4.1 – Processo de interação Humano-Computador.

Os estilos de interação caracterizam a forma de apresentação da interface para a interação com o usuário. Os estilos de interação mais freqüentemente utilizados nas plataformas computacionais atuais são: GUI (Graphical User Interface), e WUI (Web User Interface). O estilo GUI, também conhecido como interface WIMP (Window, Icon, Menu, Pointer) é o estilo mais popular, empregando os quatro elementos essenciais numa interface, isto é, janelas, ícones, menus e ponteiros. O estilo WUI, citado por alguns autores como interfaces web (Nielsen, 2000), é composto de marcações XML, folhas de estilo, linguagens de scripting, objetos embutidos e plug-ins. Este tipo de interface precisa

necessariamente de janelas GUI para ser exibido, essas janelas são conhecidas como navegadores ou browsers, onde várias janelas podem ser utilizadas para exibir informações.