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4.3.1 Avaliação inicial

Os dois grupos passaram por uma avaliação da composição corporal, através do exame de imagem (DXA), além da obtenção de dados antropométricos

consistindo de peso e altura, e pela coleta de informações básicas, como data de nascimento, endereço, telefone, e-mail e dados dos responsáveis.

4.3.2 Avaliação do gasto energético

Após a coleta do peso e da altura do paciente, foi calculado o seu IMC, e o seu GER. Para o presente estudo, optamos por usar a equação de Harris-Benedict de 1918, por ser a equação com maior quantidade de estudos na atualidade, tanto para a avaliação do GER atual quanto para o cálculo do GER ideal no sistema.

Fórmula de Harris-Benedict:

Homens 66.47 + 13.75 (P) + 5 (A) – 6.8 (I)

Mulheres 665 + 9.6 (P) + 1.8 (A) – 4.7 (I)

Legenda: P=peso em quilos; A=altura em centímetros, I=idade em anos

O GER ideal foi calculado tomando-se como base o peso ideal para a altura do paciente.

4.3.3 Dual X-ray absorptiometry – DXA

Todos os indivíduos selecionados passaram por uma avaliação da composição corporal no início e no final do estudo.

A composição corporal foi medida por densitometria com emissão de raios-X de dupla energia (DXA; Zoológica QDR 4500 - Hologic, Bedford, MA, EUA). Este método diferencia o peso corporal em componentes de tecido magro, tecido adiposo e tecido ósseo, o que permite distinguir parâmetros regionais e totais de composição corporal. Para a avaliação da distribuição da gordura corporal, utilizou-se a gordura do tronco e a distribuição androide. O método é considerado referência para avaliação da composição corporal, além de ser preciso e de baixa exposição à radiação62,63. A dose de radiação estimada variou entre 0,02 e 0,06 J/k, o que equivale a 50 vezes menos exposição à radiação ionizante que um exame de raio-X

simples. A técnica do DXA calcula a composição corporal em regiões anatômicas separando a massa corporal em dois compartimentos: massa adiposa e massa magra. O exame é não invasivo e teve duração de aproximadamente 15 minutos.

A calibragem do equipamento e as análises dos dados foram realizadas por um técnico do laboratório com experiência nesse tipo de avaliação. Para realização do exame as crianças posicionaram-se em decúbito dorsal sobre a mesa com os membros inferiores unidos e com os membros superiores estendidos ao longo do tronco. Elas estavam vestidas com shorts e camiseta, descalças e sem portar objeto metálico móvel ou qualquer outro acessório junto ao corpo.

Os parâmetros avaliados pelo DXA foram percentual de gordura total, percentual de gordura de acúmulo androide (AND, central), percentual de gordura de acúmulo ginoide (GIN, periférico) e relação AND/GIN.

4.4 Consultas clínicas

No primeiro grupo, os pacientes foram submetidos a consultas mensais com um médico nutrólogo durante o período de três meses. Na primeira consulta foi realizado o DXA e foi mensurado o peso e a altura do paciente para avaliar o IMC e calcular seu peso ideal. O cálculo do peso ideal foi feito tendo como base a altura do paciente e o IMC ideal para a idade através de curvas de percentis26 (Anexos A e B).

Calculou-se também o GER atual e o GER ideal para idade altura e peso atual e ideal, respectivamente, com a fórmula de Harris-Benedict.

A partir daí, foi feito um recordatório alimentar de 24 horas, sendo perguntado ao paciente o que ele costuma comer em cada refeição, que alimentos e suas respectivas quantidades. Além disso, foi perguntado ao paciente se praticava alguma atividade física e qual a frequência/duração semanal da mesma.

Baseado nas informações coletadas, o médico passava ao paciente informações relativas a uma mudança na sua alimentação, baseado no Guia Alimentar para a População Brasileira64, com orientações sobre o que comer, quantidades e qualidade do alimento a ser ingerido a cada refeição. O paciente foi informado que deveria comer de 5 a 6 refeições por dia (café da manhã, colação, almoço, lanche, jantar e ceia, sendo a ceia opcional), e o que ele deveria comer a

cada refeição, ou seja, que tipos de alimentos deveriam compor cada refeição, com sugestões de cardápio.

A quantidade total de calorias a ser ingerida por dia foi informada ao paciente, tendo como base o GER atual e o GER ideal. Para evitar uma diminuição brusca na quantidade de calorias ingeridas, considerando que a quantidade atual estava acima da quantidade ideal, foi estipulado que essa diminuição seria progressiva, em torno de 20% por semana até alcançar o total de calorias ideal, esse cálculo foi feito pelo médico sendo informado ao paciente.

Baseado no total de calorias por dia, o paciente era orientado sobre a quantidade de calorias por refeição e como calcular essa quantidade com a ajuda de uma tabela de alimentos, fornecida a ele durante a primeira consulta. Essa tabela contém uma lista de alimentos, separados por tipo (carboidratos, proteínas, legumes e verduras, preparações prontas) com a devida quantidade de calorias por cada item (Anexo E).

Orientações sobre a importância da prática de atividade física também foram fornecidas durante a primeira consulta, assim como acordado com o paciente o início de alguma atividade. A atividade física proposta foi utilizada como potencializador do emagrecimento não sendo feito nenhum cálculo preciso do gasto calórico envolvido. As propostas de atividade física envolviam desde atividades lúdicas como dança até esportes coletivos como futebol ou voleibol. Foram recomendadas atividades físicas 2 a 3x/semana com duração de 60 minutos cada.

Durante as consultas mensais suas massas corporais eram aferidas e havia relatos do que havia acontecido desde a última consulta: o que comeram, se tiveram dificuldade em seguir as orientações dietéticas, se estavam praticando alguma atividade física e, caso não estivessem, a razão disso. A partir dessa análise eram feito ajustes, através de sugestões e ideias, para facilitar a aderência tanto à dieta quanto à prática de atividade física. Os adolescentes mais jovens, 11 a 15 anos, eram acompanhados de um membro da família, pais ou avós, e a participação deles foi fundamental para o sucesso do tratamento. Os adolescentes mais velhos, 16 a 18 anos, por muita vezes vinham sozinhos e relatavam a dificuldade em convencer a família a praticar as mudanças em relação à alimentação.

Na última consulta foi novamente avaliado a altura do paciente, além da massa corporal, e foi realizado novo DXA. Assim como nas consultas anteriores, a

dieta foi avaliada quanto à aderência do paciente e ajustada caso necessário, assim como a prática de atividades físicas.

Os dados coletados foram inseridos em tabelas para avaliar o progresso do paciente.

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