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Avaliações das cotas

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 51-55)

que não cotistas podem não concordar com o sistema de cotas, uma vez que não podem se beneficiar delas.

público torna o sistema de cotas necessário, e os cotistas (-2,17) discordam mais do que os não cotistas (-1,49) quanto ao desempenho oriundo de alunos cotistas na Universidade ser inferior.

Os resultados muito significativos (< 0.001) estão expressos nos itens 1, 5, 6 e 7: o item 1 demonstra que enquanto os não cotistas (0,21) têm um posicionamento neutro, os cotistas (-0,72) discordam que as cotas são medidas politiqueiras; no item 5 os cotistas (-2,55) discordam muito mais do que os não cotistas (-1,44) que o ingresso de alunos pelo sistema de cotas nas Universidades diminua a qualidade do ensino superior; já o item 6 mostra o aumento da concordância dos não cotistas (1,51) do que nos cotistas (0,61) que o ensino público precisa ser melhorado ao invés de criar cotas; e no item 7 tanto cotistas (-2,19) quanto não cotistas (-0,56) discordam que as cotas ferem o princípio de igualdade garantido pelo artigo 5º da Constituição brasileira, contudo a discordância é bem maior nos cotistas.

Tabela 6: Resultados relativos às cotas raciais nas Universidades. N=134. Rio de Janeiro, 2016.

Itens de Likert - Cotas raciais nas Universidades

Média na escala Classificação da Sig.

Cotista Não cotista 9 - A reserva de vagas para estudantes oriundos de

escola pública já contempla a questão da minoria negra.

-1,19 -0,51 Ns

10 - O critério racial não é adequado para cotas porque quase todos brasileiros vêm de uma mistura

de raças.

-0,48 -0,13 Ns

11 - Cotas afetam negativamente a imagem

profissional do negro. -1,64 -0,93 p.<.05 12 - O passado de discriminação e opressão dos

negros interfere atualmente em seu acesso a melhores condições de vida, em consequência, as

cotas visam diminuir esse efeito.

1,48 1,06 Ns

13 - A auto declaração de raças traz um benefício

impróprio a algumas pessoas. 0,92 1,36 Ns

14 - Cotas promovem mais discriminação. -1,44 -0,29 p.<.001 15 - O aluno que deve entrar na Universidade é

aquele que obteve a melhor nota no vestibular independente da cor.

-0,98 0,13 p.<.001

Os resultados relativos à tabela das cotas raciais nas Universidades demonstram que os itens de likert 9, 10, 12 e 13 não apresentaram diferenças significativas (ns) entre os grupos de estudantes da UERJ, o que indica que suas respostas não são muito discrepantes entre si. Eles possuem as mesmas atitudes frente os temas abordados nessas afirmativas, ou seja, o pensamento tende a não se distinguir acerca desses temas presentes nessas afirmativas.

Sobretudo os cotistas discordam mais (-1,64) do que os não cotistas (-0,93) que as cotas afetam negativamente a imagem do profissional negro (item de likert 11). Resultados mais significativos (< 0.001) são visíveis no item 14, onde os cotistas (-1,44) discordam mais

do que os não cotistas (-0,29) que as cotas promovem aumento da discriminação; e no item 15, pois enquanto os cotistas (-0,98) discordam que o aluno que deve ter acesso a Universidade deve ser o que obteve melhor nota independente da cor, os não cotistas (0,13) tendem a concordar com a afirmativa.

Tabela 7: Resultados relativos às cotas sociais nas Universidades. N=134. Rio de Janeiro, 2016.

Itens de Likert - Cotas sociais nas Universidades

Média na escala Classificação da Sig.

Cotista Não cotista 16 - Um aluno que estudou em escola pública

precária e teve média 7,0 no vestibular merece mais a vaga na Universidade que um aluno de uma boa

escola particular que teve média 8,0.

0,34 -0,31 p.<.05 17 - O aluno que deve entrar na Universidade é

aquele que obteve a melhor nota no vestibular independente de ter estudado em escola pública ou

não.

-1,80 -0,27 p.<.001

Os resultados relativos às cotas sociais no âmbito universitário são significativos (<

0,05) no item 16 e muito significativos no item 17. Isso porque no item 16 o aluno que tem condições precárias de ensino e nota média no vestibular é visto como alguém que merece mais a vaga do que um aluno de boa escola de média maior pelos cotistas (0,34), mas não é visto assim pelos não cotistas (-0.31), que discordam da afirmação.

Já o item 17 demonstra alto grau de discordância nos cotistas (-1,80) e moderado grau nos não cotistas (-0.27) na afirmação relativa ao merecimento da vaga na Universidade para o aluno que obtém melhor nota independente da escola de onde vem, ou seja, escola pública ou não.

Tabela 8: Resultados relativos às demais cotas e em outros locais. N=134. Rio de Janeiro, 2016.

Itens de Likert - Demais cotas em Universidades e outros locais

Média na escala Classificação da Sig.

Cotista Não cotista 18 - O aluno que deve entrar na Universidade é

aquele que obteve a melhor nota no vestibular independente de ser portador de necessidades

especiais ou não.

-1,97 -0,97 p.<.001 19 - O aluno que deve entrar na Universidade é

aquele que obteve a melhor nota no vestibular independente de ser filho de policial civil, militar,

bombeiro, agente penitenciário ou inspetor de segurança que foi morto ou incapacitado em razão do

serviço.

0,16 1,20 p.<.001

20 - Cotas são justas somente para deficientes

intelectuais e não físicos. -2,08 -1,20 p.<.001 21 - Como você avalia as cotas nas Universidades? 2,20 0,74 p.<.001

22 - Como você avalia as cotas para filhos de policiais militares, bombeiros, agentes penitenciários

mortos ou incapacitados em razão do serviço?

-0,30 -1,24 p.<.001 23 - Como você avalia as cotas para alunos de escola 2,36 1,26 p.<.001

pública levando em conta a renda?

24 - Como você avalia as cotas para indígenas sem

levar em conta a renda? 0,38 -0,67 p.<.001 25 - Como você avalia algum tipo de cota para cargos

de chefia em empresas privadas? -1,28 -1,50 Ns 26 - Como você avalia algum tipo de cota para

concursos para cargos públicos? 0,06 -0,29 Ns 27 - Como você avalia as cotas para negros levando

em conta a renda? 1,63 1,11 Ns

28 - Como você avalia as cotas para negros sem levar

em conta a renda? -0,78 -1,13 Ns

29 - Como você avalia as cotas para indígenas

levando em conta a renda? 1,38 0,81 Ns

30 - Como você avalia as cotas para que alunos ingressem em escolas públicas de excelência (por

exemplo Cefet, Pedro II, Caps Uerj, etc.)?

0,72 -0,60 p.<.001 31 - Como você avalia as cotas para alunos de escola

pública sem levar em conta a renda? 0,34 -0,71 p.<.001 32 - Como você avalia as cotas para portadores de

necessidades especiais? 2,25 1,29 p.<.001

33 - Como você avalia algum tipo de cota para cargos

de chefia em empresas públicas? -0,78 -1,50 Ns 34 - Como você avalia algum tipo de cota para cargos

no legislativo? -0,64 -1,06 Ns

39 - Como você avalia as cotas para ingresso de

alunos em programas de pós-graduação? 0,66 -0,09 Ns

Com relação às afirmações referentes ao sistema de cotas voltado para diferentes grupos sociais e em diversas instituições, resultados não significativos (ns) foram encontrados nos itens 25, 26, 27, 28, 29, 33, 34 e 39. Tanto cotistas quanto não cotistas discordam para cotas voltadas a cargos de chefia em empresas públicas (item 33) e privadas (item 25); e cotas para negros sem levar em conta a renda (item 28). Ambos os grupos também discordam de cotas para cargos no legislativo (item 34).

A concordância de cotistas e não cotistas pode ser vista nos itens 27 e 29, relativos às cotas para negros e indígenas, respectivamente, sob condição de avaliação da renda. Já nos itens 26 e 39, os cotistas apoiam cotas para cargos de concursos públicos e no ingresso de programas de pós-graduação, enquanto os não cotistas divergem quanto às afirmações.

Os resultados altamente significativos (< 0.001) podem ser observados nos itens 18, 20 e 22, ambos os grupos aceitam as cotas para pessoas com deficiência, seja ela qual for e rejeitam as cotas para filho de policial civil, militar, bombeiro, agente penitenciário ou inspetor de segurança que foi morto ou incapacitado em razão do serviço. Cabe ressaltar que os cotistas aceitam mais a ideia de cotas para deficientes do que não cotistas, enquanto não cotistas rejeitam mais às cotas para filhos de policiais, etc. do que os cotistas.

Os dados do item 22, relativo à opinião dos universitários às cotas para filhos de policiais, bombeiros, agentes e inspetores de segurança mortos ou incapacitados são

corroborados no item 19, onde cotistas e não cotistas rejeitam mais uma vez as vagas reservadas para essa minoria, preferindo que a vaga seja de um aluno que obteve a melhor nota no vestibular. Mais uma vez o maior escore é dos não cotistas (-1,24), que a rejeitam mais do que os cotistas (-0,30).

Os dados dos itens 18 e 20 também são confirmados ao observar o item 32, onde ambos os grupos são favoráveis às cotas para deficientes, sendo, mais uma vez, o número maior nos cotistas (2,25) do que nos não cotistas (1,29).

O item 21 mostra que os cotistas (2,20) apoiam muito mais as cotas nas Universidades do que não cotistas (0,74). Esse número passa do dobro nos resultados dos cotistas (2,36) em relação aos não cotistas (1,26) quando as cotas surgem atreladas às condições de renda e de baixa escolaridade dos candidatos às reservas de vagas (item 23).

Resultados distintos entre os grupos são passíveis de observação nos itens 24, 30 e 31.

Enquanto os cotistas defendem cotas para alunos de escola pública (0,34) e indígenas (0,38), ambas sem levar em conta a renda e também para alunos de escolas públicas de excelência (0,72), os não cotistas discordam das reservas de vagas para os três grupos: alunos de escola pública (-0,71) e indígenas (-0,67) sem levar em conta renda e alunos de escolas públicas excelentes (-0,60).

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 51-55)

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