• Nenhum resultado encontrado

AVANÇOS DO DIREITO INTERNACIONAL DO MEIO AMBIENTE

No documento Monografia Direito Univali. 2010 (páginas 75-82)

consideração causa, tipo, grau e freqüência do citado inadimplemento;

c) o relativo ao estabelecimento de um aparato institucional próprio para o Protocolo, a Reunião das Partes Contratantes do mesmo, que deverá utilizar-se das sessões da COP da Convenção, para as revisões e promoção do cumprimento das normas daquele, considerando-se o Secretariado da Convenção, bem como os órgãos subsidiários criados pela Convenção, comuns ao Protocolo; portanto, o Protocolo pertence a uma categoria de ato internacional multilateral, o de tratado-quadro, tal como a Convenção sobre o Clima.156

Prado Lima e Vilarroel falam do insucesso do Protocolo de Kyoto, apontado vários aspectos que contribuíram para essa inefetividade, tais como: o grande número de atores envolvidos na produção e na emissão dos GEE, prejudicando as negociações, resistência à aceitação dos custos econômicos da redução de emissões por parte dos países que mais emitem GEE (como é o caso dos EUA, que emitem ¼ de gases de efeito estufa de todo o Planeta), fato que desmotiva os outros signatários do Protocolo.157

Em seguida, faz menção ao dinamismo normativo, evidenciando que existem aproximadamente 40 convenções com vocação universal, 50 de vocação regional e em torno de 50 protocolos, que perfazem os textos mais importantes referentes às questões ambientais.

Posteriormente, o autor comenta o fato da criação de várias instituições, como o PNUMA (1972); a Comissão de Desenvolvimento Sustentável (1992), encarregada da implementação da Agenda 21; O Fundo do Meio Ambiente Global (1990); as Nações Unidas, pelo fato de operarem através da Assembléia- Geral, da CIJ e de instituições especializadas, além das organizações regionais e das ONGs.

Jean-Marc Lavieille ainda menciona que existe um desenvolvimento dos mecanismos de controle, considerando que as convenções, em sua maioria, possuem uma conferência das partes, um secretariado e um comitê de peritos, o que auxilia na aplicação dessas convenções.

Outro avanço indicado pelo autor é o referente ao aumento de atores não-estatais, tendo em vista que agora, além dos Estados, as ONGs participam da implementação do Direito Internacional do Meio Ambiente, na criação de regras internacionais; os indivíduos também podem contribuir com esse direito (direito à informação, à participação, ao recurso).

Marcelo Dias Varella explica que o grau de efetividade dos tratados internacionais ambientais está condicionado, mormente, ao nível de estruturação das instituições competentes para implementação e controle da Convenção, bem como dos estímulos aos demais atores envolvidos para cumprirem as normas internacionais.159

159 VARELLA, Marcelo Dias. Efetividade do Direito Internacional Ambiental: Análise Comparativa entre as Convenções da CITES, CDB, Quioto e Basiléia no Brasil. IN: BARROS-PLATIAU, Ana Flávia; VARELLA, Marcelo Dias. (organizadores). Brasília: Ed. UNICEUB, UNITAR e UNB, 2009, p.

29.

O presente estudo preocupou-se em apresentar o Direito Ambiental sob uma perspectiva global, demonstrando, especialmente, que, em face dos graves problemas ambientais que se vislumbram mundialmente, é imperioso se pensar em melhoria da qualidade ambiental se o princípio da cooperação internacional (envolvendo sujeitos e atores do Direito Internacional) não for aplicado de maneira concreta.

Para tanto, o trabalho abordou, de maneira concisa, o histórico do Direito Ambiental, mencionando a indicação, pelos internacionalistas, da primeira manifestação do direito ambiental internacional, qual seja, a da norma decorrente da arbitragem internacional entre os Estados Unidos e o Canadá, no caso da Fundição Trail. Parte da sentença arbitral continha a determinação de que nenhum estado poderá utilizar o seu território de modo a causar dano, em razão de emanações, no ou até o território de outro.

Tratou-se, ainda, de conceituar o Direito Ambiental como um conjunto de princípios e normas que regulam a ação humana lesiva ao meio ambiente, visando a sua preservação tanto para as presentes como para as futuras gerações. Após, expôs-se as características que envolvem o Direito Ambiental, tais como: especialidade, multidisciplinaridade, e vocação espacialmente planetária.

Ademais, destacou-se, neste estudo, os princípios norteadores do Direito Ambiental Internacional, tais como: solidariedade intergeracional;

prevenção e precaução; poluidor-pagador; usuário-pagador; da participação comunitária; cooperação internacional; erradicação da pobreza; e o princípio das responsabilidades comuns, porém, diferenciadas.

Em seguida, o trabalho apresentou os tratados internacionais, trazendo, inicialmente, o conceito de tratado, como sendo um acordo formal concluído por escrito entre sujeitos de Direito Internacional e regidos por este, fundado sobre o consentimento livre das partes que o integram.

Estudou-se os requisitos para a validade dos tratados, dentre eles, capacidade das partes contratantes, objeto lícito e possível e consentimento livre. Abordou-se, também, alguns aspectos formais que integram os tratados, entre os quais se destacam: o idioma, a assinatura, a ratificação, a entrada em vigor, o registro, a publicidade, as competências e os procedimentos para a ratificação dos tratados internacionais no Brasil.

O trabalho apresentou, também, alguns tratados internacionais na área ambiental, tratando de expor o objetivo de cada um e os aspectos mais relevantes que os envolvem. As convenções estudadas foram: a Declaração de Estocolmo, a Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, o Protocolo de Montreal, a Convenção sobre a Diversidade Biológica e a Convenção- Quadro sobre a Mudança do Clima.

Destarte, vários tratados internacionais referentes às questões ambientais foram celebrados, ratificados e incorporados ao direito interno dos Estados-partes. No entanto, apesar dos esforços empregados no combate à degradação ambiental, o que se observa é a deterioração do meio ambiente em uma escala global.

Segundo o entendimento de Marcelo Dias Varella, o grau de efetividade dos tratados internacionais ambientais está condicionado, mormente, ao nível de estruturação das instituições competentes para implementação e controle da Convenção, bem como dos estímulos aos demais atores envolvidos para cumprirem as normas internacionais.160

Contudo, as hipóteses da pesquisa restaram confirmadas, entendendo que a temática ambiental tem alcançado uma dimensão planetária, de modo que não é possível falar em melhoria da qualidade do meio ambiente se não houver um engajamento global dos sujeitos e atores internacionais – Estados,

160 VARELLA, Marcelo Dias. Efetividade do Direito Internacional Ambiental: Análise Comparativa entre as Convenções da CITES, CDB, Quioto e Basiléia no Brasil. IN: BARROS-PLATIAU, Ana Flávia; VARELLA, Marcelo Dias. (organizadores). Brasília: Ed. UNICEUB, UNITAR e UNB, 2009, p.

29.

organizações internacionais, indivíduos, empresas - bem como a tomada de medidas que realmente levem à efetividade dos tratados.

Ademais, também restou confirmada a hipótese referente à ausência de efetividade dos tratados internacionais, em razão de serem destituídos de força cogente, servindo apenas como instrumento programático. A variável que mais influencia na implementação efetiva dos tratados por parte dos Estados é a econômica.

AMARAL JÚNIOR, Alberto do. Introdução ao Direito Internacional Público. São Paulo: Atlas, 2008.

AYALA, Patryck de Araujo; LEITE, José Rubens Morato. Direito Ambiental na Sociedade de Risco. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.

BOFF, Leonardo. Ecologia, mundialização, espiritualidade. São Paulo: Editora Ática, 1993.

CANOTILHO, José Joaquim Gomes; LEITE, José Rubens Morato. Direito Constitucional Ambiental Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2007.

FIORILLO, Celso Antonio Pacheco. Curso de direito ambiental brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2008.

FLORES, Leonardo Henkes Thompson. Protocolo de Quioto: um estudo acerca da efetividade alcançada até os dias atuais no Brasil. In: BARROS-PLATIAU, Ana Flávia; VARELLA, Marcelo Dias. (organizadores). Brasília: Ed. UNICEUB, UNITAR e UNB, 2009.

LAVIEILLE, Jean-Marc. O Direito Internacional do Meio Ambiente: quais possibilidades para resistir e reconstruir? In: KISHI, Sandra Akemi Shimada; et. al.

(orgs). Desafios do Direito Ambiental no Século XXI estudos em homenagem a Paulo Affonso Leme Machado. São Paulo: Malheiros Editores Ltda, 2005.

LIMA, Guilherme do Prado; VILARROEL, Larissa. A efetividade dos protocolos de Montreal e de Quioto: uma análise comparativa. In: BARROS-PLATIAU, Ana Flávia; VARELLA, Marcelo Dias. (Org.) A Efetividade do Direito Internacional Ambiental. Brasília:Ed. UNICEUB, UNITAR e UNB, 2009.

MATEO, Ramón Martín. Manual de Derecho Ambiental. Madrid: Editorial Trivium, 1995.

MELLO, Celso D. de Albuquerque. Curso de Direito Internacional Público. 15 ed.

Rio de Janeiro: Renovar, 2004.

MILARÉ, Édis. Direito do Ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5 ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007.

PASOLD, Cesar Luiz. Prática da Pesquisa jurídica e Metodologia da pesquisa jurídica. 10 ed. Florianópolis: OAB-SC editora, 2007.

ONU, Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano. Declaração de Estocolmo. Disponível em: http://www.dhnet.org.br/direitos/sip/onu/doc.estoc72.

Acesso em: 13 out. 2010.

No documento Monografia Direito Univali. 2010 (páginas 75-82)

Documentos relacionados