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A Alienação Fiduciária pode servir como garantia para os contratos de empréstimos, esta garantia se dá de acordo com o §2º, do artigo 3º do Código de Defesa do Consumidor, que possui a seguinte redação:

§2º. Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista100.

Se o contrato de empréstimo pode ser considerado como serviço, havendo um consumidor e um fornecedor, a incidência do Código de Defesa do Consumidor em suas relações é certa.

Do mesmo modo, que são aplicadas as particularidades do art. 166 do Código Civil que tratam da anulação de negócio jurídico, possibilitando inclusive, ação revisional do contrato de empréstimo.

Demonstrando a possibilidade de ação revisional no contrato de empréstimo, sem ferir o princípio da boa-fé, demonstrando a aplicabilidade do Código de Defesa do Consumido nessas relações de consumo, verifica-se a decisão dos julgadores do Tribunal de Justiça de Santa Catarina a seguir:

APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO - CONTRATO DE FINANCIAMENTO AO CONSUMIDOR FINAL GARANTIDO POR ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA - CONTRATO FINDO - POSSIBILIDADE DE REVISÃO - REVISÃO DOS CONTRATOS NÃO AFRONTA O PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA - CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR - INCIDÊNCIA - PACTA SUNT SERVANDA - RELATIVIZAÇÃO - TESE AFASTADA - CONTRATO DE ADESÃO - JUROS REMUNERATÓRIOS - LIMITAÇÃO EM 12% AO ANO - CAPITALIZAÇÃO DE JUROS -

100 Brasil. Vademecum acadêmico e profissional: Código de defesa do consumidor. 3.ed. São Paulo: Lemos e Cruz, 2009. p. 347.

PERMISSIBILIDADE EM PERIODICIDADE ANUAL - COMISSÃO DE PERMANÊNCIA - SUBSTITUIÇÃO PELO INPC/IBGE - MULTA MORATÓRIA - PACTUAÇÃO EM 2% - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - QUANTUM ADEQUADO - EXAME JUDICIAL DOS ENCARGOS NOS CONTRATOS - CONTROLE EX OFFICIO - EXCEPCIONALIDADE DA UTILIZAÇÃO DA TR COMO FATOR DE CORREÇÃO MONETÁRIA - INCIDÊNCIA NOS CASOS EM QUE HÁ EXPRESSA PACTUAÇÃO E INFERIORIDADE DO ÍNDICE PERANTE O INPC/IBGE - RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO

Comprovando-se a vantagem indevida por parte da instituição financeira e, em contrapartida, o empobrecimento do consumidor, não se pode olvidar a possibilidade de revisão das cláusulas contratuais tidas por abusivas, ainda que findo o contrato.

A aplicação do CDC não consiste em afronta ao estabelecido entre as partes, haja vista a convergência de suas finalidades com os princípios da boa-fé objetiva e do equilíbrio contratual. Ambos direcionam-se a fundar nas relações de consumo a prevalência de contratos justos. Conforme a Súmula 297 do Superior Tribunal de Justiça aplica-se o Código de Defesa do Consumidor às instituições financeiras. [...] (Apelação Cível n. 2004.020401-9, de Araranguá - Relator: Fernando Carioni - Órgão Julgador: Terceira Câmara de Direito Comercial - Data: 01/09/2005)101.

Na prática, a Alienação Fiduciária como garantia em contrato de empréstimo enseja diversos tipos de ação, como poderá analisar-se nos julgados dos Tribunais Pátrios que seguem:

EMBARGOS À EXECUÇÃO - CONTRATO DE EMPRÉSTIMO - ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BEM IMÓVEL - LEI 9.514/97 - BEM DE FAMÍLIA - LEI 8.009/90 - NOTAS PROMISSÓRIAS ASSINADAS PELO DEVEDOR - CONTRATO DE EMPRÉSTIMO - AMPARO - DEVIDA EXECUÇÃO DE TODAS AS PRESTAÇÕES - AUSÊNCIA DE EXCESSO - COOPERATIVA - EQUIPARAÇÃO À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA - JUROS REMUNERATÓRIOS - LEI DE USURA - INAPLICABILIDADE - EMENDA CONSTITUIÇÃO N. 40/93 - REVOGAÇÃO DO ART. 192, § 3º DA CF - AUSÊNCIA DE LIMITAÇÃO. Não é impenhorável bem de família dado em garantia em alienação fiduciária de bem imóvel, nos termos do artigo 3º, V, da Lei 8.009/90 e artigo 17 da Lei

101 Brasil. Tribunal de Justiça de Santa Catarina. AC 2004.020401-9. Disponível em:

<http://www.tj.sc.gov.br>. Acesso em: 25 ago. 2009.

9.514/97. Não há excesso de execução na cobrança de notas promissórias devidamente assinadas pelo devedor e amparadas por contrato de empréstimo com garantia de alienação fiduciária de bem imóvel, referentemente a todas as prestações, inclusive as vincendas. Apesar de as cooperativas não serem bancos, são a eles equiparadas, portanto, como não se aplica às instituições financeiras o Decreto n. 22.626/33, e, tendo ainda o art. 192, § 3º, da CF sido revogado pela Emenda Constitucional n. 40/03, deve prevalecer nos contratos bancários os juros remuneratórios livremente pactuados pelas partes, não havendo que se falar em excesso de execução a cobrança de tais juros. (Acórdão Nº 1.0153.06.055779-7/001(1) de TJMG. Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, de 27 Fevereiro 2008)102.

Esta jurisprudência que segue, do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, mostra a possibilidade de reintegração de posse em caso de inadimplemento de contrato de empréstimo, tendo imóvel como garantia, por força do art. 30 da Lei 9.514/97:

AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE - CONTRATO DE EMPRÉSTIMO GARANTIDO POR ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA - LIMINAR DEFERIDA - NÃO CUMPRIMENTO DA MEDIDA PELA AGRAVADA - PEDIDO DE DESOCUPAÇÃO DO BEM - POSSIBILIDADE - POSSE E PROPRIEDADE DO BEM CONSOLIDADAS NAS MÃOS DA AGRAVANTE - CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 30 DA LEI N. 9.514/97 E ART. 927 DO CPC - DECISÃO A QUO REFORMADA - RECURSO PROVIDO. (Agravo de Instrumento n.

2008.016821-0, de Blumenau - Relator: Mazoni Ferreira - Órgão Julgador: Segunda Câmara de Direito Civil - Data: 19/05/2009)103. Com os julgados analisados pode-se ter uma noção da ligação da Alienação Fiduciária com os contratos de empréstimos, sendo ela indispensável como garantia a esta modalidade de contrato, inclusive com a proteção do Código de Defesa do Consumidor, conforme será analisado no item 3.3 deste trabalho monográfico.

102 Brasil. Tribunal de Justiça de Minas Gerais. AC. 1.0153.06.055779-7/001. Disponível em:

<http://www.tj.mg.gov.br>. Acesso em: 25 ago. 2009.

103 Brasil. Tribunal de Justiça de Santa Catarina. AI. 2008.016821-0. Disponível em:

<http://www.tj.sc.gov.br>. Acesso em: 25 ago. 2009.