Neste capítulo será abordada a importância da utilização desses ambientes no processo ensino-aprendizagem, assim como suas características, objetivos e os tipos.
Para Barbosa25:
A criação e o uso de ambientes virtuais de aprendizagem têm crescido muito no Brasil nestes últimos anos. Têm sido cada vez mais utilizadas ferramentas como chats, listas de discussão e fóruns para o auxílio em cursos presenciais e a distância, bem como para a criação e o gerenciamento de comunidades virtuais. (BARBOSA et al., 2005, p. 13).
De acordo com Souza (1999), a busca pela otimização dos novos meios disponibilizados como forma de recursos instrucionais encontrados na área de educação no Brasil, em sido um grande desafio para a comunidade científica, instituições de ensino e governo; substituir formas antigas de transmissão do saber baseado quase sempre no professor e no quadro negro por novos recursos como, televisores, vídeo cassete, projetores de slides, data show e computadores.
Com o advento da Internet, a informática na educação é enormemente facilitada pelos recursos de comunicação disponíveis e pelo seu aspecto de atratividade. A necessidade de construção de ambiente de aprendizagem através da Internet vem trazer um meio de publicação e transmissão de todo e qualquer tipo de material didático, avaliação e comunicação entre os alunos e os professores, assim, estes podem vir a ser úteis na construção do conhecimento pelo aluno.
De acordo com Schlemmer26, em se tratando de ambiente virtual de aprendizagem (AVA), há uma preocupação relacionada à forma de como se dá a aquisição do conhecimento e para isso, o critério didático pedagógico do software é muito importante.
Portanto é necessária uma análise crítica dos pressupostos filosóficos, sócio-
pedagógicos que norteiam a proposta educativa, inserindo-os aos ambientes de aprendizagem:
interatividade, autonomia e cognição e metacognição.
25 BARBOSA, Rommel Melgaço. Ambientes Virtuais de Aprendizagem/organizado por Rommel Melgaço Barbosa.- Porto Alegre: Artmed,2005.
26 Ibid.,p. 29.
Segundo Medeiros et al. (2008), o ambiente de aprendizagem deve atender a determinadas condições, tais como: acessibilidade, endereçabilidade, permanência, resolutibilidade, transparência, compartilhamento, terminalidade.
Podemos verificar duas abordagens teóricas distintas nestes ambientes: a empirista e a interacionista.
5.1 - Características dos ambientes de aprendizagem
Os ambientes de ensino através da WEB possuem características muito importantes, que devem ser observadas quando se fala sobre ambientes de aprendizagem. Uma característica é quanto o conteúdo a ser ensinado ao aluno:
• no ensino de um conteúdo específico, o ambiente deve ser projetado para isto, e possuir ferramentas adequadas: gráficos (animações, simulações e outros).
• no ensino de diversos conteúdos, o ambiente virtual não tem tecnologias específicas para um determinado tipo de assunto, mas deve oferecer facilidade para incorporar informações e se adaptar a diversos conteúdos.
5.2- Interação no ambiente.
De acordo com Maçada e Tijiboy (2008), através da interação, o indivíduo tem a possibilidade de trocar com outras pessoas pontos de vistas, conhecer, refletir sobre diferentes questionamentos e sobre o seu próprio pensar de modo consciente, buscando novos rumos; o conhecimento é gerado, ou melhor, co-construído, construído conjuntamente, exatamente porque se produz interatividade entre duas pessoas que participam dele.
Podemos perceber essa interação social ou interpessoal, fundamentada tanto na epistemologia genética quanto pela escola sócio-histórica, representadas por Piaget e Vygotsky.
Numa rede de computadores, a interação social se dá por dois aspectos diferentes:
• quanto à temporalidade: interações síncronas e assíncronas;
• quanto ao direcionamento e número de interlocutores: um-para-um, um-para-todos e todos-para-todos.
A interação entre pessoas pode apenas ser eventual, isolada, e interrompida. Mas pode também possibilitar uma relação colaborativa ou cooperativa, que pressupõe alguns requisitos que vão além da interação.
Barros (apud Maçada e Tijiboy, 2008 p.4), relaciona colaboração com contribuição, porém a cooperação, sendo um trabalho de co-realização, que não só atinge o significado de colaboração como também envolve um trabalho coletivo que tem por meta, alcançar um objetivo comum.
Segundo as autoras, para Piaget, cooperar é operar em comum, caracterizando pela coordenação de pontos de vista diferentes, pelas operações de correspondência, reciprocidade ou complementaridade através de regras próprias baseadas no respeito mútuo. Para uma cooperação real é necessária a conservação de escala de valores e reciprocidade na interação.
As autoras também destacam que para Vygotsky, a colaboração entre pares ajuda a desenvolver não só estratégias como também habilidades gerais para solucionar problemas através de processo cognitivo que está implícito na interação e na comunicação, enfatizando a ZDP que transcende os limites dos indivíduos.
5.3- Objetivos gerais dos ambientes.
Segundo Schlemmer27, os ambientes virtuais dentro de uma educação em rede, visam uma transformação na convivência que acontece em um espaço no qual a interação entre as pessoas resulta em um processo de transformação nas relações objetivando:
• apoiar, ampliar e enriquecer os espaços de convivência, privilegiando a atividade do sujeito na construção do conhecimento, a partir de propostas inter e transdisciplinares,
27BARBOSA, Rommel Melgaço. Ambientes Virtuais de Aprendizagem/organizado por Rommel Melgaço Barbosa.- Porto Alegre: Artmed,2005. 184 p.; 23cm.
• oportunizar um espaço de desenvolvimento-pesquisa-ação-capacitação de forma sistemática e sistêmica, vivenciando uma aprendizagem que implique rupturas paradigmáticas,
• favorecer o acesso às tecnologias educacionais na perspectiva da construção do conhecimento e das competências sociais.
5.4 - Motivação dos ambientes virtuais.
Os ambientes de aprendizagem não devem prover diretamente aos alunos o conteúdo, mas oportunizar um espaço onde ele possa provar as suas hipóteses, descobrir ou validar suas regras de jogo.
Oportuniza-se ao aluno a atividade criativa, a exploração e a descoberta na linha da assimilação e construção do conhecimento.
Podemos ver em Mello (1989):
Reforçando esses aspectos apoiado na teoria piagetiana, coloca que esse poderoso ambiente deve permitir ao aluno um espaço interativo para provar suas representações momentâneas, experimentar conflitos, decompor e compor novamente a representação de conteúdo, realizando a acomodação.
(MELLO apud TIJIBOY; OTSUKA; SANTAROSA, 2008, p. 3).
5.5 - Ambientes behavioristas (Instrucionistas).
Conforme Tijiboy Otsuka, Santarosa (2008), os ambientes instrucionais no enfoque
“algorítmico”, e também chamado de “fechados”, “diretivos”; “informacionais”, se constituem nos ambientes prontos ou acabados, que possuem seu apoio em pressupostos de teorias comportamentalistas. Desta forma, o indivíduo comporta-se de forma passiva, como um receptor de informação onde são destacadas as capacidades de memorização/ retenção.
Neste contexto, recai em um processo mecânico de fixação ou de reforço da informação, que acaba remetendo à reprodução da informação armazenada pelo sujeito.
De acordo com Tijiboy, Otsuka, Santarosa (2008), diversos autores fazem criticas ao modelo behaviorista. Esses autores destacam que o aporte teórico deveria predominar na construção de ambientes de aprendizagem computacionais.
5.6 - Ambientes virtuais construtivistas.
De acordo com Tijiboy, Otsuka, Santarosa (2008), a aprendizagem deve dar prioridade aos ambientes adequados para o aluno construir conhecimento, tanto cientifico como metacognitivo. Tijiboy, Otsuka deste modo salientam, a concepção do enfoque ‘heurístico’, ambiente ‘abertos’, ‘construtivistas’ cujo aporte teórico tem suas origens nas teorias construtivistas/interacionistas, com destaque especial a concepção do desenvolvimento cognitivo teorizados por Piaget e Pós-Piagetianos.
De acordo com Tijiboy, Otsuka, Santarosa (2008), vários aspectos podem ser levantados em relação aos ambientes de aprendizagem “construtivistas” versus
“instrucionistas”, destacam-se:
• a presença do diálogo/conversação , sincrônica/ assincronica, aluno-aluno, no contexto de aprendizagem em colaboração e interação social,
• a dinâmica de interação de forma/cooperação/construção conjunta nas atividades em rede,
• no desenvolvimento de processos mentais superiores em oposição à memorização/
reação da informação;
• incentivo a exploração na descoberta de conhecimento da dimensão do construtivismo social,
• na interação/criação de conflitos cognitivos, e, principalmente conflitos sócio- cognitivo do ponto de vista do grupo;
• incentivo a interação /cooperação/ construção no enfoque ’todos - todos’ além do simples acesso a informação disponibilizado em rede.
Os ambientes de aprendizagem construtivistas podem levar em conta o conhecimento que o aluno deve antes de se defrontar com o ambiente de aprendizagem virtual, pois assim a reflexão do usuário vai ficar mais simples, objetiva e correta, para poder alcançar seu conhecimento.
5.7 - Ambientes virtuais colaborativos.
Conforme Andrade et..al. (2008), é importante no ambiente de aprendizagem que o professor atue como um mediador do processo de ensino aprendizagem, e então estimulando o raciocínio do aluno e investigando os possíveis conflitos cognitivos que levam o aluno a refletir sobre suas próprias idéias.
De acordo com Braga (2008), ao ambiente colaborativo permite que várias pessoas se comuniquem, mas para isso é preciso determinadas formas de organização de modo que a comunicação ocorra por via de mãos múltiplas e não de forma linear de mão única.
Segundo Braga (2008), os ambientes colaborativos de aprendizagem são locais compartilhados de convivência que dão suporte a construção, inserção e troca de informações entre os alunos participantes visando a construção social do conhecimento. Sendo assim devem ser públicos e democráticos.
5.8 - Ambientes virtuais cooperativos.
A aprendizagem cooperativa virtual encontra atualmente condições para o seu projeto e implementação, pois no cenário em que se encontra a tecnologia a educação pode ganhar complementação para seu uso.
Maçada e Tijiboy (2008) ressaltam a importância da cooperação na aprendizagem e no desenvolvimento do sujeito destacando que a postura cooperativa, a estrutura do ambiente e o funcionamento heterárquico propiciam aprendizagem cooperativa na Internet.
De acordo com Maçada e Tijiboy (2008), um dos recursos telemáticos que tem potência para atuar nessa concepção de tempo espaço, propiciando a criação de ambientes ricos, motivadores, interativos, colaborativos, e de comunicação síncrona e assíncrona rápida e
custo relativamente baixo é a Internet. Podemos ver abaixo, a homepage de um ambiente telemático que propõe uma aprendizagem colaborativa/ cooperativa.
Fig. 11- Homepage geral do projeto
(http://www.c5.cl/ieinvestiga/actas/ribie98/219html)
CAPÍTULO 6 - INTERNET, UMA NOVA TECNOLOGIA EM AUXÍLIO AO