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Neste capítulo é discutida a importância da utilização da informática na educação. São apresentados referenciais teóricos que abordam esse tema.

Segundo Souza (1999), é imprescindível a utilização do computador na educação, de modo a promover a inclusão digital do indivíduo, haja vista a crescente evolução tecnológica dentro da nossa sociedade. Aquele que não possuir acesso a essas novas tecnologias, dificilmente acompanha o progresso da sociedade.

Segundo Moraes (2000), a presença do computador promoveu uma mudança na cultura do povo, alterando a forma de fazer e a forma de pensar esse fazer no cotidiano. Mudou também a maneira de como pensar, conhecer e apreender o mundo.

De acordo com Moran 2, essa grande mídia, quando em rede, ou seja: Internet transforma-se em um excelente meio de comunicação para promover mudanças no ensino e aprendizagem, através não só dos cursos presenciais, como também dos cursos à distância.

Segundo Almeida (2000), a utilização do computador quando em rede de comunicação, promove a aquisição do conhecimento, o desenvolvimento de diferentes modos de representação e de compreensão do pensamento, e essa nova forma de interação entre as pessoas não só envolve a racionalidade técnico-operacional e lógico-formal, como também amplia aspectos sócio-afetivos, e evidencia fatores pedagógicos, psicológicos, sociológicos e epistemológicos.

De acordo com Moran3, é preciso refletir sobre o papel da informática na aprendizagem e seus benefícios para o aluno, inserindo-o dentro dessa sociedade digital.

Essa reflexão tem sido tema de muitos educadores preocupados com a falta de interesse de muitos alunos do Ensino Médio com relação ao ensino de Física. Muitos educadores já fazem referências ao uso da Internet no ensino da Física, como podemos verificar na dissertação de mestrado de Mees.

2 MORAN, José Manuel. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica/José Manuel Moran, Marcos T.

Masetto, Marilda Aparecida Behrens – Campinas, SP: Papirus, 2000 – (Coleção Papirus Educação).p.44

3 Ibid., p.45

O uso da Internet na sala de aula, ou como ferramenta de apoio ao aluno, para estudar fora do ambiente escolar, vem sendo uma proposta discutida e já aplicada. Se tomarmos como exemplo a Física, verificamos que da maneira tradicional, isto é, sem o uso do computador como apoio, o aluno tem um encontro presencial durante a semana e, fica o resto da semana para estudar e realizar as tarefas individualmente. Sabemos que o aluno de ensino médio, na sua grande maioria, não estuda e também não faz as tarefas que lhe foram exigidas para serem feitas em casa. O motivo que se alega, é o fato de não ter entendido a matéria e não se sentir motivado para fazê-lo.(MEES, 2008, p. 1).

De acordo com Carneiro (2008), a informática na educação tem suas raízes históricas plantadas na década de setenta. Nesta década mais exatamente em 1971, que pela primeira vez se discutiu o uso de computadores no ensino da Física em seminário promovido pela Universidade de São Carlos, assessorado por um especialista da Universidade de Dartmoulth/USA.

2.1 - Comunicação no uso da tecnologia.

Segundo Souza (2003), por sua diversidade a informática pode ser utilizada como instrumento de: comunicação, pesquisa e conhecimento.

É preciso uma ação conjunta entre professor e aluno, através de diálogo e descobertas de soluções para os desafios encontrados nas problematizações do mundo contemporâneo.

“Num mundo globalizado, que derruba barreiras de tempo e espaço o acesso à tecnologia exige atitude crítica e inovadora, possibilitando o relacionamento com a sociedade como um todo.” (MORAN; MASETTO; BEHRENS, 2000, p.77).

O conhecimento se dá fundamentalmente no processo de interações, de comunicação. A informação é relacionar, integrar, contextualizar, fazer nosso o que vem de fora. Conhecer é saber, é desvendar, é ir além da superfície, do previsível, da exterioridade. (MORAN; MASETTO;

BEHRENS, 2000, p.24).

Para compreender o mundo, dois processos são fundamentais, o de interação e o de interiorização, enquanto o primeiro capta as mensagens do entorno que nos cerca, e o segundo,

as sintetiza em compreensão. A informática deve ser levada a sério para que não se torne uma simples ferramenta para se chegar ao conhecimento.

Esse fato pode ser visto em como:

É importante destacar, porém, que devido a facilidade de apresentar informações dentro da rede, a diversidade, veracidade, pertinência e profundidade dos conteúdos apresentados ficam comprometidos.

Temos de ter claro que simplesmente lidar com esta quantidade de informação despejada, diariamente, em nossas mentes não quer dizer que estejamos adquirindo mais conhecimento. (CARNEIRO,2002, p.46).

2.2- Software educacional.

Segundo Souza (1999), um programa de computador que utiliza uma metodologia com aspectos educacionais ressalvados. E que auxilia as necessidades de alunos e professores e também funcionários de empresas no que se refere ao processo de ensino-aprendizagem é denominado software educacional.

2.2.1 -Tutoriais.

Segundo Souza (1999), nesta classificação os programas atuam como “tutores”, fornecendo informações e a seguir procuram verificar, por meio de perguntas, se o aluno compreendeu o tópico abordado, constituindo-se numa versão computacional da instrução programada. A vantagem dos tutoriais é o fato do computador poder apresentar o material com outras características que não são permitidas no papel como: áudio, vídeo, manutenção do controle da performance do aprendiz, facilitando o processo de administração das lições.

Os programas tutoriais são compostos por blocos de informações de modo pedagogicamente organizado, como se fosse um livro animado, um vídeo ou um professor eletrônico. Nesta categoria, cabe uma avaliação criteriosa dos programas que existem no mercado para serem utilizados com qualidade no processo educativo, que, de modo geral, são pós-interativos. (MORAN;

MASETTO; BEHRENS, 2000, p.97).

2.2.2 - Exercícios e práticas.

Segundo Souza (1999), estes são programas que apresentam problemas de uma determinada área para serem resolvidos pelo aluno, sendo muito usado para a revisão de assuntos vistos em classe e que envolvam memorização e repetição. O aluno pratica e testa conhecimentos de forma dirigida e procedural, servindo como complemento da aula dada pelo professor. As atividades exigem apenas o fazer, o memorizar da informação, muitas vezes não importando a compreensão do que esta fazendo. Os softwares enquadrados nesta categoria podem, às vezes, serem apresentados em forma de jogos.

2.2.3 – Simulação.

Conforme Lévy (1999, p. 166), “a simulação é uma ajuda a memória de curto prazo que diz respeito não a imagens fixas, textos ou tabelas numéricas, mas as dinâmicas complexas”.

De acordo com Souza (1999), o software que é classificado como simulação, envolve a criação de modelos dinâmicos e simplificados do mundo real. O objetivo principal de simulações é o de permitir reproduzir na tela do computador o comportamento de um dado sistema real ou imaginário, a partir do modelo teórico que o descreve. Estes modelos permitem a exploração de situações fictícias, de situações de risco, como manipulação de materiais e substâncias que existem risco de explosão, de contaminação e etc. Situações impossíveis de serem obtidas como, por exemplo, um desastre ecológico; situações que o aprendiz possui uma tarefa como: pilotar um avião e gerenciar uma cidade etc.

A simulação oferece a possibilidade ao aluno em desenvolver hipóteses, testá-las, analisar resultados e refinar os conceitos. Esta modalidade de uso do computador na educação pode ser útil para o trabalho em grupo, ou seja, principalmente os programas que envolvam decisões. Por exemplo, os diferentes grupos podem testar diferentes hipóteses, e assim, ter um contato mais “real” com os conceitos envolvidos no problema em estudo. As simulações permitem aos alunos vivenciar situações difíceis ou até impossíveis de serem reproduzidas em sala de aula ou mesmo em laboratórios reais.

Lévy (1999, p. 166) enfatiza que: “A simulação tem hoje papel crescente nas atividades de pesquisa científica, de criação industrial, de gerenciamento, de aprendizagem,

mas também nos jogos e diversões (sobretudo nos jogos interativos na tela)”.

De acordo com Fiolhais e Trindade (2008), ao utilizar simulações computacionais baseadas num modelo da realidade física, os alunos alteram valores de variáveis ou parâmetros de entrada e observar os resultados obtidos. Como poderemos observar nos exemplos a seguir de movimento relativo, e a utilização de um software de simulação.

Fig.5 – Softciências (http://nautilus.fis.uc.pt/personal/jtrindade)

Fig.6 – Softciências (http://nautilus.fis.uc.pt/personal/jtrindade

No início, os programas de simulação eram limitados, mas o surgimento de interfaces mais aperfeiçoadas permitiu-se a manipulação gráfica das variáveis de entrada e forneceu saídas na forma de gráficos e animações. Abaixo apresentamos um exemplo de um simulador

que apresenta um corpo saltando a uma determinada velocidade e sugere a descoberta da velocidade inicial do corpo.

Fig.7 : Programa (http://nautilus.fis.uc.pt/personal/jtrindade)

2.2.4 – Jogos.

Moran4, descreve que: ”Os jogos são oferecidos com a finalidade de lazer. Podem vir a permitir a utilização como usos educacionais se forem integrados a outras atividades propostas pelo professor”.

Segundo Souza (1999), os jogos educacionais constituem numa maneira divertida de aprender, tem o propósito de ensinar algum conteúdo ao aprendiz ou somente desenvolver capacidades intelectuais do jogador. Porém, não podemos esquecer que o jogo é um processo intrinsecamente competitivo, podendo haver vitória ou derrota, tornando um grande problema, ou seja, desviar a atenção do objetivo, para isso é preciso um software bem elaborado.

4MORAN, José Manuel. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica/José Manuel Moran, Marcos T. Masetto,

Marilda Aparecida Behrens – Campinas, SP: Papirus, 2000 – (Coleção Papirus Educação).p.98

O Massachusetts Institute of Technology, em Boston, está desenvolvendo um projeto designado por (Games-to-Teach).Esses jogos são utilizados para auxiliar o aprendizado de maneira lúdica, tornando o aprendizado mais interessante. Podemos observar no exemplo abaixo alguns desses games.

Fig.8 : O projeto Games-to-Teach (Jogos para Ensinar) (http://cms.mit.edu/games/education/news.html).

2.3 -Educação a distância.

Segundo Souza (2003), embora pareça nova, a EAD foi instituída na segunda metade do século XIX, mais precisamente em 1856, por Charles Toussaint e Gustav Langenscheidt, através da primeira escola de línguas por correspondência, em Berlim. E não parou por ai, em 1891, Thomas J. Fosler deu inicio ao Internacional Correspondence Institute em Scranton

(Pennsylvania), logo a seguir baseado na experiência do ensino por correspondência na formação de professores para escolas paroquiais, o Reitor William R. Harper criou a Divisão de Ensino por Correspondência no Departamento de Extensão da Universidade de Chicago, logo a seguir, em 1894/1895, iniciam-se os cursos de Wolsey Hall em Oxford por Joseph Knipe; e três anos mais tarde, 1898, foi iniciado a mais famosa instituição criada por Hans Hermond, o Instituto Hermond, onde se consolida a equivalência entre a EAD e a aprendizagem presencial.

Houve um crescimento muito grande no século XX relacionado à educação a distância, aumentou o número de países, de instituições de cursos, de alunos e de estudos sobre o ensino por correspondência melhorando significativamente a qualidade o que se convencionou chamar de educação a distância.

Segundo Lévy (1999), a grande procura pelos sistemas educativos, secundários e universitários, e o déficit de professores em diversos países do mundo devido ao alto custo de ensino, principalmente em países pobres, fizeram com que buscassem “soluções que utilizem técnicas capazes de ampliar o esforço pedagógico dos professores e dos formadores. Áudio visual, ’multimídia’ interativa, ensino assistido por computador, televisão educativa, cabo, técnicas clássicas de ensino a distância, repousando essencialmente em material escrito, tutorial por telefone, fax ou Internet.”

De acordo com Moran5, mudanças significativas estão ocorrendo na educação a distância, saímos de um modelo individualista, para um modelo grupal mais participativo, onde a educação a distância auxilia os participantes a equilibrar suas necessidades e habilidades através de trocas de experiências, dúvidas e resultados em grupos presenciais e virtuais.

Segundo Moran6, por meio de novas tecnologias o ensino a distância não só privilegia a transmissão de informações como também desenvolvem processos de aprendizagem, promovendo a construção do conhecimento, tudo isso graças a velocidade da troca de informação entre professores e alunos através da Internet.

De acordo com Souza (2003), ele destaca que: a educação a distância privilegia a todos os alunos que residam em locais que não tenham facilidades de acesso as instituições de ensino. Além de despender de poucos recursos financeiros, permite que o aluno não necessite

5MORAN, José Manuel. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica/José Manuel Moran, Marcos T. Masetto,

Marilda Aparecida Behrens – Campinas, SP: Papirus, 2000 – (Coleção Papirus Educação).p.44

6Ibid.p.44

se afastar de seu local de trabalho. Permite que através de suas experiências o aluno desenvolva uma aprendizagem autônoma. Impulsiona nova forma de ensinar através de tutores sempre disponíveis para tirar dúvidas, incentivar e avaliar o aluno. Enfim, faz com que o aluno seja mais ativo o que o torna realmente “responsável pela sua aprendizagem e, principalmente, aprenda a aprender”. Souza (2003, p.38).

O CADInet é um ambiente que possibilita a participação dos alunos em suas próprias casas. Como podemos ver no exemplo abaixo a seguir.

Fig.9 - CadiNET

(http://www2.abed.org.br/visualizaDocumento.asp?Documento_ID=20)

2.4 - A Internet e a aprendizagem.

Segundo Moran7, as novas tecnologias, em especial a Internet não só propicia ensinar a distância com seu auxílio, como também permite criar ambientes ricos em possibilidades de aprendizagem, em que pessoas interessadas e motivadas possam aprender qualquer coisa.

7 MORAN, José Manuel. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica/José Manuel Moran, Marcos T. Masetto, Marilda Aparecida Behrens – Campinas, SP: Papirus, 2000 – (Coleção Papirus Educação).passim.

A Internet também conhecida como Net, é a maior rede de computadores do mundo. Uma rede de computadores é basicamente um grupo de computadores interligados entre si de alguma forma. Em conceito, é uma espécie de rede de TV ou de Rádio, que conecta um grupo de estação de Rádio ou de TV para que elas possam compartilhar, por exemplo, programas televisivos. (SOUZA, 2003, p.23).

De acordo com Moran8·, no contexto da educação a Internet pode ser colocada como a mais completa, abrangente e complexa ferramenta de aprendizado. Pode-se através desta tecnologia, encontrar fontes de informação que possibilitem estudar um determinado assunto e através da formação de grupos de discussão por meio de chats e fóruns, compartilharem as informações ou até participar do mesmo projeto: local, nacional ou internacional.

Segundo Lévy (1999), não só as universidades como também as escolas primárias e secundárias já possibilitam aos seus alunos acesso as informações pela Internet, através de programas educativos seguidos na World Wide Web.

Segundo Masetto (2001), as dificuldades encontradas no incentivo à leitura de livros e a pesquisa em biblioteca por parte dos alunos do ensino de graduação, fez da Internet uma excelente aliada para driblar esses obstáculos. Através de seus mais variados recursos, trouxe ao aluno uma forma prazerosa de acessar as informações, com a vantagem da comodidade.

Como recurso de aprendizagem a Internet proporciona múltiplas funções: aprende-se a ler, a buscar informações, a pesquisar, a comparar dados, a analisá-los, a criticá-los e a organizá-los, tudo isso com a orientação do professor.

Através da Internet pode-se ter acesso ao tele- ambiente, o qual podemos ver sua arquitetura ilustrada na figura abaixo a seguir.

Fig.10 - Arquitetura do Tele-Ambiente

(http://www2.abed.org.br/visualizaDocumento.asp?Documento_ID=20)

8Passim.

CAPÍTULO - 3 – TEORIAS DA APRENDIZAGEM.

Neste capítulo são apresentadas as teorias que tratam do processo ensino- aprendizagem. Esse estudo se faz importante para se compreender como a utilização de computadores pode ser trabalhada nesse processo.

Segundo Rosa9 (2004), alvo de muitos psicólogos, educadores e pesquisadores, a aprendizagem, ainda não é de toda conhecida, e sendo um processo que vai desde o nascimento até a morte do indivíduo, podem ocorrer em vários ambientes, nas mais diversas situações.

Enquanto a aprendizagem circunstancial proveniente das experiências dentro de um contexto informal ocorre sem que haja uma deliberação planejada, em sala de aula, a coisa é bem diferente, as aprendizagens formais não só exigem organização e planejamento de modo que o aprendiz aviste uma lógica naquilo que vai ser aprendido, como também requerem um engajamento de professor e aluno em busca de “um objetivo comum: a aprendizagem, a evolução, o crescimento como pessoas, onde a superação de estágios menos eficientes leva a uma situação mais efetiva.” (Rosa, 2004 p.24).

Um dos grandes desafios para o educador é ajudar a tornar a informação significativa, a escolher as informações verdadeiramente importantes entre tantas possibilidades, a compreendê-las de forma cada vez mais abrangente e profunda e a torná-las parte do nosso referencial. (MORAN; MASETTO;

BEHRENS,2000, p. 23).

A aprendizagem ocorre quando damos sentido àquelas idéias soltas, estabelecendo elos de simbiose entre a reflexão e a ação, entre a experiência e a conceituação, entra a teoria e prática; através de equilíbrio e integrações entre o sensorial, o racional, o emocional, o ético, o pessoal e o social.

Isso tudo interagindo com os outros e o mundo, e depois internalizando de modo que num próximo encontro com esse mundo exterior, possamos expor nossas idéias reelaboradas, principalmente em um ambiente agradável, pois quando gostamos de um assunto, uma mídia,

9 ROSA, Jorge La. Psicologia e Educação: O Significado do Aprender/Organização de Jorge La Rosa. 8. ed. – Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004.

uma pessoa, contribuem para a aprendizagem. Todo esse processo nos faz confiante diante do mundo e de nós mesmos.

As teorias de aprendizagem são extremamente importantes, pois fundamentam a forma como são construídos os processos de ensino-aprendizagem, mas sempre levando em consideração uma visão de mundo, de sociedade e de homem e algumas delas adquirem tal complexidade que seu entendimento torna-se muito complicado.

Segundo Magalhães et al.(2005), podemos destacar duas teorias que corroboram com o uso do computador na educação: uma com base behaviorista e outra com base construtivista.

(MEC, SECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA. Coleção Explorando o Ensino: Física, Brasília, 2005, p.134).

A aprendizagem para o behaviorismo é entendida como uma modificação do comportamento provocada pelo agente que ensina, pela utilização adequada dos estímulos reforçadores, sobre o sujeito que aprende.

O construtivismo ou interacionismo representa uma postura epistemológica que compreende a origem do conhecimento na interação do sujeito com o objeto.

“Skiner é o principal representante do behaviorismo e, particularmente, o principal expoente da psicologia americana. Foi ele quem levou ate às últimas conseqüências os princípios empiristas no estudo da aprendizagem”. (ROSA, 2004, p.57).

Entretanto, neste século, com pensadores como Piaget, Vygotsky e Wallon, emerge o construtivismo, que vem repercutindo nas mudanças do processo ensino-aprendizagem na escola, surgindo com uma abordagem que permite interpretar o mundo em todos os seus aspectos. (CAMPOS, 2003, p.42).

3.1- O behaviorismo.

Watson escreveu um artigo baseado em novos estudos sobre a psicologia experimental, relatando sobre a influência do meio no comportamento animal e humano através de um programa estimulo e resposta, simbolizado por E.R., utilizando o termo behaviorismo.

Para Watson, a herança genética que o indivíduo recebe para certos tipos de comportamento é uma propensão para responder a certos estímulos de acordo com o aprendizado.

Muitos psicólogos behavioristas também pesquisavam esse campo como podemos ver em:

Outros psicólogos behavioristas realizavam seus experimentos e surgem muitas diferenças nos conceitos adotados em seus estudos.Tolman afirma que o behaviorismo é molar, em contraposição segmentos de comportamento chamados moleculares. Hull assume uma posição afisiologista, que se refere muitas vezes ao neurológico, sem jamais considerar pormenores, como ocorre com Skinner”. (CAMPOS, 2003, p.26).

Skinner utilizou o modelo experimental de Watson para o estudo do comportamento humano, preferindo trabalhar com organismos vazios: “para os behavioristas, o homem é uma caixa preta, na qual não se enxerga o que ocorre dentro, somente o que nela sai”.

Mesmo mostrando essa tendência para os trabalhos de Watson, não chegava tanto ao extremo, ao reconhecer que o comportamento externo pode ter alguma relação com a existência de eventos internos, colocando-o numa posição mais cognitivista do que Watson.

Skinner distingue duas formas de comportamentos: respondente ou condicionamento clássico, em que a resposta se segue ao estímulo, e condicionamento operante, em que a resposta parece ser espontânea e não se revelam os estímulos que lhe são próprios. (CAMPOS, 2003, p.28).

O condicionamento operante tem por princípio, o reforço do comportamento que pretendemos manter no indivíduo. Segundo Skinner, o comportamento antes do condicionamento, tido em nível operante, traz como conseqüência certa influência sobre ele, o reforço. Caso essas conseqüências sejam as esperadas, haverá um feedback sobre o comportamento, intensificando-o. Há dois tipos de reforçadores; o positivo e o negativo.

Enquanto o positivo se dá pela apresentação de um estímulo em conseqüência de um comportamento, o negativo esta relacionado pela retirada do mesmo.

3.2 - Construtivismo.

Nas teorias de aprendizagem que dão enfoque ao construtivismo, pode-se destacar o construtivismo de Piaget (chamada de epistemologia genética). Piaget desenvolveu uma teoria bastante complexa na busca de explicação sobre a gênese de conhecimento.

Segundo Campos (2003), um movimento contrário ao do behaviorismo fazia menção do que ocorria no interior do organismo para tentar explicar o comportamento observável do indivíduo e seus precursores questionavam o modelo mecanicista da abordagem comportamentista.

Surgia a psicologia cognitiva dando ênfase ao aspecto criador da mente, que devido a esse pensamento, e que tinha Wundt como seu precursor. Piaget foi sem dúvida o teórico que levou mais adiante essa pesquisa para desvendar o ato de conhecer.

Na Europa, as publicações de Jean Piaget (1896-1980) nas décadas de 20 e 30 acerca do desenvolvimento infantil, não em termos psicossexuais ou psicossociais, mas cognitivos colaboram para a evolução da psicologia cognitivista e o arrefecimento do comportamentismo, que predominava desde Wundt até Skinner. (CAMPOS, 2003, p.39).

Piaget questionava as concepções tradicionais da Psicologia que abordava o fenômeno inteligência sob aspecto quantitativo que por analogia considera o adulto mais inteligente do que a criança por resolver problemas mais complexos. Piaget fazia referências de que essa diferença entre adulto e criança era devido à falta de uma estrutura cognitiva para compreender problemas dessa ordem, ou seja, era de natureza qualitativa e não era quantitativa, pois a criança construirá estruturas cognitivas mais complexas à medida que ela se desenvolve e passa a apresentar um tipo de inteligência diferente do tipo do estágio anterior, como podemos ver em Ries10:

10 ROSA, Jorge La. Psicologia e Educação: O Significado do Aprender/Organização de Jorge La Rosa. 8. ed. – Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004.

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