Art. 22. Os dividendos que tocarem à parte do capital subscrito pelo Govêrno da União, não poderão ser retirados, devendo ser reinvestidos na aquisição de novas ações do próprio Banco.
Art. 23. O Banco de Desenvolvimento dos Municípios S. A. gozará de tôdas as vantagens e regalias autorgadas por lei ao Banco do Brasil S . A.
Parágrafo único. Serão, isentas do im- pôsto do sêlo federal as operações, atos e contratos em que intervier o Banco de De- senvolvimento dos Municípios S.A.
Art. 24 E' o Poder Executivo autori- zado a abrir, ao, Ministério da Fazenda, o crédito especial de um bilhão de cruzeiros, que o Tesouro Nacional entregará ao Banco de Desenvolvimento dos Municípios S A , para o fim especial de integralizar o capi- 1al inicial do referido Banco.
Art. 25 O Poder Executivo, regula- mentará, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, a execução desta lei.
Art. 26. Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as dispo- sições em contrário.
Sala das Sessões. - Cunha Bueno. - Osmar Cunha. - Nelson Omegna. - Lou- rival Baptista. - - Aniz Badra. - Miguel Bahury. - Menotti dei Picchia. - Gurgel do Amaral. - -Broca Filho. - Amiloar Pereira. - Pereira Lopes. - Paulo Freire.
- Arthur Virgílio. - Aluízio Ferreira. - Armando Corrêa. - Rubem Nogueira. - Arruda Câmara. - Clovis Mata. - Hilde- brando de Góes.- Jacob Frantz - Janduhy Carneiro. -Padre Vidigal. - Plínio Lemos.
- Souza Carmo. - M!ilrtins Rodrigues. - José Silveira. - Bocayuva Cunha. - Castro Costa. - Abtahão Moura. - Breno da Sil- veira. - Abel Rafael. - Oscar Corrêa.
Hamilton Nogueira. - Aurélio Viana. - Temperani Pereira. - Bento Gonçalves. - Munhoz da Rocha.- Santos Lima.- Aloy- âo de Castro.- Lycio Hauer.- Luís Viana.
Petronilo Santa Cruz. - Gabriel Hermes.
Victor lsler. - Pinheiro Chagas. - Oví- dio de Abreu.- Armando Storny. - Theo- dulo de Albuquerque. - Lourival de Almei- da. - Edgard Pereira. - Aderbal Jurema. - Olavo Galvão. - Alvaro Castelo. - Benja- mim Farah. - Nestor Carneiro. - Daget Serra. - Anísio Rocha. - Clarimundo Chta- padeiro.- Feliciano Pena.- Mario Beni.-
Wilson Calmon. - Paulo Lauro. - Adahil Barreto. - Wilmar Dias. - Rui Ramos. - Wilson Vargas. - Armando Rollemberg. - Campos Verga!.- Carlos Murilo.- Arman- do Carneiro. - Raymundo Brito. -Nogueira de Rezende. - Padre Nobre. - Sérgio Ma- galhães. - Nestor Duarte. - Badaró Júnior.
- Lister Caldas. - Ozanam Coelho. - Ba- tista Ramos. - Pedro Aleixo. - José Alk- mim. - José Pedroso. -Benedito Vaz. - Drault Emani. - Ernani Sátiro. - Corrêa da Costa. - Salvador Lossaco. - Herbert Levy. -Jayme Araújo. - Carlos ]ereissati.
Adauto Cardoso. - Último de Carvalho.
- Mattos Telles.
JUSTIFICAÇÃO
1 . O Banco dos Municípios, cuja cria- ção é preconizada pelo Deputado Cunha Bueno, em consonância com as idéias expos- tas nos Congressos Internacionais de Muni- cípios realizados no Panamá e em Madri, e no V Congresso Nacional dos Municípios, reunido em Recife em dezembro de 1959, cnnstitui tema de grande relevância.
A matéria comporta a análise de vários aspectos - constitucional, jurídico, admi- nistrativo, econômico e financeiro e, ainda, os aspectos organizacionais de estrutura e funcionamento da instituição.
2. O ptincipal objetivo dn estabeleci- mento será o fortalecimento e a ampliação dos recursos municipais, a expansão das fôr- ças de produção e geração de riquezas dos Municípios, através da coleta de recursos adequados ao financiamento dos respectivos planos de desenvolvimento.
Caracteriza-se, desta forma, o Banco dos Municípios, como típico banco de finan- ciamento e investimento, de feição semi-es- tatal, de vez que será constituído sob a forma de sociedade anônima de economia mista, na qual a União Federal deverá ter participação. Afigura-se, assim, que melhor definiria os objetivos da instituição a deno- minação de Banco de Desenvolvimento dos Municípios.
3. No tocante à convemencia e à opor- tunidade da criação de organismo bancário dessa natureza, encontram-se amplamente justificadas na tese oferecida pelo Deputado Cunha Bueno ao Congresso de Madri, de 1955, e incluída em opúsculo editado pelo D. A. S. P , na coleção do Instituto Brasi- leiro de Ciências Administrativas.
Trata-se de um imperativo econômico e social, cuja premência se faz sentir, de
modo indiscutível, nos países ainda em es- tágio de desenvolvimento, como' o nosso, onde ainda não foram empregaáos, em sua plenitude, os recursos naturais e humanos.
Deixando de lado, por ora, as conside- rações de ordem política, econômica e social, que fundamentam a criação de órgãos dêsse tipo, cumpre estudar os principais proble- mas constitucionais, jurídicos, administrati- vos e de organização, suscitado.s pela cria- ção do Banco dos Municípios.
4. Compete à União fiscalizar as ope- rações de estabelecimentos de crédito ( Cons- tituição, art. 5.0, IX), bem como legislar sô- bre instituições de crédito (art. 5.0, XV, letra K). Ainda nos têrmos da Constituição, a lei disporá o regime dos bancos de depósito (art.
149) e sôbre a criação de estabelecimentos de crédito especializado de amparo à lavoura e à pecuária (art. 150).
Assim, em princípio, nada impede que as Municipalidades, como pessoas jurídicas de direito público interno que são, capazes de assumir direitos e contrair obrigações, promovam a criação de um ou vários esta- belecimentos bancários, de cujo capital par- ticipem com recursos próprios, sujeitando-se, apenas, à obtenção de carta patente e à fiscalização do Govêrno Federal, para o re- gular funcionamento. Tais estabelecimentos, naturalmente, seriam de âmbito estadual ou regional, dada a dificuldade de se congrega- rem num só organismo, sponte swa, os nume- rosos Municípios brasileiros.
5. A questão deverá, entretanto, ser colocada em têrmos diferentes, se, para a estruturação do Banco dos Municípios, fôr prevista a utilização de recursos federais.
Nesse caso, a criação de órgão de natu- reza do Banco dos Municípios transcende da órbita dos podêres locais, tornando-se indis- pensável a elaboração de lei federal orgâni- ca, inclusive para regular a aplicação dos dinheiros provindos do Tesouro Nacional.
6. O Banco de Desenvolvimento dos Municípios (designação que preferimos), para atender melhor a seus objetivos, deve- ria, a nosso ver, integrar o sistema bancário federal, como organização especializada se- mi-estatal, ao lado de instituições já exis- tentes, como o Banco Nacional de Desenvol- vimento Econômico, o Banco de Crédito da Amazônia e o Banco do Nordeste do Brasil.
Somente atribuindo ao Banco dos Mu- nicípios o caráter de órgão federal é que será possível estender a sua ação a tôdas as comunas do território nacional, pois, em caso
contrário, exatamente os municípios mais necessitados de recursos para incremento de suas atividades produtoras teriam menores possibilidades de obtê-los. Basta considerai a circunstância de que a função do Banco dos Municípios será predominantemente pública, para evidenciar a conveniência de imprimir ao Órgão natureza semi-estatal.
7. Uma vez configurado o Banco dos Municípios como organização semi-estatal, federal, poderá o Tesouro Nacional partici- par de seu capital a par das Municipalidades e de particulares.
Um Banco dessa natureza, de que par- ticipassem capitais, privados e capitais pú- blicos, estaria apto a realizar operações de crédito que redundariam na obtenção de recursos financeiros para a execução de obras indispensáveis ao desenvolvimento local e regional, inclusive mediante antecipação de receitas aos Municípios.
8. Em estudo publicado na "Revista de Direito Administrativo", vol. 38, pág. 20 e segs., Wa!ter T. Alvares admite que o Município participe de sociedade de econo- mia mista, satisfeitas as exigências peculia- res para a aplicação de fundos públicos. São conhecidos os exemplos de companhias mis- tas municipais, como a C. M. T. C., em São Paulo, e o Banco da Prefeitura do antigo Distrito Federal.
Também os comercialistas, como Tra- jano Valdeverde e Ruy Carneiro Guimarães, afirmam a possibilidade da subscrição de ações de sociedades anônimas pelos Municí- pios.
9. No referente à organização do Banco dos Municípios, e à enumeração de suas operações, há que atender, precipuamente, aos ditames da economia e da técnica ban- cária. Assim, é preciso considerar, por exem- plo, que os investimentos em serviços pú- blicos municipais exigem, pela sua natureza, financiamento a longo, prazo. Subsídios in- teressantes, a êsse respeito, podem ser colhi- dos na Lei n.0 2. 134, de 14-12-1953, que assegura o financiamento dos serviços muni- cipais pelas Caixas Econômicas Federais e Institutos de Previdência Social.
Na lei que estruturar o Banco deverão ser previstas apenas as linhas mestras da organização, reservando-se para os estatutos e regimento interno os pormenores.
Na organização administrativa do nôvo Banco, dever-se-á ter em vista a estruturação dos outros organismos já componentes do nosso sistema de crédito, como, por exemplo, o Banco do Nordeste do Brasil.
10. Para a constituição do capital ini- cial, com o qual o Banco iniciará suas operações, deverá o Tesouro Nacional forne- cer o numerário, à conta de crédito especial- mente aberto para êsse fim.
O restante do capital, entretanto, deverá ser coberto mediante a subscrição compul- sória de ações por parte dos contribuintes de impostos municipais, à semelhança do plano adotíJ,do para a integralização do capital da Petróleo Brasileiro S . A.
Petrobrás.
11. Na novel sociedade de economia mista, deverá ser assegurada à União a
direção geral, através do presidente nomeado
•• pelo Presidente da Repúblic7t' e deiuissív~l ad nutum.
Além do presidente, é prevista a exis- tência de mais cinco diretores que chefiarão as Carteiras do Banco, o Conselho Consulti- vo e o Conselho Fiscal.
12. Como a criação de um Banco dessa natureza constitui matéria de competência do Congresso Nacional, tomamos a iniciati- va de elaborar o presente projeto de lei, ora submetido ao estudo e deliberação de nossos pares .
CONSÓRCIOS liNT1ERlV1UNICIPAIS
FIM de descentralizar a obra assis-
A
tencial aos menores, que passa a ser feita em conjunto por várias cidades, e sob sua supervisão e orientação, o Serviço Social de Menores, de São Paulo, tomou a inicia- tiva de incentivar a c!Íação, no Interior do Estado, de consórcios intermunicipais para assistência aos n1enores. Êstes, entre suas finalidades, objetivam fixar o menor aban- C:::mado ou infrator, até mesmo o delinqüente, em sua região de origem, reeducando-o e adaptando-o socialmente.F01am organizados em 1961, 10 con- sórciosj que são regio11ai s e cujo território, abrangendo vários municípios da mesma re- gião, é formado pelos territórios dos muni- cípios consorciadOs, unitàriamente, con1o se 11ão existissem divisas municipais. Os con- sórcios organizados no ano passado têm sede nos seguintes municípios: Itararé, Capão Bo- nito, (tapeva, Bauru, São José do Rio Prêto, São Carlos, São João da Boa Vista, Lucélia, Lins e Ma tão. Cada consórcio tem a dura- ção de 1 O anos, e ser á considerado prorro- gado por igual prazo se não fôr denunciado até um ano antes de seu têrxno.
Êsses consórcios~ que têm caráttr de rnodêlo, terão seu funcionamento observado de modo a qne, quando esti ve1 em funcio nando bem, sirvam de base para a criação de outros no interior do Estado Se fôr cal culada a quantidade de 10 municípios pma formarem um consórcio, e tendo o Estado de São Paulo, exclusive a Capit::>.l, 509 muni- cípios, verifica-se a uecessidade da institui- ção de mais 40 consó,·cios
A contribuição a ser fixada poderá ser 111enor que a prevista no convêniol a fin1.
de atender à situação orçamentária dos mu nicípios associados. Cada município, ao se1 associado, transferirá, desde logo, pare. o con · sórcio, qualquer estabelecimento ou instala- ções destinadas à assistência a menores, junto com os respectivos serviços, registrando-se a transferência pelo valor da avaliação.
Os recursos financeiros do Consórcio provêm: da cota contributiva dos municípios consortes, fixada atualmente pela Assembléia dos Prefeitos, dentro do limite máximo esti- pulado no convênio; das subvenções perió- dicas convencionais, do Estado e da União;
das subvenções ocasionais, dos legados e con- tribuições de qualquer outra natureza; das
pensões alimentícias fixadas em processos de menor internado, a cat go ele parentes; da venda de produtos agrícolas, industtiais, ou de at tes e ofícios dos estabelecimentos mem.
bras do consórcio.
l:\llensalrnente, o consótcio aptesentará ao Serviço Social de Menores demonstrativos de sua situação financeira, acompanhados dos comprovantes originais da despesa efetuada, e, até o fim de março de cada ano, o balanço geral das atividades do exe1 cício anterior
CONSÓRC!O emprega seu obras como as seguintes:
capital em.
creches, sec mi -internatos, e clubes de guat das-mirins (a fim de evitar o hiato entre a saída da escola prirnária e o início do curso ginasial, dando lHna ocupação útil ao xneuor) Eventual rnentej o consórcio pode t et S81 viços como:
escolas de alfabetização e p1é-vocacionais;
l1ôlsas de es'iudo; e agências de colocação O consórcio presta auxílios ao menor e à faillília dêste, na forma de: auxílio-medi- camento, auxílio -alitnento; auxílio-v8stuário;
alugueres evEntuais; auxílios em donativos a entidades assistenciais
O consórcio, visando à criança rural, proporciona ao homem do campo assistência rnédica, dentária, e educação sanitária Às vêzes, também é prestada assistência judi- ciária
ASSiSTÊNCIA p1estada por um consórcio tem os seguintes objetivos fundamen- tais: preservar os laços familiares do menor;
prevenir o abandono e a perversão; socorrer o menor e educá-lo no seio da prÓpria família
ou da família substituta; preferir os serviços de creches e semi-internatos; evitar interna- ções e só admiti-las em casos extremos; não deslocar o menor de sua regi.ão de origem;
prepará-lo para a sua reintegração social.
Por fôrça de convênio com o Serviço Social de Menores, com êle articulado e sob sua orientação técnica, um consórcio se obriga a: estudar o problema do menor em seu território; fazer o levantamento das ne- cessidades existentes bem como dos recursos disponíveis para atendê-las; planejar e exe- cutar o serviço social aos menores da regtao;
esclarecer a opinião pública da região sôbre o problema do menor e suas soluções
A assistência do consórcio deve atingir menores de ambos os sexos sem restrição de idade, os normais e os excepcionais, os ne- cessitados, abandonados, pervertidos e infra- tores não perigosos. O consórcio deve, ainda, dar especial atenção ao estudo e execução de medidas preventivas do abandono e trans- viamento dos menores. O consórcio é obri- gado a assistir os menores oriundos de sua região, e que forem encaminhados pelo SSM
M
ENSALMENTE, sem prejuízo de quais- quer subvenções ou auxílios que venha a pleitear ou receber, o consórcio receberá determinada importância mensal, do Serviço Social de Menores. As partes contratantes do consórcio se obrigam a: concorrer para a manutenção do consórcio, entregando-lhe cada ano uma parte de suas rendas tributá- rias anuais, segundo uma percentagem não superior a 5%, igual para cada município associado; dar ao consórcio o seu aval, a fim de que êle possa: 1.0 - obter créditos a curto prazo, como antecipação de receita do exercício anual, e 2.0 - lançar empréstimos a longo prazo, exclusivamente para constru- ções, instalações e melhoramentos numas e em outras. O aval deve ser prestado con- juntamente por todos os municípios asso- ciados.A
ASSEMBLÉIA dos Prefeitos é o Órgão supremo, da administração do Consór- cio, cabendo-lhe deliberar livremente quan- to a essa sociedade e seus negócios, sem ou- tros limites que os do Convênio com o SSM, e os do Estatuto do Consórcio.O Consórcio tem, ainda, os conselhos Consultivo e Fiscal, compostos, respectiva- mente, de 5 e 6 membros. Os 5 componen- tes do conselho Consultivo devem ser "cida- dãos de reconhecida idoneidade e saber no- tório", eleitos pela Assembléia dos Prefeitos.
Além dêsses 5 membros, compõem o Con- selho Consultivo os juízes de Direito das comarcas do território do Consórcio.